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Sexta-feira, Setembro 14, 2007

Índice.

Quinta-feira, Setembro 21, 2006

As Maravilhas do Calvário (Oração – Spurgeon )

GRANDIOSO DEUS, HOUVE um tempo em que nos apavorava pensar em estarmos próximos de ti, pois éramos culpados e estavas irado conosco. Agora, porém, te louvamos porque desviaste a tua ira e nos confortaste. O mesmo trono que era lugar de terror, tornou-se lugar de refúgio. Fujo para ti par me abrigar.

Ansiamos por sair deste mundo, e por esquecê-lo, para ter comunhão com o mundo por vir, falando com aquele que era, que é e que há de vir, o Todo-Poderoso. Senhor, muitas vezes nos preocupamos e cansamos com inquietações; contigo, porém, essas inquietações se acabam, pois tu dominas sobre tudo e quando vivemos em ti, vivemos em abundância, em repouso seguro, em alegria constante.

Temos de pelejar com os filhos dos homens contra milhões de enganos e injustiças mas, quando nos refugiamos em ti, tudo é verdade e pureza e santidade, e nossos corações alcançam a paz. Acima de tudo, nossa luta é contra nós mesmos, e nos envergonhamos disso. Após tantos anos de grande misericórdia, após experimentarmos os poderes do mundo vindouro, ainda somos tão débeis e tolos; mas quando nos despojamos de nós mesmos e nos enchemos de Deus, tudo o que é verdadeiro, puro e santo passa a nos preencher, e nossos corações encontram paz, sabedoria, plenitude, gozo, alegria e vitória.

Oh, por favor, leva-nos para junto de ti. Deixa-nos mergulhar na comunhão com Deus. Bendito seja o amor que nos escolheu antes mesmo da fundação do mundo. Nossa adoração a ti jamais será suficiente diante da tua soberania, a soberania do amor com que nos enxergaste nas ruínas do pecado e nos amaste mesmo assim.

Louvamos ao Deus da Câmara do Conselho Eterno e da Aliança Perpétua. Onde encontraremos palavras suficientemente adequadas para louvar a ti, que nos deste graça em Cristo, teu Filho, antes de espalhar o firmamento estrelado.

Também bendizemos a ti, ó Deus, como o Deus da nossa redenção, porquanto nos amaste a ponto de dar teu amado Filho por nós. Este se deu a si mesmo, deu sua própria vida por nós para nos redimir de toda iniqüidade e nos separar para si mesmo, para sermos seu povo exclusivo, zeloso e de boas obras.

Jamais poderemos louvar suficientemente por esse tua graça e esse amor imortal. As maravilhas do Calvário nunca cessam de ser maravilhas, são cada vez mais maravilhosas aos nossos olhos, quando pensamos em Jesus Cristo que nos lavou os pecados com seu sangue. Tampouco podemos parar de adorar o Deus da nossa regeneração, que nos encontrou morto e nos deu vida, nos encontrou em inimizade e nos reconciliou, nos achou amando as coisas deste mundo e nos desviou o olhar do egoísmo e do mundanismo para o amor das coisas eternas e divinas.

Ó, Espírito de Deus, nós te amamos especialmente porque tu habitas em nós. Como podes fixar residência numa habitação tão grosseira! Como podes fazer destes corpos teus templos! Por tudo isso, que o teu nome seja reverenciado enquanto vivermos.

Ó Senhor, gozo infindo encontramos em ti hoje. Dá-nos fé e amor e esperança para que, com essas três graças, nos acheguemos ao Deus Triúno. guarda-nos, conserva-nos, alimenta-nos, guia-nos, traz-nos à memória de Deus e mostra-nos o teu amor e , na glória eterna e ilimitada, faze-nos conhecer e provar e sentir alegrias indizíveis.

Não tardará muito e atingiremos a praia dourada; um pouco mais de luta e receberemos a coroa da vida, cujo brilho é inextinguível.

Senhor, eleva-nos acima deste mundo. Vem, Santo Espírito, pomba celestial, e leva-nos sobre tuas asas até a eternidade, para bem longe das tristezas e alegrias aqui de baixo. Que possamos subir em contemplação jubilosa, e que nosso espírito volte fortalecido para todo serviço, armado para todas as batalhas, guarnecido para todos os perigos, e pronto para viver o céu aqui na terra, até um dia vivermos no céu. Grandioso Pai, está com o teu povo que espera em ti; dá tua preciosa ajuda aos que enfrentam grande aflição; aos que estão abatidos dá teu incomparável conforto e ânimo; aos que erraram e estão gemendo sob seus pecados, traze-os de volta e sara as suas feridas; aos que hoje mesmo suspiram por santidade, realiza o desejo de seus corações; aos que almejam ser úteis, guia-os para as oportunidades.

Senhor, queremos viver plenamente esta vida. Oramos para que nossa existência terrena não passe em meio a lamentos, nem vivamos como minhocas que voltam rastejando para seus buracos, arrastando consigo folhas secas, pelo contrário, faze-nos viver como devemos viver, com a nova vida que tu puseste dentro de nós, com a energia divinal que nos coloca tanto acima do homem comum, como acima dos animais que perecem.

Não deixa que fiquemos presos como pobres pássaros semi-chocados dentro dos ovos; mas que possamos romper a casca hoje e sair rumo à gloriosa liberdade dos filhos de Deus. concede-nos isto, te rogamos.

Senhor, visita nossa igreja. Ouvimos tua mensagem à igreja em Éfeso; ela também se aplica a nós. Oh! Não permitas que nenhum de nós abandone o seu primeiro amor. Que nossa igreja não se torne fria e morta. Receamos já não sermos com éramos outrora. Senhor, faz-nos reviver! Todo socorro deve vir de ti. Devolve à igreja seu amor, sua confiança, sua santa ousadia, sua consagração, sua liberalidade, sua santidade. Restaura tudo o que ela sempre teve e acrescenta-lhe ainda mais. Lava os pés de cada membro, amável Senhor, com maior ternura, e, com pés limpos, põe-nos num caminho limpo, com corações limpos para nos guiar, e abençoar-nos como aprouver a Deus.

Abençoa-nos, Pai nosso, e deixa todas as igrejas de Jesus Cristo usufruirem do mesmo cuidado e ternura. Caminhando entre os condeeiros de outro, aponta cada pavio e faz com que cada chama, agora enfraquecida, resplandeça gloriosamente por causa de teu cuidado.

Abençoa também os pecadores, Senhor, converte-os. Ó Deus, salva as pessoas, salva esta imensa cidade perdida, esta cidade adormecida na morte. Ressuscita, ressuscita-a de qualquer maneira, para que ela volte a Deus. Senhor, salva os pecadores de todo o mundo, para que se cumpra a tua palavra preciosa: "Eis que vem com as nuvens". por que te demoras? Ó nosso Senhor, não demores. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, glória seja dada para todo o sempre. Amém!

Quarta-feira, Setembro 20, 2006

Flechas de Spurgeon

- Deus nos abençoa muitas vezes cada vez que nos abençoa.

- O divino abençoa o humano pra que este possa bendizê-lo.

- A adoração mecânica é fácil, porém nada vale.

-A adversidade tem menos poder para prejudicar do que a prosperidade.

-A adversidade santifica aviva nossa sensibilidade espiritual

- Deus concede às pequenas criaturas grandes alegrias.

- Como uma alma pode chegar a algum lugar, se estiver sempre mudando de rumo? Nao se pode semear em Berseba e correr para ceifar em Dã.

-Almas santificadas não podem hospedar-se em corpos imundos.

- Conta-se que Aníbal dissolveu as rochas dos Alpes com vinagre. Cristo dissolve nossos corações com amor.

- Não sejamos amordaçados como cães para agradar ao mundo ou a seus mestres.

- Um argumento vivo é invencível.

- A aprovação de Deus vale mais do que a admiração das nações.

- O arrependimento nos dá um lugar modesto.

- Do arrependimento sem Cristo, teremos de nos arrepender.

- A porta do arrependimento se abre para os salões da alegria.

- Arrume seu interior e você ficará arrumado por fora.

- Quem gostaria da passar a vida toda brincando à beira de um lago? Atire-se nas águas e mergulhe até o fundo.

- Os avivamentos são nossos jubileus.

- Bem adiado, mal saciado

- Quando os cavalos negros do Senhor batem a nossa porta, deixam fardos duplos de bençãos.

- Para muitos homens a Bíblia é uma carta de Deus fechada.

- Nunca tenha medo de sua Bíblia.

- Mas vale a Bíblia guardade na memória do que na estante.

- A Bíblia é o tesouro do conhecimento celestial, a inciclopédia da ciência divina

- Brincamos de gente hoje e de rato amanhã.

- As flechas da calamidade estão apontadas para os nossos pecados.

- O caminhar seguro só procede de um caminhar cuidadoso.

- Tal qual a cotovia, suba as montanhas para falar com Deus e faça-o cantanto.

-É melhor ser o cão de Deus do que o "benzinho" do diabo.

- Ninguém precisa ser casmurro por ter se tornado cristão.

- A fé que nunca fez chorar é fé que nunca fez viver.

- Cuidado com as más companhias ao cair da tarde.

- A comunhão com Deus produz música grandiosa.

- Confiança simples e serviço agradecido formam uma liga mais preciosa do que o ouro.

- Um corte profundo na consciência pode desfigurar uma alma para sempre.

- O crente tem argumentos permanentes a favor da consolação permanente.

- A constância é a prova da sinceridade

- Não se consegue meia dúzia de conversões com meia dúzia de canetas.

-Os dias de conversão são nossos feriados mais importantes.

- Conversões não são fabricadas em formas.

- Você tem o leite e o café, mas Deus quer que você se apodere da nara da convicção

- O sotaque da convicção é indispensável para quem almeja convencer

Terça-feira, Setembro 19, 2006

Samuel e Seus Mestres - C. H. Spurgeon

Nos dias de Eli, a palavra do Senhor era preciosa, e não havia visão aberta. Foi ótimo que quando a palavra veio mesmo, um indivíduo escolhido tinha o ouvido que escutava para recebê-la, e o coração obediente para executá-la. Eli não educou seus filhos para serem os servos dispostos e os ouvintes atentos à palavra do Senhor. Nisso lhe faltava a desculpa de ser incapaz, porque treinou a criança Samuel com bom êxito em ser reverentemente atento à vontade divina. Ah, que aqueles que são diligentes com as almas de outros olhassem bem as suas próprias famílias. Mas ai do pobre Eli--como muitos em nossos dias, fizeram-te guarda dos vinhedos, mas tua própria vinha tu não guardaste. Sempre que olhava a criança graciosa, Samuel, deve ter sentido a dor de coração. Quando se lembrava de seus próprios filhos negligenciados e não punidos, e como se tornaram vis aos olhos de toda Israel, Samuel era o testemunho vivo do que a graça pode operar quando as crianças são educadas no temor do Senhor; e Hofni e Finéias eram tristes exemplos do que a tolerância demasiada dos pais pode causar nos filhos dos melhores dos homens. Ai, Eli, se você tivesse sido tão cuidadoso com seus próprios filhos como com o filho de Ana, não teriam sido homens de Belial como foram, nem Israel teria detestado as ofertas do Senhor por causa da fornicação que aqueles réprobos sacerdotes cometiam bem na porta do tabernáculo. Ah, que tenhamos graça para cuidar de nossos pequeninos pelo Senhor, para que eles possam ouvir o Senhor quando ele se agradar em lhes falar.

Samuel foi abençoado com um pai gracioso, e, o que é mais importante ainda, era filho de uma mãe eminentemente santa. Ana era uma mulher de grande talento poético, como fica evidente pelo seu cântico memorável--"Meu coração exulta no Senhor; no Senhor minha força é exaltada. Minha boca se exalta sobre os meus inimigos, pois me alegro em tua libertação" (1Sm 2.1). A alma da poesia vive em cada sentença. Mesmo a Virgem Maria, a mais abençoada entre as mulheres, não pôde senão usar expressões de significado semelhante. Melhor ainda, Ana era uma mulher de grande oração. Fora uma mulher de espírito triste, mas suas orações pelo menos voltaram para ela em bênção, e Deus lhe concedeu esse filho. Ele era muito precioso para o coração de sua mãe, e ela, então, para mostrar sua gratidão, e em cumprimento do voto que na sua angústia havia feito ao Senhor, consagrou a coisa melhor que ela tinha, apresentando seu filho diante do Senhor em Siló--uma lição a todos os pais piedosos, para que não descuidem de dedicar seus filhos a Deus.

