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C. H. SPURGEON

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MEDITAÇÃO - C. H. SPURGEON

Posted by Josemar Bessa on Junho 15, 2009 , under | comentários (0)



Alguns trechos bíblicos ficam claros diante dos nossos olhos — pastos baixos e abençoados onde os cordeiros podem se alimentar; existem, no entanto, profundezas onde nossa mente poderia antes afogar-se do que nadar com prazer, se ela chegasse até lá sem cautela. Existem textos das Escrituras que foram feitos e construídos com o propósito de nos levar a pensar. Por esse meio, inclusive, nosso Pai celestial quer nos educar para o céu — fazendo-nos penetrar nos mistérios divinos com a nossa mente. Por isso, Ele nos oferece a sua Palavra de uma forma às vezes complexa, para nos compelir a meditar sobre ela, antes de chegarmos à sua doçura. Ele poderia ter explicado tudo de tal maneira que captássemos o pensamento num só minuto, mas não foi da vontade dEle fazer assim em todos os casos. Muitos dos véus que são lançados sobre as Escrituras não têm a intenção de ocultar o significado aos leitores diligentes, mas de compelir a mente a ser ativa, pois muitas vezes a diligência do coração em procurar saber a vontade divina faz mais bem ao coração do que a própria sabedoria obtida. A meditação e o esforço mental cuidadoso servem como exercício e fortalecimento da alma, que passa a ficar em condições de receber verdades ainda mais sublimes.
Precisamos meditar. Essas uvas não produzem vinho até serem pisadas por nós. Essas azeitonas precisam ser colocadas debaixo da roda, e prensadas repetidas vezes, para que o azeite flua delas. Olhando para um punhado de nozes, percebemos quais delas já foram comidas, porque há um buraquinho onde o inseto furou a casca — só um buraquinho, e lá dentro há uma criatura vivente comendo a noz. Ora, é uma coisa maravilhosa furar a casca da letra, para então ficar por dentro comendo a própria noz. Bem que eu gostaria de ser um vermezinho assim, vivendo dentro da Palavra de Deus, alimentando-me dela, depois de ter aberto caminho através da casca e ter chegado ao mistério mais interior do evangelho bendito. A Palavra de Deus sempre é mais preciosa para o homem que mais se alimenta dela.
No ano passado, sentado debaixo de uma faia nogueira que se estendia em todas as direções, e admirando aquela árvore tão maravilhosa, pensei comigo mesmo: Não tenho nem a metade da estima por essa faia do que o esquilo tem. Vejo-o, pulando de galho em galho, e tenho certeza que ele dá muito valor àquela velha faia, porque tem seu lar em algum oco dentro dela, os galhos são o seu abrigo, e aquelas nozes de faia são o seu alimento. Ele vive da árvore. É seu mundo, seu pátio de recreio, seu celeiro, seu lar; realmente, é tudo para ele; mas para mim, não, porque obtenho meu repouso e minhas refeições em outro lugar. No caso da Palavra de Deus, é bom sermos como esquilos, habitando nela e vivendo dela. Exercitemos nossa mente, pulando de galho em galho na Palavra; achemos nela o nosso repouso e façamos dela o nosso tudo. O proveito será todo nosso, se fizermos dela nosso alimento, nosso remédio, nosso tesouro, nosso arsenal, nosso repouso, nossa delícia. Que o Espírito Santo nos leve a fazer assim, tornando a Palavra tão preciosa à nossa alma!

Oração ao Autor da Palavra
Agora, quero fazê-lo lembrar que, para obter proveito da Palavra, teremos de orar. É uma coisa excelente sermos forçados a pensar, e coisa mais excelente ainda é ser forçado a orar pelo fato de ter sido levado a pensar. Não é verdade que estou falando com alguns de vocês que não lêem a Palavra de Deus, e que estou falando com muitos outros que a lêem, mas sem nenhuma resolução firme no sentido de entendê-la? Sei que esta é a realidade. Você quer começar a ser um leitor verdadeiro? Então, precisa dobrar os joelhos. Você deve orar a Deus, pedindo orientação. Quem entende melhor um livro? O próprio autor dele.
Se quero verificar o verdadeiro significado de uma frase um pouco complexa, e o autor mora perto da minha casa e tenho condições de visitá-lo, vou tocar a campainha da porta dele e dizer-lhe: "O senhor pode ter a gentileza de me dizer qual o significado original daquela frase? Não tenho a mínima dúvida de que ela faz muito sentido, mas eu sou inculto demais para percebê-lo. Não tenho o conhecimento e o domínio do assunto que o senhor possui, e, portanto, suas alusões e descrições estão além do meu alcance. Para o senhor, é um lugar-comum, bem dentro do seu alcance, mas para mim é difícil. O senhor teria a bondade de me explicar o significado?" Um bom homem teria prazer em ser tratado assim, e não teria nenhum problema em deslindar o significado a um leitor interessado e sincero. Assim, eu teria a certeza de obter o significado correto, porque estaria indo à fonte original ao consultar o próprio autor.
Da mesma maneira o Espírito Santo está conosco, e quando tomamos na mão o Livro dEle e começamos a lê-lo, e queremos saber o significado, devemos pedir que o Espírito Santo nos ensine. Ele não operará um milagre, mas Ele inspirará a nossa mente, e Ele nos sugerirá pensamentos que nos levarão através da ligação natural entre eles, até finalmente chegarmos ao cerne e ao âmago de sua instrução divina.
Portanto, procure com muita sinceridade a orientação do Espírito Santo, porque, se a própria alma da leitura é o entendimento daquilo que lemos, logicamente devemos invocar o Espírito Santo em oração, pedindo que Ele desvende os mistérios secretos da Palavra inspirada.

Usando Meios e Ajudas
Se temos pedido assim a orientação do Espírito Santo, segue-se que estaremos dispostos a usar todos os meios e ajudas para entendermos as Escrituras. Quando Filipe perguntou ao eunuco etíope se este entendia a profecia de Isaías, o eunuco respondeu: "Como poderei entender, se alguém não me explicar?" Em seguida, Filipe subiu à carruagem e abriu-lhe a Palavra do Senhor.
Alguns, sob o pretexto de estar sendo ensinados pelo Espírito Santo, se recusam a ser instruídos por livros ou por homens. Essa atitude não honra ao Espírito de Deus; pelo contrário, desrespeita-O, porque se Ele dá a alguns dos seus servos mais luz do que dá a outros — e é claro que Ele dá — esses estão obrigados a transmitir essa luz aos outros, e usá-la para o bem da igreja. Se, porém, o restante da igreja se recusa a receber essa luz, com que propósito o Espírito de Deus a deu? Nesse caso, haveria a sugestão de que há algum erro na dispensação dos dons e das graças, que é dirigida pelo Espírito Santo. Não pode ser assim. É do beneplácito do Senhor Jesus Cristo dar mais conhecimento e entendimento da sua Palavra a alguns dos seus servos do que a outros, e nossa parte é aceitar com alegria o conhecimento que Ele dá, da maneira que Ele quer dá-lo.
Seria muita iniqüidade nossa dizermos: "Não queremos os tesouros celestiais que existem em vasos de barro. Se Deus nos der o tesouro celestial com a sua própria mão, nós o aceitaremos, mas não através de vasos de barro. Pensamos que somos suficientemente sábios, com mentalidade celestial, e muito espirituais para dar valor às jóias quando estão colocadas em vasos de barro. Não queremos ouvir a ninguém, e não queremos ler algo além da Bíblia, nem queremos aceitar alguma luz a não ser aquela que passa por uma fenda em nosso próprio telhado. Não queremos ver com a claridade da vela de outro; preferimos permanecer na escuridão". Irmãos, não caiamos em semelhante insensatez. Se a luz vier da parte de Deus, mesmo que seja trazida por uma criança, nós a aceitaremos com alegria. Se algum dos servos dEle, seja Paulo, ou Apolo, ou Cefas, tiver recebido luz, eis que "todas as coisas são vossas, e vós, de Cristo, e Cristo, de Deus"; aceite, portanto, a luz que Deus acendeu, e peça graça suficiente para focalizar essa luz na Palavra, de modo que, ao lê-la, você possa entendê-la.
Não quero dizer muito mais a respeito disso, mas gostaria de fazê-lo sentir essas verdades. Você tem a Bíblia em casa, eu sei; você não gostaria de ficar sem a Bíblia; e pensaria que é um pagão, se não a tivesse. Você tem a Bíblia e talvez ela seja muito bem encadernada, um exemplar de aparência excelente; as páginas não foram muito viradas nem gastas, e não correm tal risco, porque apenas saem aos domingos para tomar o ar, e durante o restante da semana ficam guardadas junto aos lenços perfumados de alfazema. Você não lê a Palavra, não a perscruta, e como poderá esperar que receberá a bênção divina? Se não vale a pena escavar para achar o ouro celestial, não há a probabilidade de descobri-lo. Várias vezes já lhe falei que escrutinar as Escrituras não é o caminho da salvação. O Senhor tem dito: "Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo". Mesmo assim, a leitura da Palavra freqüentemente leva, assim como o ouvir da Palavra, à fé, e a fé traz a salvação; porque a fé vem pelo ouvir, e a leitura é um tipo de ouvir. Enquanto você procura saber o que é o evangelho, pode ser do agrado de Deus abençoar a sua alma.
Mas que quantidade inferior de leitura alguns de vocês dedicam às suas Bíblias! Não quero dizer nada que seja demasiadamente severo por não ser rigorosamente verdadeiro — que falem suas próprias consciências — mas não deixo de tomar a liberdade de perguntar: Não é verdade que muitos de vocês lêem a Bíblia de maneira muito apressada — só um pouquinho, e saem correndo? Alguns de vocês não se esquecem, pouco tempo depois, de tudo quanto leram, perdendo até mesmo o pouco efeito que parecia ter? Quão poucos de vocês estão resolutos no sentido de chegar até ao âmago da Palavra, ao seu suco, à sua vida, à sua essência, e a beber do seu significado! Se você não fizer assim, digo-lhe, de novo, que a sua leitura é leitura miserável, leitura morta, leitura sem proveito; não é leitura de modo algum, e até o nome de leitura seria impróprio. Que o Espírito Santo lhe dê arrependimento quanto a este assunto.

A LINHA INVISÍVEL - C. H. SPURGEON

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Existe um tempo, não sabemos quando,
Um ponto, não sabemos onde,
Que marca o destino dos homens,
Para glória ou desgraça.


Existe uma linha a nós invisível,
Que cruza cada caminho;
O limite misterioso entre
A paciência e a ira de Deus.


Passar este limite é morrer,
Morrer como se em segredo:
Ele não apagasse o olhar que brilha,
Nem empalidecesse a saúde que incandesce.


A consciência pode estar todavia tranqüila,
O espírito leve e alegre;
Naquele que pensa estar agradando,
E nem cuida ser arremessado para longe.


Mas sobre esta testa, Deus tem colocado
Permanentemente uma marca
Invisível ao homem, porque o homem ainda
É cego e corre na escuridão.


E ainda que o caminho do homem condenado
Como o Éden possa ter florido;
Ele não sabia, nem sabe, nem saberá,
Nem sente que está condenado.


Ele pensa e sente que tudo está bem,
E cada medo é tranqüilizado;
Ele vive, morre, acorda no inferno,
Não somente condenado mas desaprovado.


Ó, onde está Tua misteriosa linha,
A qual nosso caminho cruza,
Além da qual o próprio Deus tem jurado,
Estar perdido quem dela passar?


Até onde podemos viver pecando?
Quanto Deus tolerará?
Quando a esperança termina?
E onde começam
Os confins do desespero?


Uma resposta dos céus é enviada:
‘Tu que te desvias de Deus
Enquanto és chamado, hoje,
Arrepende-te!E não endureças o teu coração.’


Charles H. Spurgeon“Uma fé pequena leva as almas até o céu, mas uma grande fé traz o céu até as almas”

Este texto está no Tópico - C. H. SPURGEON

NENHUM FILHO DE DEUS SE PERDERÁ - SPURGEON

Posted by Josemar Bessa on Junho 08, 2009 , under | comentários (1)




O justo seguirá o seu caminho firmemente. (Jó 17:9)

O verdadeiro cristão é uma pessoa que foi tornada justa. O homem justo vive de maneira bem diferente daquela do homem mundano. Ele anda no caminho de Deus, um caminho santo. Deus dá continuamente Sua graça e ajuda ao verdadeiro cristão, para que possa continuar a andar nesse caminho. As vezes a vida será muito severa e difícil e ele caminhará vagarosamente. Outras vezes quase não fará nenhum progresso, mas terá a determinação de continuar avançando. Ele continuará mirando o céu e dando as costas ao mundo. Ele "seguirá seu caminho firmemente".
Um homem tornasse um verdadeiro cristão por causa da obra de Deus em sua vida. É também pela obra de Deus que o homem continua a ser cristão. A graça e a força que Deus lhe dá ajudam-mo a resistir todas as coisas que estão contra ele. O mundo, a carne e Satanás tentam lhe deter. Entretanto, com a determinação que Deus dá ao crente, ele "segue seu caminho firmemente".
Nosso texto, "O justo seguirá seu caminho firmemente", nos ensina muito claramente que crentes, santos, irão perseverar; continuarão até o fim. Os cristãos devem entender o que é "seguir firmemente" e também o que não é. A Bíblia não nos ensina que o crente alcançará o céu sem andar pelo caminho reto que o leva até lá. Uma mera profissão de fé em Cristo como Salvador não é suficiente. Nossa fé nEle precisa continuar. Devemos estar diaria­mente nos arrependendo, crendo e orando. O caminho é muitas vezes difícil e o cristão pode cair em pecado. Quando isto acontece, ele não pode descansar ou estar feliz até que volte a Cristo, confesse seu pecado e seja purificado novamente.
O crente não quer pecar. Ele quer ser perfeito e santo, como seu Pai que está no céu o é. Nós não ensinamos que a partir do momento que alguém crê, ele pode então viver em pecado e ainda ser salvo. Tal ensinamento é muito errado. Um filho de Deus não pode levar uma vida de pecado. E em razão da graça e da ajuda que Deus lhe dá, ele não viverá dessa maneira.

1. Nós lhes mostraremos, primeiramente, o verdadeiro ensino da Bíblia. Em seguida, explicaremos as lições espirituais qué podemos aprender desse ensino. Será proveitoso ter suas Bíblias à mão, para que possam examinar os diferentes versículos citados.Cremos que Deus tem um povo escolhido. Essas pessoas são redimidas e a elas será dada vida eterna. Cremos que a graça de Deus produz convicção dos pecados nos corações dessas pessoas.

Primeiramente Deus lhes mostra seus pecados. Em seguida, Deus as leva a crerem em Cristo. Pelo fato de que Cristo é justo, Deus vê os Seus filhos que confiam em Cristo como justos também. Cremos ainda que estas pessoas escolhidas e eleitas certamente serão levadas à glória no céu. Essas doutrinas da graça são como uma corrente, cada uma está ligada às outras. Cada elo na corrente, isto é, cada doutrina, necessita das outras.
Existem muitas pessoas que não crêem neste ensinamento. Elas nos dizem que na Bíblia há advertência contra as pessoas que abandonam sua fé. Perguntam: "Por que são dados esses avisos se é realmente verdade que "os justos seguirão firmemente seu caminho?" Se não é possível para os verdadeiros cristãos abando­narem sua fé, qual é a necessidade das advertências sobre perder--se? Será que essas advertências não são utilizadas por Deus para que Seu povo não se afaste dEle?"
Na Epístola aos Hebreus encontramos sérias advertências con­tra o abandono da fé (apostasia). Mas o autor de Hebreus está certo de que os
verdadeiros cristãos a quem ele está escrevendo não estarão entre os que abandonarão sua fé. Ele diz: "Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores" (Heb. 6:9).
No entanto, aqueles que não gostam do ensinamento de que o verdadeiro cristão não pode em última análise perder sua fé, nos dizem que na Palavra de Deus há aqueles que conheceram de fato a Cristo e mesmo assim abandonaram o caminho cristão. Devemos dizer a eles que isto não é verdadeiro. Devemos lembrá-los de versículos como I João 2:19: "Saíram de nós, mas não eram de nós; porque se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós".
No Evangelho de João, o Senhor Jesus Cristo fala dos ramos da videira que, por não produzirem nenhum fruto, foram cortados e queimados. Ilustrando-se isso de uma outra maneira, existem muitas pessoas que parecem sercristãs exteriormente, mas que nos seus corações realmente não são cristãs. Essas pessoas deixarão a companhia dos autênticos cristãos e jamais retornarão. Elas serão como ramos sem frutos que só servem para serem queimados. Isso já não acontece com o cristão autêntico. Ele poderá se desviar, porém voltará. Ele não será como um ramo de árvore que foi cortado. Ele será como um ramo que foi podado, para que mais tarde produza novamente fruto. Em Mateus 7:23, aqueles a quem o Senhor diz: "Nunca vos conheci" jamais foram Seus seguidores.
A primeira razão que damos para mostrarporque os verdadeiros crentes seguirão firmes até o fim, é o tipo de vida que receberam ao nascerem de novo. O apóstolo Pedro diz que os filhos de Deus foram "de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre" (I Ped. 1:23). Toda pessoa que nasce neste mundo tem um corpo físico, o qual irá morrer. Mas todo aquele que tem esta nova vida espiritual, possui uma nova natureza, a qual não morre. Essa nova vida vem de Deus e é eterna, então como pode morrer?
A pessoa que nasce de novo odiará o pecado e lutará contra ele. Essa pessoa não será capaz de levar uma vida de pecado, embora nunca esteja completamente livre de pecar. O Senhor Jesus Cristo, falando à mulher samaritana ao poço, disse: "Qualquer que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der se fará nele uma fonte d'água que salte para a vida eterna" (João 4:13-14). A nova vida que recebemos como crentes jamais será retirada de nós. Ela nos dá vida eterna. Ela vence a nossa natureza pecaminosa.
Nossa nova vida está intimamente ligada com fé, e fé sempre triunfa. A Bíblia nos assegura que a fé não pode ser derrotada. Deus colocou Sua vida em nós. Ele nos tem conduzido das trevas para a luz. Temos uma esperança viva porque Cristo ressuscitou dos mortos. Seu Espírito veio habitar em nós. Devemos crer que esta vida divina dentro de nós não pode morrer. "O justo seguirá o seu caminho firmemente'*.
A segunda razão que damos a favor da perseverança dos santos provém das coisas que o próprio Senhor Jesus declarou. Uma delas é: "Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:15). Pode o homem crer e ;m seguida morrer? Pode ele receber uma vida espiritual que não é eterna? Isso não é possível. "Deus deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça" (João 3:16).
Alguns dizem que é possível ter vida eterna e então perdê-la. No entanto, isso não pode ser verdade. Vida eterna é eterna e não pode ser perdida. A pessoa a quem ela é dada jamais morrerá. "Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna" (João 6:40). Os santos no céu têm vida eterna e eles não morrerão. Da mesma forma os santos na terra, os quais têm a mesma vida eterna, não podem morrer.
Esta verdade é ensinada em muitos textos da Bíblia. Em João 6:47 nosso Senhor disse aos judeus que "Aquele que crê em mim tem a vida eterna". Não precisamos de nenhuma outra passagem além de João 10:28-29: "Dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai que mas deu, é maior que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai".

O Senhor Jesus Cristo irá segurar Seu povo em Suas poderosas mãos. O Pai também irá segurá-lo. Isso deve significar que os santos estão salvos de tudo que tente destruí-los. Portanto os santos estão salvos da apostasia.
Mateus 24:24 é um importante versículo. Fala de falsos cristos e falsos profetas fazendo grandes sinais e prodígios para se possível enganar até os escolhidos. Isto mostra que não é possível para os eleitos de Deus serem enganados. Os servos de Cristo conhecem Sua voz, a voz do Bom Pastor e eles O seguem: "O justo seguirá o seu caminho firmemente".
Aterceira razão porque os crentes estarão seguros para sempre reside no fato de que Jesus ora por Seu povo. Ele não está morto; ressuscitou e está no céu; Ele intercede ali, continuamente, junto ao Pai por Seu próprio povo. O nome de cada um está escrito em Seu coração. O escritor da carta aos Hebreus diz: "Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Heb. 7:25).
Os filhos de Deus podem ter uma vida muito difícil. Eles podem ser cirandados pra lá e pra cá como farinha numa peneira. Eles podem pecar. Eles podem estar entristecidos. Entretanto as orações do seu Salvador irão impedir que eles percam sua fé. Pedro disse três vezes que não conhecia Cristo. Isso certamente foi pecado; porém seu Senhor e Salvador havia orado ao Pai a favor de Pedro. Ele foi restaurado e testemunhou a outros sobre Cristo, ao invés de negá-lO.
Leia no Evangelho de João, capítulo 17,-onde consta a oração do Senhor por Seu povo. Antes de Sua crucificação Ele orou: "Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste..." (João 17:11). Somos muito fracos e se fôssemos deixados sem ajuda perderíamos nossa fé. Todavia, devido Cristo orar por nós, "seguiremos firme­mente".
Chegamos agora à quarta razão. Baseamo-nos no que Cristo foi e fez aqui, na terra. Na sua segunda carta à Timóteo, o apóstolo Paulo diz: "... eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia" (II Tm. 1:12). Paulo diz que o Senhor Jesus o amou; que Ele morreu na cruz para salvá-lo; e que nos céus está orando por ele. Por isso Paulo é capaz de colocar sua alma aos cuidados de seu poderoso e amável Senhor. Jesus intercederá pelo Seu povo escolhido até que ele chegue aos céus.
Nossa quinta razão é que os santos irão perseverar por causa do concerto da graça. Leiam para vocês mesmos no Velho Testamen­to, em Jeremias capítulo 32. No versículo 40 Deus diz: "E farei com eles um concerto eterno, que não se desviará deles, para lhes fazer bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim". Deus não deixará Seu povo nem Seu povo O deixará.
Hebreus, capítulo 8, nos diz que viveremos sob este novo pacto. O pacto antigo era o de obras e requeria perfeita obediência da nossa parte. Como pecadores por natureza, incapazes de obedecer­mos perfeitamente os mandamentos de Deus, seríamos todos condenados à morte. O novo pacto é bem diferente. É um pacto da graça. Não temos como sair do reino da graça, pois o Deus que fez o pacto prometeu nos guardar. Deus disse através do profeta Isaías: "Porque as montanhas se desviarão, e os outeiros tremerão; mas a minha benignidade não se desviará de ti, e o concerto da minha paz não mudará, diz o Senhor, que se compadece de ti" (Is. 54:10).
Não devemos retornar ao pacto antigo que nos prenderia com correntes como se fôssemos escravos. Estamos sob a nova aliança. Deus nos deu vida eterna. Jamais morreremos. Cristo nos segura em Suas mãos, e ninguém pode nos arrebatar dEle. É uma aliança maravilhosa!
A sexta razão é bem forte. É baseada na fidelidade de rjeus. Deus não é como os homens. Se Ele fez uma promessa, Ele a cumprirá. Se Deus começa a fazer algo, Ele não irá parar até que a obra esteja terminada. Está escrito: "Porque eu, o Senhor, não mudo..." (Mal. 3:6). Portanto devemos confiar na fidelidade de Deus. O apóstolo Paulo diz: "Fiel é Deus, pelo qual fostes chama­dos para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor" (I Cor. 1:9). Deus nos chamou e nos salvou. Ele será fiel às Suas promessas para nos manter andando no Seu caminho até que nos leve para nossa morada na glória junto a Si mesmo. "O justo seguirá o seu caminho firmemente".
A sétima e última razão porque os santos hão de perseverar até o fim é baseada no que Deus já tem feito em nós. Deixemos as passagens seguintes penetrarem em nossas mentes. Jerernias disse: "Pois com amor eterno te amei, com amorável benignidadejte atraí" (Jer. 31:3). Que palavras maravilhosas — "amor eterno, amorável benignidade"! Como podemos pensar que Ele nos deixará, visto que nos ama de tal maneira? Leiam Romanos 5:10- "Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida". Estas palavras significam que, se Deus nos trouxe de volta à Ele quando éramos inimigos, através da morte de Seu Filho, Ele não nos abandonará agora que somos Seus amigos.Leiam também Romanos 8:29-30 que são versículos belíssimos. "Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes justificou; e aos que justificou a estes também glorificou". Como dissemos anterior­mente, as doutrinas da graça são como uma corrente que não pode ser quebrada. A Palavra diz isto de maneira bem sublime. "Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo?" (Rom. 8:33-35).
Novamente, nós lemos: "Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo" (Fil. 1:6). Esta passagem resume tudo que estamos tentando dizer. Deus continuará com a obra que Ele começou em nós até que ela esteja terminada.
Nossa união espiritual com Cristo é comparada à união matri­monial. Cristo é o noivo. O corpo todo de crentes, a Igreja, é a noiva. Cristo não irá, nem pode, divorciar-Se da noiva. Oséias diz: "E desposar-te-ei comigo para sempre..." (Os. 2:19). Esta união é explicada de uma outra forma. Nós somos o coipo. Cristo é a cabeça do corpo. Como podem os dois ser separados?
Ainda mais, foi dado o Espírito Santo a todos os escolhidos de Deus. Esta é a maior evidência que eles formam um povo redimido, comprado. O Espírito Santo é um sinal vivo de que Deus os reivindicou para Si. A palavra usada pelo apóstolo descreve o Espírito como um selo. Isto mostra a segurança completa da pessoa que está selada até que toda a obra de redenção nela seja concluída e ela chegue ao céu. O Espírito Santo, que vive em nós, nos guardará até aquele dia. O melhor é usar as palavras do apóstolo Paulo à Timóteo: "E o Senhor me livrará de toda a má obra, e guardar-me-á para o Seu reino celestial..." (II Tim. 4:18). Com corações confiantes devemos dizer com Paulo "Amém".

2. Concluindo, o que temos de aprender de forma prática desse ensino? Nova coragem é dada ao homem que está na estrada para o céu. Ele pode estar achando o caminho longo e duro, sentindo que nunca chegará ao fim, semelhante ao viajante que enfrenta vento e chuva, e íngremes morros a subir. Talvez chegue a querer se deitar e morrer, porque não tem esperança que possa continuar até o fim. Então ele ouve uma voz lhe dizendo: "O justo seguirá o seu caminho firmemente". Ele sabe, então, que irá chegar ao fim da estrada. Isto lhe dá novas forças para lutar contra tudo que se opõe a ele.
No céu uma coroa está aguardando todo o crente verdadeiro. Este pensamento lhe dá forças para continuar. Haveremos de alcançar o céu. Nossa coroa está lá. Haveremos de chegar lá para usá-la. Nossa coragem é então renovada e continuamos até que ganhemos a vitória sobre nosso último inimigo — a morte.
A certeza de que pecadores que vêm à Cristo serão guardados por Ele e finalmente levados ao céu, deve conduzir pecadores à Cristo. Quando eu era um menino, não queria fazer coisas erradas e estava receioso que as fizesse. Vi muitos outros vivendo em pecado. Sabia que eu era fraco. Então ouvi dizer que se eu fosse a Cristo, Ele me guardaria. Eram notícias maravilhosas. Acheguei--me a Cristo. Cri nEle. Fui feito justo. Desde então Ele tem me guardado pelo poder do Seu Espírito Santo. Agora que já tenho certa idade, estas verdades me atraem mais do que nunca.
Possuir vida eterna é como ser dono de um diamante ou de um montão de ouro. Você, meu amigo, gostaria de possuir essa vida eterna? Te-la-á, se crer em Jesus Cristo. Você será salvo agora, salvo no viver, no morrer e no ressuscitar. Será guardado pelo poder infinito e pelo amor eterno de Deus. Confie sua alma a Ele e será então capaz de dizer com o apóstolo Paulo:
"... eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia" (II Tim. 1:12).

O JUSTO VIVERÁ POR FÉ - DEVOCIONAL

Posted by Josemar Bessa on Junho 03, 2009 , under | comentários (0)




VIVENDO PELA FÉ E NÃO PELOS SENTIMENTOS – “O justo viverá por fé” (Rm 1.17).

Eu não morrerei. Eu posso crer, e realmente creio, no Senhor, meu Deus; e esta fé me preservará vivo. Serei contado entre aqueles que, em suas vida, são justos. Mas, ainda que eu fosse perfeito, eu não procuraria viver por minha justiça; apegar-me-ia à obra do Senhor Jesus e ainda viveria somente pelo fé nEle e por nada mais. Se eu fosse capaz de oferecer meu corpo para ser queimado, por causa de meu Senhor, não confiaria em minha coragem e firmeza; continuaria a viver pela fé.

Se eu fosse um mártir na estaca,
Invocaria o nome de meu Senhor.
Suplicaria perdão por amor ao seu nome
E não pronunciaria qualquer outro clamor.


Viver pela fé é uma atitude mais segura e mais feliz, para realizarmos, do que viver pelos sentimentos ou pelas obras. O ramo, por estar vivendo na videira, desfruta de uma vida melhor do que se estivesse vivendo por si mesmo, se fosse possível pra ele viver completamente separado do caule.
Viver apegado a Jesus, extraindo dEle tudo que necessitamos, é uma realização sagrada e agradável. Se mesmo os mais justos têm de viver de conformidade com este padrão, quanto mais devo eu, um pobre pecador! Senhor, eu creio; tenho de crer em Ti completamente. O que mais eu posso fazer? Crer em Ti é a minha vida. Sinto que tem de ser assim. Por meio desta atitude, permanecerei em Ti até o fim.

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SEM TEMOR DOS HOMENS - C. H. SPURGEON

Posted by Josemar Bessa on Junho 01, 2009 , under | comentários (0)




“Eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal” (At 18.10)


Enquanto o Senhor tinha um serviço a ser realizado por Paulo em Corinto, a fúria da multidão foi restringida. Os judeus se opuseram e blasfemaram, porém não puderam interromper a pregação do evangelho, nem impedir a conversão dos ouvintes. Deus tem autoridade sobre as mentes mais rebeldes. Ele faz a ira dos homens louvá-lo, quando ela irrompe. Todavia, Ele revela muito mais a sua bondade quando restringe a ira dos homens; e Deus pode restringi-la. “Pela grandeza do teu braço, emudeceram como pedra; até que passe o teu povo, ó Senhor” (Êx 15.16).

Portanto, querido irmão, não sinta qualquer temor dos homens, quando você sabe que está cumprindo seu dever. Continue em frente, como Jesus o teria feito; e aqueles que se opõem se tornarão semelhantes a canas quebradas e a canas torcidas que fumegam. Muitas vezes as pessoas têm motivo para sentir medo, porque elas mesmas são medrosas. No entanto, uma fé intrépida em Deus lança fora o medo, como se fosse uma teia de aranha no caminho de um gigante. Nenhum homem pode nos prejudicar, a menos que o Senhor o permita. Aquele que faz Satanás recuar diante de uma só palavra certamente pode controlar os agentes dele. Talvez estes sintam mais medo de você do que você sente deles. Portanto, avance e, onde você esperava se deparar com inimigos, encontrará amigos.

O MOTIVO MAIS IMPORTANTE PARA O ARREPENDIMENTO

Posted by Josemar Bessa on Maio 28, 2009 , under | comentários (0)




“Olharão para aquele a quem traspassaram” (Zacarias 12.10).


O quebrantamento santo que faz um homem lamentar o seu pecado surge de uma operação divina. O homem caído não pode renovar seu próprio coração. O diamante pode mudar seu próprio estado para tornar-se maleável, ou o granito amolecer a si mesmo, transformando-se em argila? Somente aquele que estendeu os céus e lançou os fundamentos da terra pode formar e reformar o espírito do homem. O poder de fazer que da rocha de nossa natureza fluam rios de arrependimento não está na própria rocha. O poder jaz no onipotente Espírito de Deus... Quando Deus lida com a mente do homem, por meio de suas operações secretas e misteriosas, Ele a enche com uma nova vida, percepção e emoção. “Deus... me fez desmaiar o coração” (Jó 23.16), disse Jó. E, no melhor sentido, isso é verdade. O Espírito Santo nos torna maleáveis e nos tornamos receptíveis às suas impressões sagradas... Agora, quero abordar o âmago e a essência de nosso assunto.
O enternecimento do coração e o lamento pelo pecado são produzidos por olharmos, pela fé, para o Filho de Deus traspassado. A verdadeira tristeza pelo pecado não acontece sem o Espírito de Deus. Mas o Espírito de Deus não realiza essa tristeza sem levar-nos a olhar para Jesus crucificado. Não há verdadeiro lamento pelo pecado enquanto não vemos a Cristo... Ó alma, quando você chega a contemplar Aquele para quem todos deveriam olhar, Aquele que foi traspassado, então seus olhos começam a lamentar aquilo pelo que todos deveriam chorar — o pecado que imolou o seu Salvador!Não há arrependimento salvífico sem a contemplação da cruz... O arrependimento evangélico é o único arrependimento aceitável. E a essência desse arrependimento é olhar para Aquele que foi moído pelos pecados... Observe isto: quando o Espírito Santo realmente opera, Ele leva a alma a olhar para Cristo. Nunca uma pessoa recebeu o Espírito de Deus para a salvação, sem que tenha recebido dEle o olhar para Cristo e o lamentar por seus pecados.
A fé e o arrependimento são gerados e prosperam juntos. Ninguém deve separar o que Deus uniu! Ninguém pode arrepender-se do pecado sem crer em Jesus, nem crer em Jesus sem arrepender-se do pecado. Olhe, então, com amor para Aquele que derramou seu sangue, na cruz, por você. Por meio desse olhar, você obterá perdão e quebrantamento. Quão admirável é o fato de que todos os nossos males podem ser curados por um único remédio: “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra” (Is 45.22). Contudo, ninguém olhará para Cristo sem que o Espírito de Deus o incline a fazer isso. Ele não conduz uma pessoa à salvação, se ela não se rende às suas influências e não volve seu olhar para Jesus...
O olhar que nos abençoa, produzindo quebrantamento de coração, é o olhar para Jesus como Aquele que foi traspassado. Quero me demorar nisso por um momento. Não é somente o olhar para Jesus como Deus que afeta o coração, mas também olhar para este mesmo Senhor e Deus como Aquele que foi crucificado por nós. Vemos o Senhor traspassado, e, em seguida, inicia-se o traspassamento de nosso coração. Quando o Espírito Santo nos revela Jesus, os nossos pecados também começam a ser expostos...
Venham, almas queridas, vamos juntos à cruz, por um pouco, e notemos quem era Aquele que recebeu a lançada do soldado romano. Olhe para o seu lado e observe aquela terrível ferida que atingiu seu coração e desencadeou um duplo fluxo de sangue. O centurião disse: “Verdadeiramente este era Filho de Deus” (Mt 27.54). Aquele que, por natureza, é Deus e governa sobre tudo, sem o Qual “nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3), tomou sobre Si mesmo nossa natureza e se tornou homem, como nós, mas não tinha qualquer mácula de pecado. E, vivendo em forma humana, foi obediente até à morte, morte de cruz. Foi Ele quem morreu! Ele, o único que possui a imortalidade, condescendeu em morrer! Ele, que era toda a glória e poder, sim, Ele morreu! Ele, que era toda a ternura e graça, sim, Ele morreu! Infinita bondade esteve pendurada na cruz! Beleza indescritível foi traspassada com uma lança! Essa tragédia excede todas as outras! Por mais perversa que tenha sido a ingratidão do homem em outros casos, a sua mais perversa ingratidão se expressou no caso de Jesus! Por mais horrível que tenha sido o ódio do homem contra a virtude, o seu ódio mais cruel foi manifestado contra Jesus! No caso de Jesus, o inferno superou todas as suas vilezas anteriores, clamando: “Este é o herdeiro; ora, vamos, matemo-lo” (Mt 21.38).
Deus habitou entre nós, e os homens não O aceitaram. Visto que o homem foi capaz de traspassar e matar o seu Deus, ele cometeu um pecado horrível. O homem matou o Senhor Jesus Cristo e O traspassou com uma lança! Nesse ato, o homem mostrou o que fariam com o próprio Eterno, se pudesse chegar até Ele. O homem é, no coração, assassino de Deus. Ele se alegria se Deus não existisse. Ele diz em seu coração: “Não há Deus” (Sl 14.1). Se a sua mão pudesse ir tão longe quanto o seu coração, Deus não existiria nem mesmo por mais uma hora. Isto dá ao traspassamento de nosso Senhor uma forte intensidade de pecado: foi o traspassamento de Deus.
Por quê? Por que razão o bom Deus foi assim perseguido? Oh! pelo amor de nosso Senhor Jesus Cristo, pela glória de sua Pessoa, pela perfeição de seu caráter, eu lhe peço — admire-se e envergonhe-se de que Ele foi traspassado! Não foi uma morte comum. Aquele assassinato não foi um crime comum. Ó homem, Aquele que foi traspassado com a lança era o seu Deus! Na cruz, contemple o seu Criador, o seu Benfeitor, o seu melhor Amigo!
Olhe firmemente para Aquele que foi traspassado e observe o Sofredor que é descrito na palavra “traspassado”. Nosso Senhor sofreu severa e terrivelmente. Não posso, em uma mensagem, descrever a história de seus sofrimentos — as tristezas de sua vida de pobreza e perseguição; as angústias do Getsêmani e do suor de sangue; as tristezas de seu abandono, traição e negação; as tristezas no palácio de Pilatos; os golpes de chicotes, o cuspe e o escárnio; as tristezas da cruz, com sua desonra e agonia... Nosso Senhor foi feito maldição por nós. A penalidade do pecado ou o que lhe era equivalente, Ele a suportou, “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1 Pe 2.24). “O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.5).
Irmãos, os sofrimentos de Jesus devem amolecer nosso coração! Nesta manhã, lamento o fato de que não me entristeço como deveria. Acuso a mim mesmo daquele endurecimento de coração que eu condeno, visto que posso contar-lhes essa história sem enternecimento de coração. Os sofrimentos de meu Senhor são indescritíveis. Examinem e verifiquem se já houve tristeza semelhante à de Jesus! A sua tristeza foi abismal e insondável... Se você considerar firmemente a Jesus traspassado por nossos pecados e tudo que isso significa, seu coração se dilatará! Mais cedo ou mais tarde, a cruz desenvolverá todo sentimento que você será capaz de produzir e lhe dará capacidade para mais. Quando o Espírito Santo põe a cruz no coração, o coração se dissolve em ternura... A dureza de coração desaparece quando, com profundo temor, contemplamos a Jesus sendo morto.
Devemos também observar quem foram os que traspassaram a Jesus. “Olharão para aquele a quem traspassaram.” Ambos os verbos se referem às mesmas pessoas. Nós matamos o Salvador, nós que olhamos para Ele e vivemos... No caso do Salvador, o pecado foi a causa de sua morte. O pecado O traspassou. O pecado de quem? Não foi o pecado dEle mesmo, pois Ele não tinha pecado, e nenhum engano se achou em seus lábios. Pilatos disse: “Não vejo neste homem crime algum” (Lc 23.4). Irmãos, o Messias foi morto, mas não por causa dEle mesmo. Nossos pecados mataram o Salvador. Ele sofreu porque não havia outra maneira de vindicar a justiça de Deus e de prover-nos um escape da condenação. A espada, que deveria cair sobre nós, foi despertada contra o Pastor do Senhor, contra o Homem que era o Companheiro de Jeová (Zc 13.7)... Se isso não quebranta nem amolece nosso coração, observemos por que Ele foi levado a uma posição em que poderia ser traspassado por nossos pecados. Foi o amor, poderoso amor, nada mais do que o amor, que O levou até à cruz. Nenhuma outra acusação Lhe pode ser atribuída, exceto esta: Ele era culpado de amor excessivo. Ele se colocou no caminho do traspassamento, porque resolvera salvar-nos... Ouviremos isso, pensaremos nisso, consideraremos isso e permaneceremos apáticos? Somos piores do que os brutos? Tudo que é humano abandonou a nossa humanidade? Se Deus, o Espírito Santo, está agindo agora, uma contemplação de Cristo derreterá o nosso coração de pedra...
Quero dizer-lhes ainda, ó amados: quanto mais olharmos para Jesus crucificado, tanto mais lamentaremos o nosso pecado. A reflexão crescente produzirá sensibilidade crescente. Desejo que olhem muito para Aquele que foi traspassado, para que odeiem cada vez mais o pecado. Livros que expõem a paixão de nosso Senhor e hinos que cantam a sua cruz sempre foram bastante queridos pelos crentes piedosos, por causa de sua influência sobre o coração e a consciência deles. Vivam no Calvário, amados, até que viver e amar se tornem a mesma coisa. Diria também: olhem para Aquele que foi traspassado, até que o coração de vocês seja traspassado.
Um antigo teólogo dizia: “Olhe para a cruz, até que tudo que está na cruz esteja em seu coração”. E acrescentou: “Olhe para Jesus, até que Ele olhe para você”. Olhem com firmeza para o sua Pessoa sofredora, até que Ele pareça estar volvendo sua cabeça e olhando para você, assim como o fez com Pedro, que saiu e chorou amargamente. Olhe para Jesus, até que você veja a si mesmo. Lamente por Ele, até que lamente por seu próprio pecado... Ele sofreu em lugar, em favor e em benefício de homens culpados. Isso é o evangelho. Não importa o que os outros preguem, “nós pregamos a Cristo crucificado” (1 Co 1.23). Sempre levaremos a cruz na vanguarda. A essência do evangelho é Cristo como substituto do pecador. Não evitamos falar sobre a doutrina do Segundo Advento, mas, antes e acima de tudo, pregamos Aquele que foi traspassado. Isso levará ao arrependimento evangélico, quando o Espírito de graça for derramado.