Como seremos favorecidos se nossos filhos forem todos como Isaque--filhos da promessa! Que pais abençoados seríamos se víssemos nossos filhos se levantarem para chamar o Redentor de abençoado! Já foi a sorte de alguns de vocês verem todos os seus filhos contados com o povo de Deus; todas as suas jóias já estão agora na caixa de jóias de Jeová. Na sua primeira infância, vocês já os deram a Deus, e dedicaram-nos em sincera oração, e agora o Senhor lhes deu a resposta da petição que a ele dirigiram. Eu gosto que nossos amigos façam um cultinho em sua própria casa quando sua família é aumentada; parece-me bom e proveitoso os amigos se reunirem, e uma oração ser oferecida para que o bebê possa cedo ser chamado pela graça poderosa e recebido para fazer parte da família divina. Você perceberá que logo que Samuel foi colocado sob o cuidado e tutela de Eli, foi instruído até certo ponto no espírito da religião, mas Eli não lhe parece ter explicado a forma e a natureza daquelas manifestações especiais e particulares de Deus que eram dadas a seus profetas; sonhando um pouco, ouso dizer que Samuel fosse algum dia o objeto delas. Naquela noite memorável, quando perto do amanhecer a lâmpada de Deus estava para se apagar, o Senhor clamou, "Samuel, Samuel", e o garotinho não pôde discernir--porque não lhe fora ensinado--que era a voz de Deus, e não a voz do homem.

Que ele havia aprendido o espírito da religião verdadeira é indicado pela sua obediência instantânea, e o hábito da obediência tornou-se uma diretriz valiosa nas perplexidades daquela hora cheia do evento. Ele corre para Eli, e diz: "Estou aqui; o senhor me chamou?"; e embora isso fosse repetido três vezes, mesmo então ele parecia não se importar de sair de sua cama quentinha, e correr para seu pai de criação, para ver se lhe podia buscar algum conforto que sua idade avançada poderia exigir durante a noite, ou de outra forma obedecer seu mando - um sinal seguro de que a criança havia adquirido o princípio saudável da obediência, embora não entendesse o mistério do chamado profético. Bem melhor ter o jovem coração treinado a carregar o jugo do que encher a cabeça infantil de conhecimento, por mais valioso que fosse. Um grama de obediência vale mais do que uma tonelada de instrução.

Quando Eli percebeu que Deus chamara a criança, ele o ensinou sua primeira oração. É curta, mas diz muito: "Fala, Senhor, pois o teu servo está ouvindo" (1Sm 3.10b). Que os pais cristãos expliquem à criança o que é a oração. Diga-lhe que Deus responde às orações; dirija-o ao Salvador, e então anime o menino a expressar seus desejos em sua própria linguagem quando ele se levanta ou quando vai para o descanso. Reúna os pequenos à sua volta e ouça suas palavras, sugerindo-lhes suas necessidades, e lembrando a eles a promessa graciosa de Deus. Você ficará maravilhado, e, posso acrescentar, às vezes, divertido também; mas também ficará surpreso com as expressões que usarão, as confissões que farão, os desejos que expressarão; e eu estou certo de que qualquer pessoa cristã que possa ouvi-los e escutar a simples oração de uma criancinha pedindo com sinceridade por aquilo que ela pensa querer nunca mais desejaria ensinar a uma criança uma oração já formulada, porém, diria que como matéria de educação para o coração a fala improvisada foi infinitamente superior à melhor fórmula, e que se deveria desistir da fórmula para sempre.

No entanto, não me deixe falar tão radicalmente. Se você precisa ensinar seu filho a dizer uma forma de oração, pelo menos não lhe ensine nada que não seja verdade. Se você ensina a seus filhos um catecismo, que seja bem bíblico, ou você os ensina a dizer mentiras. Não ensine nada senão a verdade como está em Jesus até onde eles podem aprendê-la, e ore ao Espírito Santo para que escreva essa verdade sobre o coração deles. Melhor não fornecer postes de sinalização para o jovem viajante que levá-lo a errar o caminho por ter indicadores falsos. O farol de um demolidor é pior do que o escuro. Ensine nossa juventude a fazer afirmações mentirosas em assuntos religiosos, e o ateísmo pode corromper ainda mais suas mentes. A religião formal é inimiga mortal da piedade viva. Se você ensina um catecismo, ou se ensina uma fórmula de oração a seus pequenos, que seja tudo verdade; e, até onde for possível, nunca ponha na boca de uma criança uma palavra que a criança não possa dizer de todo seu coração.

Precisamos ser mais cuidadosos no que se refere a dizer o que é verdade e correto na fala. Se uma criança olhasse por uma janela para algo que estivesse acontecendo na rua, e depois lhe dissesse que ela o viu da porta, você deveria fazê-lo contar de novo o caso para imprimir nela a necessidade de ser verdadeiro a respeito de tudo. Principalmente sobre as coisas ligadas à religião, não deixe a criança usar nenhum formato feito até que tenha o direito de ser um participante. Nunca a incentive a vir à mesa do Senhor a não ser que você creia realmente que há uma obra de graça em seu coração; pois por que você o levaria a comer e beber para sua própria condenação? Insista de todo coração que a religião é uma realidade solene que não é para ser imitada ou feita de conta, e procure levar a criança a entender que não há vício que aborreça mais a Deus do que a hipocrisia. Não faça seu pequeno Samuel ser um jovem hipócrita, mas instrua seu queridinho a falar diante do Senhor com uma profunda solenidade e uma conscienciosa veracidade, e não o deixe ousar dizer, nem em resposta a uma pergunta de catecismo, nem como forma de oração, nada que não seja positivamente verdade. Se precisa ter uma oração decorada, que ela não expresse desejos como uma criança nunca teria, mas que seja adaptada à sua capacidade.

A respeito do reverendo John Angell James, diz-se: "Como a maioria dos homens que foram eminentes e honrados na igreja de Cristo, ele teve uma mãe piedosa, que costumava levar seus filhos a seu quarto, e com cada um separadamente orar pela salvação de sua alma. Esse exercício, que cumpria sua própria responsabilidade, estava formatando o caráter de seus filhos, e a maioria, se não todos, levantou-se para chamá-la abençoada. Será que tais meios já chegaram a falhar algum dia?" Eu lhes peço, professores da Escola Dominical, embora isso talvez nem seja necessário, pois sei como são zelosos nessa matéria--, logo que virem o primeiro prenúncio do dia em suas crianças, incentive seus desejos juvenis. Creia na conversão de crianças quando crianças; creia que o Senhor pode chamá-las por sua graça, pode renovar seus corações, pode dar-lhes um papel e uma sorte dentre seu povo muito antes de chegarem à plenitude da vida.

Segunda-feira, Setembro 18, 2006

Olhe Tudo Através da Cruz - C. H. Spurgeon

"O que significa esta cerimônia?" (Êxodo 12)

Nós devemos olhar tudo o que há neste mundo sob a luz da redenção, e assim o veremos corretamente. Faz uma diferença maravilhosa se você vê a providência do ponto de vista do merecimento humano ou do pé da cruz. Não vemos nada do modo real enquanto não o vemos através do vidro, o vidro vermelho do sacrifício expiatório. Use esse telescópio da cruz e então verá longe e claramente; olhe os pecadores através da cruz; olhe as alegrias e tristezas do mundo através da cruz; olhe o céu e inferno através da cruz. Veja o quanto era para ser realmente visível o sangue da Páscoa, e então aprenda de tudo isso a dar importância verdadeira ao sacrifício de Jesus--sim, dar-lhe toda a importância, pois Cristo é tudo.


Nós lemos em Deuteronômio, no sexto capítulo, versículo oito, com respeito às ordens da lei do Senhor, o seguinte: "Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa. Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões." Observe, então, que a lei deve ser escrita logo ao lado dos memoriais do sangue. Na Suíça, nas vilas protestantes, podiam ser vistos textos da Escritura nos umbrais das portas. Seria tão bom que tivéssemos esse costume na Inglaterra. Quanto do evangelho poderia ser pregado aos passantes se textos bíblicos estivessem acima das portas dos cristãos! Poderia ser ridicularizado como farisaísmo, mas poderíamos nos acostumar. Poucos são sujeitos, nos dias de hoje, à acusação de serem religiosos demais. Eu gosto de ver textos da Escritura em nossos lares, em todos os cômodos, nas molduras acima das portas, e nas paredes; mas do lado de fora da porta - que beleza de anúncio o evangelho poderia ter por preço tão econômico.

Mas note que, quando o judeu escrevia nas colunas de sua porta uma promessa, um preceito ou uma doutrina, ele tinha de escrever sobre uma superfície manchada de sangue, e quando a Páscoa do ano seguinte chegava, ele tinha de aspergir o sangue com hissopo bem em cima da escrita. Parece-me ótimo pensar na lei de Deus ligada àquele sacrifício expiatório que o engrandeceu e o tornou honrável. Os mandamentos de Deus vêm para mim como homem remido; suas promessas são para mim como homem comprado pelo sangue, seu ensino me instrui como pessoa por quem a expiação já foi feita. A lei na mão de Cristo não é uma espada para nos matar, e sim uma jóia para nos enriquecer. Toda a verdade aceita em relação à cruz é muito incrementada em seu valor. A Santa Escritura torna-se preciosa sete vezes mais quando vemos que ela vem a nós como sendo remidos do Senhor, e traz em cada página marcas daquelas mãos queridas que foram pregadas na cruz por nós.

Agora, é possível compreender como tudo foi feito que bem podia ser pensado de modo que elevasse o sangue do cordeiro pascoal a uma alta posição na estima das pessoas que o Senhor tirou do Egito; e você e eu precisamos fazer tudo que podemos para trazer à frente, e conservar diante dos homens para sempre, a preciosa doutrina do sacrifício expiatório de Cristo. Ele foi feito pecado por nós, embora nenhum pecado conhecesse, para que nele nós pudéssemos ser feitos a justiça de Deus.

E agora quero lhes fazer lembrar da instituição que era ligada à memória da Páscoa. "Quando os seus filhos lhes perguntarem: 'O que significa esta cerimônia?', respondam-lhes: 'É o sacrifício da Páscoa ao Senhor'" (Êx 12.26-27a).

Investigação é coisa que deve ser estimulada na mente de nossas crianças. Ah, se pudéssemos levá-las a fazer perguntas sobre as coisas de Deus! Alguns perguntam bem cedo, outros parecem ter herdado o mal da indiferença que as pessoas mais velhas têm. Temos de lidar com os dois tipos de mente. É bom explicar às crianças a ordenança da Ceia do Senhor, pois isso mostra bem a morte de Cristo em símbolo. Sinto pena de que as crianças não vejam com maior freqüência essa ordenança. Os dois, o Batismo e a Ceia do Senhor, devem ser feitos à vista da geração que surge para que então nos perguntem: "O que significa essa cerimônia?" Ora, a Ceia do Senhor é um perene sermão evangelístico, e fala principalmente sobre o sacrifício do pecado. Você pode banir essa doutrina da expiação do púlpito, mas ela sempre viverá na igreja através da Ceia do Senhor. Você não pode explicar aquele pão partido e aquele copo cheio do fruto da vide sem referência à morte expiatória de nosso Senhor. Não pode explicar "a comunhão do corpo de Cristo" sem incluir, de uma forma ou outra, a morte de Jesus em nosso lugar e posição. Deixe que os seus pequenos, então, vejam a Santa Ceia, e que lhes seja explicado bem claramente o que ela apresenta. E se não a própria Ceia do Senhor--pois isso não é a coisa em si, mas só a sombra do fato glorioso--, demore-se muito e com freqüência nos sofrimentos e morte de nosso Redentor. Deixe que pensem no Getsêmane, e no Gabata (o local do Pretório), e no Gólgota, e que aprendam a cantar em tons melancólicos sobre aquele que deu sua vida por nós. Diga-lhes quem foi aquele que sofreu e por quê. Sim, embora o hino não seja bem ao meu gosto em algumas de suas expressões, gostaria que as crianças cantassem:

Mui longe o monte verde está
Fora dos muros de Jerusalém.

E eu gostaria que aprendessem versos parecidos com estes, de hinos com esta idéia:

Sabia como fomos maus,
Que Deus teria que castigar.
Então Jesus ofereceu
Morrer - em nosso lugar.

E quando a atenção é despertada para o melhor dos temas, estejamos preparados para explicar a grande transação pela qual Deus é justo, e ainda assim, os pecadores são justificados. As crianças podem entender muito bem a doutrina do sacrifício expiatório; a intenção foi mesmo que fosse um evangelho que até o mais novo pudesse apropriar. O evangelho da substituição é uma grande simplicidade, embora seja um mistério. Não devemos nos contentar até que nossos pequeninos conheçam e confiem no Sacrifício completado por eles. Isso é conhecimento essencial, e a chave para todo ensino espiritual. Que nossas queridas crianças conheçam a cruz, e já terão começado bem. Com todas as coisas que aprendem, que possam aprender a compreender isso, e já terão um fundamento bem construído.

Para isso, você deverá ensinar à criança que ela necessita de um Salvador. Você não pode se omitir dessa tarefa. Não bajule a criança com bobagens sobre sua natureza ser boa e precisar ser desenvolvida. Diga-lhe que precisa nascer de novo. Não a encoraje com a imaginação de sua própria inocência, mas mostre-lhe seu próprio pecado. Mencione os pecados infantis aos quais ela se inclina, e ore para que o Espírito Santo trabalhe a convicção no seu coração e na sua consciência.

Lide com os novos como lida com os velhos. Seja completo e honesto com eles. Religião frágil não é boa nem para jovens nem para velhos. Esses meninos e meninas precisam de perdão através do sangue precioso tanto como qualquer um de nós. Não hesite em contar à criança sua situação ruinosa; senão ela não há de querer o remédio. Diga-lhe também qual é o castigo do pecado, e avise-a de seu terror. Seja terno, mas seja verdadeiro. Não esconda do pecador jovem a verdade por mais terrível que possa ser. Agora que chegou aos anos de responsabilidade, se não acreditar em Cristo, ficará numa situação desfavorável com ele no grande dia final. Coloque diante dela o trono do grande julgamento, e lembre-a de que terá de dar contas das coisas feitas no corpo. Trabalhe para acordar a consciência; e ore a Deus pelo Espírito Santo para trabalhar junto a você até que o coração se enterneça e a mente perceba a necessidade da grande salvação.

As crianças precisam aprender a doutrina da cruz para que possam encontrar salvação imediata. Sou grato a Deus porque em nossa Escola Dominical nós cremos na salvação de crianças quando crianças. Quantos meninos e meninas tenho tido a alegria de ver se oferecerem para confessar sua fé em Cristo! E outra vez desejo dizer que os melhores convertidos, os convertidos mais óbvios, mais inteligentes que já tivemos têm sido os novos; e em vez de haver alguma deficiência em seu conhecimento da Palavra de Deus e das doutrinas da graça, geralmente, descobrimos terem um conhecimento encantador das grandes verdades cardeais de Cristo. Muitas dessas preciosas crianças falaram das coisas de Deus com grande prazer de coração e força de entendimento. Prossigam, queridos professores, e creiam que Deus salvará suas crianças. Não se contentem em semear princípios em suas mentes que possivelmente se desenvolvam em anos futuros, mas trabalhem por conversões imediatas. Espere frutos em suas crianças enquanto são crianças. Ore por elas para que não corram para o mundo e caiam nos males do pecado exterior, e depois voltem com ossos quebrados para o Bom Pastor; mas que possam pela rica misericórdia ser guardadas dos caminhos do destruidor, e crescer no aprisco de Cristo, primeiro como cordeiros de seu rebanho, e depois como ovelhas de sua mão.

De uma coisa estou certo: se ensinarmos às crianças a doutrina da expiação em termos inconfundíveis, estaremos agindo de forma muito boa. Às vezes, espero que Deus avive sua igreja e a restaure à antiga fé através de um trabalho da graça entre as crianças. Se ele trouxesse para dentro de nossas igrejas um grande influxo de crianças, como isso poderia apressar o sangue indolente dos preguiçosos. As crianças cristãs tendem a manter a casa animada, viva. Suspiramos por mais delas! Se apenas o Senhor nos ajudar a ensinar as crianças, nós estaremos ensinando a nós mesmos. Não há melhor modo de aprender do que ensinar, e você não sabe nada enquanto não consegue ensiná-la para outra pessoa. Você não conhece nenhuma verdade completamente enquanto não a coloca diante de uma criança para que ela possa vê-la. Ao tentar fazer uma criancinha entender a doutrina da expiação, você conseguirá ter visões mais claras dela, e por isso eu lhe recomendo esse exercício santo.

Que bênção será se nossas crianças forem bem enraizadas na doutrina da redenção por Cristo! Se elas forem avisadas contra os falsos evangelhos desta má era, e se forem ensinadas a descansar na rocha da obra completada de Cristo, poderemos esperar que a geração depois da nossa manterá a fé, e que será melhor do que seus pais foram.

Vejam, suas escolas dominicais são louváveis, mas qual é o propósito delas se vocês não ensinam nelas o evangelho? Vocês reúnem as crianças e as mantêm quietinhas por uma hora e meia, e depois as mandam para casa; mas qual é o proveito disso? Pode dar um pouco de sossego para os pais e as mães, e é por isso, talvez, que eles os mandam para a escola; mas todo o verdadeiro bem está naquilo que é ensinado às crianças. A verdade mais fundamental deve ser colocada como a mais importante, e qual será ela se não for a cruz? Alguma conversa com as crianças sobre ser bons meninos e meninas etc. e tal; isto é, pregam a lei às crianças, embora queiram pregar o evangelho aos adultos. Isso é honesto? É prudente? As crianças precisam do evangelho, do evangelho todo, o evangelho autêntico, sem ser adulterado; devem recebê-lo, e se são ensinadas pelo Espírito de Deus, são tão capazes de recebê-lo como pessoas de idade madura. Ensine aos pequenos que Jesus morreu, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus. Confiante, entrego esse trabalho aos professores. Nunca conheci uma equipe mais nobre de homens e mulheres cristãos, pois são tão sinceros em sua ligação com o velho evangelho como são ansiosos pela salvação de almas. Sintam-se encorajados; o Deus que salvou tantas de suas crianças salvará muitos mais delas, e teremos grande alegria à medida que vemos centenas trazidas a Cristo.

Sexta-feira, Setembro 15, 2006

A Oração de Jabez - C. H. Spurgeon

“Se me abençoares muitíssimo!”— (1 Crônicas 4:10)

Sabemos muito pouco sobre Jabez, exceto que ele era o mais ilustre entre seus irmãos e que este nome foi dado a ele porque sua mãe deu à luz com dores. Isto pode acontecer, quando há muito sofrimento na vida dos antepassados, pode haver mais alegria para os descendentes. Assim como a tempestade dá lugar ao sol, também uma noite de choro precede a manhã de alegria. Tristeza, o arauto; contentamento, o príncipe anunciado. Cowper diz: -

“O caminho da tristeza, e somente este caminho,
conduz ao lugar onde tristeza é desconhecida”.

Sabemos que devemos semear em lágrimas antes de colhermos com alegria. Muitos de nossos trabalhos para Cristo nos custaram lágrimas. Dificuldades e desapontamentos já angustiaram nossa alma. Apesar destes projetos terem custado mais do que uma tristeza comum, tornaram-se os trabalhos mais gratificantes. Enquanto nosso pranto, chamado de descendência do desejo "Benoni", o filho de minha tristeza, nossa fé pode depois dar-lhe o nome de regozijo, "Benjamin", o filho de minha mão direita. Pode ser que você espere por uma bênção por servir a Deus, se você conseguir perseverar ante muitas dificuldades. O navio que demora muito para voltar está se arrastando pelo caminho pelo excesso de carga. Espera-se que a carga seja a melhor quando ele chegar ao porto. Mais ilustre que seus irmãos, foi a criança que a mãe deu à luz com muitas dores. Por isso Jabez, cujo objetivo foi tão marcante, sua fama tão cantada, seu nome tão memorável - foi um homem de oração. A honra que ele obteve não teria valor se não tivesse sido tão contestada e justamente conquistada. Sua devoção foi a chave para sua promoção. Estas são as melhores honras que vêem de Deus, o prêmio da graça com a consciência da obra. Quando Jacó recebeu o nome de Israel, ele recebeu seu principado depois de uma memorável noite de oração. Certamente foi de muito mais valia para ele do que se tivesse vindo como uma distinção elogiosa de algum imperador mundano. A melhor honraria é aquela que o homem recebe de sua comunhão com o Altíssimo. Jabez, aprendemos, foi o mais honrado de seus irmãos e sua oração imediatamente citada, como se para anunciar que ele também orava mais do que seus irmãos. Está escrito do que consistiam suas petições. Ela toda muito significativa e instrutiva. Temos apenas tempo para analisar um termo dela - muitíssimo, termo que pode indicar a compreensão do texto todo: Se me abençoares muitíssimo! Eu o recomendo como uma oração para vocês mesmos, caros irmãos e irmãs; uma que estará disponível em todas as estações; uma oração para começar a vida cristã, uma oração para terminá-la, uma oração que nunca estará fora de contexto em suas alegrias e tristezas.

Oh que tu, o Deus de Israel, o Deus da aliança, me abençoes muitíssimo! A própria força da oração parece residir na palavra, muitíssimo. Existem muitos tipos de bênçãos. Algumas são bênçãos somente no nome: elas satisfazem
os nossos desejos por um momento, mas desapontam permanentemente nossas expectativas. Elas fascinam os olhos, mas são insípidas ao paladar. Outras são apenas bênçãos temporárias: se gastam com o uso. Embora por um instante regalem os sentidos, não podem satisfazer os anseios mais elevados da alma. Mas, se me abençoares muitíssimo! Aprendi que, aquele que Deus abençoar será abençoado. Uma boa coisa será dada pela boa vontade do doador, e produzirá tão boa sorte ao receptor que será considerada abençoada muitíssimo, pois nada pode ser comparado a ela. Deixe que a graça de Deus aja, deixe que a escolha de Deus determine, deixe que a abundância de Deus quantifique, e então o presente será muitíssimo divino; uma coisa que valerá a pena ser dita como bênção, e realmente desejada por todos que procuram a honra que seja substancial e duradoura. Se me abençoares muitíssimo! Medite, e você verá que existe um significado profundo na expressão.