ÍNDICE C. H. SPURGEON

Posted by Josemar Bessa on Maio 26, 2009 , under | comentários (1)


A PERSEVERANÇA DOS SANTOS - SPURGEON

Posted by Josemar Bessa on Maio 25, 2009 , under | comentários (0)



Por que os Crentes Perseveram?
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A esperança que enchia o coração do apóstolo Paulo a respeito dos crentes de Corinto, conforme já sabemos, estava repleta de consolação para aqueles que se mostravam temerosos quanto ao futuro dos membros da igreja em Corinto. Por que o apóstolo acreditava que os crentes de Corinto seriam confirmados até ao fim?
Devemos observar que ele apresentou as suas próprias razões.
“Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo”. (1 Coríntios 1.9)
Paulo não disse: “Vós sois fiéis”. A fidelidade do homem é bastante desconfiável; é pura vaidade. O apóstolo também não disse: “Vós tendes ministros fiéis para guiar-vos e instruir-vos. Por isso, creio que estais seguros”. Não! Se somos guardados pelos homens, na realidade nunca seremos guardados. Paulo afirmou: “Deus é fiel”. Se somos fiéis, isto acontece porque Ele é fiel. Toda a nossa salvação descansa na fidelidade de nosso Deus da aliança. Nossa perseverança se fundamenta neste glorioso atributo de Deus. Somos instáveis como o vento, frágeis como a teia de aranha, volúveis como a água.
Não podemos depender de nossas qualidades naturais ou de nossas aquisições espirituais. Mas Deus permanece fiel. Ele é fiel em seu amor: não conhece qualquer variação, nem sombra de mudança. Deus é fiel aos seus propósitos: não começa uma obra e a deixa inacabada. Ele é fiel em seus relacionamentos: como Pai, não abandonará seus filhos; como amigo não negará seu povo; como Criador, não esquecerá a obra de suas mãos. Deus é fiel à sua aliança, que estabeleceu conosco em Cristo Jesus e ratificou com o sangue de seu sacrifício. Deus é fiel ao seu Filho e não permitirá que o sangue dEle tenha sido derramado em vão. Deus é fiel ao seu povo, ao qual Ele prometeu a vida eterna e do qual jamais se afastará.
Esta fidelidade de Deus é o fundamento e a pedra angular de nossa esperança de perseverança até ao final. Os crentes hão de perseverar em santidade, porque Deus se mantém perseverante em graça. Ele persevera em abençoar; por conseguinte, os crentes perseveram em serem abençoados. Deus continua guardando seu povo; conseqüentemente, os crentes continuam guardando os mandamentos dEle. Este é o solo firme e excelente sobre o qual podemos descansar. Portanto, é o favor gratuito e a infinita misericórdia que retinem no alvorecer da salvação; e estes mesmos sinos continuam retinindo melodiosamente durante todo o dia da graça.
Podemos observar que as únicas razões para esperarmos que seremos confirmados até ao fim e que seremos achados inculpáveis se encontram em nosso Deus. Mas nEle estas razões são abundantes.
Primeiramente, elas se fundamentam no que Deus têm feito. Ele decidiu nos abençoar e não retrocederá. Paulo nos recorda que Deus nos chamou “à comunhão de seu Filho, Jesus Cristo”. Deus realmente nos chamou? A chamada não pode ser revertida, “porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm 11.29). O Senhor jamais retrocede da chamada eficaz de sua graça. Romanos 8.30 diz: “E aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” — esta é a norma invariável do procedimento de Deus. Existe uma chamada comum, sobre a qual as Escrituras dizem: “Muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (Mt 22.14). No entanto, a chamada sobre a qual agora estamos pensando é outro tipo de chamada; é uma chamada que prenuncia amor especial e envolve a posse daquilo para o que fomos chamados. Nesse caso, acontece com os chamados o mesmo que ocorreu com a descendência de Abraão, sobre a qual o Senhor declarou: “A quem tomei das extremidades da terra, e chamei dos seus cantos mais remotos, e a quem disse: Tu és o meu servo, eu te escolhi e não te rejeitei” (Is 41.9).
Naquilo que o Senhor fez, temos poderosas razões que nos asseguram nossa preservação e glória futura, porque Ele nos chamou “à comunhão de seu Filho, Jesus Cristo”. Isto significa o companheirismo com o Senhor Jesus Cristo. Desejo que você considere atentamente o que isto significa. Se Deus já o chamou por sua graça, você já veio à comunhão com o Senhor Jesus, para se tornar, juntamente com ele, possuidor de todas as coisas. Então, aos olhos do Altíssimo, você é um com o Senhor Jesus. Os seus pecados foram levados pelo Senhor Jesus, que os carregou sobre Si mesmo, em seu próprio corpo, na cruz, tornando-se maldição em seu lugar. Ao mesmo tempo, o Senhor Jesus tornou-se a sua justiça, de modo que você está justificado nEle.
Assim como Adão é o representante de todos os seus descendentes, assim também o Senhor Jesus é o representante de todos os que estão nEle. Assim como a esposa e o esposo são um, assim também o Senhor Jesus é um com aqueles que, pela fé, estão unidos a Ele; são um por meio de uma união que nunca poderá ser desfeita. E, mais do que isso, os crentes são membros do corpo de Cristo; são um com Ele por meio de uma união de amor, permanente e viva. Deus nos chamou a esta união, esta comunhão e este companheirismo; por essa razão, Ele nos deu o sinal e penhor de que seremos confirmados até ao fim. Se fôssemos considerados como estando separados de Cristo, seríamos criaturas infelizes, destinadas a perecer; logo seríamos destruídos e lançados na eterna perdição. Mas, visto que somos um em Cristo, participamos de sua natureza e possuímos sua vida imortal. Nosso destino está vinculado ao de nosso Senhor; e, como Ele não pode ser destruído, não é possível que venhamos a perecer.
Pense demoradamente nesta união com o Filho de Deus, à qual você foi chamado, porque toda a sua esperança está nesta união. Você nunca será pobre, enquanto Jesus for rico, visto que você está em uma união firme com Ele. A necessidade nunca pode assaltá-lo, porque, juntamente com Ele, que é o Possuidor, você é co-proprietário dos céus e da terra. Você nunca pode falir, pois, embora um dos sócios da firma seja tão pobre como um rato de igreja e em si mesmo esteja em completa ruína, incapacitado de pagar o menor de seus imensos débitos, o outro sócio é excessiva e inconcebivelmente rico. Neste companheirismo, você é levantado a uma posição que supera a depressão dos tempos, as mudanças do futuro e o colapso do fim de todas as coisas. Deus o chamou à comunhão de seu Filho, Jesus Cristo, e por meio desta chamada o colocou no lugar de segurança infalível.
Se você é um verdadeiro crente, é um com o Senhor Jesus e, por isso, está seguro. Você não percebe que tem de ser assim? Se você já foi realmente feito um com o Senhor Jesus, por meio de um ato irrevogável de Deus, então você tem de ser confirmado até ao fim, até ao dia da manifestação dEle. Cristo e o pecador convertido estão no mesmo barco. Se Jesus não pode afundar, o crente também nunca sucumbirá. Jesus tomou seus redimidos e os uniu de tal modo a Si mesmo, que, antes de qualquer outra coisa, Ele tem de ser destruído, vencido e desonrado, para que, então, os seus redimidos sejam injuriados. O Senhor Jesus é o titular da firma, e, até que Ele desonre seu próprio nome, estamos seguros contra todos os temores de falência.
Portanto, com ousada confiança, prossigamos em direção ao futuro que ainda desconhecemos, unidos eternamente a Jesus. Se os homens do mundo perguntam: “Quem é esta que sobe do deserto e que vem encostada ao seu amado?” (Ct 8.5), confessamos com alegria que realmente nos encostamos em Jesus e que pretendemos nos unir a Ele cada vez mais. Nosso Deus fiel é um manancial transbordante de deleites, e nossa comunhão com o Filho de Deus é um rio transbordante de regozijo. Sabendo estas coisas gloriosas, não podemos nos desencorajar. Pelo contrário, clamamos juntamente com o apóstolo: “Quem nos separará... do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”? (Rm 8.35-39).
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COISAS QUE NÃO VALEM A PENA TENTAR - C. H. SPURGEON

Posted by Josemar Bessa on Maio 18, 2009 , under | comentários (0)



Esse é um ditado antigo e sábio: "Não gaste tudo o que você tem, não acredite em tudo que ouve e não faça tudo o que pode." Há tanto trabalho a fazer que precisa de nossas mãos que é uma pena desperdiçar um grão de nossa força. Quando o jogo não vale a pena, abandone-o logo. É perda tempo procurar água em uma fonte seca, ou sangue em um nabo, ou sentido em um tolo. Nunca peça dinheiro a um homem avarento até ter conseguido cozinhar uma pedra. Não processe um devedor que não tenha um centavo para abençoá-lo, você apenas joga dinheiro fora, isso é o mesmo que perder o furão sem caçar o coelho. Nunca ofereça um espelho a um homem cego; se um homem é tão orgulhoso a ponto de não ver suas imperfeições, ele apenas discutirá com você a fim de apontá-las fora dele mesmo. Não adianta segurar uma lanterna para uma toupeira ou falar sobre o paraíso para um homem que não liga para nada a não ser o seu dinheiro. Há um momento certo para tudo, e é uma tolice pregar para homens bêbedos, é o mesmo que jogar pérolas aos porcos. Faça-os ficarem sóbrios e, depois, converse sério com eles; se você os repreende enquanto estão bêbedos, age como se você mesmo estivesse bêbedo.
Não coloque um gato na boléia ou homens em lugares que não foram feitos para eles. Não há como transformar maçãs em ameixas. É uma pena transformar um macaco em um ministro ou uma empregada, em uma senhora. Muitos pregadores são bons alfaiates frustrados ou ótimos sapateiros que não seguiram seu chamado. Quando Deus determina que uma criatura voe, ele lhe dá asas; e quando pretende que homens preguem, dá-lhes habilidade para isso. É uma pena empurrar um homem para a guerra, se ele não sabe lutar. E é melhor desencorajar a escalada de um homem, do que ajudá-lo a quebrar o pescoço. Bolsas de seda não são feitas de orelhas de porco, e os porcos jamais tocarão bem flautas, por mais que os ensine a fazer isso.
Não é sábio almejar o impossível – é um desperdício de pólvora atirar no homem na lua. Fazer reuniões para corrigir alguém é um método muito sensato, se comparado ao que almejam alguns amigos meus, de Londres, que tentam conseguir dinheiro comprando quotas em empresas; seria mais rápido agarrar o vento com uma rede ou carregar água em uma peneira. Fazer bolhas é uma ótima diversão para meninos, mas empresas de bolhas são ferramentas afiadas com as quais ninguém deveria brincar. Se meu amigo tem um dinheiro que ele está em condição de perder, ainda assim não há razão para que ele o dê para um grupo de velhacos. Se eu quisesse me livrar da minha perna não procuraria um tubarão para devorá-la. Antes dar seu dinheiro aos tolos que deixar os embusteiros bajularem você por isso. Não vale a pena fazer coisas desnecessárias. Nunca use gordura em uma porca gorda ou elogie um homem orgulhoso. Não faça roupas para peixes ou capas para altares. Não pinte lírios ou enfeite o evangelho. Nunca enfaixe a cabeça de um homem antes de estar quebrada ou conforte uma consciência que não se confessou. Nunca levante uma vela para o sol ou tente provar uma coisa de que ninguém duvida. Eu não aconselho ninguém a tentar uma coisa que vale menos do que custa. Você pode aromatizar um chiqueiro com lavanda, e um homem com um péssimo estilo de vida pode mostrar um bom caráter com demonstração externa de religião, mas com o tempo, ele se torna um caso perdido. Se nossa nação fosse sensível varreria um bom bocado de gente gastadora, mas inútil, que toma o malte que tem na casa construída pelo Jack, essa gente vive do estado, mas presta pouco serviço a ele. Pagar alguns reais a um homem para ganhar um centavo é muito mais inteligente do que manter bispos que se reúnem apenas para contar os pontos feitos e conversar sobre o melhor modo de não fazer nada. Se o velho cão do meu mestre fosse tão dorminhoco como os bispos, ele seria morto porque não valeria o custo da manutenção. De qualquer modo, o tempo de prestação de contas se aproxima, tão certo como a proximidade do Natal.
Há muito tempo, a experiência ensinou-me a não discutir com ninguém sobre gostos e caprichos; alguém também pode questionar o que você consegue ver no fogo. Que utilidade teríamos se arássemos o ar ou tentássemos convencer alguém, independentemente das conseqüências finais? Não adianta tentar encerrar uma discussão ficando com raiva; isso é quase a mesma coisa que despejar óleo no fogo para apagá-lo ou soprar as brasas com o fole para acabar com elas. Algumas pessoas gostam de confusão – não invejo a escolha, eu prefiro caminhar dez quilômetros para sair de uma que andar meio metro para entrar nela. Com freqüência, tentam me induzir a ser corajoso e agarrar o touro pelos chifres, mas como eu penso que a diversão é mais agradável que proveitosa e que devo deixá-la para os que já estão tão arrebentados que nem mesmo chifrada seria capaz de estragar a cabeça deles. Salomão diz: "Resolva a questão antes que surja a contenda", o que é quase a mesma coisa que dizer: "Desista antes de começar". Quando você encontrar um cachorro louco não discuta com ele, a não ser que tenha certeza de estar certo. Em vez disso, desvie do caminho dele, se ninguém o chamar de covarde, você não precisará chamá-lo de tolo — todo mundo sabe disso. O envolvimento em disputas não leva a nada, "não toque em casa de marimbondos" e não derrube as casas velhas sobre sua cabeça. Tenham certeza, os que se envolvem em brigas ferem o próprio caráter; se você escova os porcos de outras pessoas, logo você precisa esfregar a si mesmo. É o cúmulo da tolice se intrometer entre um homem e sua esposa, pois eles, com certeza, deixam de brigar um com o outro e transferem toda sua força contra você —, e ela também lhe serviria bem. Você só pode culpar a si mesmo se colocar sua colher na sopa dos outros, e ela o queimar você.
Outra coisa, não tente fazer uma mulher de caráter forte ceder, mas lembre-se:Se ela quer, ela quer, Pode acreditar nisso. Se ela não quer, não quer, E pronto.
Outro dia, recortei um artigo de um jornal dos Estados Unidos que será meu encerramento:
Seque o Mississipi usando uma colher de sopa, torça seu calcanhar na biqueira de sua bota, faça os anzóis subirem com os balões e pesque estrelas, cavalgue em uma teia de aranha e cace um cometa; lembre-se de onde deixou seu guarda chuva quando cair uma tempestade como as cataratas do Niágara, sufoque uma pulga com um pedaço de tijolo! Em poucas palavras, experimente tudo até agora considerado impossível de acontecer, mas nunca tente persuadir uma mulher a mudar de idéia quando ela já decidiu o que quer.
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IMPERFEIÇÕES - C. H. SPURGEON

Posted by Josemar Bessa on Maio 15, 2009 , under | comentários (0)



O que se gaba de ser perfeito, só é perfeito na tolice. Eu estou há um bom tempo pelo mundo, e nunca vi um cavalo perfeito nem um homem perfeito e nunca verei até que dois domingos venham juntos. Você não pode obter farinha de trigo de um saco de carvão nem, perfeição da natureza humana; o que procura isso faria melhor procurando açúcar no mar. O antigo ditado diz: "Onde não há vida, não há imperfeição". Sobre homens mortos não deveríamos dizer nada a não ser o bem; mas todos os vivos têm mais ou menos os mesmos defeitos, e podemos ver isso com apenas um olho. Toda cabeça tem um pouco de miolo mole, e todo coração tem uma partezinha negra. Toda rosa tem seus espinhos, e cada dia, sua noite. Até mesmo o sol tem manchas, e as nuvens escurecem os céus. Ninguém é tão sábio nem tolo o bastante para guardar um lugar especial na Feira da Vaidade. Posso não ver o boné de bobo, contudo escuto o retinir dos sininhos. Como não há luz solar sem algumas nuvens, assim também todos os seres humanos têm uma boa mistura de maldade, uns mais, outros menos. Mesmo os pobres protetores da lei têm seus pequenos deslizes, e os cristãos das igrejas não têm natureza totalmente celestial. O melhor vinho tem resíduos. Todas as imperfeições humanas não estão escritas na testa, e é tão certo que elas não estão ou os chapéus precisariam ter abas muito largas. Contudo, tão certo como ovos são ovos, as imperfeições de algum modo se aninham em cada peito. Não há o que dizer quando os pecados de um homem ficam aparentes, pois as lebres saem do fosso justamente quando você não procura por elas. Um cavalo com as pernas fracas pode não tropeçar por um ou dois quilômetros, mas ele tem a fraqueza e é melhor o cavaleiro segurá-lo bem. A gata listrada não está bebendo leite agora, mas deixe a porta da leiteria aberta e veremos se ela não é tão ladra quanto os gatinhos. Há calor no minério aparentemente frio, espere até o que o aço dê uma pancada nele, e você verá. Todos conhecem os fatos, mas nem todos lembram de manter a pólvora longe da vela.
Se lembrássemos sempre que vivemos entre homens imperfeitos, não sentiríamos essa perturbação quando descobrimos as falhas de nossos amigos. O que está podre despedaça-se, e os potes rachados vazam. Abençoado é aquele não espera nada da carne e do sangue, pois não se desaponta. O melhor dos homens são homens em seu melhor, no entanto, até mesmo a melhor cera derrete.
O bom cavalo é o que nunca tropeça A boa esposa é a que nunca resmunga.
Sem dúvida, encontramos tais cavalos e esposas apenas no paraíso dos loucos em que crescem bolinhos em árvores. Neste mundo pernicioso, a tora mais reta tem nós, e o campo de trigo mais limpo tem sua cota de ervas daninhas. O motorista mais cuidadoso, um dia, bate o carro; o cozinheiro mais talentoso derrama um pouco de caldo; e para minha tristeza sei que um lavrador muito decente, às vezes, quebra o arado e faz um sulco torto.. É tolice se afastar de um amigo leviano por causa de um ou dois deslizes, pois você pode livrar-se de um cavalo caolho e comprar um cego. Como somos todos cheios de defeitos deveríamos observar dois fatos: aprender a suportar e ser tolerantes uns com os outros. Como todos temos telhado de vidro, nenhum de nós deve atirar pedras no telhado do vizinho. Todo mundo ri quando a panela diz para a chaleira: "Como você está preta!". As imperfeições dos outros nos mostram as nossas imperfeições, porque uma ovelha é muito parecida com a outra; e se há um cisco no olho do meu vizinho, sem dúvida há uma viga no meu. Temos de usar nossos vizinhos como espelhos para ver nossas próprias faltas neles, e corrigir em nós mesmos o que vemos neles.
Não tenho paciência com os que ficam enfiando o nariz na casa de todo mundo para descobrir imperfeições; que usam óculos excelentes para ver as falhas de seus vizinhos. Seria melhor se essas pessoas olhassem seus lares e vissem o demônio onde menos esperavam. Nós vemos o que queremos ou o que achamos que é. As imperfeições são sempre abundantes, onde há pouco amor. Uma vaca branca será toda negra se seus olhos quiserem que ela seja. Se aspiramos por muito tempo um perfume achamos que o aroma não é bom. Seria bem mais agradável, pelo menos para as outras pessoas, se os descobridores de imperfeições dirigissem seus cães para descobrir pontos positivos nos outros; valeria mais a pena e ninguém ficaria de pé com um forcado para mantê-los fora de sua fazenda. Quanto a nossas imperfeições precisaríamos de uma grande lousa para enumerá-las; mas, graças a Deus, sabemos onde levá-las e como tirar delas o melhor. Se cremos em seu Filho, Deus nos ama com todos nossos erros. Por isso, não desanimemos, mas tenhamos esperança de viver, e aprender, e prestar algum bom serviço antes de morrer. Ainda que o carro quebre, ele chega em casa com sua carga, e o cavalo velho, de joelhos quebrados, ainda faz uma parte do trabalho. Não adianta deitar no chão sem fazer nada porque não conseguimos fazer tudo como gostaríamos. Imperfeita ou não, a lavra precisa ser feita; pessoas imperfeitas devem fazê-la também ou não haverá colheita no próximo ano. João pode ser um mau lavrador, mas os anjos não farão seu trabalho para ele, assim, ele tem de começar a fazê-lo ele mesmo. Vamos, Violeta! Arre, pára! Garboso.
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ESPERANÇA - C. H. SPURGEON

Posted by Josemar Bessa on Maio 11, 2009 , under | comentários (0)



Ovos são ovos, mas alguns apodrecem; da mesma forma esperanças são esperanças, mas muitas delas transformam-se em desilusões. As esperanças são como as mulheres, há um toque de anjo nelas, mas há duas espécies delas. Meu garoto Tom furou um monte de ovos de passarinho, enfiando-os em um fio; eu tenho feito a mesma coisa com as esperanças, eis algumas delas – boas, más e indiferentes.
A esperança do homem otimista aparece inesperadamente, como uma caixa de surpresas; ela funciona como um verão e não é guiada pela razão. Em qualquer momento que olha pela janela, ele vê tempos melhores chegando; apesar de quase tudo estar em seu modo de ver, e em nenhum outro lugar, ver pudim de farinha com passas na lua é um hábito bem mais feliz que resmungar de tudo como um sapo de duas pernas. Esse é o tipo de amigo para se ter por perto em uma noite negra como piche e em que chove muito, pois ele leva velas nos olhos e uma lareira no coração. Tome cuidado para não ser desencaminhado por ele e, assim, você pode manter sua companhia com segurança. O erro dele é contar com os ovos antes de ter a galinha e vender seus arenques antes que estejam na rede. Todos seus ovos de pardais estão reservados a se transformarem, pelo menos, em tordos, talvez em perdizes ou faisões. O verão chegou em sua plenitude, porque ele viu uma andorinha. Ele está certo de ficar rico com sua nova loja, pois cinco minutos antes de abrir a porta, dois vizinhos se aproximaram, um deles querendo um pão fiado, e o outro, trocar dinheiro. Ele está certo de que o fazendeiro está disposto a lhe dar suas encomendas, pois ele o viu lendo o nome da loja acima da porta enquanto passava em frente. Ele não acredita em erros entre xícaras e lábios, mas deduz certezas do talvez. Bem, é uma alma boa apesar de, às vezes, ser um pouco estúpido, há muito nele para ser louvado e gosto de pensar em um de seus curiosos ditos: "Nunca fale em morrer até estar morto porque aí não adianta mais, portanto deixe isso para lá." Como você vê, há outras pessoas curiosas no mundo, além do João Lavrador.
Meu vizinho desajeitado está esperando que sua tia morra, mas a velha senhora tem tantas vidas como nove gatos. Minha opinião é que quando ela morrer, deixará o pouco de dinheiro que tem para um hospital de gatos ou para cães abandonados, em vez de deixá-lo para seu sobrinho Joãozinho. Pobre criatura, ele está terrivelmente desesperado e desconta tudo no temperamento irritante da pobre senhora. Contudo, ele espera e fica cada vez pior, pois enquanto a grama cresce, o cavalo morre de fome. Quem espera a morte de alguém é como se segurasse uma corda longa, quem corre atrás de heranças precisa ter sapatos de ferro. Quem espera os sapatos dos que morrem pode ficar por muito tempo descalço; quem espera pela vaca do tio, não pode se apressar para passar manteiga no pão. Quem vive de esperança tem uma dieta magra. Se o Joãozinho desajeitado não tivesse uma tia, ele teria arregaçado as mangas da camisa e trabalhado para si mesmo; mas disseram-lhe que nasceu em berço de ouro, e isso transformou-o em um inútil.
Se alguém quiser deixar uma herança para o João Lavrador, ele ficará muito agradecido, mas seria melhor que não contar a ele sobre isso, pois tem medo de deixar de arar um sulco tão bem feito; seria duas vezes melhor receber uma herança de surpresa. Na verdade, seria melhor deixar a herança para o Colégio do Pastor ou para o Orfanato Stockwell, pois nos dois casos seria muito bem usada. Agora, precisamos voltar ao nosso tema.
Eu gostaria que as pessoas pensassem menos na
sorte inesperada e plantassem mais macieiras. Esperanças que crescem do lado de fora das sepulturas são erros graves; e quando elas enfraquecem a energia do homem, são como a corda da forca balançando em volta do pescoço dele.
Algumas pessoas nasceram no primeiro de abril e estão sempre esperando sem sentido ou razão. Seu barco chegará logo; elas encontrarão um pote de ouro ou ouvirão alguma coisa que lhes traga vantagem. Pobres tolos, eles têm cabeça de vento e sonham acordados. Eles mantêm a boca aberta um bom tempo antes que o ovo frito e o presunto cheguem até ela, e são realmente capazes de acreditar que, um dia, algum golpe de sorte ou algumas maçãs de ouro derrubadas pelo vento os tornarão independentes e os transformarão em cavalheiros. Eles esperam dirigir carruagens, e logo, logo estarão fechados em um lugar em que as carruagens não cabem. Você pode assobiar por um bom tempo antes que os pintassilgos
saltem em seu polegar. De vez em quando, um homem em um milhão tropeça na fortuna, mas milhares se arruínam com expectativas inúteis. Espere obter metade do que você ganha, um quarto do que deve e nada do que emprestou, e você estará próximo da meta, mas esperar que uma fortuna caia da lua é ser muito tolo. Um homem deve esperar pelas promessas de bem do Antigo Testamento dentro dos limites da razão. A esperança repousa em uma âncora, mas a âncora deve ter algo em que se segurar e algo para segurar. Uma esperança sem motivo é um barco sem fundo, um cavalo sem cabeça, um ganso sem corpo, um sapato sem sola, uma faca sem lâmina. Quem a não ser o Simão Simplório começaria a construir uma casa pelo telhado? Precisa haver um alicerce. Esperança é esperança, mas é uma loucura total esperar por coisas impossíveis, ou esperar a colheita sem semear, ou pela felicidade sem fazer o bem. Essas esperanças não levam a nada; elas são como a lanterna feita na abóbora e levam o homem para o fosso. No asilo há um homem, o pobre Will, que sempre diz que possui uma grande fazenda, só que o proprietário legal o mantêm fora dela; seu nome é Jenyns ou Jennings, e conforme diz ele, alguém com esse nome deixou dinheiro suficiente para comprar o Banco da Inglaterra, e, um dia, Will vai ter sua parte nesse dinheiro. Contudo, nesse meio tempo, o pobre Will descobre que apenas a sopa da igreja é muito pouco para o estômago de um senhor tão importante, ele me prometeu mil ou dois mil do dinheiro excedente quando conseguisse sua fortuna, construirei um castelo no ar com isso e cavalgarei em um cabo de vassoura para chegar nele. Pobre infeliz, como muitos outros, ele tem moinhos de vento na cabeça, mas, se tiver de dar qualquer coisa, é bastante parcimonioso. Fiando-se nisso, semear no ar não é apenas muito lucrativo como é fácil, aquele espera obter mais do que consegue com o próprio ganho tem a ilusão de encontrar abricós em uma árvore de maçãs azedas. Quem casa com uma garota que se veste de modo relaxado e espera fazer dela uma boa esposa poderia, da mesma forma, comprar um ganso e esperar que ele se transformasse em uma vaca leiteira. O que leva seus filhos para o bar e confia que eles crescerão sóbrios, põe sua cafeteira no fogo e espera vê-la brilhar como estanho novo. Os homens não podem estar em seu juízo quando fazem cerveja com malte ruim e esperam ter cerveja de boa qualidade ou dão um mau exemplo e esperam criar uma família respeitável. Você pode esperar e esperar até seu coração ficar doente, mas, quando você mandar seu filho subir na chaminé, ele desce sujo apesar da sua esperança. Ensine uma criança a mentir e espere que ela cresça honesta; seria melhor pôr uma vespa em um barril de piche e esperar que ela fizesse mel para você. Quando será que as pessoas vão agir com sensatez com seus filhos? Nunca, se elas mesmas não forem sensatas.
Quanto ao próximo mundo, é uma grande pena que os homens não tenham um pouco mais de cuidado quando falam dele. Se um homem morrer bêbado, alguém dirá: "Espero que ele tenha ido para o céu". Tudo bem em desejar isso, mas esperar é uma outra coisa. Os homens viram o rosto para o inferno e esperam chegar ao céu, eles caminham dentro do lago e esperam ficar secos? Esperanças do paraíso são coisas solenes e deveriam ser experimentadas pela palavra de Deus. Um homem poderia da mesma forma esperar, conforme diz nosso Senhor, colher uvas de espinhos ou figos de cardos, assim como procurar por um futuro feliz no final de uma vida ruim. Só existe uma rocha sobre a qual se constroem as esperanças boas, e ela não é Pedro, como diz o papa; nem os sacramentos, como dizem os filhotes da besta da velha Roma; mas os méritos do Senhor Jesus. Toda esperança do homem está no "homem Jesus Cristo". Nós somos salvos se cremos nele , pois está escrito "que aquele que crê tem a vida eterna". Ele tem vida eterna agora, e ela é para toda a eternidade, de modo que não se deve temer perdê-la. Nisso se apóia João Lavrador, e ele não tem medo de ser confundido, pois isso é um sustentáculo e dá-lhe esperança segura e imutável que nem a vida nem a morte podem abalar. Portanto, por favor, lembrem-se de que a presunção é uma escada que quebra o pescoço de quem a sobe, se você ama sua alma não tente fazer isso.

Compreenda o que você está lendo - C. H. SPURGEON

Posted by Josemar Bessa on Maio 07, 2009 , under | comentários (0)



Os escribas e fariseus, líderes religiosos do tempo de Jesus, liam bastante a Lei. Estudavam continuamente os livros sagrados, meditando sobre cada palavra e letra. Faziam anotações de assuntos de importância mínima, tais como: qual o versículo que ficava exatamente no meio do Antigo Testamento, que versículo estava na metade do meio, e quantas vezes aparecia determinada palavra, e até mesmo quantas vezes aparecia determinada letra, qual o tamanho da letra, e qual a sua posição específica. Eles nos legaram um acúmulo de anotações sobre as palavras das Sagradas Escrituras. Poderiam ter feito a mesma coisa com qualquer outro livro, e as informações teriam sido tão sem importância quanto os fatos que tão laboriosamente colecionaram, no tocante à letra do Antigo Testamento.
Eles eram, no entanto, assíduos leitores da Lei. Arrazoavam com o Salvador sobre uma questão concernente à Lei, porque a levavam na ponta da língua, e estavam dispostos a usá-la como uma ave de rapina usa as garras para rasgar e romper. Os discípulos de nosso Senhor tinham colhido algumas espigas de trigo e as esfregavam entre as mãos. Segundo a tradição farisaica, esfregar uma espiga de trigo é uma forma de debulhar e, sendo muito errado debulhar no sábado, forçosamente deveria ser muito errado esfregar nas mãos algumas espigas de trigo, mesmo quando se estivesse com fome, num sábado de manhã. Assim argumentavam, e levaram esse argumento para o Salvador, juntamente com a versão que tinham a respeito da lei do sábado. O Salvador geralmente guerreava no campo em que o inimigo o atacava, e nessa ocasião também agiu assim. Enfrentou-os no próprio campo deles, e lhes disse: "Não lestes?" — uma pergunta muito incisiva para os escribas e fariseus, embora não aparentasse ser cortante. Foi uma pergunta muito razoável e apropriada para fazer-lhes; mas pense só em fazer essa pergunta a eles! "Não lestes?" "Ler!" poderiam ter respondido, "ora, lemos o livro inteiro muitíssimas vezes. Sempre o lemos. Nenhum texto escapa ao nosso olhar crítico". Mesmo assim, o Senhor passou a postular a pergunta pela segunda vez: "Não lestes?", como se nada tivessem lido na realidade, apesar de serem os maiores leitores da Lei naquela época. Deu a entender que eles não tinham lido mesmo, e ainda lhes deixou saber por que Ele lhes perguntara se tinham lido. Disse: "Mas, se vós soubésseis o que significa:...", sugerindo o seguinte: "Vocês não leram, porque não compreenderam. Seus olhos passaram por cima das palavras, vocês contaram as letras, marcaram a posição de cada versículo e palavra, e têm dito coisas eruditas a respeito de todos os livros; apesar disso, vocês nem sequer são leitores do volume sagrado, pois não adquiriram a verdadeira arte da leitura; não compreendem e, portanto, não o lêem na realidade. Vocês fazem uma leitura superficial da Palavra, mediante breves olhadelas; não a leram, porque não a compreenderam". Esse é o primeiro tópico desta mensagem.
Não deve ser necessário introduzir estas considerações com uma declaração da necessidade de ler as Escrituras. Você sabe quão necessário é alimentar-nos da verdade revelada nas Escrituras Sagradas. Preciso perguntar se você lê a Bíblia, ou não? Lastimo que a presente época é de leitura de revistas — uma época da leitura de jornais — uma época de ler publicações periódicas, mas não tanto uma época de leitura bíblica quanto deveria ser. Nos tempos antigos, as pessoas tinham poucos suprimentos de outra literatura, mas achavam uma biblioteca suficiente naquele único Livro, a Bíblia. E como liam a Bíblia!
Há uma grande escassez das Escrituras nos sermões modernos, em comparação com os daqueles mestres da teologia, os teólogos Puritanos! Quase todas as frases escritas por eles parecem lançar luzes adicionais sobre um texto das Escrituras; não somente o texto a respeito do qual pregavam, mas ainda muitos outros eram enfocados de modo novo, no desenvolvimento do sermão. Deus ajude os pastores a seguirem mais de perto o grandioso velho Livro. Seríamos pregadores instrutivos se fizéssemos assim, mesmo desconhecendo "o pensamento moderno" e sem estar "à altura da atualidade".
Quanto a você, que não precisa pregar, o seu melhor alimento é a própria Palavra de Deus. Os sermões e os livros têm seu valor, mas os ribeiros que percorrem grandes distâncias acima do solo acabam acumulando, paulatinamente, alguma coisa das terras através das quais fluem, e perdem a pureza que refrigera e que possuíam quando brotaram da fonte originária. Sempre é melhor beber do poço do que da caixa d'água. Você descobrirá que ler pessoalmente a Palavra de Deus, ler a própria Palavra mais do que notas sobre ela, é o método mais seguro de crescer na graça. Beba do leite puro da Palavra de Deus, e não do leite desnatado, nem do leite com água da palavra dos homens.
Nosso argumento é que boa parte daquilo que parece ser leitura bíblica não é leitura bíblica de modo algum. Os versículos passam pelos olhos e as frases deslizam pela mente, mas não há uma leitura genuína. Certo velho pregador dizia: "A Palavra corre livremente entre muitas pessoas hoje em dia, pois entra por um ouvido e sai pelo outro"; parece que assim acontece também com certos leitores — conseguem ler muita coisa, porque nada lêem na realidade. O olho vê a página, mas a mente nunca se fixa no conteúdo. A alma não pousa na verdade para ficar ali. Esvoaça pela paisagem assim como fazem os pássaros, mas não constrói ninho nem acha repouso para seus pés. Ler assim não é realmente ler. Compreender o significado é a essência da leitura verdadeira. A leitura tem um âmago, uma noz, ao passo que a mera casca não tem valor.
Na oração, existe o "orar em oração" — um modo de orar que é o âmago da oração. Assim também no louvor existe o "louvar com cânticos", o fogo interior de devoção intensa que é a vida do "aleluia". Assim acontece também com a leitura da Bíblia. Há uma leitura interior, uma leitura do âmago — uma leitura viva e verdadeira da Palavra. É essa a alma da leitura e, sem ela, a leitura é um exercício mecânico que de nada aproveita.
A não ser que compreendamos aquilo que lemos, não o temos lido; fica ausente o âmago da leitura. É comum criticarmos os católicos romanos por conservarem o latim dos seus cultos diários; mas, se a congregação não ouve com entendimento, não faz diferença se é latim ou qualquer outro idioma. Alguns se consolam com a idéia de que praticaram uma boa ação ao lerem um capítulo da Bíblia, sem terem penetrado na mínima parte do significado; mas a própria natureza certamente rejeita tal coisa como mera superstição. Se você tivesse virado a Bíblia de cabeça para baixo, e passado algum tempo olhando na direção das letras assim viradas, o aproveitamento disso seria tanto quanto o aproveitamento recebido ao ler de maneira normal, porém sem entendimento. Ainda que se tivesse nas mãos um Novo Testamento grego, seria grego mesmo para muitos entre vocês, pois olhar sem compreensão para ele seria tão inútil quanto ler o Novo Testamento em português, sem compreendê-lo no coração.
Não é a letra que salva a alma; em muitos sentidos, a letra mata, e nunca poderá dar vida. Se você insistir na letra, exclusivamente, poderá ser tentado a usá-la como arma contra a verdade, assim como os fariseus faziam na antigüidade, e seu conhecimento da letra pode criar dentro de você o orgulho, para sua própria destruição. É o espírito, o significado interior verdadeiro, quando aspirado pela alma, que nos abençoa e nos santifica. Ficamos totalmente embebidos na Palavra de Deus, como a lã de Gideão; e isso pode acontecer somente por meio de acolhermos a Palavra em nossa mente e coração, aceitando-a como a verdade de Deus, compreendendo-a suficientemente para nos deleitarmos nela. Devemos compreendê-la, portanto; de outra forma, é sinal que não a lemos corretamente.
É certo que o benefício da leitura precisa chegar à alma através do entendimento. Deve haver conhecimento de Deus antes de poder haver amor a Deus; deve haver conhecimento das coisas divinas, conforme são reveladas, antes de podermos desfrutar delas. Devemos procurar descobrir, dentro das limitações das nossas mentes finitas, o que Deus pretende ao dizer isso, e o que Ele pretende ao dizer aquilo; de outro modo, podemos chegar a beijar o Livro, sem termos amor ao conteúdo; e a reverenciar a letra, sem termos a verdadeira devoção ao Senhor que nos fala através dessas palavras. Você nunca obterá consolo para a alma através daquilo que não entende, nem achará orientação para sua vida naquilo que você não compreende; nenhuma lição prática para o seu caráter pode advir daquilo que não é entendido por você.
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Agarre as oportunidades - C. H. SPURGEON

Posted by Josemar Bessa on Abril 24, 2009 , under | comentários (0)



Alguns homens nunca estão acordados quando o trem parte, mas se arrastam até a estação ainda a tempo de ver que todo mundo já partiu e, então, dizem sonolentos: "Puxa vida, o trem já partiu? Meu relógio deve ter parado à noite". Eles sempre chegam à cidade um dia após o início da feira e mostram suas mercadorias uma hora depois do mercado fechar. Eles aproveitam a oportunidade quando o sol se põe e cortam seu milho logo que o tempo bom termina. Eles gritam: "Segure firme!", depois que o tiro saiu do revólver e fecham a porta do estábulo quando já roubaram o cavalo. São como a cauda da vaca, sempre atrás; pegam o tempo pelo calcanhar, não pelo cabelo; se é que realmente o aproveitam de alguma forma. Não têm mais valor que um almanaque velho cuja validade expirou por falta de uso. Infelizmente, não podemos ignorá-los, como faríamos com o almanaque, pois são como a velha senhora rabugenta beneficiária de uma anuidade da qual pretende receber o valor integral; eles não morrem apesar de não terem serventia vivos. Como dizem, a calma e a vida longa são primos irmãos, o resto é compaixão. Se eles são imortais enquanto tiverem trabalho a fazer não morrerão logo, pois ainda nem começaram a trabalhar. Em geral, as pessoas ociosas se desculpam pela preguiça dizendo: "Eu só estou um pouco atrasado", mas um pouco atrasado é quase sempre muito atrasado, e um erro é um erro. Meu vizinho Sykes cobriu o poço depois que seu filho se afogou nele, enquanto ele estava muito ocupado na parte de baixo da velha fazenda trazendo baldes de água a fim de apagar o fogo que já tinha destruído toda a casa. Com certeza, ele fará seu testamento quando já não puder segurar a caneta e apenas pensará em se arrepender de seus pecados quando seus sentidos não funcionarem mais.
Essas carroças lentas pensam que amanhã é melhor que hoje e tomam por regra um antigo ditado transformado em confusão: "Não faça hoje o que pode deixar para amanhã". Eles estão eternamente esperando que seu navio chegue e estão sempre sonhando e procurando coisas do amanhã, enquanto a grama cresce na área de plantio, e as vacas passam através das brechas da cerca. Se os pássaros não fizessem nada além de esperar que alguém pusesse sal em suas caudas, que refeição eles levariam para casa, para suas famílias! Mas enquanto as coisas se movem em seu próprio ritmo, os mais jovens, em casa, terão de encher suas bocas com colheres vazias. Eles dizem: "Não importa, tempos melhores virão, esperemos mais um pouco". Seus pássaros todos estão no arbusto e, de acordo com a avaliação deles, raramente estão gordos, e precisariam estar, pois ainda não têm nada em mãos, e a esposa e as crianças estão quase mortos de fome. Eles dizem que
alguma coisa acontecerá, mas por que os preguiçosos não fazem acontecer por si mesmos? O tempo e a maré não esperam por ninguém, e mesmo assim esses camaradas desperdiçam o tempo como se fossem donos dele e da vida e tivessem uma gaiola cheia de oportunidades. Eles descobrirão seu erro quando a necessidade acabar com eles, e isso não demora muito a acontecer com alguns em nossa aldeia que já estão há um bom tempo a caminho da terra da necessidade. Quem não ara não pode esperar ter alimento; os que desperdiçam na primavera têm um outono magro. Eles não malharam enquanto o ferro estava quente e logo descobrirão que o ferro frio é muito difícil de malhar.

"O que não quer enquanto pode, Recebe um não quando quer."

O tempo não fica amarrado ao poste como o cavalo, à manjedoura. Ele passa como o vento, e o que mói seu milho com o vento precisa pôr em movimento as velas do moinho. O que boceja até ser alimentado fará isso até morrer. Não se consegue nada sem sacrifício além de pobreza e sujeira. De acordo com o antigo dito: "O Jack progrediu por causa de sua estupidez". Penso que o Jack veria que isso é muito diferente hoje, mas o Jack, em tempo algum, progrediria pela tolice, deixando as oportunidades presentes escaparem dele, porque as lebres nunca chegam perto da boca dos cães enquanto eles dormem. Pois para quem tem tempo e espera sempre um momento melhor, chega o momento em que se arrepende do tempo perdido. Não adianta ficar deitado chorando: "Deus me ajude!". Deus ajuda os que ajudam a si mesmos. Quando vejo um homem que declara que as coisas não vão bem e que nunca tem sorte, em geral, digo a mim mesmo: "Aquele ganso velho não se sentou sobre os ovos antes de estarem todos fecundados e agora culpa a providência porque eles não chocaram. Na realidade, eu nunca tive fé na sorte, mas, em casos excepcionais, acredito que a sorte auxilia um homem a passar sobre um fosso se ele pular bem e coloca um pedaço de bacon em seu alforje se ele correr atrás de um porco. A sorte geralmente vem para aqueles que procuram por ela, e a meu ver ela bate na porta de todo mundo, pelo menos uma vez na vida, mas se não aproveitamos a oportunidade, ela vai embora. Os que perderam a última chance e deixaram cada oportunidade passar por eles, amaldiçoam a providência por pôr tudo contra eles: "Se eu fosse um chapeleiro, os homens nasceriam sem cabeças". Outro diz: "Se eu fosse procurar água no mar, ele secaria". Todo vento é louco para um navio desgovernado. Nem os sábios nem os ricos podem ajudar quem recusou ajudar a si mesmo por muito tempo. João Lavrador, de forma muito gentil, envia seus cumprimentos aos amigos e agora que a colheita terminou e o lúpulo está todo colhido, ele, conforme prometeu, pretende dar-lhes um pouco de poesia apenas para testar o polimento. João pediu que o ministro que lhe emprestasse as obras de um poeta, ele enviou a obra de George Herbert – sem dúvida, muito bom, mas tão difícil como Harkaway Wood. No entanto, uma boa parte desses estranhos versos antigos, de vez em quando, ainda aparece como cachos de nozes muito doces, mas algumas delas são ainda mais difíceis de quebrar. Embora o verso, a seguir, esteja próximo do que falei, na verdade, ele é bem simples, e João, apesar de pedir perdão ao poeta, não vê rima nele. Entretanto, como é de autoria do grande Herbert, ele tem de ser bom e é o bastante para ornamentar a palavra de João, como a flor colocada na lapela de um paletó domingueiro.
Deixa que teu pensar fique submisso, calmo, projetando onde,quando e como tuas ocupações podem ser feitas.A negligência cria larvas, mas o viajante confiante,mesmo que apeado algumas vezes, prossegue.Sozinho, age e impulsiona almas a viverem. Escreve sobre os outros, eis aqui um desses.