Vamos contrastá-la com algumas bênçãos humanas: Se me abençoares muitíssimo! É muito prazeroso sermos abençoados por nossos pais, e por aqueles amigos veneráveis cujas bênçãos vêem de seus corações, embrulhadas por suas orações. Muitos homens não têm outro legado para seus filhos a não ser a sua bênção; mas a bênção de um pai honesto, santo e cristão é um rico tesouro para seu filho. Você pode achar que é uma coisa deplorável para a vida ter perdido a bênção de seu pai. Nós a apreciamos. A bênção de nosso pai espiritual é consoladora. Apesar de não crermos em sacerdotalismo, gostamos de viver no afeto daqueles que foram os instrumentos para nos levar a Cristo, e daqueles lábios que fomos instruídos nas coisas de Deus. E, quão preciosa é a bênção dos pobres! Não imagino que Jó tenha entesourado isto como algo bom. "Quando o ouvido ouviu, então ele me abençoou". Se você consolou uma viúva ou um órfão, e seus agradecimentos voltam a você abençoando-o, não é uma recompensa vil. Mas, caros amigos, apesar de tudo que os pais, parentes, santos e pessoas agradecidas podem fazer com suas bênçãos são muito aquém do que desejamos ter. Oh, Senhor, mesmo tendo as bênçãos de nossos semelhantes, as bênçãos que vêem de seus corações; entretanto, se me abençoares muitíssimo!, pois tu podes abençoar com autoridade. As bênçãos deles podem ser com palavras, mas as tuas são eficazes. Eles podem desejar o que não podem fazer, e desejar dar o que não têm à disposição, mas Sua vontade é onipotente. Criaste o mundo com apenas tua palavra. Oh, que tal onipotência anuncie sua bênção! Outras bênçãos podem nos trazer pitadas de riso, mas no teu favor está a vida. Outras bênçãos são somente títulos comparadas com as suas bênçãos; pois sua bênção é o direito a "uma herança incorruptível" e que não desaparece, a "um reino que não será derrubado". Desta maneira, Davi apropriadamente orou em outro lugar, "com sua bênção seja a casa de teu servo abençoada para sempre". Talvez nesta hora, Jabez pode ter contrastado a bênção de Deus com as bênçãos dos homens. Os homens te abençoam quando você faz o bem. Eles louvam o homem que obtém sucesso nos negócios. Nada é tão vitorioso quanto o sucesso. Nada tem tanta aprovação do público em geral quanto a prosperidade do homem. Miseráveis! Não pesam as ações do homem na balança do santuário, mas em outras bem diferentes. Você encontrará aqueles que lhe recomendarão se você for próspero; ou, como os confortadores de Jó, te condenam se você estiver sofrendo adversidades. Talvez haja algumas características de suas bênçãos que podem agradá-lo, pois você acha que as merece. Você é condecorado por patriotismo: afinal, você foi um patriota. Você é recomendado por sua generosidade: você sabe o tamanho de seu auto-sacrifício. Bem, mas afinal, qual o veredicto do homem? Em um julgamento, o veredicto de um policial que está na corte, ou dos espectadores que sentam-se na sala de julgamento, somam a absolutamente nada. O homem que está sendo julgado sabe que a única coisa importante mesmo será o veredicto do júri, e a sentença do juiz. Portanto, será de pouca valia para nós o que fazemos, como os outros nos elogiam ou censuram. Suas bênçãos não têm valor. Mas, se me abençoares muitíssimo!, quer dizer, "muito bem, servo bom e fiel". Premias a frágil obra que através de tua graça meu coração te rendeu. Terei sido, então, muitíssimo abençoado.

Muitas vezes os homens são abençoados como um completo elogio. Sempre há daqueles que, tal como a raposa da fábula, esperam ganhar o queijo ao elogiar o corvo. Nunca viram plumagem igual, e nenhuma voz soou tão suave. Toda sua mente está voltada não a você, mas no que podem conseguir de você. A raça de elogiadores nunca será extinta, pois os elogiados também elogiam a si mesmo. Eles entendem que os homens se elogiam mutuamente, mas é palpável e transparente que, quando recebem tal presente, aceitam-no com uma grande porção de auto-complacência, como se fosse um exagero, mas, mesmo assim, muito próximo da verdade. Não somos aptos a dar descontos nos elogios que os outros nos oferecem; entretanto, se fossemos sábios, abraçaríamos os que nos censuram e manteríamos os que nos elogiam a um metro de distância, pois os que nos censuram face-a-face não estão nos mercadejando; mas quanto aos que nos louvam, logo se levantam e usam frases que nos exaltam, deveríamos suspeitar, e raramente seremos injustos na suspeita, de que existe um outro motivo além do que enxergamos por trás do louvor que eles nos rendem. Jovem, você está numa posição na qual Deus está te honrando? Cuidado com os que te elogiam. Você tem grandes propriedades? Tem abundância? Sempre há moscas onde há mel. Cuidado com os elogios. Mocinha, você é bonita? Haverá daqueles que terão seus desígnios, talvez desígnios malignos, ao falar de tua beleza. Cuidado com os que elogiam. Saia de perto de todos os que têm mel na língua, por causa do veneno das áspides que está em baixo dela. Medite na advertência de Salomão, "não se misture com os que elogiam com seus lábios". Peça a Deus, "Livre-me de toda essa adulação vã, que me enoja a alma". Assim você vai orar a ele com mais fervor, se me abençoares muitíssimo! Quero a bênção que nunca diz mais do que pretende; que nunca dá menos do que promete. Se você comparar a oração de Jabez com as bênçãos que vêm dos homens, você verá a força dela.

Mas nós podemos vê-la por outro ângulo e comparar a bênção que Jabez almejava com as bênçãos que são temporais e transitórias. Existem muitas riquezas dadas a nós pela misericórdia de Deus, pelas quais prostramo-nos agradecidos; mas não devemos nos garantir delas. Devemos aceitá-las com gratidão, mas não fazer delas ídolos. Quando as temos, temos a necessidade de clamar, abençoa-mes muitíssimo, transforme estas bênçãos menores em bênçãos reais, e se não as temos, com mais veemência ainda devemos clamar, oh, que possamos ser ricos na fé, e se não formos abençoados com estes favores externos, que possamos ser abençoados espiritualmente, então seremos abençoados muitíssimo!.

Vamos rever algumas destas misericórdias apenas para falar uma ou duas palavras sobre elas.

Um dos primeiros desejos do homem é por riqueza. Este desejo é tão universal que podemos praticamente dizer ser ele instintivo. Quantos não diriam que se possuíssem-na seriam muitíssimo abençoados! Mas existem dez mil provas que a alegria não consiste na abundância que o homem possui. Tantos exemplos são bem conhecidos que eu nem preciso citá-los para mostrar que quem tem riquezas não é muitíssimo abençoado. São mais aparência do que realmente são. Assim, já foi muito bem dito que, quando vemos o quanto um homem tem, nós o invejamos; mas se pudéssemos ver o quão pouco ele aproveita, nós teríamos pena dele. Muitos dos que tiveram as circunstâncias mais fáceis tiveram as mentes mais difíceis. Aqueles que conseguiram o que queriam, fossem seus desejos sadios, foram conduzidos pela posse do que os deixava infelizes pois não tinham mais.

"O avarento tem fome em seu celeiro,
Choca seu ouro, querendo mais,
Senta-se tristemente sem se mover, acredita ser pobre".

Nada é mais claro para alguém que queira investigar que, as riquezas não são o bem principal do qual a tristeza foge, e na presença da qual a alegria eterna brota. Muito freqüentemente a riqueza engana seu possuidor. Delícias são esparramadas em sua mesa, mas seu apetite desaparece, músicos aguardam seu comando, mas seus ouvidos estão surdos para qualquer tipo de música; tem quantos feriados quiser, mas para ele a recreação perdeu seu encanto; se for jovem, a fortuna veio a ele por herança, e ele aproveita seu ganho até que o esporte se torne mais enfadonho do que o trabalho, e a dissipação pior do que o trabalho pesado. Vocês sabem como a riqueza pode fabricar asas, como um pássaro que descansa na árvore, ela voa para longe. Na doença ou nos momentos de desânimo, estes amplos recursos que antes sussurravam, "Alma, descansa", provam ser confortos nada eficientes. Na morte, elas fazem o choque das separações parecer mais fortes, pois quanto mais você deixa, mais você perde. Podemos dizer, se tivermos riquezas, Deus meu, não me deixe perturbar por estas aparências, não deixe que eu transforme o ouro e a prata em deuses, os bens e possessões, minhas propriedades e investimentos, as quais me deste por sua providência. Eu te imploro, abençoa-me muitíssimo. Quanto às possessões terrenas, estas serão minha ruína a menos que eu veja a sua graça nelas. E se você não tiver riquezas, e provavelmente a maioria de vocês nunca terá, diga, Pai, negaste-me este bem externo e aparente, enriqueça-me com seu amor, dê-me o ouro de tua aprovação, abençoa-me muitíssimo; então distribua aos outros conforme tua vontade, divida a minha porção, minha alma espera pela tua determinação diária; assim me abençoas muitíssimo, e eu serei contente.

Outra bênção transitória que nossa pobre humanidade deseja desesperadamente e procura ardentemente é a fama. A este respeito nos ufanamos de ser mais ilustres que nossos irmãos, e ultrapassamos nossos competidores. Parece muito natural o desejo de fazer um nome, e ganhar reconhecimento no círculo ao qual pertencemos, qualquer que seja, e gostaríamos de ampliar seu perímetro, se pudéssemos. Mas aqui, como nas riquezas, é inquestionável que a fama não traz com ela nenhuma medida de gratificação. Os homens, ao procurar por notoriedade e honra, têm um grau de prazer na busca em si, que nem sempre possuem quando finalmente alcançam seu objetivo. Alguns dos homens mais famosos também foram os mais miseráveis da raça humana. Se você possui honra e fama, aceite, mas eleve esta oração a Deus, Meu Deus, abençoa-me muitíssimo, pois qual a vantagem se meu nome estivesse em milhares bocas, se você o vomitasse da sua? Que importa, se meu nome estivesse escrito no mármore, se não estivesse escrito no Livro da Vida do Cordeiro? Estas são bênçãos aparentes, bênçãos efêmeras, bênçãos enganadoras. Dê-me a tua bênção, então a honra que vem de ti fará de mim um homem muitíssimo abençoado. Se por acaso você vive na obscuridade, e nunca entrou na lista dos ilustres entre seus companheiros, contente-se em correr bem sua carreira e complete verdadeiramente sua vocação. Não ter fama não é a doença mais grave; é pior do que tê-la como a neve, que branqueia o chão de manhã, e desaparece no calor do dia. O que importa para um homem morto o que os homens falam dele? Que você seja muitíssimo abençoado.

Existe outra bênção temporal que os homens sábios desejam, e podem legitimamente ambicionar além destas duas - a bênção da saúde. Será que podemos valorizá-la devidamente? Desconsiderar tal favor é a loucura de um irracional. Os maiores elogios dados à saúde nunca seriam extravagantes. Os que têm corpos saudáveis são infinitamente mais abençoados do que os que estão doentes, em qualquer estágio possível. Assim, se eu tenho saúde, meus ossos estão ajustados, meus músculos estão fortes, se eu mal conheço um mal-estar ou dor mas posso me levantar de manhã com um passo ágil e ir ao trabalho, e deitar-me no sofá à noite, dormir o sono dos justos, ainda assim, não me deixe gloriar em minha força. Em um minuto ela pode me faltar. Algumas semanas podem reduzir a força de um homem a um esqueleto. O corpo pode minguar, a face empalidecer com a sombra da morte. Não permita ao homem saudável que se glorie em sua força. O Senhor, "se apraz não na força dos cavalos, e não tem prazer nas pernas de um homem". E não nos vangloriemos destas coisas. Digam, vocês que gozam de boa saúde, Deus meu, abençoa-me muitíssimo. Dê-me uma alma saudável. Cura-me de minhas doenças espirituais. Jeová Rafá venha, e limpe a lepra que está em meu coração por natureza: faça-me saudável da maneira celestial, que eu não seja colocado de lado com os impuros, mas que me seja permitido ficar com a congregação dos teus santos. Abençoa minha saúde corporal para que eu a use com retidão, usando a força que eu tenho no teu serviço e para a tua glória; de outro modo, apesar de abençoado com saúde, não seja abençoado muitíssimo. Alguns de vocês, queridos amigos, não possuem o grande tesouro da saúde. Dias e noites tediosos são destinados a vocês. Seus ossos tornaram-se um calendário, através dos quais você pode prever a mudança do tempo. Tem tanta coisa acontecendo com você que só pode mesmo causar pena. Mas eu oro que você seja muitíssimo abençoado, e eu sei do que estou falando. Eu posso me identificar com uma irmã que me disse outro dia, "Eu tinha tanta proximidade com Deus quando eu estava doente, tanta certeza, e tanta alegria no Senhor e agora eu lamento dizer que eu perdi tudo isso; eu quase desejo estar doente novamente, se desta maneira eu tivesse a renovação de minha comunhão com Deus". Muitas vezes eu agradecido olhei para trás para quando eu estive doente. Tenho certeza que eu nunca cresci na graça, nem a metade, o quanto eu o fiz quando estive na cama, doente. Não deveria ser assim. Nossas curas deviam ser alegres fertilizantes para nosso espírito; mas freqüentemente nossos sofrimentos são mais salutares que nossas alegrias. A tesoura de podar é melhor para alguns de nós. Bem, apesar de tudo, se você tiver que sofrer de fraqueza, de debilidade, de dor, de angústia, que o seja sob os cuidados da divina presença, que esta leve aflição se transforme num peso excessivo e eterno de glória, e então você será muitíssimo abençoado.