PACIÊNCIA - C. H. SPURGEON

Posted by Josemar Bessa on Abril 14, 2009 , under | comentários (0)



A paciência é melhor do que a sabedoria; trinta gramas de paciência valem mais que meio quilo de massa cerebral. Todos os homens louvam a paciência, mas poucos a louvam o suficiente para praticá-la. É um remédio bom para todas as doenças, como afirma toda senhora de idade, mas as ervas que produzem esse remédio não crescem em todos os jardins. Quando alguém, de carne e osso como nós, fica cheio de dores, é muito natural que murmure, como é natural um cavalo abanar a cabeça quando as moscas o incomodam, ou uma roda ranger quando perde um aro. Mas a natureza não deveria ser a regra para os cristãos ou, então, para que serve sua religião? Se um soldado não lutar melhor que um lavrador, tire seu casaco vermelho. Esperamos mais fruta de uma macieira que de um espinheiro e temos o direito de pensar assim. Os discípulos de um Salvador paciente também devem ser pacientes. O velho ditado aconselha: "Sorria e agüente", mas cantar e carregar é muito melhor. Afinal, temos poucas marcas de chicote, considerando a péssima qualidade de gado que somos; e sempre achamos que nosso sofrimento vem cedo demais. A dor passada é prazer, além de trazer experiência. Nós não deveríamos ter medo de ir ao Egito quando sabemos que podemos voltar de lá com jóias, prata e ouro.
Pessoas impacientes lavam suas misérias e sulcam seu bem-estar; as tristezas são visitantes que chegam sem ser convidados, mas as mentes queixosas causam um vagão de problemas em sua casa. Muitas pessoas nascem chorando, vivem se queixando e morrem frustradas; elas mastigam a pílula amarga sem sequer saber não seria tão amarga se tivessem inteligência para engoli-la inteira, com um copo de paciência e água. Pensam que a carga dos outros homens é leve, e a delas pesa como chumbo. Dificilmente elas se cansam da própria opinião. Os dedos dos pés de ninguém são pisados pelo
touro negro com tanta freqüência como os delas; a neve que cai em volta de sua porta é mais espessa, e o granizo faz um barulho mais forte em suas janelas. Contudo, se a verdade fosse conhecida, ficaria claro que é a fantasia delas, e não a má sorte, que faz parecer que as coisas vão mal, a ladainha poderia ser posta de lado se não pensassem apenas nisso. Se pomos um raminho da erva chamada contentamento em uma sopa bem rala ela terá um sabor tão bom como a torta do prefeito. João Lavrador cultiva a erva em seu jardim, mas o último inverno muito rigoroso danificou-a terrivelmente, e ele não conseguiu uma mudinha para dar aos seus vizinhos; eles deviam seguir Mateus 25.9 e procurar os que vendem e compram. A graça é um solo bom para o cultivo, mas precisa ser regada com a água da fonte da misericórdia. Ser pobre nem sempre é agradável, mas coisas piores que isso acontecem no mar. Sapatos pequenos são ótimos para apertar, mas não se o pé for pequeno; se temos poucos recursos, é ótimo que tenhamos desejos modestos. A pobreza não é vergonha, mas ficar descontente com ela é. Em algumas coisas, os pobres são melhores que os ricos, se um homem pobre tiver fome ele procura um alimento para matar a fome, já o rico que tem demais come além do que precisa para se alimentar. A mesa do pobre logo fica arrumada, e seu trabalho poupa-o de comprar molho. Os melhores médicos são o dr. Dieta, o dr. Sossego e o dr. Feliz, e muitos lavradores religiosos têm todos esses senhores para cuidar deles. A fartura causa gulodice, mas a fome não vê imperfeição no cozinheiro. O trabalho pesado proporciona saúde, e trinta gramas de saúde valem mais do que um saco de diamantes. Há mais doçura em uma colher cheia de açúcar que em um litro de vinagre. Não é a quantidade de nossos alimentos, mas a graça de Deus no que temos que nos faz verdadeiramente ricos. Os restos de uma maçã comum são melhores que uma maçã silvestre inteira; um jantar de verduras em paz é melhor que um com a carne de um boi confinado acompanhada de discussão, ter pouco com temor a Deus é melhor do que ter um grande tesouro acompanhado de problemas. Uma pequena quantidade de lenha aquece meu pequeno forno; por que, então, devo me lastimar se toda a lenha não for minha?
Quando as dificuldades aparecem, não adianta insultar Deus com pensamentos injustos sobre a providência; isso é o mesmo que dar murro em ponta de faca e se machucar. As árvores se curvam com o vento, e nós também devemos nos curvar. Cada vez que a ovelha bali, perde um bocado, e cada vez que nos queixamos, perdemos uma benção. Queixar-se é um mau negócio e não traz lucro, mas a paciência tem mãos de ouro, nossos males logo terminarão. Depois da chuva surge um brilho claro; corvos negros têm asas; cada inverno se transforma em primavera; cada noite rompe em manhã.

O vento não sopra sempre tão forte. No fim, ele se aquieta.

Quando uma porta se fecha, Deus abre outra, se as ervilhas não crescem bem; os feijões crescem, se uma galinha abandona seus ovos, outra choca toda a ninhada. Há um lado luminoso em todas as coisas, e um Deus bom em todos os lugares. Em um lugar ou outro, no meio da pior onda de problemas sempre há terra firme onde pôr nosso contentamento, e se não houver temos de aprender a nadar.
Amigo, como diziam os antigos, ponha paciência e água no mingau de aveia antes de apanhar os miseráveis e transmitir aos outros a doença pecaminosa de encontrar imperfeições em Deus. O melhor remédio para a aflição é submeter-se à providência. O que não pode ser curado, deve ser suportado. Se não pudermos ter bacon, louvemos a Deus, pois ainda temos alguns repolhos na horta. "O dever" é uma noz dura de quebrar, mas tem uma semente doce. "Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam".O que quer que caia do céu, mais cedo ou mais tarde, faz bem para a terra; o que quer venha de Deus tem valor, mesmo que seja um açoite. Por nossa natureza, não podemos gostar de dificuldades da mesma forma que um rato não cai de amores por um gato, contudo Paulo, pela graça, chegou à glória também em tribulações. Perdas e cruzes são pesadas de suportar, mas é maravilhoso como o fardo fica leve quando nosso coração está do lado direito de Deus. Temos de ir para a glória pelo caminho da Cruz das Lamentações; e como nunca nos foi prometido que iríamos para o céu em uma cama de plumas não podemos nos desapontar ao ver que a estrada é difícil, como nossos pais também acharam antes de nós. Tudo está bem quando termina bem, por isso, aremos o solo mais árido com os olhos na colheita e aprendamos a cantar durante nosso trabalho, enquanto os outros murmuram.

Quem não sabe nada, acha que sabe tudo - Spurgeon

Posted by Josemar Bessa on Abril 10, 2009 , under | comentários (0)



Quando o homem tem a cabeça peculiarmente vazia, em geral, tem a presunção de ser um grande juiz, em especial, em relação à religião. Ninguém é tão sábio quanto o homem que não sabe nada. A ignorância é a mãe de sua impudência, e, a enfermeira de sua obstinação, aliás ele não distingui o joio do trigo, resolve os assuntos como se a sabedoria estivesse na palma de sua mão. O próprio papa não seria tão infalível. Ouça suas palavras depois de participar de uma reunião ou de ouvir um sermão, e você saberá como reduzir um homem de bem a frangalhos, se já não souber fazer isso. Ele vê imperfeições onde elas não existem; e se encontra qualquer coisa imperfeita faz tempestade em um copo d'água. Apesar de toda sua capacidade caber na casca de um ovo, ele pesa o sermão na balança da própria vaidade, com os ares de um bem nascido e criado Salomão. Se o sermão estiver acima do seu padrão, ele exagera nos elogios, mas se não for do seu gosto, ele resmunga, fala rispidamente e ladra como um cão diante de um porco espinho. Neste mundo, homens sábios são como árvores em um cercado, encontramos apenas um aqui, outro ali. Quando esses homens raros falam juntos sobre um discurso, ouvi-los faz bem aos ouvidos; mas os sabichões convencidos dos quais estou falando, ficam estufados de vaidade por causa de sua forma de pensar materialista, e suas palavras são tão sem sentido quanto o grasnar dos gansos no campo. Nada sai de um saco, a não ser o que estava dentro dele, e como a mala deles está vazia não tiram nada dela, a não ser vento. É muito natural que nem os pastores nem os sermões sejam perfeitos – o melhor dos jardins pode ter algumas ervas daninhas, o milho mais limpo pode ter alguma palha –, mas esses cavalheiros fazem críticas e encontram imperfeições em tudo e em nada, com o intuito de mostrar seu profundo conhecimento. Tão logo dão folga para suas línguas, começam a criticar que o capim não tem um tom de verde agradável ou que o céu ficaria mais nítido se fosse caiado.
Um grupo de ismaelitas foi forjado por esses ambiciosos ignorantes, poderosos no conhecimento da doutrina contida em um sermão, nisso são incisivos como marretas e infalíveis como a morte. Quem não sabe nada, presume que sabe tudo; por isso, eles são de uma teimosia sem limites. Todos os relógios, até mesmo os solares, têm de ser acertados com os deles. A menor divergência com sua opinião faz com que o homem se sinta aniquilado até o fundo do coração. Aventure-se a argumentar com eles, e o ínfimo conhecimento dele extravasa rapidamente; perguntar a eles a razão de alguma coisa é a mesma coisa que procurar açúcar enterrado na areia. Eles
engarrafaram o mar da verdade e o carregam nos bolsos de seus coletes; mediram a linha da graça divina e deram um nó no barbante no comprimento exato do amor dos eleitos de Deus. As coisas que os anjos custam a conhecer, eles já as conhecem todas, como as crianças que vêm coisas incomuns nos caleidoscópios. Tendo vendido sua modéstia e se tornado mais sábios que seus mestres, eles montam em um cavalo muito alto e passam por cima dos cinco portões trancados dos textos bíblicos, que ensinam doutrinas que contrariam suas idéias absurdas. Quando isso acontece a homens de bem, é muito triste ver esses potes de ungüento perfumado deteriorados pelas moscas, porém aprendemos a lidar com eles, assim como faço com a velha Violeta, uma égua excepcional, mas que, às vezes, põe as orelhas para trás e empaca. Mas há bastante arrogância nos que são apenas ferrão, sem mel; apenas chicote, sem feno; apenas grunhidos, sem bacon; nos que, da manhã à noite, não fazem nada além de injuriar, em todos que não agüentam ver seus espetáculos até o fim. Seria mais suportável se eles, ao menos, misturassem um pouco de bem viver a todo esse orgulho, mas não, eles não se preocupam com essa verdade. Não se pode esperar que homens tão perfeitos como eles sejam bons em alguma outra coisa; eles são os cães de guarda divinos que protegem a casa de Deus contra os ladrões e assaltantes que não pregam doutrina sadia; e se eles fossem causa de aflição para as ovelhas ou furtassem um ou dois coelhos às escondidas, quem os culparia? O povo querido de Deus, como eles mesmos se intitulam, já tem de fazer muito para manter sua doutrina audível; e quem se preocupa se os métodos não são perfeitos! Ninguém pode cuidar de tudo ao mesmo tempo. Eles são as toupeiras que buscam caça em nossos pastos, não para si mesmos, pois não há nada aproveitável lá para eles, mas sim para os prados que corrompem. Eu não encontraria nem mesmo a metade de um erro na doutrina deles, se não fosse direcionada para os seus espíritos; mas, se comparados a ela, o vinagre é doce, e os lobos parecem ovelhas. É uma doutrina tão elevada que está muito acima de minha capacidade, porém, preciso ter muita experiência e muita prática ao lidar com ela ou embrulhará meu estômago. Por outro lado, eu disse o que tinha para dizer, preciso abandonar o assunto, ou alguém perguntará o que tenho que ver com o moinho de vento de Dom Quixote?
Às vezes, repreendem o pregador por seu modo de falar. Mais uma vez, esse é um campo fácil de se encontrar imperfeições, pois todo monte de feijão sempre tem um escuro, e todo homem tem suas falhas. Nunca conheci um bom cavalo que não tivesse algum hábito estranho ou outro defeito, e nunca vi um pastor de mérito não usar algum artifício ou singularidade, assim, esses são os bocados de queijo que os mistificadores descobriram e censuram, esse homem é muito vagaroso, e o outro, muito rápido; o primeiro é muito poético, e o segundo, muito maçante. Seria uma tristeza, se todas as criaturas de Deus fossem julgadas desse jeito, nós precisaríamos apertar o pescoço da pomba para domesticá-la; atirar nos tordos por comerem aranhas; matar as vacas por balançarem as caudas; e as galinhas por não nos fornecerem leite. Quando um homem tirar um obstáculo, ele logo consegue um pedaço de madeira; da mesma forma, qualquer tolo tem algo a dizer contra o melhor pastor da Inglaterra. Do mesmo modo, se a forma de pregar é constituída apenas de palavras simples e séria, ninguém pode fazer objeção a ela – por lhe faltar polimento se o conteúdo é bom –, ela não pode soar imprópria. Ninguém deveria usar linguagem prolixa no púlpito – e pode-se considerar toda linguagem negativa se as pessoas simples não conseguem entendê-la, mas as palavras religiosas, sóbrias, decentes e simples ninguém pode criticar. O homem do campo fica tão aquecido com chita, quanto um rei com veludo, e uma verdade é tão confortadora em palavras simples quanto em um discurso refinado. Cada um no seu lugar; quando estão com fome, os homens deixam a cozinheira preparar a carne, pois ela a deixa mais tenra e substanciosa. Se os ouvintes fossem melhores, os sermões também seriam. Quando os homens dizem que não podem ouvir, eu recomendo que comprem um captador de som e lembrem do velho ditado: "O pior surdo é quem não quer ouvir".Quando jovens pregadores ficam desanimados, devido às observações duras e indelicadas, em geral, conto-lhes a história do velho, do menino e do burro e o que aconteceu com a tentativa de agradar a todos. Nenhum tocador de flauta jamais conseguiu agradar a todos os ouvintes. Quando se põe o capricho e a fantasia no lugar do julgamento, a opinião de um homem não passa de vento, por isso, ninguém se preocupa com isso mais que com o vento que assobia pelo buraco da fechadura.
Já ouvi falar de pessoas que conseguiram encontrar erros em coisas que nem faziam parte do discurso. Não importa quão bem se trouxe o assunto à tona, havia outro assunto sobre o qual nada foi dito e, portanto, tudo estava errado. Isso é tão justo quanto encontrar defeito em meu arado porque não cava buracos para os feijões ou estragar um bom campo de milho porque não há nabos nele. Quem procura por cada uma das verdades de um sermão? Da mesma forma, vocês poderiam reclamar de um prato com um pedaço de carne porque não tem bacon, ou vitela, ou ervilhas verdes. Suponhamos que um sermão não conforte completamente os mais religiosos; mas, se por outro lado, ele advertir os pecadores, será que devemos desprezá-lo? Um serrote não seria uma ferramenta adequada para alguém se barbear; mas só por isso devemos jogá-lo fora? Qual a utilidade de se tentar constantemente descobrir imperfeições? Detesto ver um homem que tem sensibilidade para perceber as coisas passíveis de queixa, como um cão que caça ratos farejando suas tocas. De qualquer maneira, desbastemos o erro, as raízes e os galhos, mas conservemos nossas tesouras de podar enquanto houver arbustos espinhosos a desbastar e não caiamos na desventura da piedade por nós mesmos. Julgar pregadores não é um negócio rendoso, pois não vale a pena. Ao julgar o sermão, eles dão o prêmio para o melhor entre nós; mas esses juizes de pregadores são muito lentos para dar alguma coisa, mesmo para aqueles em quem confessam pensar muito. Eles pagam com elogios, mas não dão o prêmio. Eles usam o evangelho para qualquer coisa e acham que fizeram um grande favor quando o reverenciam, e não o censuram.
Todos se consideram bons juízes de sermões, mas nove entre dez deles têm a pretensão de poder pesar a lua. Pensando bem, creio que a maioria das pessoas pensa que pregar é uma coisa extremamente fácil e que poderia fazer isso maravilhosamente bem. Todo estúpido se acha útil para cuidar dos cavalos do rei; toda menina pensa que poderia cuidar da casa melhor que sua mãe. Mas pensamentos não são fatos; o pescador sabia mais do que a sardinha que pensava ser um arenque. Eu ouso dizer essas coisas, os que assobiam imaginam que podem arar, mas há mais que um assobio em um bom lavrador. E deixem que eu diga, há mais em uma boa pregação do que pegar um texto e dizer: em primeiro lugar, em segundo lugar, em terceiro lugar. Eu mesmo tento pregar, e em meu humilde modo de pensar, não acho nada fácil dizer ao povo alguma coisa que valha a pena ser ouvida. Se a fila de críticos, que nos conta nos dedos, também tentasse pregar, com certeza, ficariam mais calados. Os cães, entretanto, latem sempre e o pior é que também mordem; mas deixem que as pessoas decentes façam tudo o que podem ou amordace-as para evitar, desde já, que causem muito dano. É terrível ver uma família feliz de cristãos dissolvida por faladores, descobridores de imperfeições, e tudo por nada, menos que nada. A extremidade da cunha é pequena, mas quando o diabo manipula o macete, as igrejas se separam em grupos, e os homens se perguntam por que isso ocorreu. O fato é que a roda defeituosa da carroça chia mais, e um tolo transforma muitos em tolos, assim como a maioria das congregações teria vantagem com um pastor fiel, que poderia ser sua última benção, se não tivesse afugentado seu melhor amigo. Em geral, os que estão voltados para a injúria não participam realmente da verdadeira religiosidade; mas são como os pardais que lutam pelo milho alheio, e como as gralhas despedaçam aquilo que nunca ajudaram a construir. Que possamos nos livrar dos cachorros loucos e dos professores mistificadores e que não tenhamos de suportar a queixa de nenhum deles. Encontrar imperfeições é terrivelmente contagioso, um cão contagia todo o canil quando uiva, o procedimento mais sábio é manter fora do caminho quem tem a doença da mistificação. O pior disso é que as doenças dos pés e da cabeça caminham juntas, e aquele que calunia os outros, rola na lama bem antes dos que ele calunia. "O fruto do Espírito é amor", essa é uma maçã muito diferente da azeda maçã siberiana que algumas pessoas trazem para cá. Adeus a todos vocês filhos queixosos, seria mais fácil João Lavrador roer um osso em paz que lutar por um boi assado.

A Cera Diante do Fogo

Posted by Josemar Bessa on Abril 07, 2009 , under | comentários (0)



Não há exceções? Não nenhuma. “Toda a casa de Israel é de fronte obstinada e de duro coração” (Ez 3.7). Mesmo a raça favorecida é descrita como um povo de fronte obstinada e duro coração. Considere a sua participação nessa acusação universal e disponha-se a reconhecer a sua culpa. A primeira acusação é a fronte obstinada. Isto se refere a uma dureza de rosto, uma falta de vergonha santa ou uma ousadia na prática do mal.
Antes de minha conversão, eu podia pecar e não sentir qualquer remorso; podia ouvir a minha culpa e não me humilhar; podia até confessar a minha iniqüidade e não experimentar nenhuma tristeza em meu íntimo, por causa da iniqüidade. Um pecador que vai a casa de Deus e finge orar e dirigir-lhe louvores demonstra uma hipocrisia descarada do pior tipo! Todavia, desde o dia do meu novo nascimento, tenho duvidado de meu Senhor, em sua face, murmurando insolenemente em sua presença, adorado-O com desmazelo e pecado, sem arrependimento sincero. Se
a minha fronte não fosse tão inflexível, eu teria mais temor santo e mais contrição de espírito.
A segunda acusação é a dureza de coração. Também não posso dizer que sou inocente dessa acusação. Antes eu não tinha nada, exceto um coração de pedra. Mesmo que, pela graça de Deus, agora eu tenha um coração novo, um coração de carne, ainda permanece em mim muito de minha teimosia. Não sou tão afetado pela morte de Jesus como eu deveria ser. Também não sou tão comovido pela perdição de meu próximo, pela impiedade de minha época, pela disciplina de meu Pai celestial e pelas minhas próprias faltas como eu deveria ser. Oh! Que meu coração seja amolecido tão-somente pela emoção dos sofrimentos e da morte de meu Salvador! O precioso sangue de meu Salvador é o solvente universal. Este sangue me amolecerá, até que meu coração se derreta como a cera diante do fogo.

Flechas de Spurgeon

Posted by Josemar Bessa on Setembro 20, 2006 , under | comentários (0)



- Deus nos abençoa muitas vezes cada vez que nos abençoa.

- O divino abençoa o humano pra que este possa bendizê-lo.

- A adoração mecânica é fácil, porém nada vale.

-A adversidade tem menos poder para prejudicar do que a prosperidade.

-A adversidade santifica aviva nossa sensibilidade espiritual

- Deus concede às pequenas criaturas grandes alegrias.

- Como uma alma pode chegar a algum lugar, se estiver sempre mudando de rumo? Nao se pode semear em Berseba e correr para ceifar em Dã.

-Almas santificadas não podem hospedar-se em corpos imundos.

- Conta-se que Aníbal dissolveu as rochas dos Alpes com vinagre. Cristo dissolve nossos corações com amor.

- Não sejamos amordaçados como cães para agradar ao mundo ou a seus mestres.

- Um argumento vivo é invencível.

- A aprovação de Deus vale mais do que a admiração das nações.

- O arrependimento nos dá um lugar modesto.

- Do arrependimento sem Cristo, teremos de nos arrepender.

- A porta do arrependimento se abre para os salões da alegria.

- Arrume seu interior e você ficará arrumado por fora.

- Quem gostaria da passar a vida toda brincando à beira de um lago? Atire-se nas águas e mergulhe até o fundo.

- Os avivamentos são nossos jubileus.

- Bem adiado, mal saciado

- Quando os cavalos negros do Senhor batem a nossa porta, deixam fardos duplos de bençãos.

- Para muitos homens a Bíblia é uma carta de Deus fechada.

- Nunca tenha medo de sua Bíblia.

- Mas vale a Bíblia guardade na memória do que na estante.

- A Bíblia é o tesouro do conhecimento celestial, a inciclopédia da ciência divina

- Brincamos de gente hoje e de rato amanhã.

- As flechas da calamidade estão apontadas para os nossos pecados.

- O caminhar seguro só procede de um caminhar cuidadoso.

- Tal qual a cotovia, suba as montanhas para falar com Deus e faça-o cantanto.

-É melhor ser o cão de Deus do que o "benzinho" do diabo.

- Ninguém precisa ser casmurro por ter se tornado cristão.

- A fé que nunca fez chorar é fé que nunca fez viver.

- Cuidado com as más companhias ao cair da tarde.

- A comunhão com Deus produz música grandiosa.

- Confiança simples e serviço agradecido formam uma liga mais preciosa do que o ouro.

- Um corte profundo na consciência pode desfigurar uma alma para sempre.

- O crente tem argumentos permanentes a favor da consolação permanente.

- A constância é a prova da sinceridade

- Não se consegue meia dúzia de conversões com meia dúzia de canetas.

-Os dias de conversão são nossos feriados mais importantes.

- Conversões não são fabricadas em formas.

- Você tem o leite e o café, mas Deus quer que você se apodere da nara da convicção

- O sotaque da convicção é indispensável para quem almeja convencer

Samuel e Seus Mestres - C. H. Spurgeon

Posted by Josemar Bessa on Setembro 19, 2006 , under | comentários (0)



Nos dias de Eli, a palavra do Senhor era preciosa, e não havia visão aberta. Foi ótimo que quando a palavra veio mesmo, um indivíduo escolhido tinha o ouvido que escutava para recebê-la, e o coração obediente para executá-la. Eli não educou seus filhos para serem os servos dispostos e os ouvintes atentos à palavra do Senhor. Nisso lhe faltava a desculpa de ser incapaz, porque treinou a criança Samuel com bom êxito em ser reverentemente atento à vontade divina. Ah, que aqueles que são diligentes com as almas de outros olhassem bem as suas próprias famílias. Mas ai do pobre Eli--como muitos em nossos dias, fizeram-te guarda dos vinhedos, mas tua própria vinha tu não guardaste. Sempre que olhava a criança graciosa, Samuel, deve ter sentido a dor de coração. Quando se lembrava de seus próprios filhos negligenciados e não punidos, e como se tornaram vis aos olhos de toda Israel, Samuel era o testemunho vivo do que a graça pode operar quando as crianças são educadas no temor do Senhor; e Hofni e Finéias eram tristes exemplos do que a tolerância demasiada dos pais pode causar nos filhos dos melhores dos homens. Ai, Eli, se você tivesse sido tão cuidadoso com seus próprios filhos como com o filho de Ana, não teriam sido homens de Belial como foram, nem Israel teria detestado as ofertas do Senhor por causa da fornicação que aqueles réprobos sacerdotes cometiam bem na porta do tabernáculo. Ah, que tenhamos graça para cuidar de nossos pequeninos pelo Senhor, para que eles possam ouvir o Senhor quando ele se agradar em lhes falar.

Samuel foi abençoado com um pai gracioso, e, o que é mais importante ainda, era filho de uma mãe eminentemente santa. Ana era uma mulher de grande talento poético, como fica evidente pelo seu cântico memorável--"Meu coração exulta no Senhor; no Senhor minha força é exaltada. Minha boca se exalta sobre os meus inimigos, pois me alegro em tua libertação" (1Sm 2.1). A alma da poesia vive em cada sentença. Mesmo a Virgem Maria, a mais abençoada entre as mulheres, não pôde senão usar expressões de significado semelhante. Melhor ainda, Ana era uma mulher de grande oração. Fora uma mulher de espírito triste, mas suas orações pelo menos voltaram para ela em bênção, e Deus lhe concedeu esse filho. Ele era muito precioso para o coração de sua mãe, e ela, então, para mostrar sua gratidão, e em cumprimento do voto que na sua angústia havia feito ao Senhor, consagrou a coisa melhor que ela tinha, apresentando seu filho diante do Senhor em Siló--uma lição a todos os pais piedosos, para que não descuidem de dedicar seus filhos a Deus.

Como seremos favorecidos se nossos filhos forem todos como Isaque--filhos da promessa! Que pais abençoados seríamos se víssemos nossos filhos se levantarem para chamar o Redentor de abençoado! Já foi a sorte de alguns de vocês verem todos os seus filhos contados com o povo de Deus; todas as suas jóias já estão agora na caixa de jóias de Jeová. Na sua primeira infância, vocês já os deram a Deus, e dedicaram-nos em sincera oração, e agora o Senhor lhes deu a resposta da petição que a ele dirigiram. Eu gosto que nossos amigos façam um cultinho em sua própria casa quando sua família é aumentada; parece-me bom e proveitoso os amigos se reunirem, e uma oração ser oferecida para que o bebê possa cedo ser chamado pela graça poderosa e recebido para fazer parte da família divina. Você perceberá que logo que Samuel foi colocado sob o cuidado e tutela de Eli, foi instruído até certo ponto no espírito da religião, mas Eli não lhe parece ter explicado a forma e a natureza daquelas manifestações especiais e particulares de Deus que eram dadas a seus profetas; sonhando um pouco, ouso dizer que Samuel fosse algum dia o objeto delas. Naquela noite memorável, quando perto do amanhecer a lâmpada de Deus estava para se apagar, o Senhor clamou, "Samuel, Samuel", e o garotinho não pôde discernir--porque não lhe fora ensinado--que era a voz de Deus, e não a voz do homem.

Que ele havia aprendido o espírito da religião verdadeira é indicado pela sua obediência instantânea, e o hábito da obediência tornou-se uma diretriz valiosa nas perplexidades daquela hora cheia do evento. Ele corre para Eli, e diz: "Estou aqui; o senhor me chamou?"; e embora isso fosse repetido três vezes, mesmo então ele parecia não se importar de sair de sua cama quentinha, e correr para seu pai de criação, para ver se lhe podia buscar algum conforto que sua idade avançada poderia exigir durante a noite, ou de outra forma obedecer seu mando - um sinal seguro de que a criança havia adquirido o princípio saudável da obediência, embora não entendesse o mistério do chamado profético. Bem melhor ter o jovem coração treinado a carregar o jugo do que encher a cabeça infantil de conhecimento, por mais valioso que fosse. Um grama de obediência vale mais do que uma tonelada de instrução.

Quando Eli percebeu que Deus chamara a criança, ele o ensinou sua primeira oração. É curta, mas diz muito: "Fala, Senhor, pois o teu servo está ouvindo" (1Sm 3.10b). Que os pais cristãos expliquem à criança o que é a oração. Diga-lhe que Deus responde às orações; dirija-o ao Salvador, e então anime o menino a expressar seus desejos em sua própria linguagem quando ele se levanta ou quando vai para o descanso. Reúna os pequenos à sua volta e ouça suas palavras, sugerindo-lhes suas necessidades, e lembrando a eles a promessa graciosa de Deus. Você ficará maravilhado, e, posso acrescentar, às vezes, divertido também; mas também ficará surpreso com as expressões que usarão, as confissões que farão, os desejos que expressarão; e eu estou certo de que qualquer pessoa cristã que possa ouvi-los e escutar a simples oração de uma criancinha pedindo com sinceridade por aquilo que ela pensa querer nunca mais desejaria ensinar a uma criança uma oração já formulada, porém, diria que como matéria de educação para o coração a fala improvisada foi infinitamente superior à melhor fórmula, e que se deveria desistir da fórmula para sempre.

No entanto, não me deixe falar tão radicalmente. Se você precisa ensinar seu filho a dizer uma forma de oração, pelo menos não lhe ensine nada que não seja verdade. Se você ensina a seus filhos um catecismo, que seja bem bíblico, ou você os ensina a dizer mentiras. Não ensine nada senão a verdade como está em Jesus até onde eles podem aprendê-la, e ore ao Espírito Santo para que escreva essa verdade sobre o coração deles. Melhor não fornecer postes de sinalização para o jovem viajante que levá-lo a errar o caminho por ter indicadores falsos. O farol de um demolidor é pior do que o escuro. Ensine nossa juventude a fazer afirmações mentirosas em assuntos religiosos, e o ateísmo pode corromper ainda mais suas mentes. A religião formal é inimiga mortal da piedade viva. Se você ensina um catecismo, ou se ensina uma fórmula de oração a seus pequenos, que seja tudo verdade; e, até onde for possível, nunca ponha na boca de uma criança uma palavra que a criança não possa dizer de todo seu coração.

Precisamos ser mais cuidadosos no que se refere a dizer o que é verdade e correto na fala. Se uma criança olhasse por uma janela para algo que estivesse acontecendo na rua, e depois lhe dissesse que ela o viu da porta, você deveria fazê-lo contar de novo o caso para imprimir nela a necessidade de ser verdadeiro a respeito de tudo. Principalmente sobre as coisas ligadas à religião, não deixe a criança usar nenhum formato feito até que tenha o direito de ser um participante. Nunca a incentive a vir à mesa do Senhor a não ser que você creia realmente que há uma obra de graça em seu coração; pois por que você o levaria a comer e beber para sua própria condenação? Insista de todo coração que a religião é uma realidade solene que não é para ser imitada ou feita de conta, e procure levar a criança a entender que não há vício que aborreça mais a Deus do que a hipocrisia. Não faça seu pequeno Samuel ser um jovem hipócrita, mas instrua seu queridinho a falar diante do Senhor com uma profunda solenidade e uma conscienciosa veracidade, e não o deixe ousar dizer, nem em resposta a uma pergunta de catecismo, nem como forma de oração, nada que não seja positivamente verdade. Se precisa ter uma oração decorada, que ela não expresse desejos como uma criança nunca teria, mas que seja adaptada à sua capacidade.

A respeito do reverendo John Angell James, diz-se: "Como a maioria dos homens que foram eminentes e honrados na igreja de Cristo, ele teve uma mãe piedosa, que costumava levar seus filhos a seu quarto, e com cada um separadamente orar pela salvação de sua alma. Esse exercício, que cumpria sua própria responsabilidade, estava formatando o caráter de seus filhos, e a maioria, se não todos, levantou-se para chamá-la abençoada. Será que tais meios já chegaram a falhar algum dia?" Eu lhes peço, professores da Escola Dominical, embora isso talvez nem seja necessário, pois sei como são zelosos nessa matéria--, logo que virem o primeiro prenúncio do dia em suas crianças, incentive seus desejos juvenis. Creia na conversão de crianças quando crianças; creia que o Senhor pode chamá-las por sua graça, pode renovar seus corações, pode dar-lhes um papel e uma sorte dentre seu povo muito antes de chegarem à plenitude da vida.

Olhe Tudo Através da Cruz - C. H. Spurgeon

Posted by Josemar Bessa on Setembro 18, 2006 , under | comentários (0)



"O que significa esta cerimônia?" (Êxodo 12)

Nós devemos olhar tudo o que há neste mundo sob a luz da redenção, e assim o veremos corretamente. Faz uma diferença maravilhosa se você vê a providência do ponto de vista do merecimento humano ou do pé da cruz. Não vemos nada do modo real enquanto não o vemos através do vidro, o vidro vermelho do sacrifício expiatório. Use esse telescópio da cruz e então verá longe e claramente; olhe os pecadores através da cruz; olhe as alegrias e tristezas do mundo através da cruz; olhe o céu e inferno através da cruz. Veja o quanto era para ser realmente visível o sangue da Páscoa, e então aprenda de tudo isso a dar importância verdadeira ao sacrifício de Jesus--sim, dar-lhe toda a importância, pois Cristo é tudo.


Nós lemos em Deuteronômio, no sexto capítulo, versículo oito, com respeito às ordens da lei do Senhor, o seguinte: "Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa. Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões." Observe, então, que a lei deve ser escrita logo ao lado dos memoriais do sangue. Na Suíça, nas vilas protestantes, podiam ser vistos textos da Escritura nos umbrais das portas. Seria tão bom que tivéssemos esse costume na Inglaterra. Quanto do evangelho poderia ser pregado aos passantes se textos bíblicos estivessem acima das portas dos cristãos! Poderia ser ridicularizado como farisaísmo, mas poderíamos nos acostumar. Poucos são sujeitos, nos dias de hoje, à acusação de serem religiosos demais. Eu gosto de ver textos da Escritura em nossos lares, em todos os cômodos, nas molduras acima das portas, e nas paredes; mas do lado de fora da porta - que beleza de anúncio o evangelho poderia ter por preço tão econômico.

Mas note que, quando o judeu escrevia nas colunas de sua porta uma promessa, um preceito ou uma doutrina, ele tinha de escrever sobre uma superfície manchada de sangue, e quando a Páscoa do ano seguinte chegava, ele tinha de aspergir o sangue com hissopo bem em cima da escrita. Parece-me ótimo pensar na lei de Deus ligada àquele sacrifício expiatório que o engrandeceu e o tornou honrável. Os mandamentos de Deus vêm para mim como homem remido; suas promessas são para mim como homem comprado pelo sangue, seu ensino me instrui como pessoa por quem a expiação já foi feita. A lei na mão de Cristo não é uma espada para nos matar, e sim uma jóia para nos enriquecer. Toda a verdade aceita em relação à cruz é muito incrementada em seu valor. A Santa Escritura torna-se preciosa sete vezes mais quando vemos que ela vem a nós como sendo remidos do Senhor, e traz em cada página marcas daquelas mãos queridas que foram pregadas na cruz por nós.

Agora, é possível compreender como tudo foi feito que bem podia ser pensado de modo que elevasse o sangue do cordeiro pascoal a uma alta posição na estima das pessoas que o Senhor tirou do Egito; e você e eu precisamos fazer tudo que podemos para trazer à frente, e conservar diante dos homens para sempre, a preciosa doutrina do sacrifício expiatório de Cristo. Ele foi feito pecado por nós, embora nenhum pecado conhecesse, para que nele nós pudéssemos ser feitos a justiça de Deus.

E agora quero lhes fazer lembrar da instituição que era ligada à memória da Páscoa. "Quando os seus filhos lhes perguntarem: 'O que significa esta cerimônia?', respondam-lhes: 'É o sacrifício da Páscoa ao Senhor'" (Êx 12.26-27a).

Investigação é coisa que deve ser estimulada na mente de nossas crianças. Ah, se pudéssemos levá-las a fazer perguntas sobre as coisas de Deus! Alguns perguntam bem cedo, outros parecem ter herdado o mal da indiferença que as pessoas mais velhas têm. Temos de lidar com os dois tipos de mente. É bom explicar às crianças a ordenança da Ceia do Senhor, pois isso mostra bem a morte de Cristo em símbolo. Sinto pena de que as crianças não vejam com maior freqüência essa ordenança. Os dois, o Batismo e a Ceia do Senhor, devem ser feitos à vista da geração que surge para que então nos perguntem: "O que significa essa cerimônia?" Ora, a Ceia do Senhor é um perene sermão evangelístico, e fala principalmente sobre o sacrifício do pecado. Você pode banir essa doutrina da expiação do púlpito, mas ela sempre viverá na igreja através da Ceia do Senhor. Você não pode explicar aquele pão partido e aquele copo cheio do fruto da vide sem referência à morte expiatória de nosso Senhor. Não pode explicar "a comunhão do corpo de Cristo" sem incluir, de uma forma ou outra, a morte de Jesus em nosso lugar e posição. Deixe que os seus pequenos, então, vejam a Santa Ceia, e que lhes seja explicado bem claramente o que ela apresenta. E se não a própria Ceia do Senhor--pois isso não é a coisa em si, mas só a sombra do fato glorioso--, demore-se muito e com freqüência nos sofrimentos e morte de nosso Redentor. Deixe que pensem no Getsêmane, e no Gabata (o local do Pretório), e no Gólgota, e que aprendam a cantar em tons melancólicos sobre aquele que deu sua vida por nós. Diga-lhes quem foi aquele que sofreu e por quê. Sim, embora o hino não seja bem ao meu gosto em algumas de suas expressões, gostaria que as crianças cantassem:

Mui longe o monte verde está
Fora dos muros de Jerusalém.

E eu gostaria que aprendessem versos parecidos com estes, de hinos com esta idéia:

Sabia como fomos maus,
Que Deus teria que castigar.
Então Jesus ofereceu
Morrer - em nosso lugar.

E quando a atenção é despertada para o melhor dos temas, estejamos preparados para explicar a grande transação pela qual Deus é justo, e ainda assim, os pecadores são justificados. As crianças podem entender muito bem a doutrina do sacrifício expiatório; a intenção foi mesmo que fosse um evangelho que até o mais novo pudesse apropriar. O evangelho da substituição é uma grande simplicidade, embora seja um mistério. Não devemos nos contentar até que nossos pequeninos conheçam e confiem no Sacrifício completado por eles. Isso é conhecimento essencial, e a chave para todo ensino espiritual. Que nossas queridas crianças conheçam a cruz, e já terão começado bem. Com todas as coisas que aprendem, que possam aprender a compreender isso, e já terão um fundamento bem construído.

Para isso, você deverá ensinar à criança que ela necessita de um Salvador. Você não pode se omitir dessa tarefa. Não bajule a criança com bobagens sobre sua natureza ser boa e precisar ser desenvolvida. Diga-lhe que precisa nascer de novo. Não a encoraje com a imaginação de sua própria inocência, mas mostre-lhe seu próprio pecado. Mencione os pecados infantis aos quais ela se inclina, e ore para que o Espírito Santo trabalhe a convicção no seu coração e na sua consciência.

Lide com os novos como lida com os velhos. Seja completo e honesto com eles. Religião frágil não é boa nem para jovens nem para velhos. Esses meninos e meninas precisam de perdão através do sangue precioso tanto como qualquer um de nós. Não hesite em contar à criança sua situação ruinosa; senão ela não há de querer o remédio. Diga-lhe também qual é o castigo do pecado, e avise-a de seu terror. Seja terno, mas seja verdadeiro. Não esconda do pecador jovem a verdade por mais terrível que possa ser. Agora que chegou aos anos de responsabilidade, se não acreditar em Cristo, ficará numa situação desfavorável com ele no grande dia final. Coloque diante dela o trono do grande julgamento, e lembre-a de que terá de dar contas das coisas feitas no corpo. Trabalhe para acordar a consciência; e ore a Deus pelo Espírito Santo para trabalhar junto a você até que o coração se enterneça e a mente perceba a necessidade da grande salvação.

As crianças precisam aprender a doutrina da cruz para que possam encontrar salvação imediata. Sou grato a Deus porque em nossa Escola Dominical nós cremos na salvação de crianças quando crianças. Quantos meninos e meninas tenho tido a alegria de ver se oferecerem para confessar sua fé em Cristo! E outra vez desejo dizer que os melhores convertidos, os convertidos mais óbvios, mais inteligentes que já tivemos têm sido os novos; e em vez de haver alguma deficiência em seu conhecimento da Palavra de Deus e das doutrinas da graça, geralmente, descobrimos terem um conhecimento encantador das grandes verdades cardeais de Cristo. Muitas dessas preciosas crianças falaram das coisas de Deus com grande prazer de coração e força de entendimento. Prossigam, queridos professores, e creiam que Deus salvará suas crianças. Não se contentem em semear princípios em suas mentes que possivelmente se desenvolvam em anos futuros, mas trabalhem por conversões imediatas. Espere frutos em suas crianças enquanto são crianças. Ore por elas para que não corram para o mundo e caiam nos males do pecado exterior, e depois voltem com ossos quebrados para o Bom Pastor; mas que possam pela rica misericórdia ser guardadas dos caminhos do destruidor, e crescer no aprisco de Cristo, primeiro como cordeiros de seu rebanho, e depois como ovelhas de sua mão.

De uma coisa estou certo: se ensinarmos às crianças a doutrina da expiação em termos inconfundíveis, estaremos agindo de forma muito boa. Às vezes, espero que Deus avive sua igreja e a restaure à antiga fé através de um trabalho da graça entre as crianças. Se ele trouxesse para dentro de nossas igrejas um grande influxo de crianças, como isso poderia apressar o sangue indolente dos preguiçosos. As crianças cristãs tendem a manter a casa animada, viva. Suspiramos por mais delas! Se apenas o Senhor nos ajudar a ensinar as crianças, nós estaremos ensinando a nós mesmos. Não há melhor modo de aprender do que ensinar, e você não sabe nada enquanto não consegue ensiná-la para outra pessoa. Você não conhece nenhuma verdade completamente enquanto não a coloca diante de uma criança para que ela possa vê-la. Ao tentar fazer uma criancinha entender a doutrina da expiação, você conseguirá ter visões mais claras dela, e por isso eu lhe recomendo esse exercício santo.

Que bênção será se nossas crianças forem bem enraizadas na doutrina da redenção por Cristo! Se elas forem avisadas contra os falsos evangelhos desta má era, e se forem ensinadas a descansar na rocha da obra completada de Cristo, poderemos esperar que a geração depois da nossa manterá a fé, e que será melhor do que seus pais foram.

Vejam, suas escolas dominicais são louváveis, mas qual é o propósito delas se vocês não ensinam nelas o evangelho? Vocês reúnem as crianças e as mantêm quietinhas por uma hora e meia, e depois as mandam para casa; mas qual é o proveito disso? Pode dar um pouco de sossego para os pais e as mães, e é por isso, talvez, que eles os mandam para a escola; mas todo o verdadeiro bem está naquilo que é ensinado às crianças. A verdade mais fundamental deve ser colocada como a mais importante, e qual será ela se não for a cruz? Alguma conversa com as crianças sobre ser bons meninos e meninas etc. e tal; isto é, pregam a lei às crianças, embora queiram pregar o evangelho aos adultos. Isso é honesto? É prudente? As crianças precisam do evangelho, do evangelho todo, o evangelho autêntico, sem ser adulterado; devem recebê-lo, e se são ensinadas pelo Espírito de Deus, são tão capazes de recebê-lo como pessoas de idade madura. Ensine aos pequenos que Jesus morreu, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus. Confiante, entrego esse trabalho aos professores. Nunca conheci uma equipe mais nobre de homens e mulheres cristãos, pois são tão sinceros em sua ligação com o velho evangelho como são ansiosos pela salvação de almas. Sintam-se encorajados; o Deus que salvou tantas de suas crianças salvará muitos mais delas, e teremos grande alegria à medida que vemos centenas trazidas a Cristo.

A Oração de Jabez - C. H. Spurgeon

Posted by Josemar Bessa on Setembro 15, 2006 , under | comentários (0)



“Se me abençoares muitíssimo!”— (1 Crônicas 4:10)

Sabemos muito pouco sobre Jabez, exceto que ele era o mais ilustre entre seus irmãos e que este nome foi dado a ele porque sua mãe deu à luz com dores. Isto pode acontecer, quando há muito sofrimento na vida dos antepassados, pode haver mais alegria para os descendentes. Assim como a tempestade dá lugar ao sol, também uma noite de choro precede a manhã de alegria. Tristeza, o arauto; contentamento, o príncipe anunciado. Cowper diz: -

“O caminho da tristeza, e somente este caminho,
conduz ao lugar onde tristeza é desconhecida”.