Me deterei em apenas mais uma bênção temporária - quero falar da bênção do lar. Não creio que alguém possa valorizá-lo demais ou falar tão bem quanto ele merece. Que bênção é ter um canto, e os queridos familiares que se reúnem ao redor da palavra "lar", esposa, filhos, pai, irmão, irmã! Ora, não existem canções em nenhuma língua que são mais cheias de musicalidade do que as que são dedicadas à "mãe". Gostamos dos sons que a palavra "pai" coloca na música. "Pai" é a chave da música. Muitos de nós, espero, são abençoados com muitos destes relacionamentos. Não nos contentemos em consolar nossas almas com ligações que logo serão rompidas. Peçamos por uma que nos abençoe muitíssimo. Te agradeço, meu Deus, por meu pai aqui na terra; mas oh, seja o meu Pai, então serei abençoado muitíssimo. Te agradeço, meu Deus, pelo amor de mãe; mas conforte minha alma como uma mãe confortaria, então serei abençoado muitíssimo. Eu te agradeço, Salvador, pelos laços do matrimônio; mas sejas tu o noivo de minha alma. Eu te agradeço pelos laços de amizade com os irmãos; mas sejas o meu irmão nascido da adversidade, osso de meu osso, e carne de minha carne. Eu valorizo o lar que me deste, e te agradeço por ele; mas vou morar na casa do Senhor para sempre, e serei um filho que nunca se perde, onde quer que meus pés me levem, da casa de meu Pai com suas muitas moradas. Assim seremos abençoados muitíssimo. Se você não reside sob os cuidados paternos do Todo-poderoso, mesmo a bênção do lar, com todos seus confortos familiares, não alcançará a bênção que Jabez desejava para si. Mas, estarei falando com aqueles que não possuem relacionamentos? Sei que alguns de vocês foram deixados nas trincheiras de vidas tão seriamente machucados, onde os pedaços de seus corações estão enterrados, e as sobras são apenas o sangrar de tantas feridas. Bem! Que o Senhor os abençoe muitíssimo! Viúva, seu criador é seu marido. Órfão, ele disse, "não os deixarei, virei buscá-los". Sejam todos os seus relacionamentos feitos nele, e você será abençoado muitíssimo! Talvez eu tenha tomado muito tempo nestas bênçãos temporais, então deixe-me mudar o ângulo sobre o assunto. Creio que tenhamos tido bênçãos humanas e temporais suficientes para encher nosso coração de contentamento, mas não para enganar nossos corações com coisas deste mundo, ou distrair nossa atenção das coisas que pertencem ao nosso bem-estar eterno.

Prossigamos, em terceiro lugar, falando das bênçãos imaginárias. Existem tais coisas no mundo. Que Deus nos livre delas. Se me abençoares muitíssimo! O fariseu, por exemplo; de pé, na casa do Senhor, pensou que tivesse a bênção do Senhor, que tinha transformado-o num homem corajoso, falava com uma auto-complacência melosa, "Deus, eu te agradeço, pois não sou como os outros homens", e assim por diante. Ele tinha a bênção, e cria piamente que a tivesse merecido. Jejuava duas vezes por semana, pagava o dízimo de tudo quanto possuía, mesmo os trocados pela hortelã, e os centavos pelo cominho que ele tinha usado. Achava que tinha feito tudo. Era sua a bênção de uma consciência tranqüila e quieta; um homem bom, flexível. O padrão da paróquia. Era uma pena que todos não vivessem como ele, se vivessem, não precisariam de polícia. Pilatos poderia ter demitido seus guardas, e Herodes seus soldados. Ele era uma das pessoas mais excelentes que jamais nascera. Ele adorava a cidade da qual ele era um dos pilares! Ai, mas ele não era abençoado muitíssimo. Tudo isso era seu próprio conceito arrogante. Ele era apenas um saco de vento, e talvez fosse melhor que e a bênção que ele desejava não tivesse vindo jamais. O pobre publicano que ele julgava amaldiçoado, foi para casa justificado e ele não. A bênção não caiu sobre o homem que julgava tê-la. Oh, que todos sintamos a ferroada desta reprimenda, e oremos: "Grande Deus, salve-nos de nos imputar uma justiça que não temos. Salve-nos de nos embrulharmos nos nossos próprios trapos, achando que estamos vestidos para um casamento. Abençoa-me muitíssimo. Que eu tenha a justiça verdadeira. Que eu tenha o valor que tu podes aceitar, que é a fé em Jesus Cristo".

Outra forma de bênção imaginária é encontrada em pessoas que negam ter justiça própria. Sua ilusão, entretanto, é similar. Ouço-os cantar:


"Eu creio, eu sempre vou crer
que Jesus morreu por mim,
e na sua cruz derramou seu sangue,
para me libertar do pecado."

Você crê. Sim, mas como você sabe? Sobre qual autoridade você pode ter tanta certeza? Quem te disse? "Ah, eu creio." Sim, mas precisamos ter cuidado no que cremos. Você tem alguma evidência clara no interesse especial pelo sangue de Jesus? Você pode dar razões espirituais para crer que Cristo te libertou do pecado? Sinto que muitos têm uma esperança sem fundamento, como uma âncora sem gancho - nenhum lugar para se fixar, nada para se segurar. Dizem estar salvos, permanecem lá, acham pecaminoso duvidar disso; mas mesmo assim não têm nenhuma razão para garantir sua confiança. Quando dos filhos de Corá carregaram a arca, e a tocaram com suas mãos, o fizeram corretamente; mas quando Uzá tocou-a, ele morreu. Existem uns que têm plena certeza, para outros será a morte falar sobre o assunto. Há uma grande diferença entre pressuposição e certeza absoluta. Certeza absoluta é racional: é baseada em chão firme. Pressuposição imagina, e com cara lavada anuncia ser sua uma coisa a qual ela não tem direito algum. Cuidado, eu rogo a vocês, de pressupor que vocês estão salvos. Se com o coração você crer em Jesus, então você está salvo; mas se você simplesmente disser, "Eu confio em Jesus", isto não o salvará. Se o seu coração foi regenerado, se você odiar as coisas que antes amava, e ama as coisas que antes odiava; se houve um arrependimento real; se houve uma mudança em sua mente; se você nasceu de novo, então você tem motivos para regozijar-se: mas se não há uma mudança vital, nenhuma santidade interior; se não há amor por Deus, nenhuma oração, nenhum fruto do Espírito, então ao dizer: "Estou salvo", será por seu próprio entendimento, e pode enganá-lo, mas não libertá-lo. Nossa oração deveria ser, Abençoares muitíssimo com a fé verdadeira, com a salvação real, com a confiança em Jesus que é a essência da fé; não com o conceitos que produzem credulidade. Deus, preserve-nos das bênçãos imaginárias! Já encontrei pessoas que dizem, "Eu creio que estou salvo, pois sonhei com isso." Ou, "Porque existe um texto na Bíblia que se aplica a meu caso. Tal pregador disse tal coisa em sua pregação", ou "Fui levada a um estado de choro e ânimo e me senti como nunca tinha sentido antes." Ah! Nada disso suporta julgamento, "Você rejeita toda sua confiança em tudo exceto na obra consumada de Jesus, e você vem a Cristo para ser reconciliado nele para com Deus?" Se não o fizer, teus sonhos, visões, caprichos são apenas sonhos, visões e caprichos, a não servirão quando você mais precisar deles. Ore para que o Senhor o abençoe muitíssimo, pois existe uma grande escassez de veracidade em todo o andar e falar.

Muitos, eu creio, mesmo aqueles que estão salvos - salvos agora e para sempre - precisam destas precauções, e têm um bom motivo para orar desta maneira para aprenderem a fazer a distinção entre algumas coisas que eles acham serem bênçãos espirituais e outras que abençoam muitíssimo. Deixe-me demostrar o que eu quero dizer. É realmente uma bênção a resposta a uma oração que veio de sua própria mente? Eu sempre gosto que qualificar minha oração mais pungente com, "Não a minha vontade, mas a tua". Não apenas devo fazer isto, mas gosto de fazê-lo, de outro modo eu posso pedir uma coisa que seria perigosa para mim. Deus pode me dá-la em sua ira, e eu posso encontrar amargura na oferta, muita dor no sofrimento que ela me causou. Você se lembra de como Israel pedia por carne, e Deus lhes deu as codornizes; mas enquanto a carne estava em sua boca, a ira de Deus veio sobre eles. Peça por carne, se você quiser, mas acrescente sempre: Senhor, se isto não for me abençoar muitíssimo, não me dê. Se me abençoares muitíssimo!. Eu dificilmente gosto de repetir a velha história da mulher cujo filho estava doente - uma criancinha às portas da morte - e ela implorou ao pastor, um puritano, para orar por sua vida. Ele orou intensamente, e terminou com "se for a tua vontade, salve esta criança". A mulher disse: "Não posso suportar isto: preciso que você ore para salvar a criança. Não ponha nenhum mas". "Mulher", disse o pastor, "pode ser que você viva para se arrepender do dia em que você pôs a sua vontade contra a vontade de Deus." Vinte anos depois, ela teve que ser carregada pois desmaiara ao ver o filho sendo enforcado como um criminoso. Apesar de ter visto o filho crescer e se tornar um homem, teria sido infinitamente melhor para ela se a criança tivesse morrido, e infinitamente mais sábio se ela tivesse deixado-o à vontade de Deus. Não tenha tanta certeza que uma resposta de oração pode ser uma prova de amor divino. Haverá mais lugar para buscar ao Senhor dizendo: Se me abençoares muitíssimo! Assim, algumas vezes um grande estertor espiritual, um excitamento no coração, mesmo sendo uma alegria religiosa, pode não ser uma bênção. Nós nos alegramos nela, e oh, algumas vezes quando nos unimos em oração o fogo ardeu, e nossas almas ferveram! Na hora pudemos cantar:

"Nossa alma desejosa ficaria
desta maneira como está,
sentada, até se esgotar, cantando
esta alegria permanente."

Mesmo sendo uma bênção, e sendo agradecidos por ela, não gostaria de manter estas sessões, como se meus prazeres fossem a moeda que compra os favores de Deus; ou como se eles fossem os sinais principais de suas bênçãos. Talvez seria uma bênção ainda maior um espírito quebrantado, prostrado diante do Senhor neste exato momento. Quando você pedir pela alegria suprema, e orar para estar no monte com Cristo, lembre-se que esta também pode ser uma bênção, sim, uma bênção real ser levado ao Vale da Humilhação, colocado abaixo de tudo e ser constrangido a clamar em angústia: "Senhor, salve-me ou morrerei!"

"Se hoje ele designou para nos abençoar,
no sentido de perdoar pecados,
ele amanhã pode nos angustiar
e fazer-nos sentir a praga que existe em nós
tudo para fazer-nos sentir
nojo de nós mesmos, e loucos por ele".

Estas experiências diferentes que temos podem realmente ser bênçãos para nós quando, se sempre estivemos regozijando, fossemos como Moabe, instalados em nossos fortes, e não esvaziados a cada nova circunstância. Tudo vai mal com os que não mudam; eles não têm medo de Deus. Algumas vezes nós não invejamos aquelas pessoas calmas e impassíveis, que nunca se perturbam? Bem, existem alguns cristãos cujo temperamento linear merece ser imitado. E, aquele calmo repouso, aquela segurança imutável que vem do Espírito de Deus é uma aquisição deliciosa; mas não tenho certeza se devemos invejar a sorte de alguém por ser mais tranqüila ou ter sido menos exposta aos ventos e tempestades do que a nossa. Há perigo ao dizer: "Paz, paz", quando não há paz, e existe uma calmaria que resulta das dificuldades. Tolos os que iludem sua própria alma. "Eles não têm dúvidas", dizem, mas por não buscarem com profundidade. Não têm ansiedades, pois não têm muito trabalho ou ocupações a lhes envolver. Talvez não sintam dor, por não terem vida. Melhor ir para o céu, aleijado e mutilado, do que marchar com confiança para o inferno. Se me abençoares muitíssimo! Deus meu, não invejarei ninguém por seus dons ou bênçãos, muito menos por seu humor interno ou suas circunstâncias exteriores, apenas se me abençoares muitíssimo! Não serei confortado a menos que tu me confortes, nem terei paz se Cristo não for minha paz, nem descanso senão o descanso que vem do doce sabor do sacrifício de Cristo. Cristo será tudo em todos, e ninguém será nada para mim a não ser ele mesmo. Oh, que nós possamos sentir sempre que não somos juizes das maneiras que as bênçãos vêm, mas que deixemos a Deus o dar o que ele acha que devemos ter, não as bênçãos imaginárias, as bênçãos superficiais e aparentes, mas ser abençoado muitíssimo!