Sabemos que devemos semear em lágrimas antes de colhermos com alegria. Muitos de nossos trabalhos para Cristo nos custaram lágrimas. Dificuldades e desapontamentos já angustiaram nossa alma. Apesar destes projetos terem custado mais do que uma tristeza comum, tornaram-se os trabalhos mais gratificantes. Enquanto nosso pranto, chamado de descendência do desejo "Benoni", o filho de minha tristeza, nossa fé pode depois dar-lhe o nome de regozijo, "Benjamin", o filho de minha mão direita. Pode ser que você espere por uma bênção por servir a Deus, se você conseguir perseverar ante muitas dificuldades. O navio que demora muito para voltar está se arrastando pelo caminho pelo excesso de carga. Espera-se que a carga seja a melhor quando ele chegar ao porto. Mais ilustre que seus irmãos, foi a criança que a mãe deu à luz com muitas dores. Por isso Jabez, cujo objetivo foi tão marcante, sua fama tão cantada, seu nome tão memorável - foi um homem de oração. A honra que ele obteve não teria valor se não tivesse sido tão contestada e justamente conquistada. Sua devoção foi a chave para sua promoção. Estas são as melhores honras que vêem de Deus, o prêmio da graça com a consciência da obra. Quando Jacó recebeu o nome de Israel, ele recebeu seu principado depois de uma memorável noite de oração. Certamente foi de muito mais valia para ele do que se tivesse vindo como uma distinção elogiosa de algum imperador mundano. A melhor honraria é aquela que o homem recebe de sua comunhão com o Altíssimo. Jabez, aprendemos, foi o mais honrado de seus irmãos e sua oração imediatamente citada, como se para anunciar que ele também orava mais do que seus irmãos. Está escrito do que consistiam suas petições. Ela toda muito significativa e instrutiva. Temos apenas tempo para analisar um termo dela - muitíssimo, termo que pode indicar a compreensão do texto todo: Se me abençoares muitíssimo! Eu o recomendo como uma oração para vocês mesmos, caros irmãos e irmãs; uma que estará disponível em todas as estações; uma oração para começar a vida cristã, uma oração para terminá-la, uma oração que nunca estará fora de contexto em suas alegrias e tristezas.

Oh que tu, o Deus de Israel, o Deus da aliança, me abençoes muitíssimo! A própria força da oração parece residir na palavra, muitíssimo. Existem muitos tipos de bênçãos. Algumas são bênçãos somente no nome: elas satisfazem
os nossos desejos por um momento, mas desapontam permanentemente nossas expectativas. Elas fascinam os olhos, mas são insípidas ao paladar. Outras são apenas bênçãos temporárias: se gastam com o uso. Embora por um instante regalem os sentidos, não podem satisfazer os anseios mais elevados da alma. Mas, se me abençoares muitíssimo! Aprendi que, aquele que Deus abençoar será abençoado. Uma boa coisa será dada pela boa vontade do doador, e produzirá tão boa sorte ao receptor que será considerada abençoada muitíssimo, pois nada pode ser comparado a ela. Deixe que a graça de Deus aja, deixe que a escolha de Deus determine, deixe que a abundância de Deus quantifique, e então o presente será muitíssimo divino; uma coisa que valerá a pena ser dita como bênção, e realmente desejada por todos que procuram a honra que seja substancial e duradoura. Se me abençoares muitíssimo! Medite, e você verá que existe um significado profundo na expressão.

Vamos contrastá-la com algumas bênçãos humanas: Se me abençoares muitíssimo! É muito prazeroso sermos abençoados por nossos pais, e por aqueles amigos veneráveis cujas bênçãos vêem de seus corações, embrulhadas por suas orações. Muitos homens não têm outro legado para seus filhos a não ser a sua bênção; mas a bênção de um pai honesto, santo e cristão é um rico tesouro para seu filho. Você pode achar que é uma coisa deplorável para a vida ter perdido a bênção de seu pai. Nós a apreciamos. A bênção de nosso pai espiritual é consoladora. Apesar de não crermos em sacerdotalismo, gostamos de viver no afeto daqueles que foram os instrumentos para nos levar a Cristo, e daqueles lábios que fomos instruídos nas coisas de Deus. E, quão preciosa é a bênção dos pobres! Não imagino que Jó tenha entesourado isto como algo bom. "Quando o ouvido ouviu, então ele me abençoou". Se você consolou uma viúva ou um órfão, e seus agradecimentos voltam a você abençoando-o, não é uma recompensa vil. Mas, caros amigos, apesar de tudo que os pais, parentes, santos e pessoas agradecidas podem fazer com suas bênçãos são muito aquém do que desejamos ter. Oh, Senhor, mesmo tendo as bênçãos de nossos semelhantes, as bênçãos que vêem de seus corações; entretanto, se me abençoares muitíssimo!, pois tu podes abençoar com autoridade. As bênçãos deles podem ser com palavras, mas as tuas são eficazes. Eles podem desejar o que não podem fazer, e desejar dar o que não têm à disposição, mas Sua vontade é onipotente. Criaste o mundo com apenas tua palavra. Oh, que tal onipotência anuncie sua bênção! Outras bênçãos podem nos trazer pitadas de riso, mas no teu favor está a vida. Outras bênçãos são somente títulos comparadas com as suas bênçãos; pois sua bênção é o direito a "uma herança incorruptível" e que não desaparece, a "um reino que não será derrubado". Desta maneira, Davi apropriadamente orou em outro lugar, "com sua bênção seja a casa de teu servo abençoada para sempre". Talvez nesta hora, Jabez pode ter contrastado a bênção de Deus com as bênçãos dos homens. Os homens te abençoam quando você faz o bem. Eles louvam o homem que obtém sucesso nos negócios. Nada é tão vitorioso quanto o sucesso. Nada tem tanta aprovação do público em geral quanto a prosperidade do homem. Miseráveis! Não pesam as ações do homem na balança do santuário, mas em outras bem diferentes. Você encontrará aqueles que lhe recomendarão se você for próspero; ou, como os confortadores de Jó, te condenam se você estiver sofrendo adversidades. Talvez haja algumas características de suas bênçãos que podem agradá-lo, pois você acha que as merece. Você é condecorado por patriotismo: afinal, você foi um patriota. Você é recomendado por sua generosidade: você sabe o tamanho de seu auto-sacrifício. Bem, mas afinal, qual o veredicto do homem? Em um julgamento, o veredicto de um policial que está na corte, ou dos espectadores que sentam-se na sala de julgamento, somam a absolutamente nada. O homem que está sendo julgado sabe que a única coisa importante mesmo será o veredicto do júri, e a sentença do juiz. Portanto, será de pouca valia para nós o que fazemos, como os outros nos elogiam ou censuram. Suas bênçãos não têm valor. Mas, se me abençoares muitíssimo!, quer dizer, "muito bem, servo bom e fiel". Premias a frágil obra que através de tua graça meu coração te rendeu. Terei sido, então, muitíssimo abençoado.

Muitas vezes os homens são abençoados como um completo elogio. Sempre há daqueles que, tal como a raposa da fábula, esperam ganhar o queijo ao elogiar o corvo. Nunca viram plumagem igual, e nenhuma voz soou tão suave. Toda sua mente está voltada não a você, mas no que podem conseguir de você. A raça de elogiadores nunca será extinta, pois os elogiados também elogiam a si mesmo. Eles entendem que os homens se elogiam mutuamente, mas é palpável e transparente que, quando recebem tal presente, aceitam-no com uma grande porção de auto-complacência, como se fosse um exagero, mas, mesmo assim, muito próximo da verdade. Não somos aptos a dar descontos nos elogios que os outros nos oferecem; entretanto, se fossemos sábios, abraçaríamos os que nos censuram e manteríamos os que nos elogiam a um metro de distância, pois os que nos censuram face-a-face não estão nos mercadejando; mas quanto aos que nos louvam, logo se levantam e usam frases que nos exaltam, deveríamos suspeitar, e raramente seremos injustos na suspeita, de que existe um outro motivo além do que enxergamos por trás do louvor que eles nos rendem. Jovem, você está numa posição na qual Deus está te honrando? Cuidado com os que te elogiam. Você tem grandes propriedades? Tem abundância? Sempre há moscas onde há mel. Cuidado com os elogios. Mocinha, você é bonita? Haverá daqueles que terão seus desígnios, talvez desígnios malignos, ao falar de tua beleza. Cuidado com os que elogiam. Saia de perto de todos os que têm mel na língua, por causa do veneno das áspides que está em baixo dela. Medite na advertência de Salomão, "não se misture com os que elogiam com seus lábios". Peça a Deus, "Livre-me de toda essa adulação vã, que me enoja a alma". Assim você vai orar a ele com mais fervor, se me abençoares muitíssimo! Quero a bênção que nunca diz mais do que pretende; que nunca dá menos do que promete. Se você comparar a oração de Jabez com as bênçãos que vêm dos homens, você verá a força dela.

Mas nós podemos vê-la por outro ângulo e comparar a bênção que Jabez almejava com as bênçãos que são temporais e transitórias. Existem muitas riquezas dadas a nós pela misericórdia de Deus, pelas quais prostramo-nos agradecidos; mas não devemos nos garantir delas. Devemos aceitá-las com gratidão, mas não fazer delas ídolos. Quando as temos, temos a necessidade de clamar, abençoa-mes muitíssimo, transforme estas bênçãos menores em bênçãos reais, e se não as temos, com mais veemência ainda devemos clamar, oh, que possamos ser ricos na fé, e se não formos abençoados com estes favores externos, que possamos ser abençoados espiritualmente, então seremos abençoados muitíssimo!.

Vamos rever algumas destas misericórdias apenas para falar uma ou duas palavras sobre elas.

Um dos primeiros desejos do homem é por riqueza. Este desejo é tão universal que podemos praticamente dizer ser ele instintivo. Quantos não diriam que se possuíssem-na seriam muitíssimo abençoados! Mas existem dez mil provas que a alegria não consiste na abundância que o homem possui. Tantos exemplos são bem conhecidos que eu nem preciso citá-los para mostrar que quem tem riquezas não é muitíssimo abençoado. São mais aparência do que realmente são. Assim, já foi muito bem dito que, quando vemos o quanto um homem tem, nós o invejamos; mas se pudéssemos ver o quão pouco ele aproveita, nós teríamos pena dele. Muitos dos que tiveram as circunstâncias mais fáceis tiveram as mentes mais difíceis. Aqueles que conseguiram o que queriam, fossem seus desejos sadios, foram conduzidos pela posse do que os deixava infelizes pois não tinham mais.

"O avarento tem fome em seu celeiro,
Choca seu ouro, querendo mais,
Senta-se tristemente sem se mover, acredita ser pobre".

Nada é mais claro para alguém que queira investigar que, as riquezas não são o bem principal do qual a tristeza foge, e na presença da qual a alegria eterna brota. Muito freqüentemente a riqueza engana seu possuidor. Delícias são esparramadas em sua mesa, mas seu apetite desaparece, músicos aguardam seu comando, mas seus ouvidos estão surdos para qualquer tipo de música; tem quantos feriados quiser, mas para ele a recreação perdeu seu encanto; se for jovem, a fortuna veio a ele por herança, e ele aproveita seu ganho até que o esporte se torne mais enfadonho do que o trabalho, e a dissipação pior do que o trabalho pesado. Vocês sabem como a riqueza pode fabricar asas, como um pássaro que descansa na árvore, ela voa para longe. Na doença ou nos momentos de desânimo, estes amplos recursos que antes sussurravam, "Alma, descansa", provam ser confortos nada eficientes. Na morte, elas fazem o choque das separações parecer mais fortes, pois quanto mais você deixa, mais você perde. Podemos dizer, se tivermos riquezas, Deus meu, não me deixe perturbar por estas aparências, não deixe que eu transforme o ouro e a prata em deuses, os bens e possessões, minhas propriedades e investimentos, as quais me deste por sua providência. Eu te imploro, abençoa-me muitíssimo. Quanto às possessões terrenas, estas serão minha ruína a menos que eu veja a sua graça nelas. E se você não tiver riquezas, e provavelmente a maioria de vocês nunca terá, diga, Pai, negaste-me este bem externo e aparente, enriqueça-me com seu amor, dê-me o ouro de tua aprovação, abençoa-me muitíssimo; então distribua aos outros conforme tua vontade, divida a minha porção, minha alma espera pela tua determinação diária; assim me abençoas muitíssimo, e eu serei contente.

Outra bênção transitória que nossa pobre humanidade deseja desesperadamente e procura ardentemente é a fama. A este respeito nos ufanamos de ser mais ilustres que nossos irmãos, e ultrapassamos nossos competidores. Parece muito natural o desejo de fazer um nome, e ganhar reconhecimento no círculo ao qual pertencemos, qualquer que seja, e gostaríamos de ampliar seu perímetro, se pudéssemos. Mas aqui, como nas riquezas, é inquestionável que a fama não traz com ela nenhuma medida de gratificação. Os homens, ao procurar por notoriedade e honra, têm um grau de prazer na busca em si, que nem sempre possuem quando finalmente alcançam seu objetivo. Alguns dos homens mais famosos também foram os mais miseráveis da raça humana. Se você possui honra e fama, aceite, mas eleve esta oração a Deus, Meu Deus, abençoa-me muitíssimo, pois qual a vantagem se meu nome estivesse em milhares bocas, se você o vomitasse da sua? Que importa, se meu nome estivesse escrito no mármore, se não estivesse escrito no Livro da Vida do Cordeiro? Estas são bênçãos aparentes, bênçãos efêmeras, bênçãos enganadoras. Dê-me a tua bênção, então a honra que vem de ti fará de mim um homem muitíssimo abençoado. Se por acaso você vive na obscuridade, e nunca entrou na lista dos ilustres entre seus companheiros, contente-se em correr bem sua carreira e complete verdadeiramente sua vocação. Não ter fama não é a doença mais grave; é pior do que tê-la como a neve, que branqueia o chão de manhã, e desaparece no calor do dia. O que importa para um homem morto o que os homens falam dele? Que você seja muitíssimo abençoado.

Existe outra bênção temporal que os homens sábios desejam, e podem legitimamente ambicionar além destas duas - a bênção da saúde. Será que podemos valorizá-la devidamente? Desconsiderar tal favor é a loucura de um irracional. Os maiores elogios dados à saúde nunca seriam extravagantes. Os que têm corpos saudáveis são infinitamente mais abençoados do que os que estão doentes, em qualquer estágio possível. Assim, se eu tenho saúde, meus ossos estão ajustados, meus músculos estão fortes, se eu mal conheço um mal-estar ou dor mas posso me levantar de manhã com um passo ágil e ir ao trabalho, e deitar-me no sofá à noite, dormir o sono dos justos, ainda assim, não me deixe gloriar em minha força. Em um minuto ela pode me faltar. Algumas semanas podem reduzir a força de um homem a um esqueleto. O corpo pode minguar, a face empalidecer com a sombra da morte. Não permita ao homem saudável que se glorie em sua força. O Senhor, "se apraz não na força dos cavalos, e não tem prazer nas pernas de um homem". E não nos vangloriemos destas coisas. Digam, vocês que gozam de boa saúde, Deus meu, abençoa-me muitíssimo. Dê-me uma alma saudável. Cura-me de minhas doenças espirituais. Jeová Rafá venha, e limpe a lepra que está em meu coração por natureza: faça-me saudável da maneira celestial, que eu não seja colocado de lado com os impuros, mas que me seja permitido ficar com a congregação dos teus santos. Abençoa minha saúde corporal para que eu a use com retidão, usando a força que eu tenho no teu serviço e para a tua glória; de outro modo, apesar de abençoado com saúde, não seja abençoado muitíssimo. Alguns de vocês, queridos amigos, não possuem o grande tesouro da saúde. Dias e noites tediosos são destinados a vocês. Seus ossos tornaram-se um calendário, através dos quais você pode prever a mudança do tempo. Tem tanta coisa acontecendo com você que só pode mesmo causar pena. Mas eu oro que você seja muitíssimo abençoado, e eu sei do que estou falando. Eu posso me identificar com uma irmã que me disse outro dia, "Eu tinha tanta proximidade com Deus quando eu estava doente, tanta certeza, e tanta alegria no Senhor e agora eu lamento dizer que eu perdi tudo isso; eu quase desejo estar doente novamente, se desta maneira eu tivesse a renovação de minha comunhão com Deus". Muitas vezes eu agradecido olhei para trás para quando eu estive doente. Tenho certeza que eu nunca cresci na graça, nem a metade, o quanto eu o fiz quando estive na cama, doente. Não deveria ser assim. Nossas curas deviam ser alegres fertilizantes para nosso espírito; mas freqüentemente nossos sofrimentos são mais salutares que nossas alegrias. A tesoura de podar é melhor para alguns de nós. Bem, apesar de tudo, se você tiver que sofrer de fraqueza, de debilidade, de dor, de angústia, que o seja sob os cuidados da divina presença, que esta leve aflição se transforme num peso excessivo e eterno de glória, e então você será muitíssimo abençoado.

Me deterei em apenas mais uma bênção temporária - quero falar da bênção do lar. Não creio que alguém possa valorizá-lo demais ou falar tão bem quanto ele merece. Que bênção é ter um canto, e os queridos familiares que se reúnem ao redor da palavra "lar", esposa, filhos, pai, irmão, irmã! Ora, não existem canções em nenhuma língua que são mais cheias de musicalidade do que as que são dedicadas à "mãe". Gostamos dos sons que a palavra "pai" coloca na música. "Pai" é a chave da música. Muitos de nós, espero, são abençoados com muitos destes relacionamentos. Não nos contentemos em consolar nossas almas com ligações que logo serão rompidas. Peçamos por uma que nos abençoe muitíssimo. Te agradeço, meu Deus, por meu pai aqui na terra; mas oh, seja o meu Pai, então serei abençoado muitíssimo. Te agradeço, meu Deus, pelo amor de mãe; mas conforte minha alma como uma mãe confortaria, então serei abençoado muitíssimo. Eu te agradeço, Salvador, pelos laços do matrimônio; mas sejas tu o noivo de minha alma. Eu te agradeço pelos laços de amizade com os irmãos; mas sejas o meu irmão nascido da adversidade, osso de meu osso, e carne de minha carne. Eu valorizo o lar que me deste, e te agradeço por ele; mas vou morar na casa do Senhor para sempre, e serei um filho que nunca se perde, onde quer que meus pés me levem, da casa de meu Pai com suas muitas moradas. Assim seremos abençoados muitíssimo. Se você não reside sob os cuidados paternos do Todo-poderoso, mesmo a bênção do lar, com todos seus confortos familiares, não alcançará a bênção que Jabez desejava para si. Mas, estarei falando com aqueles que não possuem relacionamentos? Sei que alguns de vocês foram deixados nas trincheiras de vidas tão seriamente machucados, onde os pedaços de seus corações estão enterrados, e as sobras são apenas o sangrar de tantas feridas. Bem! Que o Senhor os abençoe muitíssimo! Viúva, seu criador é seu marido. Órfão, ele disse, "não os deixarei, virei buscá-los". Sejam todos os seus relacionamentos feitos nele, e você será abençoado muitíssimo! Talvez eu tenha tomado muito tempo nestas bênçãos temporais, então deixe-me mudar o ângulo sobre o assunto. Creio que tenhamos tido bênçãos humanas e temporais suficientes para encher nosso coração de contentamento, mas não para enganar nossos corações com coisas deste mundo, ou distrair nossa atenção das coisas que pertencem ao nosso bem-estar eterno.

Prossigamos, em terceiro lugar, falando das bênçãos imaginárias. Existem tais coisas no mundo. Que Deus nos livre delas. Se me abençoares muitíssimo! O fariseu, por exemplo; de pé, na casa do Senhor, pensou que tivesse a bênção do Senhor, que tinha transformado-o num homem corajoso, falava com uma auto-complacência melosa, "Deus, eu te agradeço, pois não sou como os outros homens", e assim por diante. Ele tinha a bênção, e cria piamente que a tivesse merecido. Jejuava duas vezes por semana, pagava o dízimo de tudo quanto possuía, mesmo os trocados pela hortelã, e os centavos pelo cominho que ele tinha usado. Achava que tinha feito tudo. Era sua a bênção de uma consciência tranqüila e quieta; um homem bom, flexível. O padrão da paróquia. Era uma pena que todos não vivessem como ele, se vivessem, não precisariam de polícia. Pilatos poderia ter demitido seus guardas, e Herodes seus soldados. Ele era uma das pessoas mais excelentes que jamais nascera. Ele adorava a cidade da qual ele era um dos pilares! Ai, mas ele não era abençoado muitíssimo. Tudo isso era seu próprio conceito arrogante. Ele era apenas um saco de vento, e talvez fosse melhor que e a bênção que ele desejava não tivesse vindo jamais. O pobre publicano que ele julgava amaldiçoado, foi para casa justificado e ele não. A bênção não caiu sobre o homem que julgava tê-la. Oh, que todos sintamos a ferroada desta reprimenda, e oremos: "Grande Deus, salve-nos de nos imputar uma justiça que não temos. Salve-nos de nos embrulharmos nos nossos próprios trapos, achando que estamos vestidos para um casamento. Abençoa-me muitíssimo. Que eu tenha a justiça verdadeira. Que eu tenha o valor que tu podes aceitar, que é a fé em Jesus Cristo".

Outra forma de bênção imaginária é encontrada em pessoas que negam ter justiça própria. Sua ilusão, entretanto, é similar. Ouço-os cantar:


"Eu creio, eu sempre vou crer
que Jesus morreu por mim,
e na sua cruz derramou seu sangue,
para me libertar do pecado."

Você crê. Sim, mas como você sabe? Sobre qual autoridade você pode ter tanta certeza? Quem te disse? "Ah, eu creio." Sim, mas precisamos ter cuidado no que cremos. Você tem alguma evidência clara no interesse especial pelo sangue de Jesus? Você pode dar razões espirituais para crer que Cristo te libertou do pecado? Sinto que muitos têm uma esperança sem fundamento, como uma âncora sem gancho - nenhum lugar para se fixar, nada para se segurar. Dizem estar salvos, permanecem lá, acham pecaminoso duvidar disso; mas mesmo assim não têm nenhuma razão para garantir sua confiança. Quando dos filhos de Corá carregaram a arca, e a tocaram com suas mãos, o fizeram corretamente; mas quando Uzá tocou-a, ele morreu. Existem uns que têm plena certeza, para outros será a morte falar sobre o assunto. Há uma grande diferença entre pressuposição e certeza absoluta. Certeza absoluta é racional: é baseada em chão firme. Pressuposição imagina, e com cara lavada anuncia ser sua uma coisa a qual ela não tem direito algum. Cuidado, eu rogo a vocês, de pressupor que vocês estão salvos. Se com o coração você crer em Jesus, então você está salvo; mas se você simplesmente disser, "Eu confio em Jesus", isto não o salvará. Se o seu coração foi regenerado, se você odiar as coisas que antes amava, e ama as coisas que antes odiava; se houve um arrependimento real; se houve uma mudança em sua mente; se você nasceu de novo, então você tem motivos para regozijar-se: mas se não há uma mudança vital, nenhuma santidade interior; se não há amor por Deus, nenhuma oração, nenhum fruto do Espírito, então ao dizer: "Estou salvo", será por seu próprio entendimento, e pode enganá-lo, mas não libertá-lo. Nossa oração deveria ser, Abençoares muitíssimo com a fé verdadeira, com a salvação real, com a confiança em Jesus que é a essência da fé; não com o conceitos que produzem credulidade. Deus, preserve-nos das bênçãos imaginárias! Já encontrei pessoas que dizem, "Eu creio que estou salvo, pois sonhei com isso." Ou, "Porque existe um texto na Bíblia que se aplica a meu caso. Tal pregador disse tal coisa em sua pregação", ou "Fui levada a um estado de choro e ânimo e me senti como nunca tinha sentido antes." Ah! Nada disso suporta julgamento, "Você rejeita toda sua confiança em tudo exceto na obra consumada de Jesus, e você vem a Cristo para ser reconciliado nele para com Deus?" Se não o fizer, teus sonhos, visões, caprichos são apenas sonhos, visões e caprichos, a não servirão quando você mais precisar deles. Ore para que o Senhor o abençoe muitíssimo, pois existe uma grande escassez de veracidade em todo o andar e falar.

Muitos, eu creio, mesmo aqueles que estão salvos - salvos agora e para sempre - precisam destas precauções, e têm um bom motivo para orar desta maneira para aprenderem a fazer a distinção entre algumas coisas que eles acham serem bênçãos espirituais e outras que abençoam muitíssimo. Deixe-me demostrar o que eu quero dizer. É realmente uma bênção a resposta a uma oração que veio de sua própria mente? Eu sempre gosto que qualificar minha oração mais pungente com, "Não a minha vontade, mas a tua". Não apenas devo fazer isto, mas gosto de fazê-lo, de outro modo eu posso pedir uma coisa que seria perigosa para mim. Deus pode me dá-la em sua ira, e eu posso encontrar amargura na oferta, muita dor no sofrimento que ela me causou. Você se lembra de como Israel pedia por carne, e Deus lhes deu as codornizes; mas enquanto a carne estava em sua boca, a ira de Deus veio sobre eles. Peça por carne, se você quiser, mas acrescente sempre: Senhor, se isto não for me abençoar muitíssimo, não me dê. Se me abençoares muitíssimo!. Eu dificilmente gosto de repetir a velha história da mulher cujo filho estava doente - uma criancinha às portas da morte - e ela implorou ao pastor, um puritano, para orar por sua vida. Ele orou intensamente, e terminou com "se for a tua vontade, salve esta criança". A mulher disse: "Não posso suportar isto: preciso que você ore para salvar a criança. Não ponha nenhum mas". "Mulher", disse o pastor, "pode ser que você viva para se arrepender do dia em que você pôs a sua vontade contra a vontade de Deus." Vinte anos depois, ela teve que ser carregada pois desmaiara ao ver o filho sendo enforcado como um criminoso. Apesar de ter visto o filho crescer e se tornar um homem, teria sido infinitamente melhor para ela se a criança tivesse morrido, e infinitamente mais sábio se ela tivesse deixado-o à vontade de Deus. Não tenha tanta certeza que uma resposta de oração pode ser uma prova de amor divino. Haverá mais lugar para buscar ao Senhor dizendo: Se me abençoares muitíssimo! Assim, algumas vezes um grande estertor espiritual, um excitamento no coração, mesmo sendo uma alegria religiosa, pode não ser uma bênção. Nós nos alegramos nela, e oh, algumas vezes quando nos unimos em oração o fogo ardeu, e nossas almas ferveram! Na hora pudemos cantar:

"Nossa alma desejosa ficaria
desta maneira como está,
sentada, até se esgotar, cantando
esta alegria permanente."

Mesmo sendo uma bênção, e sendo agradecidos por ela, não gostaria de manter estas sessões, como se meus prazeres fossem a moeda que compra os favores de Deus; ou como se eles fossem os sinais principais de suas bênçãos. Talvez seria uma bênção ainda maior um espírito quebrantado, prostrado diante do Senhor neste exato momento. Quando você pedir pela alegria suprema, e orar para estar no monte com Cristo, lembre-se que esta também pode ser uma bênção, sim, uma bênção real ser levado ao Vale da Humilhação, colocado abaixo de tudo e ser constrangido a clamar em angústia: "Senhor, salve-me ou morrerei!"

"Se hoje ele designou para nos abençoar,
no sentido de perdoar pecados,
ele amanhã pode nos angustiar
e fazer-nos sentir a praga que existe em nós
tudo para fazer-nos sentir
nojo de nós mesmos, e loucos por ele".

Estas experiências diferentes que temos podem realmente ser bênçãos para nós quando, se sempre estivemos regozijando, fossemos como Moabe, instalados em nossos fortes, e não esvaziados a cada nova circunstância. Tudo vai mal com os que não mudam; eles não têm medo de Deus. Algumas vezes nós não invejamos aquelas pessoas calmas e impassíveis, que nunca se perturbam? Bem, existem alguns cristãos cujo temperamento linear merece ser imitado. E, aquele calmo repouso, aquela segurança imutável que vem do Espírito de Deus é uma aquisição deliciosa; mas não tenho certeza se devemos invejar a sorte de alguém por ser mais tranqüila ou ter sido menos exposta aos ventos e tempestades do que a nossa. Há perigo ao dizer: "Paz, paz", quando não há paz, e existe uma calmaria que resulta das dificuldades. Tolos os que iludem sua própria alma. "Eles não têm dúvidas", dizem, mas por não buscarem com profundidade. Não têm ansiedades, pois não têm muito trabalho ou ocupações a lhes envolver. Talvez não sintam dor, por não terem vida. Melhor ir para o céu, aleijado e mutilado, do que marchar com confiança para o inferno. Se me abençoares muitíssimo! Deus meu, não invejarei ninguém por seus dons ou bênçãos, muito menos por seu humor interno ou suas circunstâncias exteriores, apenas se me abençoares muitíssimo! Não serei confortado a menos que tu me confortes, nem terei paz se Cristo não for minha paz, nem descanso senão o descanso que vem do doce sabor do sacrifício de Cristo. Cristo será tudo em todos, e ninguém será nada para mim a não ser ele mesmo. Oh, que nós possamos sentir sempre que não somos juizes das maneiras que as bênçãos vêm, mas que deixemos a Deus o dar o que ele acha que devemos ter, não as bênçãos imaginárias, as bênçãos superficiais e aparentes, mas ser abençoado muitíssimo!

Igualmente com relação ao nosso trabalho e serviço, acho que nossa oração deveria ser sempre: Oh, se me abençoares muitíssimo! É lamentável ver o trabalho de bons homens, apesar de que não cabe a nós julgá-los, ser tão pretensioso e irreal. É realmente chocante ver como alguns homens fingem construir uma igreja em duas ou três noites. Eles anunciarão, num canto de página de um jornal, que quarenta e três pessoas foram convencidas de seu pecado, e quarenta e seis justificadas, e, algumas vezes, trinta e oito santificadas; não sei o quê eles podem oferecer, além das estatísticas do que foi conseguido. Já observei congregações crescerem rapidamente, e grande número de pessoas ser acrescentado a igrejas de repente. E o que aconteceu depois? Onde estão estas igrejas neste exato momento? Os desertos mais áridos da cristandade são os lugares que foram fertilizados com os restos produzidos por alguns avivalistas. A igreja inteira parece ter gasto sua força em uma empreitada ou esforço atrás de alguma coisa, e esta busca resultou em nada. Construíram sua casa de madeira, e estocaram o feno, e fizeram uma torre de palha que parecia alcançar os céus, e ali caiu uma faísca, e tudo sumiu na fumaça; e aquele que veio em seguida - o sucessor do grande construtor - teve que varrer as cinzas antes de poder fazer qualquer outra coisa. A oração de todos os que servem a Deus deveria ser: Se me abençoares muitíssimo! Trabalhe, trabalhe. Se eu construir apenas um tijolo em minha vida, e nada mais, seja ele de ouro, prata, pedras preciosas, ou outra coisa parecida, o que já é um grande serviço; ou construir um cantinho que não aparece, tudo isso é um serviço valioso. Não se falará muito dele, mas ele vai durar. Aí está o ponto: vai durar. Estabeleça o trabalho de suas mãos em nossas vidas; sim, o trabalho de suas mãos o execute. Se não formos construtores em uma igreja reconhecida, então é inútil até tentar. O que Deus estabelece perdura, mas o que os homens constróem sem seu reconhecimento certamente terá o seu fim. Se me abençoares muitíssimo! Professor de escola dominical, seja esta sua oração. Distribuidor de folhetos na entrada, pregador, seja lá o que você for, querido irmão ou irmã, qualquer que seja sua maneira de servir, peça a Deus que você não seja um desses engessadores, que usam materiais de efeito que requerem apenas uma camada fina e que serão despedaçados com o tempo. Se você não puder construir uma catedral, construa ao menos um pedaço do templo maravilhoso que Deus está fazendo para a eternidade, que vai durar mais do que as estrelas.


Tenho ainda uma coisa mais para mencionar antes de terminar este sermão. As bênçãos da graça de Deus abençoam muitíssimo que devemos ansiosamente buscar. Estas são as marcas para que as reconheçamos. Somos abençoados muitíssimo quando tais bênçãos vêm de mãos marcadas pelos cravos; bênçãos que vêm da árvore sangrenta do Calvário, escorrendo da ferida no tórax do Salvador - seu perdão, sua aceitação, sua vida espiritual: o pão, na verdade é carne, o sangue que na verdade é bebida - a unidade com Cristo, e tudo o que vem disso - assim serei abençoado muitíssimo. Toda bênção que vem como resultado do trabalho do Espírito em nossa alma nos abençoa muitíssimo; apesar de te humilhar, apesar de te desnudar, apesar de te matar, serás abençoado muitíssimo. Apesar do arado passar muitas vezes sobre tua alma, e a patrola cortar seu coração; apesar de você ser mutilado e ferido, e deixado para morrer, se o Espírito de Deus o fizer, serás abençoado muitíssimo. Se ele te convenceu do pecado, da justiça e do juízo, mesmo que até agora ele não o tenha levado a Cristo, você será abençoado muitíssimo. As riquezas talvez não o façam. Talvez haja uma parede de ouro entre você e Deus. Saúde não o fará: mesmo a força e tutano de seus ossos podem mantê-lo distante de seu Deus. Mas tudo o que o atraia a Deus, o abençoará muitíssimo. E se uma cruz o levantar? Se o levantar até Deus, você será abençoado muitíssimo. Tudo o que alcançar a eternidade, com uma preparação para o mundo que há de vir, tudo o que pudermos carregar ao atravessar o rio, a alegria santa que vai brotar daqueles campos além da enchente, o amor sem nuvens dos irmãos que será a atmosfera de verdade para sempre - tudo o que tem a flecha eterna - a marca eterna - te abençoará muitíssimo. E tudo o que me ajudar a glorificar a Deus me abençoará muitíssimo. Se eu estiver doente, e isto me ajude a louvar a Deus, serei abençoado muitíssimo. Se eu for pobre, e puder servir a ele melhor na pobreza do que na riqueza, serei abençoado muitíssimo. Se eu for desprezado, me regozijarei neste dia e darei pulos de alegria, pois é por Cristo - serei abençoado muitíssimo. Sim, minha fé destitui o disfarce, remove a máscara da clara face da bênção, e computa tudo isto como alegria, como tribulações pelo amor de Jesus e a recompensa que ele prometeu. Se me abençoares muitíssimo!

Agora, eu me despeço com estas três palavras. "Busquem." Vejam se as bênçãos abençoam muitíssimo, e não fique satisfeito a menos que você saiba que elas vêm de Deus, prêmios de sua graça, e vales de seu propósito salvador. "Pesem." Esta deve ser a próxima coisa. Tudo o que você tiver, pese numa balança, e certifique-se se você é abençoado muitíssimo, conferindo se esta graça produz em você amor abundante, e abundância de boas palavras e boas obras. E finalmente, "Ore." Ore de uma maneira que esta oração se misture com todas as orações, para que qualquer coisa que Deus lhe dê ou não permita que você tenha o abençoe muitíssimo. Está passando por um tempo feliz? Oh, que Cristo possa enriquecer tua alegria, que evite a intoxicação com as bênçãos terrenas que o levarão para bem longe da comunhão com ele! Na noite de aflição, ore para que você seja abençoado muitíssimo, para que a amargura não o intoxique também, para que as aflições não o endureçam. Ore para que sejas abençoado; e quando tiver, seja rico no propósito da alegria, e se não tiver, seja pobre e destituído, apesar da plenitude encher teu depósito. Não: "Se tua presença não for comigo, não nos tire daqui" mas, se me abençoares muitíssimo!

Como Uma Criancinha

Posted by Josemar Bessa on Setembro 14, 2006 , under | comentários (0)



Como uma criancinha (Lucas 18.17)


Quando nosso Senhor abençoou as crianças, ele estava fazendo sua última viagem a Jerusalém. Foi, portanto, uma bênção de despedida o que ele deu aos pequenos, e dentre suas últimas palavras a seus discípulos, antes de ser levado para o céu, nós encontramos a ordem terna: "Cuide dos meus cordeiros." A paixão reinante estava forte sobre o grande Pastor de Israel, que "Com o braço ajunta os cordeiros e os carrega no colo"; e foi apropriado que, enquanto fazia sua viagem de despedida, abençoasse com sua graça as crianças.

Nosso Senhor Jesus Cristo não está entre nós em pessoa, mas nós sabemos onde ele está, e sabemos que ele é investido de todo o poder no céu e na Terra para abençoar seu povo; acheguemo-nos, então, a ele. Vamos buscar que ele nos toque na forma de comunhão, e vamos pedir o auxílio de sua intercessão; vamos incluir outras pessoas em nossas orações e, dentre elas, vamos dar a nossas crianças, a todas as crianças, um lugar proeminente. Conhecemos mais sobre Jesus do que as mulheres da Palestina conheciam; estejamos nós, então, mais ansiosos ainda do que elas para levar nossas crianças a ele para que as abençoe, e para que sejam aceitas nele, assim como nós mesmos somos. Jesus aguarda abençoar. Ele não mudou no caráter, nem empobreceu na graça; pois assim como ele ainda recebe pecadores, assim também ele ainda abençoa crianças; e que nenhum de nós se contente, quer sejamos pais ou professores, antes de ele ter recebido nossas crianças, e as ter abençoado de tal modo que tenhamos certeza de que elas entraram no reino de Deus.

Nosso Salvador, quando viu que seus discípulos não estavam só com um pé atrás para deixar as crianças chegarem até ele, mas que repreenderam aqueles que as levavam, ficou muito descontente, e chamou-as para si para que as pudesse ensinar melhor. Então, informou que, em lugar das crianças serem vistas como intrusas, eram bem-vindas a ele; e em lugar de serem intrusas, tinham pleno direito de acesso, pois o seu reino era
composto de crianças e de pessoas com espírito de criança. E mais, declarou que ninguém pode entrar naquele reino a não ser como as crianças entram. Ele falou com certeza divina, usando o seu expressivo "Em verdade vos digo" (ara) ou "Digo-lhes a verdade" (nvi), em que há o peso de sua autoridade pessoal: "Eu vos digo." Essas expressões de introdução visam apontar nossa reverente atenção ao fato de que, longe da admissão de crianças ao reino ser incomum ou estranha, ninguém pode achar entrada ali a não ser que receba o evangelho como uma criança pequena o recebe.

É até óbvio que os discípulos pensassem que as crianças eram insignificantes demais para ocuparem o tempo do Senhor. Se tivesse sido um príncipe que quisesse chegar a Jesus, sem dúvida, Pedro e os outros teriam se movimentado para lhe conseguir uma apresentação; mas, vejam, eram mulheres pobres, com bebês, e meninos, e meninas. Se tivesse sido uma pessoa comum como eles, não os teriam impedido com repreensões. Mas meras crianças! Bebês nem desma-mados e criancinhas! Ficava mal estarem se intrometendo com o grande Mestre. Uma palavra é usada com respeito aos candidatos infantis que pode significar crianças de qualquer idade, desde os bebês que mamam até as crianças de 12 anos; certamente Jesus tinha suficiente preocupação sem a intrusão desses juvenis. Ele tinha os mais altos assuntos em que pensar, e cuidados mais sérios. As menores eram tão pequeninas, com certeza estavam bem longe das atenções dele - assim os discípulos pensavam em seus corações.

Mas se for questão de insignificância, quem pode esperar obter a atenção divina? Se pensamos que as crianças devem ser pequenas à sua vista, o que somos nós? Ele vê as ilhas como coisas muito pequenas; os habitantes da Terra são como gafanhotos; sim, somos todos como coisas que nada são. Se fôssemos humildes, diríamos: "Senhor, que é o homem para que com ele te importes? E o filho do homem, para que com ele te preocupes?" (Sl 8.4). Se imaginamos que o Senhor não notará o pequeno e insignificante, o que achamos nós de um texto como este: "Não se vendem dois pardais por uma moedinha? Contudo, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do Pai de vocês" (Mt 10.29). Deus cuida de pardais e não cuidará de criancinhas? A idéia de insigni-ficância deve ser afastada imediatamente. "Embora esteja nas alturas, o Senhor olha para os humildes" (Sl 138.6).

Mas será que as criancinhas são tão insignificantes? Elas não povoam o céu? A sua convicção não é essa? A minha é - que eles constituem uma parte considerável da população dos céus. Multidões de pés infantis estão pisando as ruas da Nova Jerusalém. Tirados do peito antes que tivessem cometido qualquer pecado real, livrados da peregrinação árdua da vida, eles contemplam sempre a face de nosso Pai que está no céu. "Dos tais é o reino de Deus." Você chama esses pequenos de insignificantes? Os pequeninos, os mais numerosos no exército dos eleitos, você ousa desprezá-los? Eu poderia trocar as coisas, e chamar os adultos de insigni-ficantes, entre os quais não se pode achar mais do que um pequeno remanescente que serve ao Senhor. Além disso, muitas crianças são poupadas para crescerem à situação de homem, e por isso nós precisamos não achar uma criança insignificante. Ele é o pai do homem. Nele há grandes possibilidades e capacidades. Sua virilidade está ainda por se desenvolver, mas está lá, e aquele que a menospreza prejudica o homem. Aquele que põe uma tentação na mente de um menino pode destruir a alma de um homem.

Um erro mínimo injetado no ouvido de um jovem pode se tornar mortal no homem quando o veneno lento tiver tocado por fim uma parte vital. Mato semeado nos sulcos da infância crescerá com o crescer do jovem, amadurecerá na sua plenitude, e só se deteriorará como uma triste corrupção quando ele próprio decai. Por outro lado, uma verdade que cai no coração de uma criança ali frutificará, e sua idade adulta verá o fruto dela. Aquela criança que escuta na aula a voz suave de seu professor ou de sua professora pode ao se desenvolver tornar-se um Lutero e sacudir o mundo com sua veemente proclamação da verdade. Quem dentre nós poderá dizer? Em todo caso, com a verdade em seu coração, o menino crescerá para honrar e temer o Senhor, e assim ajudará a manter viva a semente piedosa nesses dias ruins. Portanto, que nenhum homem despreze os mais jovens, ou pense que são insignificantes. Eu reivindico um lugar na frente para eles. Peço que, se outros são mantidos para trás, que a própria fraqueza de quem faz isso possa abrir lugar para as crianças, lugar para os meninos e as meninas!

Suponho que esses apóstolos adultos acharam que a mente das crianças eram insignificantes demais. Elas estão brincando e rindo; acharão ser só mais um passatempo ser recebidas nos abraços de Jesus; será divertido para elas, e não terão idéia nenhuma da solenidade de sua posição. Insignificante, então? Critica-se que as crianças são frívolas! E vocês não são também frívolos? Se há um exame sobre a questão de frivolidades, quem são os maiores frívolos, as crianças ou os homens e as mulheres de idade adulta? O que é mais frívolo do que um homem viver pelo divertimento de prazeres sensuais, ou a mulher viver para se vestir e desperdiçar seu tempo na sociedade? Ora, mais ainda, o que é o acúmulo de riqueza por amor à riqueza a não ser uma frivolidade miserável? Será que é brincadeira de criança, mas sem o divertimento?!

A maioria dos homens é frívola numa escala maior do que as crianças, e essa é a diferença principal. As crianças quando são frívolas brincam com coisas pequenas - seus brinquedos são tão quebráveis! Não são mesmo feitos de propósito para servirem de passatempo e serem quebrados? A criança com seus passatempos está fazendo o que deve. Mas, tristemente, eu conheço homens e mulheres que brincam frivolamente com suas almas, com o céu e o inferno e a eternidade; brincam com a Palavra de Deus, brincam com o Filho de Deus, brincam com o próprio Deus! Não acuse as crianças de serem frívolas, porque seus joguinhos muitas vezes têm outro tanto de sinceridade e são tão úteis quanto as atividades de homens. A metade dos concílios de nossos senadores e os debates de nossos parla-mentares são piores do que brincadeira de crianças. O jogo de guerra é uma tolice muitíssimo maior do que as mais frívolas brincadeiras de crianças. As crianças grandes são piores para frivolidades do que as pequenas quando o mundo todo está absorto em coisas frívolas.