Igualmente com relação ao nosso trabalho e serviço, acho que nossa oração deveria ser sempre: Oh, se me abençoares muitíssimo! É lamentável ver o trabalho de bons homens, apesar de que não cabe a nós julgá-los, ser tão pretensioso e irreal. É realmente chocante ver como alguns homens fingem construir uma igreja em duas ou três noites. Eles anunciarão, num canto de página de um jornal, que quarenta e três pessoas foram convencidas de seu pecado, e quarenta e seis justificadas, e, algumas vezes, trinta e oito santificadas; não sei o quê eles podem oferecer, além das estatísticas do que foi conseguido. Já observei congregações crescerem rapidamente, e grande número de pessoas ser acrescentado a igrejas de repente. E o que aconteceu depois? Onde estão estas igrejas neste exato momento? Os desertos mais áridos da cristandade são os lugares que foram fertilizados com os restos produzidos por alguns avivalistas. A igreja inteira parece ter gasto sua força em uma empreitada ou esforço atrás de alguma coisa, e esta busca resultou em nada. Construíram sua casa de madeira, e estocaram o feno, e fizeram uma torre de palha que parecia alcançar os céus, e ali caiu uma faísca, e tudo sumiu na fumaça; e aquele que veio em seguida - o sucessor do grande construtor - teve que varrer as cinzas antes de poder fazer qualquer outra coisa. A oração de todos os que servem a Deus deveria ser: Se me abençoares muitíssimo! Trabalhe, trabalhe. Se eu construir apenas um tijolo em minha vida, e nada mais, seja ele de ouro, prata, pedras preciosas, ou outra coisa parecida, o que já é um grande serviço; ou construir um cantinho que não aparece, tudo isso é um serviço valioso. Não se falará muito dele, mas ele vai durar. Aí está o ponto: vai durar. Estabeleça o trabalho de suas mãos em nossas vidas; sim, o trabalho de suas mãos o execute. Se não formos construtores em uma igreja reconhecida, então é inútil até tentar. O que Deus estabelece perdura, mas o que os homens constróem sem seu reconhecimento certamente terá o seu fim. Se me abençoares muitíssimo! Professor de escola dominical, seja esta sua oração. Distribuidor de folhetos na entrada, pregador, seja lá o que você for, querido irmão ou irmã, qualquer que seja sua maneira de servir, peça a Deus que você não seja um desses engessadores, que usam materiais de efeito que requerem apenas uma camada fina e que serão despedaçados com o tempo. Se você não puder construir uma catedral, construa ao menos um pedaço do templo maravilhoso que Deus está fazendo para a eternidade, que vai durar mais do que as estrelas.


Tenho ainda uma coisa mais para mencionar antes de terminar este sermão. As bênçãos da graça de Deus abençoam muitíssimo que devemos ansiosamente buscar. Estas são as marcas para que as reconheçamos. Somos abençoados muitíssimo quando tais bênçãos vêm de mãos marcadas pelos cravos; bênçãos que vêm da árvore sangrenta do Calvário, escorrendo da ferida no tórax do Salvador - seu perdão, sua aceitação, sua vida espiritual: o pão, na verdade é carne, o sangue que na verdade é bebida - a unidade com Cristo, e tudo o que vem disso - assim serei abençoado muitíssimo. Toda bênção que vem como resultado do trabalho do Espírito em nossa alma nos abençoa muitíssimo; apesar de te humilhar, apesar de te desnudar, apesar de te matar, serás abençoado muitíssimo. Apesar do arado passar muitas vezes sobre tua alma, e a patrola cortar seu coração; apesar de você ser mutilado e ferido, e deixado para morrer, se o Espírito de Deus o fizer, serás abençoado muitíssimo. Se ele te convenceu do pecado, da justiça e do juízo, mesmo que até agora ele não o tenha levado a Cristo, você será abençoado muitíssimo. As riquezas talvez não o façam. Talvez haja uma parede de ouro entre você e Deus. Saúde não o fará: mesmo a força e tutano de seus ossos podem mantê-lo distante de seu Deus. Mas tudo o que o atraia a Deus, o abençoará muitíssimo. E se uma cruz o levantar? Se o levantar até Deus, você será abençoado muitíssimo. Tudo o que alcançar a eternidade, com uma preparação para o mundo que há de vir, tudo o que pudermos carregar ao atravessar o rio, a alegria santa que vai brotar daqueles campos além da enchente, o amor sem nuvens dos irmãos que será a atmosfera de verdade para sempre - tudo o que tem a flecha eterna - a marca eterna - te abençoará muitíssimo. E tudo o que me ajudar a glorificar a Deus me abençoará muitíssimo. Se eu estiver doente, e isto me ajude a louvar a Deus, serei abençoado muitíssimo. Se eu for pobre, e puder servir a ele melhor na pobreza do que na riqueza, serei abençoado muitíssimo. Se eu for desprezado, me regozijarei neste dia e darei pulos de alegria, pois é por Cristo - serei abençoado muitíssimo. Sim, minha fé destitui o disfarce, remove a máscara da clara face da bênção, e computa tudo isto como alegria, como tribulações pelo amor de Jesus e a recompensa que ele prometeu. Se me abençoares muitíssimo!

Agora, eu me despeço com estas três palavras. "Busquem." Vejam se as bênçãos abençoam muitíssimo, e não fique satisfeito a menos que você saiba que elas vêm de Deus, prêmios de sua graça, e vales de seu propósito salvador. "Pesem." Esta deve ser a próxima coisa. Tudo o que você tiver, pese numa balança, e certifique-se se você é abençoado muitíssimo, conferindo se esta graça produz em você amor abundante, e abundância de boas palavras e boas obras. E finalmente, "Ore." Ore de uma maneira que esta oração se misture com todas as orações, para que qualquer coisa que Deus lhe dê ou não permita que você tenha o abençoe muitíssimo. Está passando por um tempo feliz? Oh, que Cristo possa enriquecer tua alegria, que evite a intoxicação com as bênçãos terrenas que o levarão para bem longe da comunhão com ele! Na noite de aflição, ore para que você seja abençoado muitíssimo, para que a amargura não o intoxique também, para que as aflições não o endureçam. Ore para que sejas abençoado; e quando tiver, seja rico no propósito da alegria, e se não tiver, seja pobre e destituído, apesar da plenitude encher teu depósito. Não: "Se tua presença não for comigo, não nos tire daqui" mas, se me abençoares muitíssimo!

Quinta-feira, Setembro 14, 2006

Como Uma Criancinha

Como uma criancinha (Lucas 18.17)


Quando nosso Senhor abençoou as crianças, ele estava fazendo sua última viagem a Jerusalém. Foi, portanto, uma bênção de despedida o que ele deu aos pequenos, e dentre suas últimas palavras a seus discípulos, antes de ser levado para o céu, nós encontramos a ordem terna: "Cuide dos meus cordeiros." A paixão reinante estava forte sobre o grande Pastor de Israel, que "Com o braço ajunta os cordeiros e os carrega no colo"; e foi apropriado que, enquanto fazia sua viagem de despedida, abençoasse com sua graça as crianças.

Nosso Senhor Jesus Cristo não está entre nós em pessoa, mas nós sabemos onde ele está, e sabemos que ele é investido de todo o poder no céu e na Terra para abençoar seu povo; acheguemo-nos, então, a ele. Vamos buscar que ele nos toque na forma de comunhão, e vamos pedir o auxílio de sua intercessão; vamos incluir outras pessoas em nossas orações e, dentre elas, vamos dar a nossas crianças, a todas as crianças, um lugar proeminente. Conhecemos mais sobre Jesus do que as mulheres da Palestina conheciam; estejamos nós, então, mais ansiosos ainda do que elas para levar nossas crianças a ele para que as abençoe, e para que sejam aceitas nele, assim como nós mesmos somos. Jesus aguarda abençoar. Ele não mudou no caráter, nem empobreceu na graça; pois assim como ele ainda recebe pecadores, assim também ele ainda abençoa crianças; e que nenhum de nós se contente, quer sejamos pais ou professores, antes de ele ter recebido nossas crianças, e as ter abençoado de tal modo que tenhamos certeza de que elas entraram no reino de Deus.

Nosso Salvador, quando viu que seus discípulos não estavam só com um pé atrás para deixar as crianças chegarem até ele, mas que repreenderam aqueles que as levavam, ficou muito descontente, e chamou-as para si para que as pudesse ensinar melhor. Então, informou que, em lugar das crianças serem vistas como intrusas, eram bem-vindas a ele; e em lugar de serem intrusas, tinham pleno direito de acesso, pois o seu reino era
composto de crianças e de pessoas com espírito de criança. E mais, declarou que ninguém pode entrar naquele reino a não ser como as crianças entram. Ele falou com certeza divina, usando o seu expressivo "Em verdade vos digo" (ara) ou "Digo-lhes a verdade" (nvi), em que há o peso de sua autoridade pessoal: "Eu vos digo." Essas expressões de introdução visam apontar nossa reverente atenção ao fato de que, longe da admissão de crianças ao reino ser incomum ou estranha, ninguém pode achar entrada ali a não ser que receba o evangelho como uma criança pequena o recebe.

É até óbvio que os discípulos pensassem que as crianças eram insignificantes demais para ocuparem o tempo do Senhor. Se tivesse sido um príncipe que quisesse chegar a Jesus, sem dúvida, Pedro e os outros teriam se movimentado para lhe conseguir uma apresentação; mas, vejam, eram mulheres pobres, com bebês, e meninos, e meninas. Se tivesse sido uma pessoa comum como eles, não os teriam impedido com repreensões. Mas meras crianças! Bebês nem desma-mados e criancinhas! Ficava mal estarem se intrometendo com o grande Mestre. Uma palavra é usada com respeito aos candidatos infantis que pode significar crianças de qualquer idade, desde os bebês que mamam até as crianças de 12 anos; certamente Jesus tinha suficiente preocupação sem a intrusão desses juvenis. Ele tinha os mais altos assuntos em que pensar, e cuidados mais sérios. As menores eram tão pequeninas, com certeza estavam bem longe das atenções dele - assim os discípulos pensavam em seus corações.

Mas se for questão de insignificância, quem pode esperar obter a atenção divina? Se pensamos que as crianças devem ser pequenas à sua vista, o que somos nós? Ele vê as ilhas como coisas muito pequenas; os habitantes da Terra são como gafanhotos; sim, somos todos como coisas que nada são. Se fôssemos humildes, diríamos: "Senhor, que é o homem para que com ele te importes? E o filho do homem, para que com ele te preocupes?" (Sl 8.4). Se imaginamos que o Senhor não notará o pequeno e insignificante, o que achamos nós de um texto como este: "Não se vendem dois pardais por uma moedinha? Contudo, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do Pai de vocês" (Mt 10.29). Deus cuida de pardais e não cuidará de criancinhas? A idéia de insigni-ficância deve ser afastada imediatamente. "Embora esteja nas alturas, o Senhor olha para os humildes" (Sl 138.6).

Mas será que as criancinhas são tão insignificantes? Elas não povoam o céu? A sua convicção não é essa? A minha é - que eles constituem uma parte considerável da população dos céus. Multidões de pés infantis estão pisando as ruas da Nova Jerusalém. Tirados do peito antes que tivessem cometido qualquer pecado real, livrados da peregrinação árdua da vida, eles contemplam sempre a face de nosso Pai que está no céu. "Dos tais é o reino de Deus." Você chama esses pequenos de insignificantes? Os pequeninos, os mais numerosos no exército dos eleitos, você ousa desprezá-los? Eu poderia trocar as coisas, e chamar os adultos de insigni-ficantes, entre os quais não se pode achar mais do que um pequeno remanescente que serve ao Senhor. Além disso, muitas crianças são poupadas para crescerem à situação de homem, e por isso nós precisamos não achar uma criança insignificante. Ele é o pai do homem. Nele há grandes possibilidades e capacidades. Sua virilidade está ainda por se desenvolver, mas está lá, e aquele que a menospreza prejudica o homem. Aquele que põe uma tentação na mente de um menino pode destruir a alma de um homem.

Um erro mínimo injetado no ouvido de um jovem pode se tornar mortal no homem quando o veneno lento tiver tocado por fim uma parte vital. Mato semeado nos sulcos da infância crescerá com o crescer do jovem, amadurecerá na sua plenitude, e só se deteriorará como uma triste corrupção quando ele próprio decai. Por outro lado, uma verdade que cai no coração de uma criança ali frutificará, e sua idade adulta verá o fruto dela. Aquela criança que escuta na aula a voz suave de seu professor ou de sua professora pode ao se desenvolver tornar-se um Lutero e sacudir o mundo com sua veemente proclamação da verdade. Quem dentre nós poderá dizer? Em todo caso, com a verdade em seu coração, o menino crescerá para honrar e temer o Senhor, e assim ajudará a manter viva a semente piedosa nesses dias ruins. Portanto, que nenhum homem despreze os mais jovens, ou pense que são insignificantes. Eu reivindico um lugar na frente para eles. Peço que, se outros são mantidos para trás, que a própria fraqueza de quem faz isso possa abrir lugar para as crianças, lugar para os meninos e as meninas!

Suponho que esses apóstolos adultos acharam que a mente das crianças eram insignificantes demais. Elas estão brincando e rindo; acharão ser só mais um passatempo ser recebidas nos abraços de Jesus; será divertido para elas, e não terão idéia nenhuma da solenidade de sua posição. Insignificante, então? Critica-se que as crianças são frívolas! E vocês não são também frívolos? Se há um exame sobre a questão de frivolidades, quem são os maiores frívolos, as crianças ou os homens e as mulheres de idade adulta? O que é mais frívolo do que um homem viver pelo divertimento de prazeres sensuais, ou a mulher viver para se vestir e desperdiçar seu tempo na sociedade? Ora, mais ainda, o que é o acúmulo de riqueza por amor à riqueza a não ser uma frivolidade miserável? Será que é brincadeira de criança, mas sem o divertimento?!

A maioria dos homens é frívola numa escala maior do que as crianças, e essa é a diferença principal. As crianças quando são frívolas brincam com coisas pequenas - seus brinquedos são tão quebráveis! Não são mesmo feitos de propósito para servirem de passatempo e serem quebrados? A criança com seus passatempos está fazendo o que deve. Mas, tristemente, eu conheço homens e mulheres que brincam frivolamente com suas almas, com o céu e o inferno e a eternidade; brincam com a Palavra de Deus, brincam com o Filho de Deus, brincam com o próprio Deus! Não acuse as crianças de serem frívolas, porque seus joguinhos muitas vezes têm outro tanto de sinceridade e são tão úteis quanto as atividades de homens. A metade dos concílios de nossos senadores e os debates de nossos parla-mentares são piores do que brincadeira de crianças. O jogo de guerra é uma tolice muitíssimo maior do que as mais frívolas brincadeiras de crianças. As crianças grandes são piores para frivolidades do que as pequenas quando o mundo todo está absorto em coisas frívolas.

"Sim", dizem eles, "mas se deixássemos as crianças chegarem a Cristo, e se ele as abençoasse, elas logo se esque-ceriam disso. Por mais amoroso que fosse o olhar dele e espirituais as suas palavras, voltariam a suas brincadeiras, e suas fracas memórias não guardariam traço nenhum disso". Essa objeção nós enfrentamos da mesma maneira que as outras. Os homens não esquecem? Que geração esquecida é essa para a qual a maioria dos pregadores prega! Na verdade, esta é uma geração como aquela sobre a qual Isaías disse: "Ordem sobre ordem, ordem sobre ordem; regra e mais regra; um pouco aqui, um pouco ali" (Is 28.10). Que pena! Muitos necessitam que o evangelho lhes seja pregado outra e outra e mais outra vez, até que o pregador esteja quase extenuado com sua tarefa desesperançada; pois são como homens que vêem seu rosto num espelho, e seguem seu caminho para esquecer que tipo de homens são. Vivem em pecado ainda. A Palavra não tem lugar para habitar em seu coração. Esquecimento! Não faça essa acusação contra as crianças para que ela não seja provada contra vocês.

Mas será que os pequenos esquecem? Eu acho que os acontecimentos dos quais mais lembramos na idade avançada são os que nos aconteceram em nossos primeiros tempos. Já dei a mão para homens grisalhos que já esqueceram quase todos os acontecimentos que intervieram entre sua idade avançada e o tempo de sua infância, mas pequenas coisas que se deram em casa, hinos aprendidos ao pé de sua mãe, e palavras ditas por seu pai ou sua irmã, ficaram com eles. As vozes da infância ecoam durante toda a vida. O que foi aprendido primeiro é, em geral, a última coisa a ser esquecida. Aquelas crianças teriam o rosto de Jesus gravado em seu coração, e nunca se esqueceriam de seu sorriso bondoso e terno. Pedro, Tiago e João, e o restante de vocês, estão enganados, e por isso precisam deixar as crianças virem a Jesus.

Talvez, também, eles tenham achado que as crianças não tinham capacidade suficiente. Jesus Cristo disse coisas tão maravilhosas que se pensava que as crianças não tivessem capacidade de recebê-las. Contudo, na verdade, esse é um grande erro, pois as crianças entram prontamente no sentido do ensino do nosso Senhor. Nunca aprendem a ler tão rapidamente de nenhum livro como do Novo Testamento. As palavras de Jesus são tão simples e adequadas às crianças que elas as absorvem melhor do que as palavras de qualquer outro homem, por mais simples que ele esteja tentando ser. As crianças compreendem prontamente a criança Jesus. O que é essa questão de capacidade? Que capacidade falta? Capacidade de crer? Eu lhes digo, as crianças têm mais disso do que pessoas adultas. Não falo agora da parte espiritual da fé, mas quanto à faculdade mental, há qualquer quantidade da capacidade de fé no coração de uma criança. Sua capacidade de crer não foi ainda sobrecarregada com superstição, nem pervertida com mentiras, nem mutilada com descrença. É só deixar o Espírito Santo consagrar a habilidade, e há bastante dela para a produção de fé abundante em Deus.

A respeito de que as crianças são deficientes em capacidade? Falta-lhes capacidade de arrependimento? Certamente não; será que eu não vi uma menina chorar até ficar doente por ter feito algo mau? Uma consciência sensível em muitos garotinhos já os têm enchido de tristeza indizível quando tomaram consciência de uma falta. Será que alguns de nós não lembramos das flechas doídas de convicção de pecado que amolavam nosso coração quando éramos ainda crianças? Eu me lembro bem de uma vez que não pude descansar por causa de um pecado, e busquei o Senhor, enquanto ainda criança, com angústia amarga. As crianças têm capacidade suficiente para o arrependimento, com Deus o Espírito Santo trabalhando neles; isso não é conjectura, pois nós mesmos somos testemunhas vivas.

O que falta às crianças em matéria de capacidade? "Ora, elas não têm entendimento suficiente", diz alguém. Entendimento de quê? Se a religião de Jesus fosse a do pensamento moderno, se fosse algum sem-senso sublime que ninguém a não ser a classe dos cultos pudesse entender, então as crianças poderiam ser incapazes de compreender; mas se é mesmo o evangelho da Bíblia do leitor comum, então há poças rasas onde o menor carneirinho do aprisco de Jesus pode andar na água sem medo de ser derrubado pela correnteza. É verdade que nas Escrituras há grandes mistérios, em que os maiores podem mergulhar e não encontrar o fundo; mas o conhecimento dessas coisas profundas não é essencial para a salvação, ou poucos de nós estaríamos salvos. As coisas que são essenciais à salvação são tão simples que nenhuma criança precisa desistir por desespero de não entender as coisas que contribuem para sua paz. Cristo crucificado não é um enigma para os sábios, e sim uma verdade simples para pessoas simples: sim, é carne para os homens, mas é também leite para os bebês.

Você disse que as crianças não sabem amar? Essa, afinal, é uma das mais grandiosas partes da educação de um cristão. Você imaginou que as crianças não pudessem chegar lá? Não, você não disse isso, nem ousou pensá-lo, pois a capacidade de amar é maior numa criança. Bom seria se fosse sempre tão grande assim em nós!

Para resumir os pensamentos dos apóstolos em uma ou duas palavras: eles acharam que as crianças não deveriam aproximar-se de Cristo porque não eram como eles--não eram homens e mulheres feitos. Uma criança não era suficientemente grande, alta, crescida, importante, para ser abençoada por Jesus! Foi mais ou menos o que pensaram. A criança não deve chegar ao Mestre porque não é como o homem. Mas o Salvador bendito inverteu a situação e disse: "Não diga que a criança não pode vir ao Mestre porque não é como o homem, mas saiba que você não pode vir até que você seja como ela. Não há dificuldade no caminho da criança por ela não ser como você; a dificuldade está com você, que não é como a criança." Em vez de a criança precisar esperar até crescer e se tornar homem, é o homem que precisa decrescer e tornar-se criança. "Quem não receber o reino de Deus como uma criança, não entrará nele." As palavras do Senhor são uma resposta completa e suficiente aos pensamentos dos discípulos, e que possa cada um de nós ao lê-las aprender sabedoria. Não digamos: "Ah, que minha criança se torne adulta como eu para que possa chegar a Cristo!", mas, ao contrário, que nós quase desejássemos ser criancinhas de novo, que conseguíssemos esquecer muito do que sabemos hoje, fôssemos lavados de hábitos e preconceitos, e pudéssemos começar de novo com o viço, a simplicidade e o entusiasmo de uma criança. Ao orarmos por meninice espiritual, a Bíblia coloca seu selo na oração, porque está escrito: "Ninguém pode ver o reino de Deus, se não nascer de novo", e outra vez, "A não ser que vocês se convertam e se tornem crianças, jamais entrarão no reino dos céus".

Ora, fico pensando se alguém ainda tem um pensamento como o dos discípulos no cérebro ou no coração? Será que alguém pensou alguma vez deste modo? Não me surpreenderia se pensassem. Espero que isso não seja tão comum como já foi, mas eu costumava ver em certos meios entre os velhos uma desconfiança profunda da piedade juvenil. Os anciãos abanavam a cabeça em desaprovação sobre a idéia de receber crianças como membros na igreja. Alguns até aventuravam falar nos convertidos como sendo "só uma porção de meninas e meninos" como se ficasse pior para eles com isso. Muitos, se ouvem falar numa criança convertida, ficam duvidando, a não ser que venha a morrer logo, e então crêem tudo a respeito dela. Se a criança vive, eles afiam as machadinhas para ter sua vez de atacá-la no exame. Ela precisa conhecer todas as doutrinas, certamente, e precisa ser sobrenaturalmente séria. Não é todo adulto que conhece as mais altas doutrinas da Palavra, mas se o garoto não as conhece, é posto de lado.

Alguns esperam uma sabedoria quase infinita numa criança antes de conseguirem crer que ela é objeto da graça divina. Isso é monstruoso. Então, também, se uma criança crente age como criança, alguns dos pais da geração passada julgam que não pode estar convertida, como se a conversão em Cristo acrescentasse vinte anos à nossa idade. Naturalmente, o jovenzinho convertido não pode mais brincar, nem conversar em seu próprio estilo infantil, porque os mais velhos ficariam chocados; porque ficou mais ou menos entendido que logo que um menino fosse convertido, ele devia se tornar um velho. Nunca encontrei algo na Bíblia que apoiasse essa teoria; mas então a Escritura não foi tão procurada quanto foi o julgamento das pessoas tão profundamente experimentadas, e a opinião geral de que era bom deixar todos os convertidos passarem um verão e inverno antes de admiti-las nos recintos sagrados da igreja.