"Sim", dizem eles, "mas se deixássemos as crianças chegarem a Cristo, e se ele as abençoasse, elas logo se esque-ceriam disso. Por mais amoroso que fosse o olhar dele e espirituais as suas palavras, voltariam a suas brincadeiras, e suas fracas memórias não guardariam traço nenhum disso". Essa objeção nós enfrentamos da mesma maneira que as outras. Os homens não esquecem? Que geração esquecida é essa para a qual a maioria dos pregadores prega! Na verdade, esta é uma geração como aquela sobre a qual Isaías disse: "Ordem sobre ordem, ordem sobre ordem; regra e mais regra; um pouco aqui, um pouco ali" (Is 28.10). Que pena! Muitos necessitam que o evangelho lhes seja pregado outra e outra e mais outra vez, até que o pregador esteja quase extenuado com sua tarefa desesperançada; pois são como homens que vêem seu rosto num espelho, e seguem seu caminho para esquecer que tipo de homens são. Vivem em pecado ainda. A Palavra não tem lugar para habitar em seu coração. Esquecimento! Não faça essa acusação contra as crianças para que ela não seja provada contra vocês.

Mas será que os pequenos esquecem? Eu acho que os acontecimentos dos quais mais lembramos na idade avançada são os que nos aconteceram em nossos primeiros tempos. Já dei a mão para homens grisalhos que já esqueceram quase todos os acontecimentos que intervieram entre sua idade avançada e o tempo de sua infância, mas pequenas coisas que se deram em casa, hinos aprendidos ao pé de sua mãe, e palavras ditas por seu pai ou sua irmã, ficaram com eles. As vozes da infância ecoam durante toda a vida. O que foi aprendido primeiro é, em geral, a última coisa a ser esquecida. Aquelas crianças teriam o rosto de Jesus gravado em seu coração, e nunca se esqueceriam de seu sorriso bondoso e terno. Pedro, Tiago e João, e o restante de vocês, estão enganados, e por isso precisam deixar as crianças virem a Jesus.

Talvez, também, eles tenham achado que as crianças não tinham capacidade suficiente. Jesus Cristo disse coisas tão maravilhosas que se pensava que as crianças não tivessem capacidade de recebê-las. Contudo, na verdade, esse é um grande erro, pois as crianças entram prontamente no sentido do ensino do nosso Senhor. Nunca aprendem a ler tão rapidamente de nenhum livro como do Novo Testamento. As palavras de Jesus são tão simples e adequadas às crianças que elas as absorvem melhor do que as palavras de qualquer outro homem, por mais simples que ele esteja tentando ser. As crianças compreendem prontamente a criança Jesus. O que é essa questão de capacidade? Que capacidade falta? Capacidade de crer? Eu lhes digo, as crianças têm mais disso do que pessoas adultas. Não falo agora da parte espiritual da fé, mas quanto à faculdade mental, há qualquer quantidade da capacidade de fé no coração de uma criança. Sua capacidade de crer não foi ainda sobrecarregada com superstição, nem pervertida com mentiras, nem mutilada com descrença. É só deixar o Espírito Santo consagrar a habilidade, e há bastante dela para a produção de fé abundante em Deus.

A respeito de que as crianças são deficientes em capacidade? Falta-lhes capacidade de arrependimento? Certamente não; será que eu não vi uma menina chorar até ficar doente por ter feito algo mau? Uma consciência sensível em muitos garotinhos já os têm enchido de tristeza indizível quando tomaram consciência de uma falta. Será que alguns de nós não lembramos das flechas doídas de convicção de pecado que amolavam nosso coração quando éramos ainda crianças? Eu me lembro bem de uma vez que não pude descansar por causa de um pecado, e busquei o Senhor, enquanto ainda criança, com angústia amarga. As crianças têm capacidade suficiente para o arrependimento, com Deus o Espírito Santo trabalhando neles; isso não é conjectura, pois nós mesmos somos testemunhas vivas.

O que falta às crianças em matéria de capacidade? "Ora, elas não têm entendimento suficiente", diz alguém. Entendimento de quê? Se a religião de Jesus fosse a do pensamento moderno, se fosse algum sem-senso sublime que ninguém a não ser a classe dos cultos pudesse entender, então as crianças poderiam ser incapazes de compreender; mas se é mesmo o evangelho da Bíblia do leitor comum, então há poças rasas onde o menor carneirinho do aprisco de Jesus pode andar na água sem medo de ser derrubado pela correnteza. É verdade que nas Escrituras há grandes mistérios, em que os maiores podem mergulhar e não encontrar o fundo; mas o conhecimento dessas coisas profundas não é essencial para a salvação, ou poucos de nós estaríamos salvos. As coisas que são essenciais à salvação são tão simples que nenhuma criança precisa desistir por desespero de não entender as coisas que contribuem para sua paz. Cristo crucificado não é um enigma para os sábios, e sim uma verdade simples para pessoas simples: sim, é carne para os homens, mas é também leite para os bebês.

Você disse que as crianças não sabem amar? Essa, afinal, é uma das mais grandiosas partes da educação de um cristão. Você imaginou que as crianças não pudessem chegar lá? Não, você não disse isso, nem ousou pensá-lo, pois a capacidade de amar é maior numa criança. Bom seria se fosse sempre tão grande assim em nós!

Para resumir os pensamentos dos apóstolos em uma ou duas palavras: eles acharam que as crianças não deveriam aproximar-se de Cristo porque não eram como eles--não eram homens e mulheres feitos. Uma criança não era suficientemente grande, alta, crescida, importante, para ser abençoada por Jesus! Foi mais ou menos o que pensaram. A criança não deve chegar ao Mestre porque não é como o homem. Mas o Salvador bendito inverteu a situação e disse: "Não diga que a criança não pode vir ao Mestre porque não é como o homem, mas saiba que você não pode vir até que você seja como ela. Não há dificuldade no caminho da criança por ela não ser como você; a dificuldade está com você, que não é como a criança." Em vez de a criança precisar esperar até crescer e se tornar homem, é o homem que precisa decrescer e tornar-se criança. "Quem não receber o reino de Deus como uma criança, não entrará nele." As palavras do Senhor são uma resposta completa e suficiente aos pensamentos dos discípulos, e que possa cada um de nós ao lê-las aprender sabedoria. Não digamos: "Ah, que minha criança se torne adulta como eu para que possa chegar a Cristo!", mas, ao contrário, que nós quase desejássemos ser criancinhas de novo, que conseguíssemos esquecer muito do que sabemos hoje, fôssemos lavados de hábitos e preconceitos, e pudéssemos começar de novo com o viço, a simplicidade e o entusiasmo de uma criança. Ao orarmos por meninice espiritual, a Bíblia coloca seu selo na oração, porque está escrito: "Ninguém pode ver o reino de Deus, se não nascer de novo", e outra vez, "A não ser que vocês se convertam e se tornem crianças, jamais entrarão no reino dos céus".

Ora, fico pensando se alguém ainda tem um pensamento como o dos discípulos no cérebro ou no coração? Será que alguém pensou alguma vez deste modo? Não me surpreenderia se pensassem. Espero que isso não seja tão comum como já foi, mas eu costumava ver em certos meios entre os velhos uma desconfiança profunda da piedade juvenil. Os anciãos abanavam a cabeça em desaprovação sobre a idéia de receber crianças como membros na igreja. Alguns até aventuravam falar nos convertidos como sendo "só uma porção de meninas e meninos" como se ficasse pior para eles com isso. Muitos, se ouvem falar numa criança convertida, ficam duvidando, a não ser que venha a morrer logo, e então crêem tudo a respeito dela. Se a criança vive, eles afiam as machadinhas para ter sua vez de atacá-la no exame. Ela precisa conhecer todas as doutrinas, certamente, e precisa ser sobrenaturalmente séria. Não é todo adulto que conhece as mais altas doutrinas da Palavra, mas se o garoto não as conhece, é posto de lado.

Alguns esperam uma sabedoria quase infinita numa criança antes de conseguirem crer que ela é objeto da graça divina. Isso é monstruoso. Então, também, se uma criança crente age como criança, alguns dos pais da geração passada julgam que não pode estar convertida, como se a conversão em Cristo acrescentasse vinte anos à nossa idade. Naturalmente, o jovenzinho convertido não pode mais brincar, nem conversar em seu próprio estilo infantil, porque os mais velhos ficariam chocados; porque ficou mais ou menos entendido que logo que um menino fosse convertido, ele devia se tornar um velho. Nunca encontrei algo na Bíblia que apoiasse essa teoria; mas então a Escritura não foi tão procurada quanto foi o julgamento das pessoas tão profundamente experimentadas, e a opinião geral de que era bom deixar todos os convertidos passarem um verão e inverno antes de admiti-las nos recintos sagrados da igreja.

Ora, se qualquer um de vocês ainda tem na cabeça uma idéia hostil à conversão de crianças, tente livrar-se dela, pois é errada tanto quanto pode ser. Se houvesse dois candidatos à minha frente agora, uma criança e um homem, e eu recebesse de cada um o mesmo testemunho, eu não teria mais razão de desconfiar da criança do que do homem--o fato é que, se suspeita precisa entrar no caso, deve ser mais exercitada em direção ao adulto do que em referência à criança, pela probabilidade muito menor de ser culpado de hipocrisia do que o homem, e da probabilidade muito menor de ter copiado do outro as palavras e frases. De qualquer modo, aprenda com as palavras do Mestre que você não deve tentar fazer uma criança como você, mas você deve ser transformado até que se torne como uma criança.

Pastoreie Meus Cordeiros

Posted by Josemar Bessa on Setembro 12, 2006 , under | comentários (0)



O motivo de pastorear, de alimentar os cordeiros era para o cordeiro pertencer ao Mestre, e não mais pertencer a si mesma. Se Pedro tivesse sido o primeiro papa de Roma, e tivesse sido como seus sucessores, o que de fato ele nunca foi, certamente teria cabido ao Senhor ter-lhe dito: "Pastoreie as suas ovelhas. Eu as entrego a você, ó Pedro, Vigário de Cristo na Terra." Não, não, não. Pedro deve alimentá-las, mas elas não são dele, são ainda de Cristo. O trabalho que vocês têm que fazer para Jesus, irmãos e irmãs, não é de modo nenhum para si mesmos. Sua classe não é de suas crianças, e sim de Cristo. A exortação que Paulo deu foi para "cuidar da igreja de Deus", e que o próprio Pedro escreveu em sua epístola: "Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir" (1Pe 5.2). Que esses cordeiros se tornem o que podem, a glória será do Mestre e não do servo, e todo o tempo gasto, o trabalho dispensado e a energia gasta serão em cada partícula para redundar em louvor dele de quem são esses cordeiros.

Contudo, enquanto isso é uma ocupação de abnegação, e honrada também, podemos cuidar dela sentindo que é uma das mais nobres formas de serviço. Jesus diz: "Meus cordeiros; Minhas ovelhas." Pense neles, e admire-se de Jesus tê-los entregue a nós. Pobre Pedro! Certamente, quando aquela refeição matinal começou, ele se sentia desajeitado. Eu me coloco no lugar dele e sei que mal poderia olhar para Jesus do outro lado da mesa, enquanto me lembrava de que eu o havia negado com imprecações e maldições. Nosso Senhor quis deixar Pedro bem à vontade ao levá-lo a falar sobre seu amor, que tão seriamente fora colocado em dúvida. Como um bom médico, ele pôs o bisturi onde a ansiedade estava inflamada, e ele pergunta: "Você me ama?" (Jo 21.13ss).

Não era porque Jesus não conhecesse o amor de Pedro; mas para que Pedro soubesse com certeza e fizesse uma nova confissão, dizendo: "Sim, Senhor, tu sabes que te amo." O Senhor estava prestes a ter uma discussão delicada com o errante por alguns minutos, para que nunca mais houvesse uma controvérsia entre ele e Pedro. Quando Pedro disse: "Sim, Senhor; tu sabes que te amo", você quase pensou que o Senhor responderia: "Oh, Pedro, e eu te amo"; mas ele não disse isso, embora tenha dito isso, sim.

Talvez Pedro não tenha entendido o que ele queria dizer; mas nós podemos entender porque nossa mente não está confusa como estava a de Pedro naquela manhã memorável. Em outras palavras, Jesus disse: "Eu te amo tanto que confio a você aquilo que eu comprei com o sangue de meu coração. A coisa mais preciosa que tenho em todo o mundo é o meu rebanho: veja, Simão, eu tenho tanta confiança em você, dependo inteiramente da sua integridade como sendo uma pessoa que me ama sinceramente, que eu lhe faço um pastor de meus cordeiros. São tudo que eu tenho na Terra, dei tudo por eles, até minha vida; e agora, Simão, filho de Jonas, cuide deles por mim." Ah, foi "falado bondosamente". Foi o grande coração de Cristo dizendo: "Pobre Pedro, entre já e compartilhe comigo os meus mais estimados protegidos." Jesus acreditou de tal modo na declaração de Pedro que não lhe disse isso com palavras, e sim com atos. Três vezes, ele o disse: "Cuide de meus cordeiros: pastoreie as minhas ovelhas, cuide das minhas ovelhas", para mostrar o quanto o amou. Quando o Senhor Jesus ama muito uma pessoa, ele lhe dá muito para fazer ou muito para sofrer.

Muitos de nós fomos apanhados como brasas da fogueira, pois fomos "inimigos de Deus por causa do mau procedimento"; e agora estamos na igreja entre seus amigos, e nosso Salvador confia em nós com os seus mais amados. Eu fico pensando, quando o filho pródigo voltou, e seu pai o recebeu, se quando chegou o dia da feira ele mandou seu filho mais novo ao mercado para vender o trigo e trazer para casa o dinheiro. A maioria de vocês teria dito: "Estou contente que o menino voltou; ao mesmo tempo, enviarei o irmão mais velho para negociar, pois ele sempre ficou do meu lado." Quanto à minha pessoa, o Senhor Jesus me recebeu como um pobre filho pródigo, e não se passaram muitas semanas antes de ele me colocar em confiança com o evangelho, esse o maior de todos os tesouros; e esse foi um grande sinal de amor. Não conheço nenhum que o exceda.

A comissão dada a Pedro provou como foi completa a cura da brecha, como o pecado foi totalmente perdoado, pois Jesus tomou o homem que tinha praguejado e jurado negando-o, e mandou que alimentasse seus cordeiros e ovelhas. Ah, trabalho bendito, não para si, e contudo para si! Aquele que se serve se perderá, mas aquele que se perde realmente se serve da melhor maneira possível.

A motivação-mestre de um bom pastor é o amor. É para pastorearmos os cordeiros de Cristo por amor. Primeiro, como prova de amor. "Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos." Se me amam, alimentem os meus cordeiros. Se você ama Cristo, mostre isso, e mostre-o fazendo o bem aos outros, desgastando-se para ajudar os outros, para que Jesus possa ter a alegria desses outros.

Em seguida, como um influxo de amor, "Pastoreie meus cordeiros", porque se você ama Cristo um pouco quando você começa a fazer o bem, logo você o amará mais. O amor cresce por ser ativamente exercitado. É como o braço do ferreiro que aumenta em força por manejar o martelo. O amor ama até que ama mais, e ama mais até que ama mais; e ainda ama mais até que ama mais de tudo, e então não está satisfeito, mas aspira um alargamento do coração para que possa copiar ainda mais plenamente o modelo perfeito de amor em Cristo Jesus, o Salvador.

Além de ser um influxo de amor, o alimentar de cordeiros é um escoadouro de amor. Quantas vezes contamos ao Senhor que nós o amamos quando estávamos pregando, e eu não duvido que vocês, professores, sentem mais do que prazer em amar a Jesus quando estão ocupados com suas aulas do que quando estão a sós em casa. Uma pessoa poderá voltar para casa, sentar-se e suspirar: "É um ponto que quero muito saber, que me faz pensar e não sei responder", e enxugar a testa e esfregar os olhos, e entrar num desânimo sem fim; mas se a pessoa se levanta e trabalha para Jesus, o ponto que ela tanto deseja saber logo estará resolvido, porque o amor virá jorrando do seu coração até que não possa mais questionar se está lá.

Portanto, permaneçamos nesse trabalho abençoado para Cristo para que o deleite do amor seja o próprio oceano em que o amor nadará, o sol em que se aquecerá. A recreação de uma alma amorosa é trabalhar por Jesus Cristo; e dentre as formas mais altas e mais deliciosas dessa recreação celeste está o cuidar de cristãos novinhos; procurando edificá-los no entendimento e na compreensão, para que se tornem fortes no Senhor.

Uma Lição-Modelo Para Professores - C. H. Spurgeon

Posted by Josemar Bessa on Setembro 08, 2006 , under | comentários (0)



Ensine-lhes moralidade: "Guarde a sua língua do mal e os seus lábios da falsidade. Afaste-se do mal e faça o bem; busque a paz com perseverança" (Sl 34.13-14). Ora, não ensinamos moralidade como o caminho para a salvação. Deus nos livre de algum dia misturarmos as obras do homem com a redenção que está em Cristo Jesus! "Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus" (Efésios 2.8). Contudo, ensinamos moralidade enquanto ensinamos espiritualidade; e sempre descubro que o evangelho produz a melhor moralidade. Eu prefiro um professor de Escola Dominical vigilante sobre a moral dos meninos e meninas de quem cuidam, que fale com eles particularmente sobre os pecados que são mais comuns entre a criançada. Ele poderá dizer às crianças honesta e convenien-temente muitas coisas que ninguém mais pode dizer, especialmente quando faz com que eles se lembrem do pecado da mentira, tão comum às crianças, ou do pecado do pequeno roubo, da desobediência aos pais, da quebra do dia do Senhor. Preferiria que o professor fizesse muita questão de mencionar esses males um por um; pois pouco adianta falar-lhes sobre males em grande quantidade; é preciso mencioná-los um a um, assim como Davi fez. Primeiro cuide da língua: "Guarde a sua língua do mal e os seus lábios da falsidade" (Sl 34.13). Depois cuide da conduta inteira: "Afaste-se do mal e faça o bem; busque a paz com perseverança" (Sl 34.14). Se a alma da criança não está salva por outras partes do ensino, esta parte pode ter um efeito benéfico sobre a vida dela, e até aí tudo bem. A moralidade, no entanto, por si só, é uma coisa comparativamente pequena. A melhor parte daquilo que você ensina é a piedade divinamente inspirada. Muitas pessoas são religiosas de certo modo, sem serem piedosas. Muitas têm todas as marcas externas da piedade, todo o lado de fora da piedade; a essas pessoas chamamos de "religiosos", mas elas não têm o pensamento certo com respeito a Deus. Pensam sobre seu lugar de culto, seu domingo, seus livros, mas nada sobre Deus. Quem não respeita a Deus, nem ora a Deus, nem ama Deus, é uma pessoa ímpia, qualquer que seja sua religião externa. Trabalhe para ensinar a criança a ter sempre um olho voltado para Deus; faça com que ela grave na memória estas palavras: "Tu me vês, ó Deus." Faça com que se lembre de que cada ato e pensamento dela é visto por Deus. Nenhum professor de Escola Dominical cumpre sua obrigação a não ser que frise sempre o fato de que há um Deus que tudo observa. Deveríamos ser mais piedosos, conversarmos mais sobre a piedade, e a amarmos mais.

A terceira lição é o mal do pecado. Se a criança não aprender isso, ela nunca aprenderá o caminho para o céu. Nenhum de nós sabia o que Cristo Salvador era até sabermos que coisa terrível é o pecado. Se o Espírito Santo não nos ensinar a grande pecaminosidade do pecado, nós nunca conheceremos a bem-aventurança da salvação. Busquemos a graça do Santo Espírito, então, quando ensinamos, para que possamos sempre ser capazes de dar ênfase à natureza abominável do pecado. "O rosto do Senhor volta-se contra os que praticam o mal para apagar da terra a memória deles" (Sl 34.16). Não poupe sua criança; deixe-a saber a que o pecado leva. Não tenha medo, como têm algumas pessoas, de falar claramente sobre as conseqüências do pecado. Ouvi falar de um pai que tinha um filho muito ímpio, e foi levado de modo bem repentino.

Ao contrário do que algumas famílias fariam, o pai, vencendo seus sentimentos naturais, pela graça divina, reuniu seus filhos e lhes disse: "Meus filhos, o irmão de vocês morreu; temo que esteja no inferno. Vocês conheciam sua vida e conduta, viram como se comportou; e agora Deus o apanhou em seus pecados." Então, ele lhes contou solenemente sobre o lugar do infortúnio em que acreditava - sim, quase tinha certeza que ele tinha ido, implorando que eles o evitassem, e fugissem da ira vindoura. Assim, ele foi o meio de levar seus filhos a um pensamento sério; mas tivesse ele agido, como alguns teriam feito, com ternura de coração, mas sem honestidade de propósito, e dito que esperava que seu filho tivesse ido ao céu, o que as outras crianças teriam dito? "Se ele foi para o céu, então não precisamos temer; podemos viver como quisermos." Não, não; eu mantenho que não é falta de cristandade dizer de alguns homens que eles vão para o inferno, quando já vimos que suas vidas eram infernais. Mas, pergunta-se: "Você pode julgar seus semelhantes?" Não, mas posso conhecê-los pelos seus frutos. Eu não os julgo, nem os condeno; eles julgam a si mesmos. Já vi seus pecados irem a juízo de antemão, e não duvido que eles seguirão atrás. "Mas não podem ser salvos na décima primeira hora?" Eu soube de uma pessoa que foi, mas não sei se isso aconteceu com outras pessoas, e não posso dizer que haverá outra algum dia. Seja honesto, pois, com seus filhos, e ensine-os, com a ajuda de Deus, que "o mal matará os maus".

Mas isso não é tudo e você não terá feito o suficiente se não ensinar cuidadosamente a quarta lição--a necessidade absoluta de uma mudança de coração. "O Senhor está perto dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito contrito" (Sl 34.18). Ah! possa Deus capacitar-nos para conservarmos isso constantemente na mente dos que são ensinados, que é preciso haver um coração quebrantado e um espírito contrito, que boas obras de nada valerão a não ser que haja um arrependimento verdadeiro e total do pecado, e um abandono completo do pecado pela graça e misericórdia de Deus! Se precisar escolher, tenha a certeza de ensinar às crianças os três "r"--ruína, redenção e regeneração. Diga às crianças que a ruína deles veio pela queda e que há salvação para eles somente com o ser redimido pelo sangue de Jesus Cristo, e regenerado pelo Espírito Santo. Conserve constantemente diante deles essas verdades vitais porque assim terá a tarefa agradável de lhes contar o doce assunto da lição do final.

Em quinto lugar, então, fale às crianças sobre a alegria e bênção de ser cristão. "O Senhor redime a vida dos seus servos; ninguém que nele se refugia será condenado. Quem nele confia não ficará desolado" (Sl 34.22). Não preciso falar como você deve tratar deste assunto; pois, você sabe o que é ser cristão. Quando nos aprofundamos neste assunto, nossa mente não pára de trabalhar. Como disse o salmista: "Como é feliz aquele que tem suas transgressões perdoadas e seus pecados apagados!" (Sl 32.1). "Como é feliz o homem que põe no Senhor a sua confiança" (Sl 40.4). Sim, feliz é o homem, a mulher, a criança que confia no Senhor Jesus Cristo e que nele espera. Enfatize sempre este ponto - que os justos são pessoas abençoadas, que a família escolhida de Deus, redimida pelo sangue e salva pelo poder, são pessoas abençoadas aqui na Terra, e que eles serão abençoados para sempre lá no Céu. Faça com que suas crianças vejam que você também pertence a este grupo. Se eles sabem que você está com problemas, se possível, apresente-se diante de sua sala com um sorriso em sua face, para que seus alunos possam dizer: "O professor é um homem abençoado, embora esteja enfrentando problemas". Regozije-se sempre para que seus meninos e meninas saibam que sua religião é uma realidade abençoada. Que esse seja o ponto principal de seu ensino, que embora "o justo passa por muitas adversidades", porém, "o Senhor o livra de todas; protege todos os seus ossos; nenhum deles será quebrado. O Senhor redime a vida dos seus servos; ninguém que nele se refugia será condenado" (Sl 34.19, 20, 22).

Falamos aqui de dei cinco lições, e, com toda instrução que você possa dar a suas crianças, todos precisam estar profundamente conscientes de que não são capazes de fazer nada na aquisição da salvação da criança, mas que é Deus que, do começo ao fim, precisa efetuar toda ela. Você é simplesmente uma caneta; Deus pode escrever com você, mas você não pode escrever nada. Você é uma espada; Deus pode com você matar o pecado da criança, mas você não pode matá-lo. Esteja, portanto, sempre consciente disso, de que primeiro você precisa ser ensinado por Deus e, depois, você precisa pedir a Deus que o use para ensinar; porque a não ser que um professor que lhe seja superior trabalhe com você, e instrua a criança, a criança deve perecer. Não é a sua instrução que pode salvar a alma de suas crianças; é a bênção de Deus, o Espírito Santo, acompanhando seus labores. Possa Deus abençoar e coroar seus esforços com sucesso abundante! Ele o fará se você instar em oração, for constante nas súplicas. Até hoje, nunca o professor ou pregador "trabalhou em vão no Senhor", e muitas vezes se viu que o pão lançado sobre as águas foi encontrado após muitos dias.

A Criança Timóteo e seus Mestres - C. H. Spurgeon

Posted by Josemar Bessa on Setembro 06, 2006 , under | comentários (0)



Hoje em dia, visto que o mundo contém, ai!, tão poucas mães sábias e avós cristãs, a igreja achou por bem suplementar a instrução do lar com ensino mantido sob sua asa protetora. As crianças que não têm tais pais, a igreja toma sob seu cuidado maternal. Vejo isso como uma abençoada instituição. Sou agradecido pelos muitos irmãos e irmãs nossos que dão seus domingos, e muitos deles uma boa parte de suas noites da semana também, para ensinar os filhos de outras pessoas, que de alguma forma vão se tornando também filhos deles. Procuram desempenhar as obrigações de pai e mãe, por amor a Deus, para as crianças que são negligenciadas por seus próprios pais, e nisso fazem bem.

Que nenhum dos pais cristãos caia na ilusão de que a Escola Dominical vise aliviá-los de seus deveres pessoais. A condição primária e mais natural das coisas é que os pais cristãos eduquem suas próprias crianças no nutrimento e na admoestação do Senhor. Que as santas avós e graciosas mães, com seus esposos, cuidem que seus próprios meninos e meninas sejam bem ensinados no Livro do Senhor. Onde não há esses pais cristãos, devem intervir pessoas piedosas. É um trabalho cristão quando outros assumem o dever que os praticantes naturais deixaram de fazer. O Senhor Jesus olha com prazer para aqueles que alimentam seus cordeiros, e amamentam seus bebês; pois não é de sua vontade que nenhum desses pequenos pereça.

Timóteo teve o grande privilégio de ser ensinado por aquelas cujo dever natural é esse; mas onde esse grande privilégio não pode ser desfrutado, que todos nós, conforme Deus nos ajudar, tentemos compensar para as crianças a terrível perda que sofrem. Adiantem-se, homens e mulheres sinceros, e santifiquem-se para esse trabalho feliz.

Observe o tema da instrução: "Desde criança você conhece as Sagradas Letras"--ele foi levado a tratar o livro de Deus com grande reverência. Coloco ênfase nessa
palavra "sagradas Escrituras". Um dos primeiros objetivos da escola Dominical deve ser ensinar às crianças grande reverência por esses escritos santos, essas Escrituras inspiradas. Os judeus estimavam o Antigo Testamento além de todo preço; e embora infelizmente muitos deles tenham caído em uma reverência supersticiosa para com a carta e perdido o espírito da coisa, contudo devem ser louvados pela profunda estima que tinham pelos oráculos santos. Esse sentimento de reverência é necessário.

Eu me encontro com homens que têm pontos de vista estranhos, mas não me importo nem com a metade de seus pontos de vista, nem com a estranheza deles, tanto como com um certo quê que vejo por traz desse novo modo de pensar. Quando descubro isso, se provo que não são bíblicos seus pontos de vista, assim mesmo não lhes provei nada, pois eles não se importam com a Escritura; então eu descobri um princípio muito mais perigoso do que uma mera precipitação doutrinária. Essa indiferença para com a Bíblia é a maior maldição da igreja nesta hora presente. Podemos ser tolerantes de opiniões divergentes, contanto que percebamos uma intenção sincera de seguir o livro-estatutário. Mas se chega a isso, que o Livro em si é de pequena autoridade para você, então não precisamos dialogar mais: estamos em acampa-mentos diferentes, e quanto mais cedo reconhecermos isso, melhor para todas as partes envolvidas. Se vamos ter qualquer igreja de Deus na Terra, a Bíblia precisa ser vista como sagrada, e ser tratada com reverência. Essa Escritura foi dada por santa inspiração, e não é o resultado de mitos obscuros e tradições duvidosas; nem ela caiu até nós ao sabor do acaso, pela sobrevivência do mais apto, como um dos melhores livros. Precisa ser dada às nossas crianças, e aceita por nós, como sendo a revelação do Santíssimo Deus. Coloque bastante ênfase sobre isso; diga a seus filhos que a Palavra do Senhor é uma Palavra pura, "como prata purificada num forno de terra, sete vezes refinada". Faça com que sua estima pelo Livro de Deus seja levada ao mais alto ponto.

Observe que Timóteo foi ensinado, não só a reverenciar as coisas santas em geral, mas especialmente a conhecer as Escrituras. O ensino de sua mãe e sua avó foi o ensino da Escritura santa. Vamos supor que reunamos as crianças no dia do Senhor, e então passemos a diverti-las e fazer as horas passarem agradavelmente; ou que ensinemos como fazemos em dias da semana, os elementos de uma educação moral, o que fizemos? Nada digno do dia ou da igreja de Deus. Suponhamos que sejamos cuidadosos ao ensinar para as crianças as regras e os regulamentos de nossa própria igreja, e não as levemos às Escrituras; suponhamos que lhes damos um livro que seja visto como o padrão de nossa igreja, mas não nos firmamos na Bíblia, o que fizemos? Esse padrão pode ou não ser correto, e nós podemos, então, ter ensinado às crianças a verdade ou ter ensinado o erro, mas se ficamos na Bíblia sagrada não podemos nos desviar. Com esse padrão, sabemos que estamos certos. Esse Livro é a Palavra de Deus, e se a ensinamos, ensinamos aquilo que o Senhor aceitará e abençoará.

Ah, queridos professores--e falo aqui para mim mesmo também--, que nosso ensino seja cada vez mais bíblico! Não se preocupem se nossas classes esquecem o que nós dizemos, mas implore que eles se lembrem do que o Senhor diz. Possam as verdades divinas sobre o pecado, e a justiça e o julgamento vindouro, serem escritos no coração deles! Possam as verdades reveladas sobre o amor de Deus, a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, e a operação do Espírito Santo, nunca serem esquecidas por eles! Possam eles conhecer a virtude e a necessidade do sangue remidor de nosso Senhor, o poder de sua ressurreição e a glória de sua segunda vinda! Possam as doutrinas da graça ser gravadas com a pena de ferro em sua mente, e ser escritas com a ponta de um diamante em seu coração para nunca serem apagadas! Se conseguirmos isso, não vivemos em vão. A geração que agora governa parece resolvida a apartar-se da verdade eterna de Deus; mas não nos desesperaremos se o evangelho for impresso na memória da raça que vem surgindo.

Mais uma vez sobre esse ponto: parece que o jovem Timóteo foi ensinado de tal modo quando ele era criança que o ensino foi eficaz. "Você conhece as Sagradas Letras", diz Paulo (2Tm 3.15a). Já é muita coisa dizer de uma criança que ela conhece as Escrituras, mas que "desde criança você conhece" é outra coisa. Você poderá dizer: "Eu ensinei as Escrituras para as crianças", mas que elas já as conhecem é bem outra coisa. Será que todos vocês que já cresceram conhecem as Escrituras? Temo que embora o conhecimento geral cresça, o conhecimento das Escrituras seja raro demais. Se fôssemos agora fazer um exame, temo que alguns de vocês dificilmente brilhariam nas listas finais. Mas eis aqui um garotinho que conhecia as Escrituras sagradas, isso significa dizer que ele tinha boa familiaridade com elas.

As crianças podem conseguir isso, não é de modo algum um feito impossível. Deus abençoando seus esforços, caros amigos, seus filhos poderão conhecer toda a Escritura que é necessária para sua salvação. Podem ter uma idéia tão clara do pecado como sua mãe tem; podem ter uma visão tão clara da expiação como sua avó pode ter; eles podem ter uma fé em Jesus tão distinta como qualquer de nós pode ter. As coisas que cooperam para nossa paz não requerem longa experiência para nos preparar para recebê-las; estão entre as simplicidades do pensamento. Pode correr quem as lê, e uma criança pode lê-las logo que pode correr. A opinião de que as crianças não podem receber a verdade toda do evangelho é um grande erro, pois sua condição de criança é uma ajuda em vez de um empecilho; os mais velhos precisam se tornar crianças pequenas antes de poderem entrar no reino. Dê um bom alicerce para as crianças. Que o trabalho da aula da Escola Dominical não seja deixado de lado, nem feito de qualquer jeito. Que as crianças conheçam as Escrituras Sagradas. Que a Bíblia seja consultada em vez de qualquer livro humano.

Esse trabalho foi estimulado por uma fé salvadora. As Escrituras não salvam, mas podem tornar um homem sábio para a salvação. As crianças podem conhecer as Escrituras e, contudo, não serem filhas de Deus. A fé em Jesus Cristo é aquela graça que traz salvação imediata. Muitas queridas crianças são chamadas por Deus tão cedo que não podem dizer precisamente quando é que foram convertidas; mas foram convertidas, devem, em alguma ocasião, ter passado da morte para a vida. Você poderia não saber dizer hoje de manhã, por observação, o momento em que o sol raiou, mas raiou; e houve uma hora que esteve abaixo do horizonte, e outra hora em que já tinha se levantado acima dele. O momento, quer o vejamos ou não, em que a criança é realmente salva, é quando ela crê no Senhor Jesus Cristo. Talvez por anos, Lóide e Eunice estivessem ensinando o Antigo Testamento a Timóteo, enquanto elas mesmas não conheciam o Senhor Jesus e, se foi assim, estavam ensinando o tipo sem o antitipo--os enigmas sem as respostas -, mas foi bom ensino assim mesmo, visto que era toda a verdade que conheciam na época.

Quanto mais feliz, contudo, é nossa tarefa, visto que estamos habilitados a ensinar sobre o Senhor Jesus tão claramente, tendo o Novo Testamento para explicar o Antigo! Será que nós não podemos esperar que, ainda mais cedo na vida do que Timóteo, nossas queridas crianças possam pegar a idéia de que Cristo Jesus é a soma e substância da Bíblia, e assim pela fé nele possam receber o poder de tornarem-se filhos de Deus? Menciono isso, simples como é, porque quero que todos os professores sintam que se suas crianças ainda não conhecem todas as doutrinas da Bíblia, e se há certas verdades mais altas ou mais profundas que suas mentes ainda não alcançaram, mesmo assim as crianças são salvas logo que são sábias para a salvação pela fé que está em Cristo Jesus. Fé no Senhor Jesus, conforme é exposto na Bíblia, salva mesmo. "Você pode, se crê de todo o coração", disse Filipe ao eunuco; e nós dizemos a mesma coisa para toda criança: você pode confessar sua fé se você tem qualquer fé verdadeira em Jesus para confessar. Se você crê que Jesus é o Cristo, e assim põe sua confiança nele, você está tão verdadeiramente salvo como se tivesse cabelo grisalho a adornar sua fronte.

Por essa fé em Cristo Jesus nós prosseguimos e avançamos na salvação. No momento em que cremos em Cristo, somos salvos, mas não somos imediatamente tão sábios como podemos ser e esperamos ser. Podemos ser, como se fosse, salvos sem que seja inteligentemente, isto é, num sentido comparativo; mas é desejável que possamos dar uma razão da esperança que há em nós, e assim sermos sábios para a salvação.

Pela fé, as crianças se tornam pequenos discípulos, e pela fé vão adiante para tornarem-se mais capazes. Como é que avançamos para a sabedoria? Não é largando o caminho da fé, e sim conservando aquela mesma fé em Cristo Jesus pela qual começamos a aprender. Na escola da graça, a fé é a grande faculdade pela qual fazemos progressos em sabedoria. Se pela fé você pôde dizer A e B e C, precisa ser por fé que você irá adiante para dizer D e E e F, até que chegue ao fim do alfabeto e seja perito no Livro de Sabedoria. Se por fé você pode ler a cartilha da fé simples, pela mesma fé em Cristo Jesus você pode ir adiante para ler nos clássicos de afirmação total, e tornar-se um escriba bem instruído nas coisas do reino. Portanto, conserve-se junto da prática da fé, da qual tantos estão se desviando.

Nestes tempos, os homens buscam fazer progresso por aquilo que chamam de pensamento, com o que querem dizer vãs imaginações e especulação. Não podemos avançar nem um passo pela dúvida; nosso único progresso é pela fé. Não existem tais coisas como "degraus de nossos egos mortos"; a não ser que sejam degraus para baixo, para a morte e destruição; os únicos degraus para a vida e o céu são encon-trados na verdade de Deus revelada à nossa fé. Creia em Deus, e você já fez progresso. Então, oremos por nossas crianças, que constantemente possam conhecer e crer mais e mais; pois a Escritura é capaz de torná-las sábias para a salvação, mas somente pela fé que está em Cristo Jesus. A fé é o resultado que deve ser visado; a fé no escolhido, ungido e exaltado Salvador. Este é o ancoradouro para o qual queremos trazer esses naviozinhos, pois aqui ficarão em perfeita segurança.

A instrução segura na Escritura sagrada, quando vivificada por uma fé viva, cria um caráter sólido. O homem que desde criança conhece as sagradas Escrituras, quando obtém fé em Cristo, será alicerçado e estabelecido sobre os princípios duradouros da Palavra imutável de Deus.

Oh, mestres, vejam o que podem fazer! Em suas escolas, estão sentados nossos futuros evangelistas. Naquela classe dos menorzinhos está sentado um apóstolo para alguma terra distante. Poderá vir sob sua mão de treinamento, minha irmã, um futuro pai em Israel. Virão sob seu ensino, meu irmão, aqueles que carregarão as bandeiras do Senhor no grosso da batalha. As eras olham para vocês cada vez que sua classe se reúne. Ah, que Deus os ajude a fazer bem a sua parte! Oremos com um só coração e uma alma para que o Senhor Jesus Cristo esteja em nossas Escolas Dominicais do dia de hoje até que ele venha!

Os Discípulos e as Mães - C. H. Spurgeon

Posted by Josemar Bessa on Setembro 01, 2006 , under | comentários (0)



Os discípulos imediatos de nosso Senhor foram um grupo de homens altamente honrosos. Apesar de seus erros e deficiências, eles devem ter sido grandemente adoçados por viverem próximo de alguém tão perfeito e tão cheio de amor. Suponho, então, que, se esses homens, que eram a nata da nata, censuraram as mães que levaram seus filhos pequenos a Cristo, isto deve ser uma ofensa bastante comum na igreja de Deus. Temo que a geada paralizadora desse erro seja sentida em quase toda parte.

Não farei nenhuma afirmação pouco generosa; mas acredito que se fosse feita uma pequena investigação pessoal, muitos de nós poderíamos descobrir sermos culpados nesse ponto, e poderíamos ser levados a exclamar com o copeiro de faraó: "Hoje me lembro das minhas faltas." Será que temos nos esforçado pela conversão de crianças tanto quanto temos nos esforçado pela conversão de adultos? Acham que estou sendo sarcástico? Vocês se derramam pela conversão de alguém? O que preciso lhes dizer? É terrível que o espírito de Caim entre no coração de um crente e o faça dizer: "Sou eu o responsável por meu irmão"? É chocante que nós mesmos comamos a gordura, bebamos o doce e deixemos as multidões famintas a perecer. Mas, me digam, se vocês não cuidaram da salvação de almas, não achariam um tanto trivial começar com meninos e meninas? Sim; e seu sentimento é compartilhado por muitos. A falha é comum.

Creio, no entanto, que esse sentimento, no caso dos apóstolos, foi provocado por zelo ao Mestre Jesus. Esses bons homens pensavam que levar as crianças ao Salvador causaria uma interrupção, pois ele estava envolvido em um trabalho muito melhor: ele agia confundindo os fariseus, instruindo as massas e curando os doentes. Seria correto amolá-lo com os pequenos? As crianças não entenderiam seu ensino, e elas não precisavam de seus milagres — por que deveriam elas ser introduzidas para perturbar seus grandes feitos? Assim
, os discípulos praticamente disseram: "Levem suas crianças de volta, boas senhoras. Ensinem a elas a lei vocês mesmas, e instruam-nas nos Salmos e Profetas, e orem com elas. Não dá para toda criança ter as mãos de Cristo postas nela. Se deixarmos vir um grupo de crianças, teremos toda a vizinhança aglomerando-se à nossa volta, e o trabalho do Salvador será muito interrompido. Vocês não enxergam isso? Por que agem tão sem pensar?" Os discípulos tinham tanta reverência por seu Mestre que queriam mandar embora os tagarelas para que o grande rabino não parecesse ser um mero professor de bebês. Isso pode ter sido zelo por Deus, mas não era segundo a sabedoria. Desse modo, nos dias atuais, alguns irmãos não gostam de receber muitas crianças na igreja, com medo que se torne uma sociedade de meninos e meninas.

Se essas crianças entram na igreja em grande número, a igreja pode sofrer críticas! O mundo lá fora a chamará de uma mera Escola Dominical. Lembro-me de que quando uma mulher de má fama foi convertida em uma de nossas cidades da comarca, houve objeção entre certos professores de que ela fosse recebida na igreja como membro, e certos rapazes mais obscenos chegaram a escrever nas paredes que o ministro batista tinha batizado uma prostituta. Eu disse ao meu amigo que considerasse esse fato uma honra. Assim também, se alguém nos critica por receber crianças novas na igreja, usaremos a crítica na lapela como insígnia de honra. Crianças santas não têm nenhuma possibilidade de nos causar mal. Deus nos enviará pessoas suficientes de idade e experiência para dirigir a igreja com prudência. Não receberemos ninguém que não produza prova do novo nascimento, qualquer que seja sua idade; mas não excluiremos nenhum crente por mais novo que possa ser. Deus nos livre de condenarmos nossos irmãos cautelosos, mas, ao mesmo tempo, desejaríamos que sua cautela aparecesse onde é mais necessário. Jesus não será desonrado pelas crianças: temos muito mais razão para temer os adultos.

A repreensão que os apóstolos fizeram sobre as crianças deve-se em parte por ignorarem a necessidade das crianças. Se alguma mãe naquela aglomeração tivesse dito, "Preciso levar meu filho ao Mestre porque ele é muito afligido com um demônio", nem Pedro, nem Tiago, nem João, teriam feito objeções, mas, ao contrário, teriam ajudado a levar a criança possessa ao Salvador. Ou, suponhamos que outra mãe tivesse dito, "Minha filha tem uma doença que a faz definhar, está só pele e osso; permitam-me levar minha queridinha para que Jesus ponha suas mãos sobre ela", os discípulos todos teriam dito: "Abram caminho para essa mulher e seu fardo infeliz." Mas por que esses pequenos de olhos vivos, de línguas soltas e pernas saltitantes, deveriam ir a Jesus? Esqueceram-se de que nessas crianças, com toda sua alegria, saúde e inocência aparente, havia uma necessidade grande e grave da bênção da graça de um Salva dor. Se você cede à idéia dos tempos de que seus filhos não precisam de conversão, de que crianças nascidas de pais cristãos são um tanto superiores a outras, e tem o bem dentre eles que só precisa de desenvolvimento, uma grande motivação para sua sinceridade devota deixará de existir.