Ora, se qualquer um de vocês ainda tem na cabeça uma idéia hostil à conversão de crianças, tente livrar-se dela, pois é errada tanto quanto pode ser. Se houvesse dois candidatos à minha frente agora, uma criança e um homem, e eu recebesse de cada um o mesmo testemunho, eu não teria mais razão de desconfiar da criança do que do homem--o fato é que, se suspeita precisa entrar no caso, deve ser mais exercitada em direção ao adulto do que em referência à criança, pela probabilidade muito menor de ser culpado de hipocrisia do que o homem, e da probabilidade muito menor de ter copiado do outro as palavras e frases. De qualquer modo, aprenda com as palavras do Mestre que você não deve tentar fazer uma criança como você, mas você deve ser transformado até que se torne como uma criança.

Terça-feira, Setembro 12, 2006

Pastoreie Meus Cordeiros

O motivo de pastorear, de alimentar os cordeiros era para o cordeiro pertencer ao Mestre, e não mais pertencer a si mesma. Se Pedro tivesse sido o primeiro papa de Roma, e tivesse sido como seus sucessores, o que de fato ele nunca foi, certamente teria cabido ao Senhor ter-lhe dito: "Pastoreie as suas ovelhas. Eu as entrego a você, ó Pedro, Vigário de Cristo na Terra." Não, não, não. Pedro deve alimentá-las, mas elas não são dele, são ainda de Cristo. O trabalho que vocês têm que fazer para Jesus, irmãos e irmãs, não é de modo nenhum para si mesmos. Sua classe não é de suas crianças, e sim de Cristo. A exortação que Paulo deu foi para "cuidar da igreja de Deus", e que o próprio Pedro escreveu em sua epístola: "Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir" (1Pe 5.2). Que esses cordeiros se tornem o que podem, a glória será do Mestre e não do servo, e todo o tempo gasto, o trabalho dispensado e a energia gasta serão em cada partícula para redundar em louvor dele de quem são esses cordeiros.

Contudo, enquanto isso é uma ocupação de abnegação, e honrada também, podemos cuidar dela sentindo que é uma das mais nobres formas de serviço. Jesus diz: "Meus cordeiros; Minhas ovelhas." Pense neles, e admire-se de Jesus tê-los entregue a nós. Pobre Pedro! Certamente, quando aquela refeição matinal começou, ele se sentia desajeitado. Eu me coloco no lugar dele e sei que mal poderia olhar para Jesus do outro lado da mesa, enquanto me lembrava de que eu o havia negado com imprecações e maldições. Nosso Senhor quis deixar Pedro bem à vontade ao levá-lo a falar sobre seu amor, que tão seriamente fora colocado em dúvida. Como um bom médico, ele pôs o bisturi onde a ansiedade estava inflamada, e ele pergunta: "Você me ama?" (Jo 21.13ss).

Não era porque Jesus não conhecesse o amor de Pedro; mas para que Pedro soubesse com certeza e fizesse uma nova confissão, dizendo: "Sim, Senhor, tu sabes que te amo." O Senhor estava prestes a ter uma discussão delicada com o errante por alguns minutos, para que nunca mais houvesse uma controvérsia entre ele e Pedro. Quando Pedro disse: "Sim, Senhor; tu sabes que te amo", você quase pensou que o Senhor responderia: "Oh, Pedro, e eu te amo"; mas ele não disse isso, embora tenha dito isso, sim.

Talvez Pedro não tenha entendido o que ele queria dizer; mas nós podemos entender porque nossa mente não está confusa como estava a de Pedro naquela manhã memorável. Em outras palavras, Jesus disse: "Eu te amo tanto que confio a você aquilo que eu comprei com o sangue de meu coração. A coisa mais preciosa que tenho em todo o mundo é o meu rebanho: veja, Simão, eu tenho tanta confiança em você, dependo inteiramente da sua integridade como sendo uma pessoa que me ama sinceramente, que eu lhe faço um pastor de meus cordeiros. São tudo que eu tenho na Terra, dei tudo por eles, até minha vida; e agora, Simão, filho de Jonas, cuide deles por mim." Ah, foi "falado bondosamente". Foi o grande coração de Cristo dizendo: "Pobre Pedro, entre já e compartilhe comigo os meus mais estimados protegidos." Jesus acreditou de tal modo na declaração de Pedro que não lhe disse isso com palavras, e sim com atos. Três vezes, ele o disse: "Cuide de meus cordeiros: pastoreie as minhas ovelhas, cuide das minhas ovelhas", para mostrar o quanto o amou. Quando o Senhor Jesus ama muito uma pessoa, ele lhe dá muito para fazer ou muito para sofrer.

Muitos de nós fomos apanhados como brasas da fogueira, pois fomos "inimigos de Deus por causa do mau procedimento"; e agora estamos na igreja entre seus amigos, e nosso Salvador confia em nós com os seus mais amados. Eu fico pensando, quando o filho pródigo voltou, e seu pai o recebeu, se quando chegou o dia da feira ele mandou seu filho mais novo ao mercado para vender o trigo e trazer para casa o dinheiro. A maioria de vocês teria dito: "Estou contente que o menino voltou; ao mesmo tempo, enviarei o irmão mais velho para negociar, pois ele sempre ficou do meu lado." Quanto à minha pessoa, o Senhor Jesus me recebeu como um pobre filho pródigo, e não se passaram muitas semanas antes de ele me colocar em confiança com o evangelho, esse o maior de todos os tesouros; e esse foi um grande sinal de amor. Não conheço nenhum que o exceda.

A comissão dada a Pedro provou como foi completa a cura da brecha, como o pecado foi totalmente perdoado, pois Jesus tomou o homem que tinha praguejado e jurado negando-o, e mandou que alimentasse seus cordeiros e ovelhas. Ah, trabalho bendito, não para si, e contudo para si! Aquele que se serve se perderá, mas aquele que se perde realmente se serve da melhor maneira possível.

A motivação-mestre de um bom pastor é o amor. É para pastorearmos os cordeiros de Cristo por amor. Primeiro, como prova de amor. "Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos." Se me amam, alimentem os meus cordeiros. Se você ama Cristo, mostre isso, e mostre-o fazendo o bem aos outros, desgastando-se para ajudar os outros, para que Jesus possa ter a alegria desses outros.

Em seguida, como um influxo de amor, "Pastoreie meus cordeiros", porque se você ama Cristo um pouco quando você começa a fazer o bem, logo você o amará mais. O amor cresce por ser ativamente exercitado. É como o braço do ferreiro que aumenta em força por manejar o martelo. O amor ama até que ama mais, e ama mais até que ama mais; e ainda ama mais até que ama mais de tudo, e então não está satisfeito, mas aspira um alargamento do coração para que possa copiar ainda mais plenamente o modelo perfeito de amor em Cristo Jesus, o Salvador.

Além de ser um influxo de amor, o alimentar de cordeiros é um escoadouro de amor. Quantas vezes contamos ao Senhor que nós o amamos quando estávamos pregando, e eu não duvido que vocês, professores, sentem mais do que prazer em amar a Jesus quando estão ocupados com suas aulas do que quando estão a sós em casa. Uma pessoa poderá voltar para casa, sentar-se e suspirar: "É um ponto que quero muito saber, que me faz pensar e não sei responder", e enxugar a testa e esfregar os olhos, e entrar num desânimo sem fim; mas se a pessoa se levanta e trabalha para Jesus, o ponto que ela tanto deseja saber logo estará resolvido, porque o amor virá jorrando do seu coração até que não possa mais questionar se está lá.

Portanto, permaneçamos nesse trabalho abençoado para Cristo para que o deleite do amor seja o próprio oceano em que o amor nadará, o sol em que se aquecerá. A recreação de uma alma amorosa é trabalhar por Jesus Cristo; e dentre as formas mais altas e mais deliciosas dessa recreação celeste está o cuidar de cristãos novinhos; procurando edificá-los no entendimento e na compreensão, para que se tornem fortes no Senhor.

Sexta-feira, Setembro 08, 2006

Uma Lição-Modelo Para Professores - C. H. Spurgeon

Ensine-lhes moralidade: "Guarde a sua língua do mal e os seus lábios da falsidade. Afaste-se do mal e faça o bem; busque a paz com perseverança" (Sl 34.13-14). Ora, não ensinamos moralidade como o caminho para a salvação. Deus nos livre de algum dia misturarmos as obras do homem com a redenção que está em Cristo Jesus! "Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus" (Efésios 2.8). Contudo, ensinamos moralidade enquanto ensinamos espiritualidade; e sempre descubro que o evangelho produz a melhor moralidade. Eu prefiro um professor de Escola Dominical vigilante sobre a moral dos meninos e meninas de quem cuidam, que fale com eles particularmente sobre os pecados que são mais comuns entre a criançada. Ele poderá dizer às crianças honesta e convenien-temente muitas coisas que ninguém mais pode dizer, especialmente quando faz com que eles se lembrem do pecado da mentira, tão comum às crianças, ou do pecado do pequeno roubo, da desobediência aos pais, da quebra do dia do Senhor. Preferiria que o professor fizesse muita questão de mencionar esses males um por um; pois pouco adianta falar-lhes sobre males em grande quantidade; é preciso mencioná-los um a um, assim como Davi fez. Primeiro cuide da língua: "Guarde a sua língua do mal e os seus lábios da falsidade" (Sl 34.13). Depois cuide da conduta inteira: "Afaste-se do mal e faça o bem; busque a paz com perseverança" (Sl 34.14). Se a alma da criança não está salva por outras partes do ensino, esta parte pode ter um efeito benéfico sobre a vida dela, e até aí tudo bem. A moralidade, no entanto, por si só, é uma coisa comparativamente pequena. A melhor parte daquilo que você ensina é a piedade divinamente inspirada. Muitas pessoas são religiosas de certo modo, sem serem piedosas. Muitas têm todas as marcas externas da piedade, todo o lado de fora da piedade; a essas pessoas chamamos de "religiosos", mas elas não têm o pensamento certo com respeito a Deus. Pensam sobre seu lugar de culto, seu domingo, seus livros, mas nada sobre Deus. Quem não respeita a Deus, nem ora a Deus, nem ama Deus, é uma pessoa ímpia, qualquer que seja sua religião externa. Trabalhe para ensinar a criança a ter sempre um olho voltado para Deus; faça com que ela grave na memória estas palavras: "Tu me vês, ó Deus." Faça com que se lembre de que cada ato e pensamento dela é visto por Deus. Nenhum professor de Escola Dominical cumpre sua obrigação a não ser que frise sempre o fato de que há um Deus que tudo observa. Deveríamos ser mais piedosos, conversarmos mais sobre a piedade, e a amarmos mais.

A terceira lição é o mal do pecado. Se a criança não aprender isso, ela nunca aprenderá o caminho para o céu. Nenhum de nós sabia o que Cristo Salvador era até sabermos que coisa terrível é o pecado. Se o Espírito Santo não nos ensinar a grande pecaminosidade do pecado, nós nunca conheceremos a bem-aventurança da salvação. Busquemos a graça do Santo Espírito, então, quando ensinamos, para que possamos sempre ser capazes de dar ênfase à natureza abominável do pecado. "O rosto do Senhor volta-se contra os que praticam o mal para apagar da terra a memória deles" (Sl 34.16). Não poupe sua criança; deixe-a saber a que o pecado leva. Não tenha medo, como têm algumas pessoas, de falar claramente sobre as conseqüências do pecado. Ouvi falar de um pai que tinha um filho muito ímpio, e foi levado de modo bem repentino.

Ao contrário do que algumas famílias fariam, o pai, vencendo seus sentimentos naturais, pela graça divina, reuniu seus filhos e lhes disse: "Meus filhos, o irmão de vocês morreu; temo que esteja no inferno. Vocês conheciam sua vida e conduta, viram como se comportou; e agora Deus o apanhou em seus pecados." Então, ele lhes contou solenemente sobre o lugar do infortúnio em que acreditava - sim, quase tinha certeza que ele tinha ido, implorando que eles o evitassem, e fugissem da ira vindoura. Assim, ele foi o meio de levar seus filhos a um pensamento sério; mas tivesse ele agido, como alguns teriam feito, com ternura de coração, mas sem honestidade de propósito, e dito que esperava que seu filho tivesse ido ao céu, o que as o