Creia-me, suas crianças precisam que o Espírito de Deus lhes dê novo coração e espírito reto, porque, do contrário, irão se perder como outras crianças. Lembre-se de que por mais novos que sejam, há uma pedra dentro do peito mais jovem; e essa pedra precisa ser tirada, ou, então, será a ruína da criança. Há uma tendência para o mal mesmo onde não é desenvolvida em ato, e essa tendência precisa ser vencida pelo poder divino do Espírito Santo, que atua fazendo com que a criança nasça de novo. Ah, que a igreja de Deus lance fora a velha idéia judaica, ainda tão forte à nossa volta — que o nascimento natural traz consigo privilégios da aliança!

Ora, mesmo sob a Velha Dispensação houve sugestões de que a semente verdadeira não era nascida segundo a carne, e sim segundo o espírito, como no caso de Ismael e Isaque, e de Esaú e Jacó. Será que nem a igreja de Deus sabe que "O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito"? "Quem pode extrair algo puro da impureza?" O nascimento natural comunica a impureza da natureza, mas não pode transmitir graça. Sob a nova aliança nos é comunicado expressamente que os filhos de Deus "não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus".
Sob a antiga aliança, o nascimento segundo a carne produzia privilégio; mas para entrar de qualquer modo na aliança da graça é preciso nascer de novo. O primeiro nascimento nada lhe traz senão uma herança com o primeiro Adão; é preciso nascer de novo para se colocar sob a chefia do segundo Adão.

Mas está escrito, diz alguém, que "a promessa é para vocês e para seus filhos". Nunca houve uma desonestidade mais grave do que a citação deste texto conforme é geralmente citada. Já a ouvi sendo usada inúmeras vezes para provar uma doutrina que está bem longe do que ela ensina claramente. Se pegarmos parte da frase de uma pessoa, sem considerarmos o resto, podemos fazer com que ela diga o oposto daquilo que quis dizer. O que você acha que o texto realmente diz? Veja Atos 2.39: "A promessa é para vocês, para os seus filhos e para todos os que estão longe, para todos quantos o Senhor, o nosso Deus, chamar." Essa declaração grandiosamente ampla é o argumento no qual está fundada a exortação: "Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado." Não é uma declaração de privilégio especial de ninguém, e sim uma apresentação da graça que tanto é para todos que estão longe como para eles e seus filhos. Não há nenhuma palavra no Novo Testamento para mostrar que os benefícios da graça divina são em qualquer grau transmitidos por descendência natural: eles vêm "para todos quantos o Senhor, o nosso Deus, chamar", quer tenham pais santos ou pecadores. Como as pessoas têm o descaramento de rasgar metade de um texto de modo que se ensine o que não é verdade? Você precisa olhar com tristeza para seus filhos como nascidos no pecado, e formados na iniqüidade, "herdeiros da ira, assim como outros"; e embora você mesmo possa pertencer a uma linhagem de santos, e traçar seu pedigree de um pastor para outro pastor, todos eminentes na igreja de Deus, assim mesmo seus filhos ocupam exatamente a mesma posição pelo seu nascimento como ocupam os filhos dos outros; por isso precisam ser redimidos da maldição da lei pelo sangue precioso de Jesus, e precisam receber uma nova natureza pela obra do Espírito Santo. São favorecidos por serem colocados sob um treinamento piedoso, e ouvirem o evangelho; mas sua necessidade e sua pecaminosidade são as mesmas como há no resto da humanidade. Se você pensar nisso, verá o motivo pelo qual os filhos devem ser trazidos a Jesus Cristo — motivo pelo qual devem ser trazidos tão depressa quanto possível, nos braços de sua oração e fé naquele que tem poder para renová-los.

Tenho encontrado por vezes uma experiência espiritual mais profunda em crianças de 10 e 12 anos do que em muitas pessoas de 50 e 60 anos. Diz um velho provérbio que algumas crianças nasceram com barba. Alguns meninos são homenzinhos, e algumas meninas são mulheres idosas. Não meça a vida das pessoas pela sua idade. Conheci um garoto que, quando tinha 15 anos, muitas vezes ouviu cristãos de longos anos dizer: "O menino tem 60 anos; ele fala com tanto discernimento da verdade divina." Eu creio que esse jovem, aos 15 anos, sabia mesmo muito mais das coisas de Deus, e da luta da alma, do que pessoas à sua volta, fosse qual fosse sua idade. Não sei dizer por que é assim, mas sei que é, que alguns são velhos quando são novos, e alguns estão muito imaturos quando são velhos; alguns são sábios quando era de se esperar que fossem diferentes, e outros são muito tolos quando seria de se esperar que tivessem deixado sua tolice. Não fale da incapacidade de uma criança para o arrependimento! Já vi uma criança adormecer soluçando durante meses a fio sob um sentimento esmagador de pecado. Se quer conhecer um profundo, e amargo, e terrível medo da ira de Deus, deixe-me contar-lhe o que eu senti quando menino. Se quer conhecer a alegria no Senhor, muitas crianças já ficaram tão cheias dela quanto pôde caber em seu coraçãozinho. Se quer entender o que é fé em Jesus, você não deve olhar para aqueles que foram confundidos pelo jargão herético dos tempos, e sim para as preciosas crianças que acreditam em Jesus pela sua palavra, que creram nele, e amaram-no, e, portanto, sabem e têm certeza de que são salvos. A capacidade de crer se acha mais na criança do que no adulto. Nós nos tornamos menos capazes de fé, em vez de mais capazes: cada ano leva a mente não regenerada para mais longe de Deus, e a torna menos capaz de receber as coisas de Deus. Nenhum terreno está mais bem preparado para a boa semente do que aquele que ainda não foi pisado e endurecido como a estrada, nem ficou cheio de mato com espinhos. Também, em alguns casos, a criança ainda não aprendeu os enganos do orgulho, a mentira da ambição, as ilusões do mundanismo, os truques do comércio, os sofismas da filosofia; e por enquanto desfruta de uma vantagem sobre o adulto. Em todo caso, o novo nascimento é obra do Espírito Santo, e ele pode tão facilmente trabalhar sobre o jovem como sobre a idade madura.

Alguns, também, têm impedido as crianças porque se esquecem do valor da criança. O preço da alma não depende de quantos anos se tem. "Ah, é apenas uma criança." "Crianças são uma amolação." "Crianças estão sempre atrapalhando o caminho." Essa conversa é comum. Deus perdoe aqueles que desprezam os pequeninos! Será que alguém ficaria muito zangado se eu dissesse que vale mais salvar um menino do que um homem? É misericórdia infinita da parte de Deus salvar aqueles que têm 70 anos; pois qual o bem que podem fazer agora com o enfado restante de sua vida? Quando chegamos a ter 50 ou 60 anos, estamos quase desgastados; e se passamos todos nossos dias moços com o diabo, o que fica para Deus? Mas há algo para ser realizado com esses queridos meninos e meninas. Se agora se rendem a Cristo poderão ter um dia longo, feliz e santo pela frente no qual podem servir a Deus de todo coração. Quem sabe que glória Deus pode receber deles? Terras pagãs poderão chamá-los bem-aventurados. Nações inteiras poderão ser iluminadas por eles. Se um mestre famoso costumava tirar o chapéu para seus alunos porque não sabia se um deles poderia vir a ser um primeiro-ministro, nós podemos com justiça olhar para as crianças convertidas, pois não sabemos daqui a quanto tempo estarão entre os anjos, ou com que grandeza sua luz brilhará entre os homens. Avaliemos as crianças no seu valor verdadeiro, e não os impediremos, mas estaremos ansiosos por levá-los a Jesus imediatamente.

Em proporção à nossa própria espiritualidade da mente, e em proporção à nossa própria atitude de coração, igual à da criança, nós estaremos à vontade com crianças; e a par de seus temores e suas esperanças, sua fé nascedoura e seu amor desabrochante. Convivendo com os convertidos juvenis, parecerá estarmos num jardim de flores, num vinhedo onde as uvas tenras são perfumadas.

O Espírito Santo em Relação ao Nosso Ministério - C. H. Spurgeon

Posted by Josemar Bessa on Agosto 31, 2006 , under | comentários (0)



Escolhi um tópico sobre o qual seria difícil dizer algo que já não tenha sido dito antes muitas vezes. Mas, como o tema é da mais alta importância, é bom deter-nos nele com freqüência, e ainda que só exponhamos velhas coisas e nada mais, talvez seja sábio fazer-vos lembrar-se delas. Nosso tema é: O Espírito Santo em Relação com o Nosso Ministério, ou - a obra do Espírito Santo concernente a nós como ministros do evangelho de Jesus Cristo.

“CREIO NO ESPIRITO SANTO”. Tendo pronunciado esta frase como conteúdo do credo, espero que possamos repeti-la também como um solilóquio devoto impulsionado por nossa experiência pessoal aos nossos lábios. Para nós, a presença e a obra do Espírito Santo constituem a base da nossa confiança quanto à sabedoria e ao elemento de esperança da obra da nossa vida. Se não crêssemos no Espírito Santo, teríamos renunciado ao nosso ministério muito antes, pois, “quem é suficiente para estas coisas?” Nossa esperança de sucesso e nossa força para a continuidade do serviço jazem em nossa crença em que o Espírito do Senhor repousa sobre nós.

Por ora dou por certo que todos nós estamos cônscios da existência do Espírito Santo. Dissemos que cremos nEle. Na verdade avançamos além da fé, nesta questão, e penetramos na região da consciência. Houve tempo em que a maioria de nós cria na existência dos nossos amigos presentes, pois tínhamos ouvido falar deles com os nossos ouvidos, mas agora nos vemos uns aos outros, trocamos apertos de mão fraternais e experimentamos a influência do companheirismo agradável, e portanto agora não é tanto que cremos, como conhecemos. Igualmente experimentamos o Espírito de Deus operando em nossos corações, temos conhecido e percebido o poder que Ele exerce sobre os espíritos humanos, e O conhecemos por contato pessoal, freqüente e consciente. Pela sensibilidade do nosso espírito tomamos consciência da presença do Espírito de Deus, do mesmo modo como tomamos consciência da existência das almas dos nossos semelhantes por sua ação sobre as nossas almas, assim como estamos certos da existência da matéria pela sua ação sobre os nossos sentidos. Fomos elevados da obscura esfera daquilo que é apenas mente e matéria às fulgurâncias celestiais do mundo espiritual. Agora, como homens espirituais, discernimos as coisas espirituais, sentimos as forças superiores dos domínios do espírito, e sabemos que há um Espírito Santo, pois O sentimos operar em nossos espíritos. Não fosse assim, certamente não teríamos direito de estar rio ministério da igreja de Cristo. Deveríamos permanecer até como membros da igreja? Mas, irmãos, fomos vivificados espiritualmente.Temos definida consciência de uma vida nova, com tudo o que dela resulta; somos novas criaturas em Cristo Jesus e vivemos num mundo novo. Fomos iluminados e capacitados a contemplar coisas que os olhos não vêem. Fomos guiados para a verdade de tal natureza que a carne e o sangue jamais poderiam ter revelado. Temos sido consolados pelo Espírito. Muitíssimas vezes o santo Paráclito nos tem levantado dos abismos da tristeza às alturas da alegria. Em certa medida, também fomos santificados por Ele; e estamos cônscios de que a santificação vai sendo operada em nós por diferentes formas e meios. Portanto, dadas estas experiências pessoais todas, sabemos que o Espírito Santo existe, com a mesma certeza de que nós mesmos existimos.

Sinto-me tentado a demorar-me aqui, pois este ponto merece maior consideração. Os descrentes pedem fatos. A velha doutrina comercial de Gradgrind entrou na religião, e o cético brada: “O que quero são fatos!” Estes são os nossos fatos: não nos esqueçamos de usá-los. Um cético me desafia com esta observação: "Não posso fixar minha fé num livro ou numa história. Quero ver fatos reais." Minha resposta é: “Você não os pode ver porque os seus olhos estão vendados. Mas os fatos estão aí, nem mais nem menos. Aqueles dentre nós que têm olhos vêem coisas maravilhosas, embora você não as veja”. Se ele ridiculariza a minha afirmação, não fico espantado nem um pouco. Já o esperava. Ficaria espantado, e muito, se não o fizesse. Mas exijo respeito por minha posição como testemunha de fatos, e dirijo ao meu oponente a pergunta: "Que direito tem você de recusar a minha prova? Se eu fosse cego, e você me dissesse que possui uma faculdade chamada visão, eu seria irracional se o ofendesse chamando-lhe otimista convencido. Tudo que você tem direito de dizer é que nada sabe sobre isto - mas não está autorizado a chamar-nos de mentirosos ou bobos. Você pode juntar-se aos ofensores do passado e declarar que o homem espiritual é louco, mas isso não desfaz as afirmações deste." Irmãos, para mim, os fatos produzidos pelo Espírito de Deus demonstram a veracidade da religião cristã com a mesma clareza com que a destruição de Faraó no Mar Vermelho, ou o maná caído no deserto, ou a água saltando da rocha ferida, podiam provar a Israel a presença de Deus no meio das suas tribos.

Chegamos agora ao cerne do nosso assunto. Para nós, ministros, o Espírito Santo é absolutamente essencial. Sem Ele o nosso ofício não passa de um nome. Não nos arrogamos sacerdócio além e acima daquele que pertence a todos os filhos de Deus. Mas somos sucessores daqueles que, nos velhos tempos, foram movidos por Deus a proclamar a Sua Palavra, a dar testemunho contra as transgressões e a dirigir a Sua causa. A menos que o espírito dos profetas esteja repousando sobre nós, o manto que usamos não passa de um traje tosco e enganoso. Como objetos dignos de aversão, devíamos ser expulsos da sociedade dos sinceros por ousarmos falar em nome do Senhor - se é que o Espírito de Deus não repousa sobre nós. Cremos que somos arautos de Jesus Cristo, designados para continuar o Seu testemunho na terra. Mas, sobre Ele e sobre o Seu testemunho sempre repousou o Espírito de Deus, e se Este não repousa sobre nós, é evidente que não somos enviados ao mundo como Cristo foi. No dia de Pentecoste, o início da grande obra de converter o mundo foi com línguas flamejantes e com um forte e impetuoso vento, símbolos da presença do Espírito. Portanto, se pretendemos ter bom êxito sem o Espírito, não estamos seguindo a norma pentecostal. Se não temos o Espírito que Jesus prometeu, não podemos cumprir a comissão que Jesus deu.

Não seria preciso advertir algum irmão aqui sobre a ilusão de que podemos ter o Espírito de Deus no sentido de sermos inspirados. Contudo, os membros de certa seita litigiosa moderna precisam ser advertidos sobre essa loucura. Defendem a idéia de que as suas reuniões são realizadas sob “a presidência do Espírito Santo” - noção sobre a qual só posso dizer que fui incapaz de descobrir na Escritura Sagrada tanto a expressão como a idéia. Encontro, sim, no Novo Testamento, um grupo de coríntios notavelmente dotados, que gostavam de falar e dados a lutas partidárias - verdadeiros representantes daqueles a quem me referi. Mas, como Paulo disse deles, “Dou graças porque a nenhum de vós batizei”, também dou graças ao Senhor que poucos daquela escola alguma vez se acharam em nosso maio. Poderia parecer que as suas assembléias possuem um dom peculiar de inspiração, não chegando inteiramente à infalibilidade, mas aproximando-se bem dela. Se vocês se meteram nessas reuniões, pergunto enfaticamente se foram mais edificados pelas preleções produzidas sob a presidência celestial, do que pelas preleções de comuns pregadores da Palavra. Estes se consideram sob a influência do Espírito Santo somente como um espírito está sob a influência de outro espírito, ou como uma mente sob a influência de outra. Não somos passivos transmissores de infalibilidade. Somos sinceros instruidores de coisas que aprendemos, na medida em que as pudemos captar. Como as nossas mentes são ativas e têm existência pessoal enquanto o Espírito age sobre elas, transparecem as nossas fraquezas bem como a Sua sabedoria. E enquanto revelamos aquilo que Ele nos fez saber, somos grandemente humilhados pelo temor de que a nossa ignorância e os nossos erros se manifestem em certo grau ao mesmo tempo, porque não nos sujeitamos mais perfeitamente ao poder divino. Não desconfio que vocês se extraviem na direção a que aludi. Certamente não é provável que os resultados de experiências anteriores induzam sábios a essa loucura.

Eis nossa primeira pergunta: Onde havemos de buscar o auxílio do Espírito Santo? Quando tivermos falado sobre este ponto, consideraremos mui solenemente um segundo: Como podemos perder essa assistência? Oremos no sentido de que, pela bênção de Deus, a consideração deste ponto nos ajude a retê-la.

Onde havemos de buscar o auxílio do Espírito Santo? Devo responder: por sete ou oito meios.


1. Primeiro, Ele é o Espírito de conhecimento.

“Ele vos guiará a toda a verdade”. Nisto, precisamos do Seu ensino. Temos urgente necessidade de estudar, pois o mestre de outros precisa instruir-se. Subir ao púlpito normalmente despreparado é presunção imperdoável. Nada poderá rebaixar-nos mais efetivamente, e ao nosso ofício. Depois de um discurso que o bispo de Lichfield fez em visita oficial, discurso sobre a necessidade de zeloso estudo da Palavra, certo clérigo disse à sua reverendíssima que não podia crer em sua doutrina, "pois", disse ele, "muitas vezes, quando estou no gabinete pastoral, pronto para pregar, não sei sobre o que vou falar, mas vou para o púlpito, prego, e não penso em nada disso." O bispo respondeu: "E você está certo em não pensar nada disso, pois os oficiais da igreja me disseram que partilham da sua opinião."

Se não somos instruídos, como podemos instruir outros? Se não nos dedicamos a pensar, como podemos levar outros a pensar? É em nosso labor de estudar, nesse bendito trabalho em que estamos a sós com o Livro diante de nós, que precisamos da ajuda do Espírito Santo. Com Ele está a chave do tesouro celeste, e pode enriquecer-nos além da nossa imaginação. Com Ele está o guia da doutrina mais labiríntica, e pode conduzir-nos no caminho da verdade. Pode romper os portais de bronze e picar em pedaços as barras de ferro, e dar-nos os tesouros das trevas e as riquezas ocultas dos lugares secretos. Se vocês estudarem os originais, consultarem comentários e meditarem profundamente, mas deixarem de clamar vigorosamente ao Espírito de Deus, o seu estudo não lhes trará proveito. Entretanto, ainda que lhes seja vedado o emprego daqueles recursos (o que confio não lhes suceda), se esperarem do Espírito Santo em simples dependência do Seu ensino, aprenderão muito da intenção divina.

O Espírito de Deus nos é peculiarmente precioso, porque de modo muito especial Ele nos instrui sobre a pessoa e a obra de nosso Senhor Jesus Cristo; e este é o ponto principal da nossa pregação. Ele toma coisas de Cristo e no-las mostra. Se tomasse coisas de doutrina ou preceito, ficaríamos contentes por essa bondosa assistência. Mas, visto que se deleita especialmente nas coisas de Cristo, e focaliza a Sua sagrada luz na cruz, regozijamo-nos ao ver o centro do nosso testemunho iluminado tão divinamente, e nos asseguramos de que a luz se difundirá sobre todo o restante do nosso ministério. Busquemos ao Espírito de Deus com este brado: "Ó Espírito Santo, revela-nos o Filho de Deus, e assim mostra-nos o Pai."

Como Espírito de conhecimento, não só nos instrui quanto ao evangelho, mas também nos leva a ver o Senhor em todas as outras coisas. Não devemos fechar os nossos olhos para Deus na natureza, ou na história geral, ou nas ocorrências providenciais diárias, ou em nossa experiência pessoal. E em todas estas coisas, o nosso Intérprete da mente de Deus é o bendito Espírito. Se clamamos: "Ensina-me o que queres que eu faça"; ou, "mostra-me o motivo pelo qual contendes comigo"; ou, "dite-me qual é a Tua intenção nesta rica providência de misericórdia"; ou, "revela-me o Teu propósito naquela outra dispensação mista de juízo e graça" - seremos bem instruídos em cada caso. Pois o Espírito é o candeeiro de sete braços do santuário, e pela Sua luz todas as coisas podem ser vitas corretamente. Como Goodwin observa bem: "É preciso haver luz acompanhando a verdade, se temos de conhecê-la. Prova-nos isto a experiência de todos os homens envoltos na graça de Deus. Qual a razão por que vocês vêem algumas coisas num capítulo numa ocasião, e não em outra; alguma porção cia graça em seus corações numa ocasião, e não em outra; têm uni vislumbre das realidades espirituais numa ocasião, e não em outra? Os olhos são os mesmos, mas é o Espírito Santo que abre e fecha esta lanterna de furta-fogo, como eu poderia chamar-lhe. Conforme Ele a abre mais, ou a aperta, ou a fecha, estreitando-a, temos maior ou menor visão. E às vezes Ele a fecha totalmente, e então a alma fica na escuridão, embora seus olhos nunca tenham estado tão bons."

Amados irmãos, não deixem de ir a Ele em busca desta luz, ou ficarão nas trevas e serão guias cegos de cegos.


2. Em segundo lugar, o Espírito é chamado Espírito de sabedoria, e precisamos enormemente dEle nesta capacidade.

Sim, pois o conhecimento pode ser perigoso, se não for acompanhado pela sabedoria, que é a arte de usar acertadamente o que conhecemos. Manejar berra a Palavra de Deus é tão importante como compreendê-la plenamente. Alguns que evidentemente compreenderam uma parte do evangelho, deram indevida proeminência a essa porção isolada e, portanto, exibiram um cristianismo deformado, para prejuízo daqueles que o receberam, visto que, em conseqüência disso, exibiram por sua vez um caráter deformado. O nariz é um traço proeminente do rosto do homem. É possível, porém, fazê-lo tão grande que os olhos, a boca e tudo mais sejam lançados à insignificância. Um desenho assim é caricatura, não retrato. Do mesmo modo, certas doutrinas importantes do evangelho podem ser proclamadas com tal excesso que se lança o restante da verdade à sombra, e a pregação já não é o evangelho em sua beleza natural, mas uma caricatura do evangelho. Contudo, deixem-me dizê-lo, algumas pessoas parecem fortemente apegadas a essa caricatura. O Espírito de Deus lhes ensinará o emprego da faca sacrificial para dividir as ofertas. E lhes mostrará como usar as balanças do santuário, para pesarem e misturarem as preciosas especiarias em quantidades certas. Todo pregador experimentado sente que esse é o momento supremo, e bom será que seja capaz de resistir à tentação de negligenciá-lo. Que lástima, alguns dos nossos ouvintes não desejam ouvir todo o conselho de Deus! Têm as suas doutrinas favoritas e gostariam de fazer-nos calar em tudo mais. Muitos são como a escocesa que, depois de ouvir um sermão, disse: "Estaria muito bem, se não fosse aquela droga de deveres no fim." Há irmãos dessa espécie. Desfrutam da parte consoladora - as promessas e as doutrinas - mas só de leve se deve tocar na santidade prática. A fidelidade requer que entreguemos o evangelho sob todos os ângulos, sem omitir nada e sem exagerar em nada. Para isto requer-se muita sabedoria. Com seriedade indago se algum de nós tem o tanto desta sabedoria que necessitarmos. Provavelmente somos afligidos por algumas parcialidades inescusáveis e inclinações injustificáveis. Ponhamo-las para fora e acabemos com elas. Talvez tenhamos consciência de que passamos por alto certos textos, não porque não o compreendemos (o que poderia justificar-se), mas porque os compreendemos e raramente gostamos de dizer o que eles rios ensinaram, ou porque talvez haja alguma imperfeição em nós, ou algum preconceito entre os nossos ouvintes que aqueles textos revelariam de modo demasiado claro para que nos sentíssemos bem. Esse silêncio pecaminoso tem que ser eliminado imediatamente. Para sermos sábios mordomos e repartirmos as porções certas de alimento para os membros da casa do divino Senhor, precisamos do Teu ensino, ó Espírito de Deus!

Tampouco isso é tudo, pois mesmo que saibamos manejar bem a Palavra de Deus, carecemos de sabedoria para a seleção da porção particular da verdade que é mais aplicável à ocasião e às pessoas reunidas. Como também de igual discrição no tom e na maneira de apresentar a doutrina. Creio de muitos irmãos que pregam sobre a responsabilidade humana, lançam-se de modo tão legalista que causam desgosto a todos os que amam as doutrinas da graça. Por outro lado, receio que muitos pregam a soberania de Deus de modo tal que afastam inteiramente da ala calvinista todas as pessoas que crêem na livre ação do homem. Não devemos ocultar a verdade por um momento sequer, mas devemos ter sabedoria para pregá-la sem que haja choque ou ofensa, e, sim, um esclarecimento gradativo daqueles que não conseguem vê-ia de todo, e um processo pelo qual se conduzam os irmãos mais fracos ao pleno círculo da doutrina do evangelho.

Irmãos, precisamos de sabedoria também no modo de colocar as coisas para diferentes pessoas. Pode-se demolir um ser humano com a mesma verdade destinada a edificá-lo. Pode-se causar enjôo a alguém com o mel com que se pretendia adoçar-lhe a boca. Tem-se pregado a grande misericórdia de Deus sem cuidado, o que tem levado centenas à licenciosidade. Por outro lado, tem-se ocasionalmente apregoado a terribilidade do Senhor com violência tão fulminante que tem levado muitos ao desespero, e daí a um decidido desafio ao Altíssimo. A sabedoria é proveitosa para dirigir, e aquele que a tem expõe a verdade na ocasião certa e trajada com as suas vestes mais apropriadas. Quem pode dar-nos esta sabedoria, senão o bendito Espírito de Deus? Irmãos, vejam que, com a mais humilde reverência, esperem a Sua direção.


3. Terceiro, precisamos do Espírito doutra maneira, a saber, como a brasa viva tirada do altar, tocando os nossos lábios.

Assim, quando temos conhecimento e sabedoria para escolher a porção certa da verdade, podemos desfrutar liberdade de expressão quando vamos entregá-la. "Eis que ela tocou os teus lábios." Quão gloriosamente fala o homem quando os seus lábios estão empolados pela brasa viva do altar - sentindo o poder de fogo da verdade, não apenas no recôndito da alma, mas nos próprios lábios com os quais está falando! Reparem nessas ocasiões como estremece a sua fala. Não notaram agora mesmo, na reunião de oração, em dois dos irmãos que elevaram súplicas, como era trêmulo o tom da sua voz, e como tremiam as estruturas dos seus corpos? Porque não somente os seus corações foram tocados, como espero tenham sido todos os outros corações, mas os seus lábios foram tocados, e esse tocar fluiu em seu falar. Irmãos, precisamos do Espírito de Deus para abrir as nossas bocas, para podermos proclamar os louvores do Senhor, ou então não falaremos com poder.

Necessitamos da influência divina para impedir que digamos muitas coisas que, caso saíssem de fato das nossas línguas, estragariam a nossa mensagem. Aqueles dentre nós que têm o perigoso talento para o humorismo, às vezes precisam parar, pegar a palavra ao sair da boca, olhar bem para ela, e ver se presta bem para a edificação. E aqueles cujo viver anterior os conduziu entre os grosseiros e rudes, precisam vigiar com olhos de lince a falta de delicadeza. Longe de nós, irmãos, dizer uma sílaba que sugira um pensamento impuro ou que desperte uma lembrança duvidosa. Precisamos do Espírito de Deus para pôr freio e cabresto em nós para impedir que falemos coisas que levem a mente dos ouvintes para longe de Cristo e das realidades eternas, fazendo-os pensar em coisas vis da terra.

Irmãos, também precisamos do Espírito Santo para nos impulsionar, em nossa tarefa de comunicar a Palavra. Não duvido que vocês estejam todos conscientes dos diferentes estados mentais que ocorrem na pregação. Alguns desses estados decorrem das diferentes condições físicas. Um resfriado não só tira a clareza da voz, mas também congela o fluxo dos pensamentos. Da minha parte, se eu não posso falar com clareza, também fico incapaz de pensar com clareza, e o conteúdo a transmitir fica rouco também, como a voz. Igualmente o estômago e todos os órgãos do corpo afetara a mente. Mas não me refiro a essas coisas. Terão vocês consciência das alterações completamente independentes do corpo? Quando estão robustos, não se sentem um dia pesados como os carros de Faraó cora as rodas retiradas, e noutra ocasião com tanta liberdade como "uma corça deixada solta"? Hoje o ramo brilha com o orvalho, ontem foi crestado pela seca. Quem não sabe que o Espírito de Deus está nisso tudo? Às vezes o Espírito divino age em nós de molde a livrar-nos completamente de nós mesmos. Em tais ocasiões, do começo ao fim do sermão podíamos dizer: "Se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe". Tudo foi esquecido, menos certo absorvente assunto em mãos. Se me fosse proibido entrar no Céu, mas me fosse dado escolher a condição em que passarei a eternidade, escolheria aquela em que às vezes me sinto quando prego o evangelho. Nesse estado presencio o Céu: a mente cerrada para todas as influências perturbadoras, adorando o majestoso Deus, com plena consciência de Sua presença, todas as faculdades elevadas e jubilosamente cheias de vigor no máximo de sua capacidade, todos os pensamentos e poderes da alma alegremente ocupados em contemplar a glória do Senhor e exaltando com as multidões atentas o Bem-amado da nossa alma; e durante todo esse intervalo, a mais pura benevolência concebível para com as demais criaturas a incentivar o coração a pleitear com elas em prol do nome de Deus - que estado mental pode rivalizar-se com este? Pena é que alcançamos este ideal, porém, sem o podermos manter sempre, pois também sabemos o que é pregar em cadeias ou dar murros no ar.

Não podemos atribuir santas e felizes mudanças ocorridas em nosso ministério a nada menos que a ação do Espírito Santo em nossas almas. Estou certo de que o Espírito Santo realiza esta obra. Vezes sem conta, quando me assaltam dúvidas sugeridas pelo infiel, posso arremessá-las aos ares com total desdém, porque tenho definida consciência de um poder que opera em mim quando fato em nome do Senhor, poder que transcende infinitamente a qualquer capacidade ou eloqüência pessoal, e que sobrepuja em muito qualquer energia derivada do entusiasmo que sinto quando faço uma preleção secular ou um discurso. Aquele poder é tão diferente deste, que tenho toda a certeza de que não é da mesma ordem ou classe do entusiasmo dos políticos ou do ardor da oratória pura e simples. Oxalá experimentemos com muita freqüência a energia divina, e falemos com poder.


4. Mas então, em quarto lugar, o Espírito de Deus age também como óleo que unge, e isto se relaciona com todo o trabalho da pregação - não simplesmente com a alocução oral, mas com toda a transmissão do discurso.

Ele pode fazê-los sensíveis ao assunto, até ao ponto de ficarem dominados por ele, quer achatados na terra, quer elevados às alturas como em asas de águias. Acresce que, além do assunto, Ele os faz sensíveis ao seu objeto, até anelarem pela conversão dos homens e pelo despertamento dos cristãos, para que se elevem a algo mais nobre do que tudo que já conhecem. Ao mesmo tempo, outro sentimento estará com vocês, a saber, um intenso desejo de que Deus seja glorificado mediante a verdade que estão proclamando. Vocês ficam conscientes de um profundo e compassivo interesse pelas pessoas a que estão falando, lamentando que alguns saibam pouco, e que outros saibam muito e, contudo, o recusam. Vocês fitam alguns semblantes e, em silêncio, o seu coração lhes diz: "Ali cai orvalho", e, voltando-se para outros, com tristeza percebem que são como as partes áridas da montanha de Gilboa.

Tudo isto se dá durante o sermão. Não podemos contar quantos pensamentos passam pela mente de uma vez. Uma vez contei oito grupos de pensamentos que ocupavam o meu cerébro simultaneamente, ou ao menos dentro do espaço do mesmo segundo. Estava pregando o evangelho com todas as minhas forças, mas não pude deixar de sensibilizar-me por uma senhora que estava evidentemente prestes a desmaiar, e também fiquei procurando o irmão encarregado das janelas, para que nos desse mais ar. Estava pensando na ilustração que omitira na primeira divisão, procurando dar forma à segunda divisão, perguntando-me se este sentira o peso da minha reputação, se aquele se fortalecera com a observação consoladora, e ao mesmo tempo estava louvando a Deus por desfrutar eu pessoalmente da verdade que estava proclamando. Alguns intérpretes consideram os querubins de quatro rostos como emblemas dos ministros. Eu certamente não vejo dificuldade na forma quádrupla, pois o Espírito Santo pode multiplicar os nossos estados mentais, e fazer de nós homens muito superiores além do que somos por natureza. O quanto pode Ele fazer de nós, e quão grandiosamente pode elevar-nos, não ouso conjeturar. Certamente Ele pode fazer muitíssimo acima do que pedimos ou pensamos.

Especialmente faz parte da obra do Espírito Santo manter em nós uma disposição devocional enquanto estamos entregando a mensagem. Esta é uma condição que se deve ambicionar grandemente - continuar a orar enquanto estamos ocupados com a prédica; cumprir os mandamentos do Senhor, dando ouvidos à voz da Sua Palavra; manter os olhos postos no trono, e as asas em constante movimento. Espero que saibamos o que isto significa. Estou certo de que sabemos o seu oposto, ou de que logo o experimentaremos, isto é, o mal de pregar sem espírito de devoção. Que pode ser pior do que falar sob a influência de um espírito arrogante ou irritado? Que é mais debilitante do que pregar num espírito incrédulo? Por outro lado, que bênção arder fervorosamente enquanto brilhamos diante dos olhos de outros! Esta é a obra do Espírito de Deus. Adorável Consolador, opera em nós!

Em nossos púlpitos precisamos unir o espírito de dependência com o de devoção, de modo que, durante a pregação toda, desde a primeira palavra até a última sílaba, olhemos ao alto para o Forte em busca de força. E bom lembrar que, embora tivessem chegado até o presente ponto, se o Espírito Santo os deixasse, fariam papel de tolos antes de acabar o sermão. Elevando os olhos para os montes de onde vem o socorro durante o sermão inteiro, com absoluta dependência de Deus, vocês pregarão com espírito de bravia confiança o tempo todo. Talvez eu esteja errado ao dizer "bravia", pois não é coisa bravia confiar em Deus; para os verdadeiros crentes é simples questão de doce necessidade - como podem deixar de confiar nEle? Por que haveriam de duvidar do seu Amigo sempre fiel?

Outro dia de manhã, pregando à minha igreja sobre o texto, "A minha graça te basta", disse aos irmãos que pela primeira vez em minha vida tinha experimentado o que Abraão sentiu quando se inclinou sobre o seu rosto e riu. Voltava para casa depois de uma semana de trabalho intenso, quando veio à minha mente o texto: "A minha graça te basta." Veio, porém, com a ênfase posta em duas palavras: "A Minha graça te basta." Minha alma disse: "Sem dúvida é assim. Seguramente, a graça do Deus infinito é mais que suficiente para um simples inseto como eu." E ri, e tornei a rir, ao pensar em quanto o suprimento excedia a todas as minhas necessidades. Parecia que eu era um pequeno peixe no mar, e na minha sede dizia: "Viva, vou beber o oceano inteiro." Então o Pai das águas ergueu sublime a cabeça e disse a sorrir: "Pequenino peixe, a ilimitada vastidão marina te basta." Este pensamento fez com que a descrença parecesse supinamente ridícula, como de fato é.

Irmãos, devemos pregar cientes de que Deus pretende abençoar a Palavra proclamada, pois temos Sua promessa neste sentido. E ao termos pregado, devemos procurar as pessoas atingidas pela bênção. Dirão vocês: "Fico dominado pelo espanto ao ver que Deus converte almas por meio do meu pobre ministério"? Falsa humildade! O seu ministério é pobre de verdade. Toda gente sabe disso, e vocês devem sabê-lo mais que ninguém. Mas, ao mesmo tempo, é coisa para espantar que, o Deus que disse: "A minha palavra não voltará para mim vazia", cumpra o que prometeu? A refeição irá perder o seu valor nutritivo porque o prato é barato? A graça divina haverá de ser sobrepujada por nossa fraqueza? Não. Mas temos este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não nossa.

Precisamos ainda do Espírito Santo durante o sermão todo para manter os nossos corações e mentes em condição apropriada. Sim, porque, se não tivermos o espírito certo perderemos a entonação que persuade e prevalece, e o povo descobrirá que a força de Sansão o deixou. Uns pregam como quem está ralhando, e assim põem à mostra o seu mau gênio. Outros se pregam a si próprios, e assim revelam o seu orgulho. Alguns discursam como se estivessem condescendendo em ocupar o púlpito, enquanto outros pregam como se estivessem pedindo desculpa por existirem. Para evitar erros nas maneiras e no tom da prédica, precisamos ser guiados pelo Espírito Santo, posto que só Ele nos ensina com proveito


5. Em quinto lugar, dependemos inteiramente do Espírito de Deus para produzir efeito concreto decorrente do evangelho, o que deve sempre constituir o nosso objetivo.

Não nos levantamos em nossos púlpitos a fim de desfraldar a nossa habilidade na esgrima esportiva da espada espiritual, mas, sim, para empreender luta de verdade. O objeto que temos em mira é fazer a espada do Espírito traspassar o coração dos homens. Se em algum sentido se pode pensar na pregação como uma exibição pública, há de ser como a exibição do jogo do cultivo, que consiste em cultivar realmente a terra. A competição não está na aparência dos arados, mas no trabalho feito. Dessa forma sejam julgados os ministros pelo modo como manejam o arado do evangelho, e como sulcam o solo da lavoura, de ponta a ponta.

Sempre visem ao efeito. "Ora", dirá alguém, "entendi que você teria dito: "Nunca faça isso." Digo também que nunca visem ao efeito, no sentido infeliz dessa expressão. Nunca visem ao efeito segundo o modo dos artífices de clímax, dos declamadores de poesia, dos manipuladores de lenços, e dos sopradores de palavrório bombástico. Para o homem que degrada o púlpito reduzindo-o a um palco de teatro para exibir-se, muito melhor que não tivesse nascido. Visem à correta espécie de efeito: inspirar os crentes para coisas mais nobres; levá-los para mais perto do seu Senhor; fortalecer os que vacilam até que se livrem dos seus temores; levar os pecadores ao arrependimento e ao exercício da fé incondicional em Cristo. Sem que se sigam estes sinais, para que servem os nossos sermões? Seria uma lástima dizer com certo arcebispo: "Passei por muitas posições de honra e de confiança, tanto na igreja como no estado, mais do que qualquer colega da minha ordem na Inglaterra, durante os últimos setenta anos. Mas se tivesse a certeza de que, por minha pregação, ao menos uma alma tivesse sido convertida a Deus, teria nisso maior consolo do que em todos os honrosos ofícios que me deram." Milagres da graça devem constituir os selos do nosso ministério. Quem pode dá-los, senão o Espírito de Deus? Converter uma alma sem, o Espírito de Deus! Ora, vocês não podem nem fazer um inseto. Muito menos criar um novo coração e um espírito reto. Tentem conduzir os filhos de Deus a uma vida mais elevada, sem o Espírito Santo. É indizivelmente mais provável que os levem à segurança carnal, se procurarem elevá-los por seus próprios métodos, sejam estes quais forem. Não poderemos alcançar os nossos fins se omitirmos a cooperação do Espírito do Senhor. Portanto, com forte clamor e lágrimas, ponham nEle a sua esperança, dia a dia.

A falta de reconhecimento definido do poder do Espírito Santo jaz na raiz de muitos ministérios vãos. As violentas palavras de Robert Hall são tão verdadeiras agora como quando as esparramou como lava derretida sobre uma geração semi-sociniana. "Por um lado, merece atenção o fato de que os mais eminentes e bem sucedidos pregadores do evangelho - um Brainerd, um Baxter, um Schwartz - foram os mais notáveis pela simples dependência em que se colocavam do auxílio espiritual. Por outro lado, nenhum sucesso acompanhou as ministrações daqueles que têm negligenciado ou negado esta doutrina. Estes encontraram a maior censura à sua presunção no total fracasso dos seus esforços, em que ninguém lutara pela realidade da interferência divina, no que a eles se refere; pois, quando o braço do Senhor se revela àqueles pretensos mestres do cristianismo, quem acreditará que não haja tal braço? Foi preciso deixá-los trabalhar num campo a respeito do qual Deus ordenou que não caísse chuva nele. Como se conscientes disso, por último voltaram os seus esforços para um novo canal e, sem esperança de conversão de pecadores, limitaram-se à sedução dos fiéis. Nisto, é preciso confessar, eles têm agido de modo perfeitamente coerente com os seus princípios. Pois que, ao menos, a propagação da heresia não requer a assistência divina."


6. Em seguida, necessitamos do Espírito de Deus como o Espírito de súplicas, que faz intercessão pelos santos de acordo com a vontade de Deus.

Uma parte muito importante da nossa vida consiste em orar no Espírito Santo, e o ministro que não pensa assim, melhor seria que abandonasse o ministério. É preciso que abundante oração acompanhe a pregação zelosa. Não podemos estar sempre de joelhos fisicamente, mas a alma jamais deve abandonar a postura da devoção. O hábito de orar é bom, mas o espírito de oração é melhor. Deve-se manter o retiro periódico, mas a contínua comunhão com Deus deve ser o nosso objetivo. Em regra, nós ministros, nunca devemos ficar muitos minutos sem erguer de fato os nossos corações em oração. Alguns de nós poderíamos dizer com sinceridade que raramente passamos um quarto de hora sem falar com Deus, e isto não como dever, mas como instinto, como um hábito da nova natureza pelo qual não reclamamos maior crédito do que o bebê por chorar em busca da mãe. Como poderíamos agir doutro modo? Agora, se devemos estar intensamente no espírito de oração, temos necessidade de que o óleo secreto seja derramado no fogo sagrado da devoção dos nossos corações. Oxalá queiramos ser mais e mais visitados pelo Espírito de graça e de súplicas.

Quanto às nossas orações em público, queira Deus que nunca digam com verdade que elas são oficiais, formais e frias. Contudo, é o que serão se o suprimento do Espírito for deficiente. Não julgo os que usam liturgia. Mas aos que estão acostumados a fazer oração espontânea, digo - vocês não podem orar em público de modo aceitável, ano após ano, sem o Espírito de Deus. As orações mortas serão ofensivas ao povo muito antes de correr um ano. Como há de ser, então? De onde virá o nosso socorro? Certos fracotes dizem: "Tenhamos liturgia!" Em vez de procurar o auxílio divino, descem ao Egito, em busca de socorro. Em vez de colocar-se na dependência do Espírito de Deus, vão orar seguindo um livro! De minha parte, quando não consigo orar, prefiro estar ciente disso e ficar gemendo por causa da aridez da minha alma, até que o Senhor me visite com a bênção de uma devoção frutífera.

Se vocês estiverem cheios do Espírito Santo, lançarão fora com alegria todos os grilhões formais para se entregarem à corrente sagrada e serem levados até encontrarem águas profundas. Às vezes gozarão mais íntima comunhão com Deus pela oração no púlpito do que em qualquer outro lugar. Quanto a mim, a minha mais grandiosa hora secreta de oração muitas vezes dá-se em público. A minha mais genuína experiência de estar a sós com Deus tem-me ocorrido enquanto elevo súplicas em meio a milhares de pessoas. Abro os olhos no fim de uma oração e volto ao povo reunido com uma espécie de choque ao ver que me acho na terra, entre os homens. Essas ocasiões não estão sob o nosso comando. Tampouco podemos elevar-nos a essas condições mediante quaisquer adestramentos ou esforços. Nenhuma língua pode descrever quão benditas são para o ministro e para os demais irmãos essas condições! Quão repleta de poder e de bênçãos há de ser também a prática habitual da oração não posso deter-me aqui para proclamar. Mas para isso tudo temos que elevar os olhos para o Espírito Santo. E, louvado seja Deus, não olharemos em vão, pois dEle se diz especificamente que Ele ajuda as nossas fraquezas na oração.


7. Além do mais, é importante estar sob a influência do Espírito Santo, uma vez que Ele é o Espírito de Santidade.

Sim, porquanto uma parte muito considerável e essencial do ministério cristão consiste em servir de exemplo. Nossa gente observa com muita atenção o que dizemos do púlpito e o que fazemos na esfera social e em tudo mais. Meus irmãos, acham fácil ser santos? - santos que outros possam considerar como exemplos? Devemos ser maridos tais, que todos os maridos da igreja possam ser como somos, sem risco. É assim conosco? Devemos ser os melhores pais. Lástima! Alguns ministros que conheço estão longe disto pois, com referência às suas famílias, guardam bem as vinhas alheias, porém não guardam bem as suas. Seus filhos são negligenciados e não crescem como semente santa. É assim com os seus? Nas conversas com os nossos semelhantes, somos inculpáveis e inofensivos, como filhos de Deus irrepreensíveis? É o que nos cabe ser. Respeito as razões pelas quais o sr. Whitefield mantinha sempre o terno de linho escrupulosamente limpo. "Não, não", costumava dizer, "isto não é ninharia. O ministro não deve ter mancha, nem mesmo em sua roupa, se possível."

Não há como exagerar a pureza num ministro. Vocês conhecem algum colega infeliz que apareceu salpicado, e afetuosamente o ajudaram a remover as manchas, mas perceberam que teria sido melhor se as roupas estivessem alvas sempre. Oh, mantenham-se imaculados do mundo! Como pode ser assim estando nós num cenário de tentação e vivendo cercados de pecados? Somente se formos preservados por um poder superior. Se vocês hão de andar em toda a santidade e pureza, como convém aos ministros do evangelho, devem ser diariamente enchidos do Espírito Santo.


8. Uma vez mais, precisamos do Espírito Santo em Sua qualidade de Espírito de discernimento, pois Ele conhece as mentes dos homens como conhece a de Deus, e necessitamos muito disto quando lidamos com personalidades difíceis.

Há neste mundo alguns indivíduos que talvez pudessem receber permissão para pregar, mas que nunca deveríamos tolerar que se tornassem pastores. São desqualificados mental ou espiritualmente. Na igreja de São Zeno, em Verona, vi uma estátua daquele santo, representando-o sentado. O artista lhe deu pernas acima dos joelhos tão curtas que ficou sem colo para abrigar crianças, de modo que ele não poderia ser um pai bom para aconchegar os filhos. Receio que haja muitos outros que trabalham com semelhante falta de habilitação. Não podem levar a sua mente a entrar de coração nos cuidados pastorais. São capazes de dogmatizar sobre uma doutrina e de polemizar sobre uma ordenança, mas, entrar em compassiva empatia com uma experiência alheia está longe deles. Uma pessoa assim só pode prestar frio consolo às consciências aflitas. Seu conselho terá o mesmo valor do conselho dado pelo montanhês escocês que, segundo contam, viu um inglês afundando num pântano em Ben Nevis. "Estou afundando!", gritou o viajor. "Você pode dizer-me como sair daqui?" O montanhês calmamente replicou: "Acho que é provável que você não vá conseguir sair daí nunca", e seguiu seu caminho. Conhecemos ministros dessa laia. Ficam confusos e quase perdem a paciência com os pecadores, lutando à beira do desânimo. Se eu e você, despreparados para a arte do pastoreio, fôssemos colocados entre ovelhas e cordeiros no início da primavera, que haveríamos de fazer com eles? Na mesma perplexidade se acham os que nunca foram ensinados pelo Espírito Santo sobre a maneira de cuidar das almas. Oxalá as Suas instruções nos livrem de tão desditosa incompetência!

Sobretudo, irmãos, por mais ternura de coração ou amorosa preocupação que tenhamos, não saberemos tratar da imensa variedade de casos, a não ser que o Espírito de Deus nos dirija, pois não existem dois indivíduos iguais. E mesmo um caso idêntico a outro requererá tratamento diferente em diferentes ocasiões. Num período poderá ser melhor consolar, noutro repreender. E a pessoa de quem você se compadeceu empaticamente até às lágrimas hoje, talvez necessite que a enfrente com olhar carrancudo amanhã, por dizer tolices da consolação que você lhe deu. Os que curam os quebrantados de coração e proclamam libertação aos cativos precisam ter sobre si o Espírito do Senhor.

Na supervisão e direção de uma igreja é necessário o auxílio do Espírito. No fundo, o principal motivo da divisão de nossa denominação está na dificuldade proveniente do nosso governo eclesiástico. Tem-se dito que "tende à intranqüilidade do ministério." Sem dúvida, é muito penoso para quem suspira pelas dignidades oficiais e sente necessidade de ser o Excelentíssimo Senhor Oráculo, diante de quem até um cachorro fica proibido de latir. Os incapazes de dirigir algo além de bebês são justamente as pessoas que têm maior sede de autoridade e, vendo-se mal aquinhoados dela nestas partes, procuram outras regiões. Se você não pode governar-se a si próprio, se não é varonil e independente, se não é superior quanto ao peso moral, se não tem maior dom e graça do que os seus ouvintes comuns, poderá vestir uma toga e ter a pretensão de ser o líder da igreja - mas, não numa igreja de governo batista ou neotestamentário. De minha parte, detestaria ser pastor de pessoas que nada têm que dizer, ou que, se chegam a dizer algo, bem podiam ter ficado caladas, pois o pastor é Sua Excelência, o Soberano, e os demais são leigos - cada qual um João-ninguém. Preferiria antes ser líder de seis homens livres, cujo entusiástico amor fosse o meu único poder sobre eles, do que bancar ditador de uma vintena de nações escravizadas.

Que posição é mais nobre do que a do pai espiritual que não se arroga autoridade e, todavia, é estimado por todos, e cuja palavra é dita apenas como terno conselho mas é recebida como tendo força de lei? Ao consultar os desejos de outros, vê que o primeiro desejo deles é saber o que ele recomenda e, cedendo sempre aos desejos de outros, vê que se alegram em ceder aos seus. Amorosamente firme e generosamente gentil, é o chefe de todos porque é servo de todos. Isto não requer sabedoria do Alto? Que poderia ter maior necessidade dela? Quando Davi se estabeleceu no trono, disse: "E Ele que submete a mim o meu povo." E assim pode falar todo feliz pastor quando vê tantos irmãos de temperamentos diversos querendo alegremente estar sob disciplina e aceitar a sua liderança na obra do Senhor. Se o Senhor não estivesse entre nós, logo haveria confusão. Ministros, diáconos e presbíteros, todos precisam ser sábios, mas se o pombo sagrado parte, e o espírito de contenda entra, é o fim para nós. Irmãos, o nosso sistema não funcionará sem o Espírito de Deus, e me alegra que não funcione, pois as suas paralisações e suas roturas chamam a nossa atenção para o fato da Sua ausência. Nunca se teve a intenção de que o nosso sistema promovesse a glória de sacerdotes e pastores, mas é planejado para educar cristãos varonis, que não releguem a sua fé à segundo plano. Que sou eu, e que são vocês, para que devamos ser senhores dominando a herança de Deus? Algum de nós se atreverá a dizer com o rei francês, "L état, c'est moi" - o estado sou eu" - eu sou a pessoa mais importante da minha igreja? Se for assim, não é provável que o Espírito Santo faça uso desses instrumentos inadequados. Mas se conhecemos os nossos lugares e desejamos conservá-los com toda a humildade, Ele nos ajudará, e as igrejas florescerão sob os nossos cuidados.

Dei-lhes um alongado catálogo de pontos nos quais o Espírito Santo nos é absolutamente necessário. Contudo, a lista está muito longe de ser completa. Deixei-a intencionalmente imperfeita porque, se eu tentasse completá-la, todo o nosso tempo expiraria antes de podermos responder a pergunta: Como Podemos Perder Esta Assistência Necessária?

Que nenhum de nós jamais faça esta experiência, mas é certo que os ministros podem perder o auxílio do Espírito Santo. Cada pessoa aqui presente pode perdê-lo. Vocês não perecerão, uma vez que são crentes, porque a vida eterna está em vocês. Podem, porém, perecer como ministros, de quem não se ouça mais falar que são testemunhas em prol do Senhor. Se suceder isso, não será sem motivo. O Espírito reclama soberania semelhante à do vento que sopra onde quer. Entretanto, jamais sonhemos que soberania e capricho são a mesma coisa. O bendito Espírito age como quer, mas sempre de modo justo, sábio, e com motivo e razão. Às vezes Ele dá ou retira a Sua bênção, por razões relativas a nós mesmos. Notem o curso de um rio como o Tâmisa - como torce e retorce a seu bel prazer. Contudo, há razão para cada volta ou curva. O geólogo, estudando o solo e observando a forma da rocha, vê a razão pela qual o leito do rio se desvia para a direita ou para a esquerda. Assim, apesar de que o Espírito de Deus abençoa um pregador mais que outro, e a razão não pode ser tal que algum homem possa congratular-se consigo por sua própria bondade, todavia há certas coisas concernentes aos ministros cristãos que Deus abençoa, e certas outras coisas que impedem o bom êxito. O Espírito de Deus cai como o orvalho, com mistério e poder. Mas, no mundo espiritual é como no mundo natural: certas substâncias se molham com a umidade celestial, ao passo que outras estão sempre secas.

Porventura não existe uma causa? O vento sopra onde quer, mas se desejamos sentir uma forte viração, temos que ir ao mar ou subir as colinas. O Espírito de Deus tem lugares favoritos para a demonstração do Seu poder. Ele é simbolizado por uma pomba, e a pomba tem os seus retiros preferidos. Freqüenta as correntes de águas, os lugares pacíficos e calmos. Não a encontramos no campo de batalha, nem a vemos pousar na carniça. Há coisas congruentes com o Espírito e coisas contrárias à Sua mente. O Espírito de Deus compara-se com a luz. A luz pode brilhar onde quiser, mas uns corpos são opacos, enquanto que outros são transparentes. Assim, há homens através dos quais nunca aparece o Seu brilho. Portanto, deste modo se pode demonstrar que, embora o Espírito Santo seja o "livre Espírito" de Deus, de modo nenhum age por capricho.

Entretanto, diletos irmãos, o Espírito de Deus pode ser entristecido. contrariado, e pode mesmo sofrer resistência. Negar isto é opor-se ao testemunho freqüente da Escritura. Pior de tudo, podemos menosprezá-lo e insultá-lo a tal ponto que Ele não fale mais por nosso intermédio, mas nos deixe como deixou o rei Saul antigamente. Seria lamentável se existissem homens no ministério cristão aos quais sucedesse isto; temo, porém, que existam.

Irmãos, quais serão os males que entristecem o Espírito? Respondo: tudo que vos desqualifique como cristãos comuns para a comunhão com Deus também vos desqualifica para experimentarem o poder extraordinário do Espírito Santo como ministros. A parte disso, porém, há obstáculos especiais.

Dentre os primeiros, devemos mencionar a falta de sensibilidade, ou seja, aquele estado de frieza emocional que nasce da desobediência às ternas influências do Espírito. Devemos ser delicadamente sensíveis ao Seu mais leve movimento, e então poderemos esperar a Sua presença em nós. Mas, se somos como o cavalo e a mula que não têm entendimento, segundo a expressão bíblica, sentiremos o chicote, mas não desfrutaremos das ternas influências do Consolados.

Outro defeito entristecedor é a falta de veracidade. Quando um grande músico pega um violão ou toca harpa e vê que as notas falseiam, detém a mão. As almas de alguns homens não são sinceras. Eles são sofisticados e hipócritas. O Espírito de Cristo não será cúmplice de homens aplicados à desprezível ocupação de iludir e enganar. Será este o caso aqui - que vocês preguem certas doutrinas, não porque crêem nelas, mas porque a sua igreja espera que as preguem? Estarão vocês dando tempo ao tempo até poderem, sem risco, renunciar ao seu credo atual e apregoar o que a sua mente covarde realmente sustenta ser verdadeiro? Neste caso vocês são decaídos de fato, e estão abaixo dos escravos mais indignos. Deus nos livre dos homens traiçoeiros, e se estes chegam a formar em nossas fileiras, oxalá sejam rapidamente expulsos ao som da Marcha do Velhaco (Rogue's March). Se nós sentimos aversão por eles, quanto mais os detestará o Espírito da verdade!

Vocês poderão contristar grandemente o Espírito Santo com uma geral escassez de graça. A frase é temível, mas descreve certas pessoas melhor do que todas as outras que me ocorrem. A família Graça-Escassa geralmente tem um dos seus membros no ministério. Conheço o tipo. Não é insincero nem imoral, não tem mau gênio nem é auto-indulgente, mas algo lhes falta. Não seria fácil provar essa ausência por meio de alguma ofensa ostensiva de sua parte. O que lhe falta, porém, falta à sua personalidade toda, e essa carência arruína tudo. Falta-lhe aquilo que por excelência é necessário. Ele não é espiritual. Não há nele o aroma de Cristo. O seu coração nunca se inflama no seu interior. Sua alma não vive. Falta-lhe a graça. Não podemos esperar que o Espírito de Deus abençoe um ministério que jamais devia ter sido exercido, e certamente um ministério não revestido da graça é dessa natureza.

Outro mal que expulsa o Espírito divino é o orgulho. O modo de ser bem grande consiste em ser bem pequeno. Ser muito notável em sua própria estima é não ser notado por Deus. Se você tem profunda necessidade de viver nos lugares elevados da Terra, achará frios e áridos os pontos culminantes das montanhas. O Senhor habita com os humildes, mas de longe conhece o soberbo.

A preguiça também contraria o Espírito Santo. Não posso imaginar o Espírito esperando à porta do mandrião, e suprindo às deficiências criadas pela indolência. A ociosidade na causa do Redentor é um mal para o qual não se pode inventar desculpa. Nós mesmos sentimos arrepios ao vermos os movimentos vagarosos dos preguiçosos, e estejamos certos de que o Espírito Santo, ativo como é, fica igualmente contrariado com os que agem levianamente na obra do Senhor.

A negligência na oração particular, como muitos outros males, produzirá o mesmo resultado infeliz. Todavia, não é preciso alongar o assunto, pois as suas próprias consciências, irmãos, lhes dirão o que entristece o Santo de Israel.

Agora lhes rogo que atentem para esta palavra: Vocês sabem o que poderá acontecer se o Espírito de Deus for grandemente contristado e retirar-se de nós? Há duas suposições.

A primeira é que nunca fomos verdadeiros servos de Deus, mas apenas usados temporariamente por Ele, como Balaão, e até a jumenta cavalgada por ele. Suponhamos, irmãos, que eu e vocês continuemos pregando por um tempo sem que nem nós nem outros suspeitemos que fomos destituídos do Espírito de Deus. Todo o nosso ministério pode acabar-se de um golpe, e nós com ele. Talvez sejamos derribados na primavera, como aconteceu com Nadabe e Abiú, para não mais ministrarmos perante o Senhor, ou talvez sejamos removidos nos anos do amadurecimento, como Hofni e Finéias, não podendo continuar servindo no tabernáculo da congregação. Não temos nenhum analista inspirado que nos registre a súbita eliminação de homens que prometem muito. Se o tivéssemos, porém, talvez lêssemos aterrorizados - sobre zelo sustentado por bebidas fortes, sobre farisaísmo associado a corrupção secreta, sobre ortodoxia declarada ocultando infidelidade absoluta, ou sobre alguma outra forma de fogo estranho apresentado no altar, até que o Senhor não o suporte mais e elimine os ofensores com repentino golpe. Caberá a algum de nós essa terrível condenação?

É uma pena, mas vi alguns que, como Saul, foram abandonados pelo Espírito Santo. Está escrito que o Espírito de Deus veio sobre Saul. Entretanto, ele não foi fiel à influência divina, esta o deixou, e um espírito mau lhe tomou o lugar. Notem como o pregador de quem o Espírito se retirou banca jeitosamente o cínico, critica todos os demais, arremessa o dardo da calúnia a alguém melhor do que ele. Saul esteve uma vez entre os profetas, mas se sentia mais à vontade entre os perseguidores. O pregador frustrado procura destruir o verdadeiro evangelista, recorre aos encantos da filosofia, e busca o auxílio de heresias mortas, mas o seu poder se foi e logo os filisteus o encontrarão entre os mortos. "Não o noticieis em Gate, nem o publiqueis nas ruas de Ascalom... Vós, filhas de Israel, chorai por Saul...Como caíram os valentes no meio da peleja!"

Também alguns que foram abandonados pelo Espírito de Deus se tornaram semelhantes aos filhos de Ceva, um judeu. Estes presunçosos tentaram expulsar demônios em nome de Jesus, a quem Paulo pregava, mas os demônios saltaram sobre eles e o subjugaram. Assim, enquanto certos pregadores pregavam contra o pecado, os próprios vícios que denunciavam os derrotaram. Os filhos de Ceva têm estado entre nós. Os demônios da bebedice prevaleceram sobre o próprio indivíduo que denunciava o cálice fascinante, e o demônio da impureza saltou sobre o pregador que aplaudia.a castidade. Se o Espírito Santo estiver ausente, de todas as posições a nossa é a mais perigosa. Cautela, pois!

É lamentável, me s alguns ministros ficaram como Balaão. Era um profeta, não era? Não falava em nome do Senhor? Não se lhe chamou "homem de olhos abertos... que tem a visão do Todo-poderoso"? Apesar disso, Balaão lutou contra Israel e com astúcia arquitetou um plano pelo qual o povo escolhido poderia ser vencido. Ministros do evangelho há que se tornaram súditos do papa, infiéis, livre-pensadores, e conspiraram para a destruição daquilo que antes professavam pregar. Podemos ser apóstolos, mas como Judas, terminar sendo filhos da perdição. Ai de nós, se for este o caso!

Irmãos, presumirei que somos realmente filhos de Deus. E então? Ora, mesmo neste caso, se o Espírito de Deus nos deixar, poderemos ser eliminados de um golpe, como se deu com o iludido profeta que deixou de obedecer à ordem do Senhor nos dias de Jeroboão. Era sem dúvida um homem de Deus, e sua morte física de modo algum prova que tenha perdido a alma, mas rompeu aquilo que sabia ser uma ordem de Deus dada especialmente para ele. Seu ministério terminou ali e naquela exata ocasião, pois um leão o encontrou no caminho e o matou. Queira o Espírito Santo proteger-nos dos enganadores e manter-nos fiéis à voz de Deus.

Pior ainda, podemos reproduzir a vida de Sansão, sobre quem veio o Espírito de Deus nos campos de Dá. Mas, no regaço de Dalila perdeu a força, e na masmorra perdeu os olhos. Concluiu com bravura a carreira, cego como estava, mas quem de nós deseja tentar destino tal?

Ou - e este último me estristece além de toda a expressão, porque tem maior probabilidade de acontecer do que qualquer de todos os restantes - o Espírito de Deus pode retirar-se de nós, em penoso grau, para estrago do encerramento da nossa carreira, como foi no caso de Moisés. Não perderemos as nossas almas, não, nem mesmo as nossas coroas no Céu ou ainda a nossa reputação na terra, porém ficaremos sob uma nuvem em nossos últimos dias por termos falado uma vez imprudentemente com os nossos lábios.

Recentemente estudei os últimos dias do grande profeta do Horebe, e ainda não me recuperei da profunda tristeza de espírito que me sobreveio. Qual foi o pecado de Moisés? Não há por que inquirir. Não foi grosseiro como a transgressão de Davi, nem chocante como o fracasso de Pedro, nem fraco e tolo como a grave falta do seu irmão Arão. Na verdade, parece uma ofensa infinitesimal quando pesada na balança do julgamento usual. Mas então, vocês vêem, foi o pecado de Moisés, homem favorecido por Deus mais que todos os outros, o pecado de um líder do povo, de um representante do Rei divino. O Senhor o podia ter passado por alto em qualquer outro, não porém em Moisés. Moisés teve que ser punido com a proibição de introduzir o povo na terra prometida. E certo que teve gloriosa visão do alto de Pisga, e tudo mais que podia mitigar o rigor da sentença, mas foi grande desapontamento nunca entrar na terra da herança de Israel, e isso por ter falado uma vez impensadamente.

Eu não poderia fugir ao serviço do Mestre, mas tremo em Sua presença. Quem pode estar sem culpa, quando até Moisés errou? E coisa terrível ser amado de Deus. "Quem dentre nós habitará com o fogo consumidor? Quem dentre nós habitará com as labaredas eternas? O que anda em justiça, e o que fala com retidão." - Somente este pode enfrentar as devoradoras chamas do amor.

Rogo-lhes, irmãos que procurem ocupar o lugar de Moisés, mas tremam ao fazê-lo. Temam e tremam por todo o bem que Deus faça passar diante de vocês. Quando estiverem transbordando de frutos do Espírito, inclinem-se até o pó perante o trono, e sirvam ao Senhor com temor. "O Senhor nosso Deus é Deus zeloso." Lembrem-se de que Deus veio a nós, não para exaltar-nos, mas para exaltar-Se, e temos que atentar para o fato de que a glória de Deus é o único objetivo de tudo que fazemos. "Importa que Ele cresça, e eu diminua." Oxalá Deus nos induza a isto e nos faça andar muito cuidadosa e humildemente diante dEle. Deus nos sondará e nos provará, pois o juízo começa em Sua casa, e nessa casa começa com os Seus ministros. Quererá algum de nós ser achado em falta? Retirará o abismo do inferno uma parte dos seus infelizes habitantes do meio do nosso grupo de pastores? Será terrível a sentença de um pastor decaído. A sua condenação causará espanto aos transgressores comuns. "Das profundezas o inferno se move por ti para encontrar-te em tua vinda." Todos eles te dirão: “Também tu te tornaste fraco, igual a nós? Ficaste parecido conosco?”.

Clamemos ao Espírito de Deus, que nos faça e nos mantenha vivos para Deus, fiéis ao nosso ofício e úteis à nossa geração - e limpos do sangue das almas.

Não Impeçam as Crianças - C. H. Spurgeon

Posted by Josemar Bessa on Agosto 30, 2006 , under | comentários (0)



Vamos ver de que forma as crianças são impedidas de virem ao Salvador. A primeira coisa a ser observada é que o culto, muitas vezes, não oferece nada para as crianças. O sermão passa por cima de suas cabeças, e o pregador não acha que isso seja defeito; na verdade, ele quase se alegra por isso ser assim. Há algum tempo, uma pessoa que quis, suponho eu, fazer com que sentisse minha própria insignificância, me escreveu para dizer que havia se encontrado com alguns negros que tinham lido meus sermões com grande prazer; e essa pessoa acreditava que eram muito adequados para eles. Sim, minha pregação era justamente o tipo de coisa para esses homens. O remetente nem sonhava que me dava um prazer muito sincero; pois se sou compreendido por pessoas pobres, por empregadas, por crianças, estou certo de que posso ser entendido por outros.

Ambiciono pregar ao mais humilde, ao mais simples e desprezado. Nada é mais importante do que ganhar o coração dos despretensiosos, como também ganhar o coração das crianças. As pessoas, às vezes, falam à respeito de alguém: "Ele só serve para ensinar crianças: pregador ele não é." Pois eu lhes digo, à vista de Deus, não é pregador quem não se importa com as crianças. Deveria haver pelo menos uma parte de cada sermão e culto que agradasse aos pequenos. É um erro aquilo que permite que esqueçamos disso.

Os pais também pecam quando omitem a religião da educação de seus filhos. Talvez a idéia seja que suas crianças não podem ser convertidas enquanto são crianças, e então acham o lugar onde eles estudam nos seus tenros anos inconseqüente. Mas isso não é verdade. Muitos pais esquecem-se disso até quando suas meninas e meninos estão nos últimos anos da escola.
Mandam-nos para outros países, a lugares com toda sorte de perigo moral e espiritual, com a idéia de que lá poderão completar os estudos elegantemente. Em quantos casos eu vi essa instrução completada, e ela produziu moços que são consumados libertinos, e moças que só sabem flertar. Conforme se semeia, se colhe. Vamos esperar que nossos filhos conheçam o Senhor. Que desde o início combinemos com seu "ABC" o nome de Jesus. Que leiam suas primeiras lições da própria Bíblia. É notável o fato de que as crianças não aprendem a ler de nenhum outro livro tão rapidamente como do Novo Testamento; há um encanto no livro que atrai a mente infantil. Mas nunca sejamos culpados, como pais, de esquecer o treinamento religioso de nossas crianças; porque, se deixarmos isso esquecido, poderemos ser culpados do sangue de suas almas.

Outro resultado é que a conversão de crianças não é esperada em muitas de nossas igrejas e congregações. Ou seja, não se espera que as crianças sejam convertidas enquanto crianças. A teoria é que, se podemos estampar sobre a mente das crianças bons princípios que lhes possam ser úteis em anos vindouros, já fizemos o suficiente; mas converter crianças enquanto crianças e considerá-las como sendo tão crentes como adultos, é visto como absurdo. A esse suposto absurdo, eu me agarro de todo o coração. Creio que das crianças é o Reino de Deus, tanto na Terra como no céu.

Outro problema é que não se acredita na conversão de crianças. Certos indivíduos desconfiados sempre afiam seus dentes quando ouvem falar de uma criança recém-convertida: querem avançar para tirar um naco dela se puderem. Insistem, corretamente, que essas crianças sejam examinadas com cuidado antes de serem batizadas e admitidas na igreja; mas estão errados em insistir que só em casos excepcionais devem ser recebidas. Concordamos com eles quanto ao cuidado a ser exercido; mas deve ser o mesmo em todos os casos, nem mais nem menos nos casos de crianças.

É muito freqüente as pessoas esperarem de meninos e meninas a mesma solenidade de comportamento de pessoas mais velhas! Seria um bem para todos nós se nunca tivéssemos deixado de ser meninos e meninas, e tivéssemos acrescentado a todas as excelências de uma criança as virtudes de um homem. Certamente, não é necessário matar a criança para fazer o santo! Os mais severos pensam que um pequeno convertido deve ficar vinte anos mais velho em um minuto. Certa vez, um indivíduo muito solene me chamou do playground e me admoestou sobre a impropriedade de eu jogar uma brincadeira de armadilha, bastão e bola com os meninos. Ele disse: "Como você pode brincar como os outros, se você é um filho de Deus?" Respondi que eu tinha a responsabilidade de conduzir as pessoas aos assentos na igreja, e fazia parte de minhas obrigações participar dos passatempos dos garotos. Meu crítico venerável achou que isso alterava bem o assunto; mas estava claro que sua visão era que um menino convertido nunca deveria brincar!

As pessoas não esperam das crianças uma conduta mais perfeita do que elas próprias demonstram? Se uma criança crente tem um acesso de raiva, ou age mal em algum caso pouco importante por esquecimento, ela é condenada na hora como sendo um pequeno hipócrita por aqueles que estão longe de ser perfeitos. Jesus diz: "Cuidado para não desprezarem um só destes pequeninos." Cuidado para não dizerem nenhuma palavra cruel contra seus irmãos pequenos em Cristo, suas irmãzinhas no Senhor. Jesus valoriza tanto seus preciosos cordeirinhos que ele os leva em seu seio; e eu encarrego vocês que seguem seu Senhor em todas as coisas a mostrarem ternura semelhante aos pequenos da família divina.

"Alguns traziam crianças a Jesus para que ele tocasse nelas, mas os discípulos os repreendiam. Quando Jesus viu isso, ficou indignado." Ele não ficava indignado com freqüência, certamente. E quando ficou, sabemos que o caso era sério. Indignou-se por essas crianças serem empurradas para longe dele, uma vez que essa atitude era contrária ao seu pensamento sobre elas. Os discípulos fizeram mal às mães; eles repreenderam os pais por fazerem um ato materno--por fazerem, de fato, aquilo que Jesus amava que fizessem. Levavam seus pequenos a Jesus por respeito a ele; valorizavam uma bênção que viesse de suas mãos mais do que ouro; tinham certeza de que uma bênção de Deus viria, com o toque do grande Profeta. Podem ter esperado que um toque da mão de Jesus tornasse a vida de seus filhos alegre e feliz. Embora possa ter havido algo de fraqueza no pensamento dos pais, mesmo assim o Salvador não podia julgar duramente aquilo que surgiu de reverência pela sua pessoa. Por isso, ele indignou-se bastante ao pensar que aquelas boas senhoras, que quiseram prestar-lhe honra, fossem rudemente impedidas.

Fez-se também um mal às crianças. Os doces pequeninos! O que eles tinham feito para serem repreendidos por virem a Jesus? Não tencionavam atrapalhar. Pobrezinhos! Teriam caído a seus pés em amor reverente para com o Mestre de doce voz que encantava não só homens, mas crianças também, com suas palavras ternas. Os pequenos não tencionavam mal, e por que levariam a culpa?

Além disso, também havia o mal feito a ele próprio. Poderia deixar as pessoas pensando que Jesus era durão, reservado e auto-suficiente, como os rabinos. Ora, se pensassem que ele não podia condescender a crianças, teriam caluniado tristemente o bom nome de seu grande amor. Pois seu coração era um grande porto onde muitas embarca-çõezinhas poderiam ancorar. Jesus, o homem-criança, nunca esteve mais à vontade do que com crianças. Jesus, a criança santa, tinha afinidade com crianças. Seria ele representado pelos seus próprios discípulos como alguém que fecharia a porta para as crianças? Isso prejudicaria seu caráter. Portanto, entristecido pelo mal triplo que feriu mães, crianças e a si mesmo, ele ficou indignado. Qualquer coisa que fazemos para impedir uma querida criança de vir a Jesus desagrada ao nosso querido Senhor. Ele exclama: "Abram espaço. Deixe-os em paz. Que venham a mim, e não os impeçam."

Outra coisa: isso era contrário ao seu ensino; pois ele prosseguiu para dizer: "Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele." O ensino de Cristo não era o de que existe algo em nós que nos capacita para o Reino; e que um certo número de anos poderá nos tornar capazes de receber graça. Seu ensino era todo em outra direção, ou seja, de que nós não devemos ser nada, que quanto menos somos e quanto mais fracos, melhor; pois quanto menos temos do eu, mais espaço há para a graça divina dele. Você pensa chegar a Jesus subindo a escada do saber? Desça; você se encontrará com ele ao pé dela. Pensa alcançar Jesus subindo o morro íngreme da experiência? Desça, meu caro escalador; ele está na planície. "Ah! mas quando eu for velho, então estarei preparado para Cristo." Fique onde você está, jovem; Jesus o encontra na porta da vida; você nunca esteve mais preparado para se encontrar com ele do que justamente agora. Ele nada pede de você a não ser que não seja nada, e que ele possa ser tudo em tudo para você. Este é o ensinamento dele, e mandar afastar a criança porque ela não tem isto ou aquilo é resistir abertamente à bendita doutrina da graça de Deus.

Mais uma vez, impedir os pequenos era bem contrário à prática de Jesus Cristo. Ele os fez ver isso; porque "tomou as crianças nos braços, impôs-lhes as mãos e as abençoou". Durante toda a sua vida, nada houve nele que se parecesse com rejeição e recusa. Ele disse verdadeiramente: "Quem vier a mim eu jamais rejeitarei." Se ele rejeitasse quaisquer pessoas por serem novas demais, o texto seria declarado falso de imediato, mas isso nunca acontecerá. Ele recebe todos que vêm a ele. Está escrito: "Este homem recebe pecadores e come com eles." Toda a sua vida poderá ser desenhada como um pastor com um cordeiro em seu seio: nunca como um pastor cruel atiçando seus cães atrás de cordeiros e tirando-os de perto, juntamente com suas mães.

Cuide dos Meus Cordeiros - C. H. Spurgeon

Posted by Josemar Bessa on Agosto 27, 2006 , under | comentários (0)



"Cuide dos meus cordeiros"

Nem os melhores da igreja são bons demais para esta obra. Não pense que, por você já ter outro trabalho para fazer, não deva se interessar por esta espécie de trabalho santo; ao contrário, com toda bondade, de acordo com suas possibilidades, disponha-se a ajudar os pequeninos e alegrar aqueles que têm o chamado para cuidar deles. Para todos nós vem a mensagem: "Cuide de meus cordeiros" (nvi), "Apascente os meus cordeiros" (ara). Para o pastor e para todas as pessoas que conheçam as coisas de Deus, é dada a comissão. Cuide bem das crianças que estão em Cristo Jesus. Pedro era um líder entre os crentes, contudo, ele devia alimentar os cordeiros.

Os cordeiros são os mais novos do rebanho. Por isso, devemos cuidar de modo especial daqueles que são novos na graça. Podem ser velhos em anos, mas ainda assim serem bebês na graça quanto à idade de sua vida espiritual, e por isso precisarem da tutela de um bom pastor. Assim que uma pessoa é convertida e acrescentada à igreja, ela deve tornar-se alvo do cuidado e da bondade de seus irmãos na fé. Ela acabou de chegar entre nós e não tem amigos conhecidos entre os santos, portanto, devemos ser amigáveis com essa pessoa. Mesmo que seja para deixar nossos amigos mais antigos, precisamos ser bondosos para com aqueles que são recém-escapados do mundo, e que vieram encontrar refúgio no Todo-Poderoso e no seu povo.

Vigie com cuidado incessante por esses bebês recém-nascidos que são fortes em desejos, mas em nada além disso. Eles acabam de sair das trevas, estão engatinhando, e seus olhos quase não agüentam a luz; sejamos sombra para eles até se acostumarem com a intensa claridade diurna do evangelho. Entregue-se, "vicie-se", no trabalho santo de cuidar dos fracos e abatidos. O próprio Pedro naquela manhã deve ter se sentido como um recruta, pois, em certo sentido, ele havia dado fim à sua vida cristã ao negar sua fé diante de seu Senhor e seus irmãos; e, por isso, porque foi levado dessa forma a se simpatizar com recrutas, ele foi comissionado para agir como um guardião deles. Os novos convertidos são tímidos demais para pedir a nossa ajuda; por isso mesmo eles nos são apresentados pelo nosso Senhor que, com uma palavra enfática de comando, diz: "Cuide dos meus cordeiros." E esta será a nossa recompensa: "O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram".

Por mais novo que um crente seja, ele deve fazer uma confissão aberta, uma confissão pública da sua fé e ser arrebanhado para fazer parte do rebanho completo de Cristo. Não estamos entre aqueles que desconfiam da piedade jovem. Jamais podemos duvidar daqueles que se arrependem enquanto têm pouca idade tanto quanto daqueles que se arrependeram tarde na vida. Dos dois, achamos estes últimos mais para serem questionados do que os primeiros: pois é maior a probabilidade que o medo egoísta de castigo e o temor da morte produzam uma fé falsa do que a mera infantilidade. Quanta coisa a criança deixou de ver que poderia tê-la estragado! Quanto ela não conhece que, se Deus quiser, esperamos que ela nunca conheça! Ah, quanto há de brilho e confiança em crianças quando convertidas a Deus que não é visto em convertidos mais velhos! Nosso Senhor Jesus era profundamente solidário com as crianças, e pouco se parece com Cristo quem as olha como sendo um estorvo no mundo, e quem as trata como se fossem pequenos enganadores ou tolos e simplórios. Você que leciona em nossas escolas tem esse privilégio alegre de descobrir onde estão os cordeiros verdadeiros que realmente são os cordeiros do rebanho de Cristo — e é para você que ele diz: "Cuide dos meus cordeiros"; isto é, dê instrução àqueles que são verdadeiramente cheios de graça, mas novos na idade.

É significativo que o verbo usado aqui para "cuide de meus cordeiros" é muito diferente do usado no preceito "cuide de minhas ovelhas". Não vou preocupá-los com palavras gregas, mas no segundo caso "cuidar" significa exercer o ofício de um pastor, governar, regulamentar, dirigir, orientar, fazer tudo que um pastor tem de fazer com um rebanho; mas no primeiro caso, cuidar não tem todos esses significados, mas sim o de alimentar, e dirige professores a uma obrigação que eles talvez possam negligenciar , ou seja, a de instruírem crianças na fé. Os cordeiros não precisam tanto de ser mantidos em ordem como nós, que temos tanto conhecimento e, no entanto, sabemos tão pouco, que achamos que estamos tão avançados que julgamos uns aos outros e brigamos. As crianças cristãs necessitam principalmente aprender a doutrina, o preceito e a vida do evangelho; precisam que a verdade divina lhes seja ensinada com clareza e convicção. Por que as doutrinas mais altas lhes devem ser negadas, as doutrinas da graça? Estas não são como dizem alguns, puros ossos; ou, se são ossos, estão cheios de tutano e cobertas de gordura. Se há alguma doutrina difícil demais para uma criança, é antes por culpa do conceito que o mestre tira dela, do que por falta de capacidade do pequeno para recebê-la, contanto que a criança esteja realmente convertida a Deus.

Compete a nós tornar a doutrina simples; essa será a parte principal de nosso trabalho. Ensinar aos pequenos a verdade inteira e nada senão a verdade; pois a instrução é o grande desejo da natureza da criança. Uma criança não só tem de viver como nós, como também tem de crescer; portanto, tem dupla necessidade de alimento. Quando os pais dizem de seus meninos "Que apetites eles têm!", devem lembrar-se de que nós também teríamos grandes apetites se não tivéssemos apenas que manter o funcionamento, mas também de aumentar o seu tamanho.

As crianças na graça têm que crescer, aumentando a capacidade de saber, ser, fazer e sentir, para chegar a um maior poder recebido de Deus; portanto, acima de tudo, precisam ser alimentadas. Precisam ser bem alimentadas ou instruídas porque correm o risco de que sua fome seja satisfeita com erros, perversamente. A juventude é suscetível à má doutrina. Quer ensinemos a verdade ou não aos jovens cristãos, o diabo com certeza lhes ensinará o erro. Eles o ouvirão de algum modo, mesmo que sejam vigiados pelos mais cuidadosos guardiões. O único meio de evitar que o joio entre na pequena caneca de medidas da criança é enchê-la até transbordar de trigo bom. Ah, sim, que o Espírito de Deus nos ajude a fazer isso! Quanto mais for ensinado aos jovenzinhos, tanto melhor; pois isso evitará que sejam desencaminhados.

Somos exortados especialmente a alimentar os pequenos, mesmo porque esse trabalho é muito proveitoso. Por mais que façamos com indivíduos convertidos com idade avançada, nunca podemos fazer muito por eles. Ficamos contentes com eles, mas aos 70 anos, o que lhes resta, mesmo que vivam outros dez anos? Instrua uma criança, e ela poderá ter 50 anos de serviço santo à sua frente. Ficamos contentes de receber aqueles que entram na vinha à décima primeira hora, mas quase nem empunharam sua ferramenta de poda e sua enxada antes do pôr-do-sol e já seu curto dia de trabalho termina.

O tempo gasto com treinamento daqueles que se convertem tardiamente é maior do que o tempo que o futuro reserva para o seu trabalho. Mas tome-se uma criança convertida e ensine-a bem. Como uma piedade cedo na vida muitas vezes chega a se tornar uma piedade em alto grau, e essa piedade eminente se estica por longos anos em que Deus pode ser glorificado e outros abençoados, tal trabalho é por demais proveitoso. Esse trabalho é também muito benéfico para você mesmo. Nós sabemos que exercita nossa humildade e nos ajuda a permanecer mansos e humildes. Também treina nossa paciência; que aqueles que duvidam disso façam a experiência; pois mesmo cristãos jovens põem à prova a paciência daqueles que crêem neles e que estão ansiosos por eles justificarem sua confiança. Se você quer homens ou mulheres de alma grande, de coração dilatado, procure por eles entre aqueles que estão muito ocupados entre os jovens, suportando suas tolices e condoendo-se com suas fraquezas por amor a Jesus.

O Combate da Fé - Nossa Força - C. H. Spurgeon

Posted by Josemar Bessa on Agosto 26, 2006 , under | comentários (0)



Nossa Força

Espírito Santo

ADMITINDO que pregamos somente a Palavra, que estamos cercados por uma igreja modelo, o que para nosso pesar não é sempre o caso; mas, admitindo que seja assim, a seguir, devemos considerar NOSSA FORÇA. Ela deve vir do ESPÍRITO DE DEUS. Cremos no Espírito Santo e em nossa absoluta dependência dele. Cremos, mas será que cremos na prática? Irmãos, em relação a nós mesmos e nosso trabalho será que cremos no Espírito Santo? Será que cremos por que temos o hábito de provar a verdade da doutrina? Precisamos depender do Espírito em nossa preparação. Será que isso é o que acontece com todos nós? Será que você tem o hábito de buscar o significado dos textos por meio da direção do Espírito Santo? Todo homem que vai à terra do conhecimento celestial precisa conquistar seu caminho para lá, mas precisa conquistá-lo pela força do Espírito Santo ou chegará a alguma ilha do mar da imaginação e nunca alcançará as terras sagradas da verdade. Você não conhece a verdade, meu irmão, por que leu Hodge's Outlines [Os esboços de Hodge], ou Fuller's Gospel worthy of all Acceptation [O evangelho de Fuller digno de toda aceitação] ou Owen on the Spirit [Owen no Espírito], ou qualquer outro clássico de nossa fé. Você não sabe a verdade, meu irmão, meramente por que você aceitou a Confissão de Westminster e a estudou toda. Não, nós nada sabemos até que o Espírito Santo nos ensine, pois ele sussurra em nosso coração, não em nossos ouvidos. Um fato maravilhoso é que nem ouvimos a voz de Jesus até que o Espírito repouse sobre nós. João diz: "No dia do Senhor achei-me no Espírito e ouvi por trás de mim uma voz forte" (Ap 1.10). Ele não ouviu aquela voz até que estivesse no Espírito. Quantas palavras celestiais deixamos de escutar porque não permanecemos no Espírito!


Não podemos ter êxito em súplicas a não ser que o Espírito Santo ajude nossas enfermidades, porque a verdadeira oração é orar "no Espírito Santo" (Jd 1.20). O Espírito cria uma atmosfera em torno de cada oração viva, e ele vive e prevalece nesse ambiente; fora dele, a oração é uma formalidade morta. Quanto a nós mesmos, portanto, temos de depender do Espírito Santo em nosso estudo, em nossa oração, em nosso pensamento, em nossa palavra e em nossa ação.

No púlpito, descansar real e verdadeiramente no auxílio do Espírito

No púlpito descansamos real e verdadeiramente no auxílio do Espírito. Não censuro nenhum irmão por sua maneira de pregar, mas preciso confessar que me parece muito estranho quando um irmão ora para que o Espírito Santo possa ajudá-lo na pregação, e depois o vejo tirar um manuscrito do bolso, arrumado de tal modo que possa pô-lo no centro de sua Bíblia, e lê-lo sem que ninguém veja. Essa precaução para assegurar discrição dá a entender que o homem estava com um pouco de vergonha de ler o papel; mas eu acho que ele deveria ficar mais envergonhado de suas precauções. Ele espera que o Espírito de Deus o abençoe enquanto pratica um truque? E como Deus pode ajudá-lo quando ele lê sua pregação o que qualquer outra pessoa poderia fazer sem o auxílio do Espírito? O que o Espírito Santo tem a ver com essa atitude? De fato, ele pode ter tido algo que ver com a composição do manuscrito, mas no púlpito seu auxílio é supérfluo. O mais verdadeiro seria agradecer o Espírito pelo auxílio prestado e pedir que aquilo que nos capacitou, a pôr naquele papel que trazemos no bolso, possa agora entrar nos corações das pessoas. Ainda assim, se o Espírito Santo tivesse qualquer coisa para dizer às pessoas que não estivesse naquele pedaço de papel como poderá dizê-lo por meio de nós? Parece-me que ele efetivamente ficou bloqueado quanto à novidade da palavra falada por meio desse método utilizado. Contudo, não me cabe censurar, embora silenciosamente possa pedir liberdade no profetizar e ensejo para o Senhor nos dar naquela mesma hora o que falar.

Depender do Espírito de Deus em nossos resultados

Além disso, precisamos depender do Espírito de Deus em nossos resultados. Nenhum homem dentre nós realmente acha que poderia regenerar uma alma. Não somos tão tolos a ponto de reivindicar poder para mudar um coração de pedra. Talvez não ousemos presumir algo tão grandioso, contudo, podemos achar que, pela nossa experiência, podemos ajudar as pessoas a passar por suas dificuldades espirituais. Será que podemos? Podemos ter esperança que nosso entusiasmo mova a igreja viva diante de nós e empurre o mundo morto para trás de nós. Isso pode acontecer? Quem sabe, imaginamos que se pudéssemos apenas conseguir um avivamento, poderíamos facilmente assegurar um grande acréscimo à igreja? Vale à pena conseguir um avivamento? Os verdadeiros avivamentos não são presenteados?

Podemos nos persuadir que tambores e trompetes e gritos farão muito. No entanto, meus irmãos, "o SENHOR não estava no vento" (1Rs 19.11). Resultados que valem à pena vêm daquele silencioso, mas onipotente Obreiro, cujo nome é o Espírito de Deus: nele, e somente nele, precisamos confiar para a conversão de uma única criança da escola dominical e para todo avivamento genuíno. Devemos olhar para ele para conservar nosso povo junto e edificá-los em um templo santo. O Espírito poderia dizer, assim como disse nosso Senhor: "Sem mim vocês não podem fazer coisa alguma" (Jo 15.5).

O que é a igreja de Deus sem o Espírito Santo? O que seria o Hermom sem o orvalho ou o Egito sem o Nilo? Veja a terra de Canaã, quando a maldição de Elias caiu sobre ela, por três anos não sentiu orvalho nem chuva: assim seria o cristianismo sem o Espírito. O que os vales seriam sem seus córregos, ou as cidades sem seus poços, o que os campos de milho seriam sem o sol, ou a safra de vinho sem o verão--assim seriam nossas igrejas sem o Espírito. Como não podemos pensar no dia sem luz, na vida sem respiração, no céu sem Deus, também não podemos pensar no culto cristão sem o Espírito Santo.

Nada pode substituí-lo: os pastos são um deserto, os campos frutíferos são áridos, o Sarom definha e o Carmelo é consumido pelo fogo. Bendito Espírito do Senhor, perdoa-nos por tê-lo desprezado, por tê-lo esquecido, por nosso orgulho auto-suficiente, por resistir a sua influência e apagar seu fogo! Daqui em diante opere em nós de acordo com sua excelência. Faça nosso coração ternamente impressionável, depois nos faça como cera para o sinete e estampe em nós a imagem do Filho de Deus. Com tal oração e confissão de fé, deixe-nos perseguir nosso objetivo no poder do bom Espírito de quem falamos.

O que o Espírito Santo faz? Amado, que boa ação ele não faz? Ele desperta, convence, ilumina, limpa, guia, preserva, consola, confirma, aperfeiçoa e usa. Quanto pode ser dito de cada uma dessas ações! É ele quem opera em nós para o querer e o fazer. Ele que operou todas as coisas é Deus. Glória seja dada ao Espírito Santo por tudo que realizou em naturezas tão pobres e imperfeitas como a nossa! Nada podemos fazer à parte da seiva de vida que flui para nós de Jesus, a Videira. Aquilo que é de nós mesmos só serve para nos causar vergonha e confusão. Não damos um passo em direção ao céu sem o Espírito Santo. Não guiamos outros para o caminho do céu sem o Espírito Santo. Não temos nenhum pensamento aceitável, nem palavra, nem ato sem o Espírito Santo. Mesmo o levantar dos olhos e da esperança ou a oração exclamatória que exprime o desejo do coração deve ser obra dele. Todas as coisas boas, do começo ao fim, vêm dele e por meio dele. Não há risco de exagero aqui. Contudo, será que traduzimos essa convicção em nossa conduta atual?

Em vez de me estender sobre o que o Espírito de Deus faz, deixe-me recorrer a sua experiência e fazer uma ou duas perguntas. Você lembra de ocasiões em que o Espírito de Deus esteve graciosamente presente, em plenitude de poder, com você e seu povo? Bons tempos aqueles! Aquele Dia do Senhor foi um dia elevado. Aqueles cultos pareciam com a adoração de Jacó quando disse: "Sem dúvida o SENHOR está neste lugar!". Que sinalização mútua há entre o pregador no Espírito e o povo no Espírito! Seus olhos parecem nos falar tanto quanto nossas línguas falam a eles. Nesse momento, eles são um povo muito diferente do que em ocasiões comuns: há até beleza em seus rostos enquanto glorificamos ao Senhor Jesus, e eles se deleitam e sorvem nosso testemunho.


Você já viu um senhor da escola moderna apreciar a própria pregação? Nossos pregadores evangélicos estão muito felizes em pregar aquilo que nossos amigos liberais gostam de chamar de "seus chavões"; mas os modernos, em sua sabedoria, não sentem tal alegria. Você pensa que por trás do ardor com que nossos amigos galeses dizem "Tintim!" há um Decadente? Com que seriedade eles dissertam sobre a teoria Pós-Exílica! Lembram-me a expressão de Ruskin: "Turner não teve alegria com seu moinho". Admito, não há nada para se alegrar, e evidentemente eles ficam contentes em terminar sua tarefa de empilhar ossos descarnados. Eles estão em pé diante de uma manjedoura vazia, divertindo-se em ser sarcásticos em relação a essa manjedoura que é deles também. Terminam sua pregação e estão bastante entorpe-cidos, até que chegue a segunda-feira com alguma partida de futebol, ou um entretenimento na sala de aula ou uma reunião política. Para eles pregar é "trabalho", embora não se empenhem muito nesse trabalho.

Os velhos pregadores e alguns daqueles que vivem hoje, chamados de "obsoletos", pensam no púlpito como um trono ou uma carruagem triunfal e que estão perto do céu quando são ajudados a pregar com poder. Pobres tolos que somos, pregando nosso evangelho "antiquado"! Nós gostamos da tarefa. Nossas doutrinas melancólicas nos fazem muito felizes. Estranho, não é? É claro que o evangelho é tutano e gordura para nós, e nossas crenças--embora, com certeza, sejam muito absurdas e nada filosóficas--nos satisfazem e nos deixam muito confiantes e felizes.

Sobre alguns de meus irmãos, posso dizer que seus olhos parecem faiscar e suas almas brilhar, enquanto descortinam a graça gratuita e o amor vicário. Assim, irmãos, quando Deus está presente, nós e nossos ouvintes somos transportados em deleite celestial. E isso não é tudo. Quando o Espírito de Deus está presente, cada santo ama seu irmão santo, e não há disputa entre nós a não ser para ver quem é o mais amável. Portanto, a oração é lutar e prevalecer, e o ministério é semear boa semente e colher grandes braçadas. Assim, as conversões são numerosas, as restaurações abundantes e por toda parte são vistos avanços na graça. Aleluia! Com o Espírito de Deus vai tudo bem.

Mas você conhece a condição oposta? Espero que não. É morte em vida. Espero que você nunca, em seus experimentos científicos, tenha sido suficientemente cruel para pôr um ratinho em uma bomba de ar e aos poucos exauri-lo. Eu li sobre esse experimento fatal. Pobre ratinho! À medida que o ar fica cada vez mais rarefeito seu sofrimento aumenta, e quando o ar acaba, ele cai morto. Você já não esteve em uma bomba de ar em que se sentiu exausto espiritualmente? Você só esteve ali o tempo suficiente para perceber que quanto mais cedo escapasse, melhor.

Um dia desses, uma pessoa me disse: "Bem, quanto ao sermão que ouvi do divino pensador moderno não houve grande mal nele, porque nessa ocasião ele se manteve longe da falsa doutrina, mas toda a experiência foi intensamente fria. Senti-me como o homem que cai na fissura de uma geleira: confinado como se não pudesse respirar o ar do céu." Você conhece aquele frio ártico que ocasionalmente pode ser sentido mesmo quando a doutrina é sólida. Quando o Espírito de Deus se foi, mesmo a verdade se torna um iceberg. É terrível uma religião fria e sem vida! O Espírito Santo se foi, e levou toda energia e entusiasmo. A cena fica como aquela descrita no poema The Ancient Mariner [A balada do velho marinheiro], quando o navio estava em uma calmaria:

O próprio abismo apodrecia... Como, ó Cristo,
Aquilo foi se dar?
Coisas viscosas e com pernas rastejavam
Sobre o viscoso mar

Dentro do navio tudo era morte. E já vimos isso na igreja. Sou tentado a usar os versos de Coleridge em relação ao muito que pode ser visto nessas igrejas que merecem o nome de congregações de mortos. O poeta descreve como os corpos dos mortos eram inspirados e o navio prosseguia, cada morto cumpria seu ofício de forma morta e formal:

Manobra o Timoneiro, a nave se desloca,
E sem nenhuma aragem;
Os marujos se põem a trabalhar nas cordas,
E tal como antes agem;
Instrumentos sem vida tornam-se seus membros...
Que tétrica equipagem!

Faltava qualquer viva camaradagem, pois o velho marinheiro diz:

Postado frente a mim, puxando a mesma corda,
Era-me companhia,
Joelho com joelho, o corpo de um sobrinho;
Mas nada me dizia.

Algo semelhante acontece naquelas congregações "respeitáveis" em que ninguém conhece ninguém e um digno isolamento toma o lugar de toda santa comunhão. Para o pregador, se ele é o único ser vivo na congregação, a igreja produz uma triste comunidade. Seus sermões caem em ouvidos moucos.


Plácida a noite, era alta a lua; e vi reunidos os mortos nesse instante.
Todos de pé lá no convés, que deveria Ossário se chamar;
Todos em mim fixavam seu olhar de pedra, Que brilhava ao luar.


Sim, o frio e melancólico luar do pregador, cai sobre faces que são semelhantes a essa luz. O discurso impressiona seus intelectos impassíveis e fixa seus olhos duros como pedra; exceto o coração! Bem, o coração não está em voga nessas paragens. O coração é para o reino da vida; mas sem o Espírito Santo o que as congregações conhecem da vida verdadeira? Se o Espírito Santo se foi, a morte reina, e a igreja é um sepulcro. Portanto, precisamos rogar que ele habite em nós, e não podemos descansar até que ele faça isso. Ó irmãos, que não seja eu quem fale com vocês sobre isso, para depois permitir que o assunto morra; mas que cada um de nós busque com o coração e a alma para que o poder do Espírito Santo habite em nós.



A certeza da presença do Espírito Santo

Temos recebido o Espírito Santo? Ele está conosco agora? Se esse é o caso, como podemos ter certeza de sua presença no futuro? Como podemos compeli-lo a habitar em nós?


Primeiro, trate-o como deve ser tratado. Adore-o como o Senhor Deus digno de adoração. Nunca trate o Espírito Santo como se fosse um objeto, nem fale dele como se fosse uma doutrina, uma influência ou um mito ortodoxo. Reverencie o Espírito, ame-o, e creia nele com confiança familiar, porém reverente. Ele é Deus, deixe-o ser Deus para você.


Aja em conformidade com a obra dele. O marinheiro que vai para o leste não pode criar os ventos a seu bel-prazer, mas ele sabe quando os ventos alísios sopram e aproveita a estação para imprimir velocidade a sua embarcação. Saia ao mar em santo empreendimento quando o vento celestial está a seu favor. Aproveite a maré sagrada enquanto ela avança. Aumente suas reuniões quando sente que o Espírito de Deus as abençoa. Insista na verdade com mais veemência que nunca, quando o Senhor abre ouvidos e corações para aceitá-la. Você logo aprenderá a conhecer quando há orvalho em volta--valorize a graciosa visitação. O fazendeiro diz: "Trabalha enquanto é dia". Você não pode fazer o sol brilhar; isso está completamente fora de seu alcance; mas você pode usar o sol enquanto brilha. "Assim que você ouvir um som de passos por cima das amoreiras, saia rapidamente" (2Sm 5.24). Seja diligente na estação e fora dela, mas em uma estação cheia de vida seja duplamente laborioso.


Sempre ao começar, continuar e terminar qualquer e toda boa obra, dependa conscientemente e em verdade do Espírito Santo. Até a consciência de sua necessidade dele, ele precisa lhes dar, e as orações com que suplicam por sua presença devem partir dele. Vocês estão empenhados em um trabalho tão espiritual, tão acima de todo poder humano que esquecer-se do Espírito é certeza de derrota. Façam o Espírito Santo ser o sine qua non de seus esforços, e digam a ele: "Se não fores conosco, não nos envies" (Êx 33.15).


Descansem apenas nele e reservem para ele toda a glória. Lembrem-se especialmente disso, porque esse é um ponto delicado para ele: ele não dará sua glória a outro. Tenham o cuidado de louvar o Espírito de Deus do fundo do coração, e gratamente se admirem de que ele aceite trabalhar a seu lado. Agradem-no ao glorificar Cristo. Honrem-no ao ceder sua pessoa aos impulsos dele e ao odiar tudo que o entristece. A consagração de todo seu ser é o melhor salmo que pode fazer em louvor dele.


Há algumas coisas de que gostaria que se lembrassem, depois termino. Lembrem-se, o Espírito Santo tem seus meios e métodos, e há algumas coisas que ele não fará. Lembrem-se, ele não faz nenhuma promessa de abençoar acordos. Se fizermos acordo com o erro ou o pecado, é por nossa conta e risco. Se fazemos qualquer coisa sobre a qual não temos clareza, se manipulamos a verdade ou a santidade, se somos amigos do mundo, se fazemos provisão para carne, se pregamos com desânimo ou fazemos pacto com engana-dores, não temos nenhuma promessa de que o Espírito Santo está conosco. A grande promessa vai em outra direção: "'Saiam do meio deles e separem-se', diz o Senhor. 'Não toquem em coisas impuras, e eu os receberei e lhes serei Pai, e vocês serão meus filhos e minhas filhas', diz o Senhor todo-poderoso" (2Co 6.17,18).


No Novo Testamento apenas em um único lugar, com exceção do Livro de Apocalipse, Deus é chamado de "Senhor todo-poderoso" (2Co 6.18). Se você quer saber que grandes coisas o Senhor pode fazer como Senhor Todo-Poderoso, separe-se do mundo e daqueles que apostatam da verdade. O título "Senhor todo-poderoso" é citado do Antigo Testamento. "El Shaddai", Deus Todo-suficiente, o Deus de muitos ventres. Não conheceremos o poder supremo de Deus para suprir todas nossas necessidades até que cortemos de vez a ligação com tudo que não está de acordo com a mente dele.


Abrão foi grande quando disse ao rei de Sodoma: "Não aceitarei nada"--, uma veste babilônica ou uma cunha de ouro? Não, não. Ele disse: "Não aceitarei nada do que lhe pertence, nem mesmo um cordão ou uma correia de sandália" (Gn 14.23). Esse foi o "corte pela raiz". O homem de Deus não aceita ter nada com Sodoma nem com a falsa doutrina. Se você vir qualquer coisa má, corte-a pela raiz. Afaste-se daqueles que afastaram a verdade. Então você está preparado para receber a promessa, não antes disso.


Irmãos amados, lembrem-se, onde houver grande amor, com certeza, haverá grande ciúme. "Amor é tão forte quanto a morte" (Ct 8.6). O que vem em seguida? "O ciúme é tão inflexível quanto a sepultura". "Deus é amor" (1Jo 4.8,16) e exatamente por essa razão "o SENHOR, o seu Deus, é Deus zeloso; é fogo consumidor" (Dt 4.24). Passe longe de tudo que contamina ou entristece o Espírito Santo; pois se ele estiver aborrecido conosco, logo passaremos vergonha diante do inimigo.


A seguir, observe que ele não faz nenhuma promessa à covardia. Se você permitir que o temor do homem o governe e desejar se salvar do sofrimento ou ridículo, encontra pouco conforto na promessa de Deus: "Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá" (Mt 16.25). As promessas do Espírito Santo para nós, em nossa guerra, são para aqueles que se portam como homens e pela fé são tornados corajosos na hora do conflito. Desejo que cheguemos a esse ponto, desprezando o ridículo e a calúnia.


Ah, esquecer de si mesmo como aquele mártir italiano de quem Foxe fala! Condenaram-no a ser queimado vivo, e ele ouviu a sentença calmamente. Mas queimar mártires, por mais deleitável que seja também é caro; e o prefeito da cidade não tinha interesse em pagar pela lenha, e os sacerdo-tes que o haviam acusado também queriam fazer o trabalho sem ter despesa. Por isso, tiveram uma briga feia, e lá estava de pé e quieto o pobre homem para quem essa lenha era destinada, ouvindo as mútuas recriminações daquelas autoridades. Vendo que não podiam resolver o assunto, ele disse: "Senhores, acabarei com sua disputa. É pena que qualquer dos senhores precisem gastar tanto com lenha para me queimar, assim, por amor a meu Senhor, pagarei pela lenha que me vai queimar, se me permitem."


Eis um lindo exemplo de escárnio, bem como de mansidão. Não sei se teria pago aquela conta; mas tenho me sentido inclinado a sair um pouco do caminho para ajudar os inimigos da verdade, para que encontrem combustível para suas críticas contra mim. Sim, sim; serei ainda pior, lhes darei mais para reclamar. Por amor a Cristo, vou até o fim com a controvérsia e nada farei para aquietar a ira deles. Irmãos, se vocês adornarem um pouco, se tentarem salvar um pouco de sua reputação junto aos homens da apostasia, isso é ruim para vocês. Aquele que se envergonha de Cristo e de sua Palavra nesta geração má verá que, no fim, Cristo se envergonha dele.


Serei muito breve sobre esses pontos. Depois, lembre-se, o Espírito Santo nunca põe seu selo sobre a mentira. Nunca! Se o que você pregar não for verdade, Deus não reconhecerá isso. Prestem muita atenção a isso.


Além disso, o Espírito Santo nunca põe sua assinatura em um papel em branco. Isso seria falta de prudência no homem, e o santo Senhor não faria tal tolice. Se não pregarmos uma doutrina clara com discurso inteligível, o Espírito Santo não assinará tagarelice vazia. Se não fizermos claramente nossa apresentação de Cristo, e de Cristo crucificado, podemos dar adeus ao sucesso verdadeiro.


Depois, lembre-se, o Espírito Santo nunca sanciona o pecado; e abençoar o ministério de alguns homens seria sancionar o mau caminho. "Sejam puros, vocês, que transportam os utensílios do Senhor" (Is 52.11). Que seu caráter corresponda a seu ensino, e que sua igreja seja purgada dos transgressores que erram abertamente, para que o Espírito Santo não rejeite seu ensino, não pelo ensino em si, mas por causa do mau cheiro da vida impura que o desonra.


Lembre-se, também, ele nunca incentiva o ócio. O Espírito Santo não nos resgatará da negligência voluntária da Palavra de Deus e do estudo. Se passamos a semana toda de lá para cá, sem nada fazer, não podemos subir ao púlpito e pensar que o Senhor está lá para nos dizer sobre o que devemos falar. Se fosse prometido auxílio a tais pessoas, então quanto mais preguiçoso o homem, melhor seria o sermão. Se o Espírito Santo trabalhasse apenas por meio de oradores improvisados, quanto menos lêssemos nossas Bíblias e medi-tássemos sobre elas, tanto melhor. Se fosse errado citar livros, não seria ordenado: "Dedique-se à leitura" (1Tm 4.13). Tudo isso é um absurdo óbvio, e nenhum de vocês acredita em tal ilusão. Com certeza, somos obrigados a meditar muito e nos entregar inteiramente à Palavra de Deus e à oração, e quando nos dedicamos a essas coisas podemos esperar a aprovação e cooperação do Espírito. Devemos preparar o sermão como se tudo dependesse de nós e confiar no Espírito de Deus, sabendo que tudo depende dele. O Espírito Santo não envia ninguém à colheita para dormir entre os feixes, mas para suportar o peso do trabalho e o calor do dia. É bom orarmos a Deus para que mande mais "trabalhadores" para o vinhedo, pois o Espírito está com a força dos lavradores, mas não é amigo dos ociosos.


Mais uma vez, pondere, o Espírito Santo não nos abençoa para sustentar nosso orgulho. É possível que desejemos uma grande bênção para que sejamos considerados grandes homens? Isso atrapalha nosso êxito: a corda do arco está avariada e a flecha cai para o lado. O que Deus faz com homens orgulhosos? Ele os exalta? Creio que não. Herodes fez um discurso eloqüente e vestiu uma toga de prata reluzente que brilhava ao sol, e quando o povo viu suas vestimentas e ouviu sua voz charmosa, exclamou: "É voz de deus, e não de homem" (At 12.22), mas o Senhor o feriu, e ele foi comido por vermes. Vermes têm o direito prescritivo de comer carne orgulhosa; e quando nos tornamos muito poderosos e grandes, os vermes esperam fazer de nós uma refeição. "O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda" (Pv 16.18). Conserve-se humilde se quiser ter consigo o Espírito de Deus. O Espírito Santo não tem prazer na oratória inflamada do soberbo. Como poderia? Você o imagina sancionando linguagem bombástica? "Ande humildemente com o seu Deus" (Mq 6.8), Ó, Pregador! pois não podes andar com ele de nenhuma outra maneira; e se não andar com ele, teu andar será em vão.


Lembre-se, de novo, o Espírito Santo não habita onde há contenda. Que sigamos em paz com todos os homens e, especialmente, conservemos a paz em nossas igrejas. Alguns de vocês ainda não foram favorecidos com essa bênção e é possível que não seja sua culpa. Você herdou antigas contendas. Em muitas comunidades pequenas, todos os membros da congregação são primos uns dos outros, e, em geral, parentes concordam em discordar. Quando primos enganam primos, as sementes do rancor são semeadas e embrenha-se até mesmo na vida da igreja. A arrogância de seu antecessor pode criar muita disputa por anos. Ele era um homem de guerra desde a mocidade e mesmo depois que se foi, os espíritos que chamou de vasta profundeza ficaram para assombrar o local. Temo que você não possa esperar muita benção, pois a Pomba Santa não habita águas turbulentas, ela escolhe vir onde há amor fraternal. Arriscamos a paz pessoal por grandes princípios e assuntos de disciplina santa, mas que não o façamos por nós mesmos ou por nossos interesses.


Por fim, lembre-se, o Espírito Santo só abençoa em conformidade com seu propósito determinado. Nosso Senhor explica qual é esse propósito: "Ele me glorificará" (Jo 16.14). Ele veio para essa grande finalidade e não se contentará com nada menos que isso. Portanto, se não pregarmos Cristo, o que o Espírito Santo fará com nossa pregação? Se não fizermos com que o Senhor Jesus seja glorificado, se não o elevarmos alto na estima dos homens, se não nos esforçarmos para fazê-lo Rei dos reis e Senhor dos senhores; não teremos o Espírito conosco. Vãs são a retórica, a música, a arquitetura, a energia e a posição social: se nosso projeto não for engrandecer o Senhor Jesus, trabalhamos sozinhos e em vão.


Isso é tudo que tenho a lhes dizer nesta hora, mas, irmãos queridos, isso é um grande tudo se primeiro for considerado e depois executado. Que possa ter efeito prático sobre nós! Terá, se o grande Operador usá-lo, e não o contrário. Ó soldados de Jesus vão adiante com "a espada do Espírito, que é a palavra de Deus" (Ef 6.17). Vão em frente, em companhia dos devotos a quem guiam, e que todo homem seja forte no Senhor e na força do seu poder. Como homens vivos que vêm da morte, vão em frente no poder vivificador do Espírito Santo, vocês não têm outra força. Que a bênção do Deus Triúno repouse sobre vocês, sobre cada um de vocês e todos, por amor do Senhor Jesus Cristo! Amém.

O Combate da Fé - Nosso Exército - C. H. Spurgeon

Posted by Josemar Bessa on Agosto 24, 2006 , under | comentários (0)



Nosso Exército


A Igreja do Deus Vivo


Agora precisamos passar em revista nosso exército.

Que podem fazer os homens individuais em uma grande cruzada? Estamos associados com todo o povo do Senhor. Precisamos ter os membros de nossas igrejas como camaradas; eles precisam sair e ganhar almas para Cristo. Precisamos da cooperação de todos os irmãos e irmãs. O que poderemos realizar, a não ser que os salvos saiam, todos eles, em prol da salvação de outros? Mas agora propomos a questão: deve mesmo haver uma igreja? Haverá um exército distinto de santos ou devemos incluir ateus? Você já ouviu falar "da igreja do futuro" que devemos ter em vez da igreja de Jesus Cristo. Como as correntes extremas receberão ateus, podemos esperar que também incluirão espíritos maus. Por certo, será uma igreja maravilhosa quando a virmos! Será qualquer outra coisa que você quiser, exceto uma igreja. Quando os soldados de Cristo tiverem incluído em suas fileiras toda a bandidagem do adversário, será que haverá qualquer exército para Cristo? E isso não significa claramente uma capitulação, uma rendição logo no início da guerra? Acho que sim.


Não só precisamos crer na igreja de Deus, mas também reconhecê-la de maneira muito clara. Algumas denominações valorizam mais tudo e qualquer coisa que a igreja. Uma reunião da igreja é algo desconhecido. Em algumas denominações "a igreja" significa os ministros ou o clero; mas, na verdade, deve significar todo o corpo de fiéis, além de dar oportunidade para que estes se encontrem e atuem como igreja. Creio que o certo é a igreja de Deus continuar exercendo a obra de Deus na terra. O poder e direção finais são do nosso Senhor Jesus e devem ficar com ele, não com alguns poucos escolhidos por delegação ou patronagem, mas com todo o corpo de crentes. Precisamos mais e mais validar a igreja que Deus confiou aos nossos cuidados e, ao fazer isso, evocaremos uma força que de outra forma permanecerá dormente. Se a igreja é reconhecida por Jesus Cristo, é digna de ser reconhecida por nós; pois somos os servos da igreja.


Sim, cremos que deve haver uma igreja. Mas igrejas desapontam muitas pessoas. Todo pastor de uma igreja grande confessa isso em sua alma. Não sei se as igrejas de hoje são piores ou melhores do que
costumavam ser no tempo de Paulo. As igrejas em Corinto e Laodicéia e outras cidades exibiam faltas graves, não nos admiremos de haver faltas nas nossas, porém devemos nos afligir sobre tais coisas e trabalhar para alcançar um padrão superior. Embora os membros de nossa igreja não sejam tudo que deveriam ser, nós também não somos. No entanto, se fosse a qualquer lugar para procurar companhia, com certeza procuraria os membros de minha igreja.


Esta é a companhia em que permaneço:
São os melhores amigos que eu conheço.

Ó Jerusalém, com todos seus defeitos, ainda o amo! As pessoas de Deus ainda são a aristocracia da raça: Deus as abençoe! Sim, nosso propósito é ter uma igreja.


Essa igreja é real ou fruto da estatística?


Bem, essa igreja é real ou fruto da estatística? Isso depende muito de vocês, caros irmãos. Insto-os para que resolvam não ter nenhuma igreja a não ser que seja uma igreja real. O fato é que vezes demais as estatísticas eclesiásticas são chocantemente falsas. Como sabemos, cozinhar tais relatórios não é uma arte desconhecida em certos lugares. Soube de um caso, um dia desses, em que foi relatado um aumento de quatro crentes no rol de membros; mas se este fosse atualizado deveria haver um decréscimo de vinte e cinco. Não é falsidade manipular os números? Há como manipular os números. Nunca faça isso. Não deixemos nomes em nossos livros de registros quando são apenas nomes.


Certos indivíduos, dentre os bons e velhos membros, gostam de conservá-los ali e não suportam que sejam removidos, mas quando você não sabe onde as pessoas estão nem o que são, como pode contá-las? Foram para os Estados Unidos, Austrália ou para o céu, mas ainda estão na sua lista. Isso é certo? Pode ser possível que ela não esteja absolutamente correta, mas visemos isso. Devemos enxergar isso sob um aspecto muito sério e nos livrar do vício do falso relatório, pois o próprio Deus não abençoa meros nomes. Não é de seu feitio trabalhar com aqueles que desempenham um falso papel. Se não há uma pessoa real para cada nome, refaça a lista. Mantenha sua igreja real e eficaz ou não faça nenhum relatório. Uma igreja meramente nominal é uma mentira. Que ela seja o que professa ser. Podemos não nos gloriar em estatísticas; mas devemos conhecer os fatos.


Essa igreja vai aumentar ou morrer?


Mas essa igreja vai aumentar ou morrer? Ela fará uma coisa ou outra. Veremos nossos amigos indo para o céu e se não há homens e mulheres jovens convertidos, e trazidos, e acrescentados a nós, a igreja na terra terá emigrado para a igreja triunfante do alto; e o que será feito em prol da causa e do reino do Mestre aqui embaixo? Devemos clamar, orar e rogar para que a igreja possa crescer continuamente. Devemos pregar, visitar, orar, e trabalhar para esse fim. Possa o Senhor, diariamente, acrescentar a nós aqueles que são salvos! Se não há nenhuma colheita, a semente pode ser verdadeira? Pregamos doutrina apostólica se nunca vemos resultados apostólicos? Ó meus irmãos, nossos corações deveriam estar prontos a se partir se não há nenhum aumento nos rebanhos que cuidamos. Ó Senhor, nós te imploramos, manda prosperidade já!


Treiná-la na arte santa da oração


Se uma igreja vai cumprir os propósitos de Deus, devemos treiná-la na arte santa da oração. Infelizmente, são muito comuns as igrejas sem reuniões de oração. Mesmo que haja apenas uma assim, devemos chorar por ela. Em muitas igrejas a reunião de oração é apenas o esqueleto da reunião: a forma é preservada, mas as pessoas não vêm. Não há nenhum interesse, nenhum poder ligado à reunião. Ah, meus irmãos, que não seja assim com vocês! Treinem as pessoas para se reunir continuamente em oração. Acorde-os com súplicas incessantes. Há uma arte santa nisso. Estudem para se apresentar diante Deus aprovados pela devoção de seu povo. Se você mesmo ora, há de querer que orem consigo, e quando começam a orar com você, e por você, e pelo trabalho do Senhor, eles mesmos desejarão mais oração, e o apetite crescerá. Creia-me, se uma igreja não ora, ela está morta. Em vez de pôr a reunião de oração em último lugar, ponha-a em primeiro. Tudo depende do poder de oração na igreja.


Ocupar nossas igrejas para Deus


Devemos ter nossas igrejas todas ocupadas para Deus. Qual é a utilidade de uma igreja que simplesmente se reúne para ouvir sermões, assim como uma família se reúne para fazer suas refeições? Insisto, o que ela aproveita se não faz nenhum trabalho? Não há mesmo muitos professores tristemente negligentes no trabalho do Senhor, embora bastante diligentes em seu próprio? Por causa do ócio cristão ouvimos falar na necessidade de entretenimentos e todo tipo de bobagem. Se eles estivessem ocupados para o Senhor Jesus, não ouviríamos falar nisso. Uma boa senhora disse a uma dona de casa: "Dona Fulana, como você consegue se divertir?". Ela respondeu: "Ora, minha querida, como você pode ver, há tantas crianças e trabalho a ser feito em minha casa". Ao que a outra retrucou: "Sim, eu vejo isso. Vejo que há muito trabalho a ser feito em sua casa; mas como nunca está feito, queria saber como você se divertia".


Muito precisa ser feito por uma igreja cristã dentro de seus próprios limites e para a vizinhança, e para os pobres e caídos, e para o mundo pagão, etc.; e se isso for bem feito, as mentes, e corações, e mãos, e línguas serão ocupadas e não procurarão divertimentos. Deixem que o ócio e aquele espírito que governa as pessoas preguiçosas dominem, e surgirá o desejo de diversão. E que divertimentos! Se a religião não for uma farsa em algumas congregações, as pessoas, de forma alguma, compareceriam mais para se unir em oração do que para ver uma farsa. Eu não entendo isso. O homem que está entusiasmado com o amor a Jesus não tem necessidade de passatempo. Ele não tem tempo para frivolidades. Está sinceramente interessado em salvar almas, e estabelecer a verdade, e ampliar o reino de seu Senhor.


Sempre me sinto pressionado por alguma necessidade para a causa de Deus; e depois que resolvo aquela, tem outra, e outra, e mais outra, e meu esforço tem sido para achar oportunidade de fazer o trabalho que deve ser feito, assim não tenho tido tempo para ir atrás de frivolidades. Ah, conse-guir uma igreja que trabalha! As igrejas alemãs, quando nosso querido amigo, sr. Oncken, estava vivo, sempre seguiam a regra de perguntar a cada crente: "O quê você vai fazer por Cristo?", e eles escreviam a resposta em um livro. Era exigido de cada membro que ele continuasse a fazer alguma coisa para o Salvador. Se ele parasse de fazer alguma coisa era assunto para disciplina da igreja, porque ele era um professor ocioso, e não era permitido permanecer na igreja como um zangão em uma colméia de abelhas trabalhadoras. Ele precisava fazer algo ou sair. Ó, um vinhedo sem uma só figueira estéril para atravancar o terreno! Atualmente, a maior parte de nossa guerra sagrada é levada adiante por um pequeno corpo de pessoas sinceras que vivem intensamente, os demais ou estão em hospitais ou são meros seguidores. Somos agradecidos por aqueles poucos consagrados, mas ansiamos por ver o fogo do altar consumir tudo que professamente está sobre o altar.


Igrejas que produzem santos


Irmãos, também queremos igrejas que produzem santos; homens de fé poderosa e oração prevalecente; homens de vida santa, de ofertas consagradas, cheios do Espírito Santo. Precisamos ter esses santos como ricos cachos, ou, por certo, não somos ramos da verdadeira videira. Desejo ver em toda igreja uma Maria sentada aos pés de Jesus, uma Marta servindo Jesus, um Pedro e um João; mas o melhor nome para uma igreja é "Todos os Santos". Todos os crentes devem ser santos, e todos podem ser santos. Não temos nenhuma ligação com "os santos dos últimos dias", mas amamos os santos de todos os dias. Ai, que haja mais deles! Se Deus nos ajudar para que assim toda a companhia de fiéis, cada um individualmente, chegue à plenitude da estatura de um homem em Cristo Jesus, então veremos coisas maiores do que essas. Tempos gloriosos virão, quando os crentes tiverem caráter glorioso.


Igrejas que conheçam a verdade, bem instruídas nas coisas de Deus


Queremos também igrejas que conheçam a verdade e sejam bem instruídas nas coisas de Deus. O que é que algumas pessoas cristãs conhecem? Elas vêm e ouvem, e, na plenitude de sua sabedoria, você os instrui, mas quão pouco recebem para armazenar para a edificação! Irmãos, em parte a falta é nossa, e em parte deles mesmos. Se ensinássemos melhor, eles aprenderiam melhor. Veja quão pouco muitos professores sabem, não o suficiente para lhes dar discernimento entre verdade viva e erro mortal. Os crentes de antigamente podiam lhe dizer o capítulo e versículo para o que eles criam, mas restam poucos desses! Nossos veneráveis avós estavam à vontade, sentiam-se confortáveis quando conversavam sobre "as alianças". Amo homens que amam a aliança da graça, e baseiam nela sua teologia: a doutrina das alianças é a chave da teologia. Aqueles que temiam ao Senhor falavam muito um com o outro.


Costumavam falar da vida eterna e de tudo que vem dela. Eles tinham um bom argumento para essa crença e uma excelente razão para aquela outra doutrina; tentar abalá-los não era de modo algum tarefa que trouxesse esperança de sucesso: era tão passível de esperança como sacudir os pilares do universo, porque eles eram firmes e não podiam ser levados levianamente por todo vento de doutrina. Sabiam o que conheciam, sabiam seguramente aquilo que tinham aprendido. O que vai acontecer com nosso país, com a atual chuva forte de romanismo despejando-se sobre nós por meio do partido ritualista, a não ser que nossas igrejas tenham abundância de crentes firmes que possam discernir entre a regeneração do Espírito Santo e seu substituto cerimonial? O que acontecerá com nossas igrejas nesses dias de ceticismo quando se aponta toda verdade fixada com o dedo da dúvida, a não ser que nosso povo tenha as verdades do evangelho escritas em seus corações? Ah, por uma igreja de crentes absolutos, impenetráveis à dúvida que destrói a alma, que se derrama abundantemente sobre nós!

Uma igreja de natureza missionária


Mas nem isso alcançaria nosso ideal. Queremos uma igreja de natureza missionária que sairá para reunir o povo para Deus em todas as partes do mundo. A igreja é uma companhia de salvar almas ou não é nada. Se o sal não exerce influência preservadora sobre aquilo que o rodeia, qual é a utilidade dele? Contudo, alguns recuam de qualquer esforço em sua vizinhança imediata por causa da pobreza e vício do povo. Lembro-me de um pastor já morto, sob muitos aspectos era um homem muito bom, mas deixou-me muito surpreso com a resposta que deu a uma pergunta minha. Ao comentar que ele tinha uma vizinhança feia em redor de sua capela, disse: "Será que você pode fazer muita coisa por eles?".


Ele respondeu: "Não, sinto-me quase contente por ficarmos afastados deles; pois veja, se alguns deles fossem convertidos, seria um terrível peso sobre nós". Eu sabia que ele era o próprio espírito de cautela e prudência, mas essa resposta me assustou e busquei uma explicação. Ele disse: "Bem, nós teríamos que mantê-los, em sua maioria são ladrões e meretrizes que se forem convertidos não têm meios para viver, somos um povo pobre e não poderíamos sustentá-los"! Ele era um homem devoto com quem era proveitoso conversar, ainda assim era dessa forma que encarava os fatos. Seu povo tinha dificuldade em cobrir as despesas do culto, assim a fria penúria reprimiu um zelo gracioso e congelou a corrente amável de sua alma. Houve bastante bom senso no que disse, mas ainda assim era uma coisa terrível dizê-lo. Queremos um povo que não cante para sempre,


Somos um jardim cercado,
Uma terra escolhida e especial;
Um pequeno ponto de graça,
Neste mundo deserto e solitário.


Pode ser um verso para se cantar ocasionalmente, mas não quando quer dizer: "Somos muito poucos e desejamos ser assim". Não, não, irmãos! somos um destacamento dos soldados do Rei, detidos em um país estrangeiro, em serviço de guarda; contudo, não tencionamos apenas guardar o forte, mas acrescentar território ao domínio de nosso Senhor. Não estamos aqui para ser expulsos; ao contrário, vamos expulsar os cananeus, pois essa terra nos pertence, foi-nos dada pelo Senhor, e a conquistaremos. Possamos estar animados pelo espírito de descobridores e conquistadores e que nunca descansemos enquanto ainda houver uma classe para ser salva, uma região para ser evangelizada!


Como homens em um salva-vida remamos em um mar bravio e nos apressamos em direção ao naufrágio ali adiante, onde homens estão perecendo. Se não conseguirmos trazer os restos do navio naufragado à terra, pelo menos, pelo poder de Deus, salvaremos os que estão perecendo, salvaremos vidas e conduziremos os remidos às praias da salvação. Nossa missão, como a de nosso Senhor, é reunir os escolhidos de Deus dentre os homens para que possam viver para a glória de Deus. Todo homem salvo deve ser, sob o comando de Deus, um salvador, e a igreja não está em seu estado certo até que tenha alcançado essa compreensão. A igreja eleita é salva para que possa salvar, purificada para que possa purificar, abençoada para que possa abençoar. O mundo inteiro é o campo, e todos os membros da igreja devem trabalhar nele para o grande Agricultor. Terras incultas serão recuperadas, as improdutivas serão rasgadas pelo arado, até que o lugar solitário comece a florir como a roseira. Não podemos ficar contentes em nos manter onde estamos, precisamos invadir os territórios do príncipe das trevas.

Somos servos


Meus irmãos, qual é nossa relação com essa igreja? Qual é nossa posição nela? Nós somos servos. Possamos sempre reconhecer nosso lugar e guardá-lo! O lugar mais alto na igreja sempre virá para o homem que voluntariamente escolhe o mais baixo. Enquanto ele aspira ser grande entre seus irmãos, declina até chegar a ser o menor de todos. Certos homens poderiam ter sido alguma coisa se já não se tivessem julgado ser isso. Um homem que conscientemente se acha grande, com certeza é pequeno. Aquele que se considera senhor da herança de Deus é um vil usurpador. Aquele que em seu coração e alma está sempre pronto a servir o menos importante da família, que espera que outros tirem vantagem dele e está disposto a sacrificar o bom nome e a amizade por amor a Cristo, este cumprirá um ministério enviado dos céus. Não somos enviados para ser servidos, mas para servir, para ministrar. Cantemos ao Bem-Amado:


Não há um cordeiro em todo teu rebanho,
Que eu desprezaria alimentar;
Não há um inimigo diante de cuja face
Eu temeria tua causa defender.


Ser exemplos para o rebanho


Também precisamos ser exemplos para o rebanho. Aquele que não pode ser imitado com segurança não deve ser tolerado em um púlpito. Se já ouvi falar de um ministro que estava sempre disputando a primazia? Ou de outro que era maldoso e ambicioso? Ou de um terceiro cuja conversação não era sempre pura? Ou de um quarto que tinha por hábito não se levantar antes das onze horas da manhã? Minha esperança é que este último boato seja completamente falso. Um ministro ocioso--o que será dele? Um pastor que negligencia seu ofício? Ele espera entrar no céu? Estava para dizer: "Se ele vai para lá sob qualquer condição, que vá logo". Um pastor preguiçoso é uma criatura desprezada pelos homens e detestada por Deus. Disse para um fazendeiro: "Você dá cento e cinqüenta reais por ano para seu ministro! Ora, o pobre homem não consegue viver com isso". A resposta foi: "Olhe aqui, senhor! Eu lhe digo: o que nós lhe damos é muito mais do que ele merece ganhar".


É uma tristeza quando isso pode ser dito, é uma injúria a todos aqueles que seguem nossa sagrada vocação. Devemos ser exemplos para o nosso rebanho em todas as coisas. Devemos superar em toda diligência, toda bondade, toda humildade e toda santidade. Quando César entrou em suas guerras, uma coisa sempre ajudou seus soldados a suportar as dificuldades, sabiam que César passava o mesmo que eles. Ele marchava se eles marchavam, ele passava sede se eles passavam sede, e ele estava sempre no cerne da batalha se eles estavam lutando.


Se nós somos oficiais do exército de Cristo, devemos fazer mais do que os outros. Não podemos dizer: "Vão em frente", e sim: "Venham comigo". Nosso povo com razão deve esperar de nós, no mínimo, que estejamos entre os que mais se sacrificam, os mais laboriosos, os mais sérios e zelosos e algo mais. Não podemos esperar ver igrejas santas se nós, que devemos dar exemplo, não somos santificados. Se há em quaisquer de nossos irmãos consagração e santificação evidente a todos os homens, Deus os tem abençoado e os abençoará cada vez mais. Se não temos isso, não precisamos buscar longe para encontrar a causa de nossa falta de sucesso.


Tenho ainda muitas coisas que lhes dizer, mas vocês não o podem suportar agora, pois já falei por muito tempo e vocês estão cansados. Desejo, contudo, se vocês puderem reunir sua paciência e forças, demorar-me um pouco na parte mais importante de meu tema triplo. Aqui, permitam-me orar pelo auxílio daquele cujo nome e pessoa eu quero engrandecer. Vem, Espírito Santo, Pomba celeste, e descanse sobre nós nesta hora!